A Casa de Thun, também grafada Ton ou Tono, é uma família nobre da Itália. Entre a Idade Média e a Idade Moderna foi uma das famílias mais poderosas do antigo Principado de Trento, produzindo quatro príncipes-bispos de Trento e outros dignitários. Também foi notável na Boêmia, com diversos membros de grande relevo.

Origens Os Thun aparecem nos registros históricos em meados do século XII já como senhores da vila de Ton, de onde deriva seu nome. Em 1199 Albertino e Manfredino de Ton receberam do bispo de Trento o feudo do monte Visione, sendo autorizados a construir um castelo, do qual nada mais resta. Pouco depois construíram outro, o atual castelo Thun, sobranceiro à vila de Ton, que se tornaria a principal sede do seu poder.Bonazza, Marcello. "La famiglia Thun". In: Camerlengo, Lia; Chini, Ezio; Gramatica, Francesca de (eds.). Castel Thun. Skira, 2010, pp. 33-39

No século XIII já havia vários ramos, e no século XIV inicia a sua fase de apogeu, adquirindo uma série de outros feudos e terras nos vales de Non e Sole e recebendo os títulos de vassalos dos condes de Flavon e dos condes de Appiano, ministerialis dos bispos de Trento e barões trentinos. No fim do século a aquisição do feudo de Königsberg lhes valeu o título de condes tiroleses. Em 1469 receberam o título de copeiros hereditários dos bispos de Trento, em 1558 se tornaram copeiros hereditários dos bispos de Bressanone, e em 1628, com a aquisição do feudo imperial de Hohenstein, se tornaram condes imperiais. Vários outros castelos foram agregados ao seu patrimônio, entre eles o castelo Bragher em Coredo em 1321, o castelo Altaguarda em Bresimo, no fim do século XIV, o castelo de Caldes em 1469, e o castelo de Castelfondo em 1471, todos eles vinculados a direitos feudais, rendas hereditárias, torres e fazendas.

Seu poder se consolidou, além da base territorial e castelã, através de uma sábia política de conciliação entre os dois Estados que disputavam a área: o Principado de Trento e o Condado do Tirol. Diversos de seus membros seguiram a carreira diplomática e outros tantos se tornaram conselheiros, militares e burocratas dos governos trentino, tirolês e imperial. Na segunda metade do século XV as possibilidades de trânsito entre as potências regionais se reduziram sensivelmente, obrigando a família a se reorganizar. Em 1596 seu patrimônio foi dividido entre os ramos principais, dando origem à linha do Castelo de Caldes, extinta em 1633 com a morte de Giovanni Arbogasto; a linha do Castelo Bragher, que produziu numerosa descendência no Trentino e na Boêmia deixaria importante legado, e a linha do Castelo Thun, menos ramificada mas também poderosa e brilhante.

A divisão não foi pacífica e deu origem a uma longa disputa de bens entre as linhas, amplificada com a extinção da linha de Caldes, que deixara sem herdeiro certo um grande patrimônio, e que só foi resolvida com um pacto familiar assinado em 1658 entre Carlo Cipriano e seus irmãos, pela linha do Castelo Bragher, e Cristoforo Riccardo pela linha do Castelo Thun: os bens de Giovanni Arbogasto foram então entregues aos Thun do Castelo Bragher, mediante uma indenização aos da linha do Castelo Thun.Mosca, Alberto. "Giovanni Arbogasto Thun-Bragher (1616-1646) e la storia di un matrimonio negato". In: Studi Trentini — Storia, 2013; 92 (2): 357-390

Até a divisão, podem ser citados entre seus expoentes Erasmo, vigário (administrador e representante) do conde Federico do Tirol em 1298; Guarimberto, vigário dos vales de Non e Sole em 1372; Giovanni, juiz em Taio em 1372; Guarimberto, vigário dos vales de Non e Sole em 1376 e 1398; Baldessare, capitão do Castelo Selva em 1412; Giovanni, vigário dos vales em 1422; Sigismondo, regolano maggiore de Coredo, Dermulo, Smarano e Sfruz, capitão do Castelo de Stenico em 1441 e capitão dos castelos de Stenico e Mani em 1445; Michele, vigário dos vales em 1442; Simone, capitão dos vales em 1475, 1484 e 1490; regolano maggiore de Coredo, Dermulo, Smarano e Sfruz; Stefanino, procurador da cidade de Trento em 1486; Baldessare, regolano maggiore de Mezzalone em 1502; Antonio, regolano maggiore de Rumo em 1516; Cristoforo, capitão da cidade de Trento em 1519; Sigismondo, regolano maggiore de Ton em 1562; Simeone, regolano maggiore de Dardine em 1564."La famiglia Thun". Castel Thun

