A perturbação bipolar II ou transtorno bipolar II é um transtorno do espectro bipolar (ver também: Transtorno bipolar I) caracterizado por pelo menos um episódio hipomaníaco e um episódio depressivo maior.Benazzi F (2007). "Bipolar II disorder: Epidemiology, Diagnosis and Management". CNS