Linha do Castelo Thun

Possuindo apenas um castelo, esta linha, fundada por Luca Thun, passou a adotar o sistema da herança concentrada em apenas um filho, geralmente o segundo, que assumia o castelo e o título de conde, enquanto os outros filhos seguiam carreiras na burocracia, no exército ou na Igreja. Geralmente os primogênitos eram destinados à Igreja, e no século XVII viriam a alcançar a titularidade do Principado, desempenhando um papel político e cultural de primeiro plano. Diversos membros foram monges, abades, cônegos. No fim do século XVII a família transferiu sua sede principal para Trento, onde haviam construído um palácio no século XVI, enquanto o castelo Thun permanecia como sede de férias, retiro para estudos ou para temporadas de caça.

No século XIX o principado foi secularizado e dividido entre a Áustria, a Baviera e a Itália, causando uma crise na família, perdendo seus feudos e rendas hereditárias. A decadência foi acentuada com a falência do conde Matteo (1813-1892) na década de 1870 após investimentos mal-sucedidos na sericultura e no mercado de ações. Foram obrigados a vender grande parte do seu patrimônio, incluindo o palácio em Trento, vendido em 1873 para o município, que instalou ali a sede do governo municipal. Em 1949 foram incorporados outros bens da família anexos ao palácio: uma loggia, a Torre Mirana e um palácio menor.Palazzo Thun. Comune di Trento Também foi posta à venda grande parte do arquivo familiar, adquirida pelo conde Friedrich (1810-1881), da linha boêmia, salvando-a da ameaça de dispersão. "I Thun di Boemia". In: Andreatta, Gianpaolo (ed.). Un segno d Europa: il simbolo del Trentino. Sirio, 1989

Outros representantes

Sigismondo Alfonso Thun (Castelo Thun, 7 de novembro de 1621 — Trento, 2 de fevereiro de 1677) estudou no Colégio Germânico de Roma, em 1646 foi consagrado sacerdote em Bressanone, e alguns anos depois foi convocado pelo bispo de Trento Carlo Emanuele Madruzzo para assumir a função de arquidiácono. Em 1663 foi eleito príncipe-bispo de Bressanone e em 1668, príncipe-bispo de Trento. Governou Trento por nove anos, em meio a um período difícil e tumultuado por caças às bruxas e hereges, ondas de puritanismo e por mudanças moralizadoras e canônicas impostas pela Contrarreforma. Combateu a disseminada prática da usura e a corrupção política, controlou as finanças do principado, protegeu os pobres e camponeses, fortaleceu o sistema judiciário e empenhou-se em uma renovação dos costumes. Restaurou o Palácio Pretoriano e foi um apoiador da Academia degli Accesi."Sigismondo Alfonso Thun". Trentino Cultura

Domenico Antonio Thun (Trento, 1º de março de 1686 — 7 de setembro de 1758) estudou no Colégio Germânico em Roma e depois entrou no Capítulo de Trento, onde permaneceu até 1730, quando foi eleito príncipe-bispo de Trento. Em 22 de novembro de 1730 obteve a confirmação papal e em 18 de dezembro tomou posse do principado, sendo sagrado bispo em 4 de fevereiro de 1731. Os primeiros dez anos de governo foram marcados pela retidão, temperança e vigor, graças aos conselhos de seu irmão Agostino e do reitor do Capítulo Carlo Costanzo Trapp, mas depois que eles morreram seu governo se desorientou e passou a levar uma vida dissipada, sendo obrigado a renunciar em 1748."Thun Domenico Antonio". Proggeto ESTeR — Editori e stampatori di Trento e Rovereto. Biblioteca comunale di Trento

Pietro Vigilio Thun (Trento, 13 de dezembro de 1724 — Castelo Thun, 17 de janeiro de 1800) estudou retórica em Trento e direito e teologia na Pontifícia Academia Eclesiástica de Roma. Em 1738 ingressou no Capítulo da Catedral de Trento, da qual em 1749 tornou-se arquidiácono. Foi eleito príncipe-bispo em 1776 e sagrado bispo em 30 de novembro. Desde o início de seu reinado procurou implementar um programa de reformas progressistas, mas teve sua atuação dificultada com a interferência da Áustria, que impôs ao principado a legislação austríaca em matéria de comércio e impostos. Em 1781 ofereceu ao imperador José II a soberania sobre a área do Trentino em troca de uma pensão pessoal. A proposta foi rejeitada e provocou um grande desgaste em sua imagem pública. Com a aproximação do exército de Napoleão, em 1796, Pietro Vigilio fugiu de Trento, nunca mais voltando, e permanecendo impotente para evitar a dissolução do principado."Pietro Vigilio Thunn (1724-1800; P.V. 1776-1800)". Trentino Cultura

Joseph Maria von Thun-Hohenstein (Trento, 24 de maio de 1713 — Mattighofen, 15 de junho de 1763) aos 16 anos foi eleito cônego do Capítulo de Salzburgo, e cônego de Passau dois anos depois. Em 1731 estudou direito e teologia em Salzburgo. Em seguida, foi a Roma como ministro e auditor da Rota e enviado do rei da Hungria. Em 14 de outubro de 1741 foi nomeado príncipe-bispo de Gurk, confirmado em 11 de janeiro de 1742, e em 18 de fevereiro de 1742, após ser dispensado do requisito de idade, foi sagrado bispo. A sé de Gurk foi governada por um vigário, devido à sua permanência em Roma servindo como diplomata, mas caiu em desgraça e deixou a cidade em 1744. Assumindo a diocese de Gurk, desenvolveu um trabalho ativo e fundou um seminário em Estrasburgo. Em 1753 se tornou administrador das dioceses de Lavent e Salzburgo e vigário geral para a Caríntia. Em 10 de novembro de 1761 foi eleito por unanimidade príncipe-bispo de Passau, sendo entronizado em 23 de maio de 1762. Durante seu curto governo de 19 meses, tentou melhorar o sistema escolar, incluindo a criação de um seminário. Em 1762 publicou o primeiro volume de uma tradução comentada do Novo Testamento. Foi um confidente dos imperadores Carlos VI e Maria Teresa e um dos primeiros expoentes da filosofia mercantilista. Segundo Franz Auer, "dedicou-se com uma energia incomum a melhorar a produção de linho, a agricultura e a silvicultura, promovendo o comércio. Cuidou das rotas de tráfego, lutou contra a ociosidade e a mendicância, construindo casas de trabalho, e fundou a Associação de Amor Cristão para erradicar a pobreza. Sua planejada reforma escolar, que apenas seu segundo sucessor foi capaz de implementar, é de grande importância. Como bispo, foi um dos primeiros representantes do Iluminismo no âmbito eclesiástico e visitava assiduamente as paróquias". Combateu a influência jesuíta especialmente pela divulgação de nova literatura teológica. Sua extensa biblioteca foi legada à Diocese de Passau.Auer, Franz. "Joseph Maria" In: Neue Deutsche Biographie, vol 10. Bayerischen Akademie der Wissenschaften, 1974, pp. 623-624

Thomas Johann Kaspar von Thun und Hohenstein (Trento, 16 de maio de 1737 — Passau, 7 de outubro de 1796) em 1756 foi nomeado cônego em Passau. Em 1766 foi nomeado vice-decano do Capítulo, e em 1771, obteve o título de decano, quando recebeu as ordens sagradas. Em 16 de dezembro de 1776 foi nomeado bispo titular de Tiatira, com a função de assistente do bispo de Passau. Desde o início se destacou como uma das figuras mais influentes da corte episcopal, principalmente no campo político. Após a morte do bispo Firmian em 1783, ele parecia o candidato natural para sua sucessão, mas foi derrotado por Joseph von Auersperg, assumindo então a liderança do partido conservador. Após a morte de Auersperg em 4 de novembro de 1795, o Capítulo o elegeu. Anulou várias medidas implementadas por seu antecessor, e dedicou-se ao embelezamento do palácio episcopal e da cidade. Seu reinado durou apenas onze meses, falecendo após uma queda de um cavalo.Moroni, Gaetano. Dizionario di erudizione storico-ecclesiastica da San Pietro sino ai nostri giorni, Venezia, Tip. Emiliana, 1879

Linha do Castelo Bragher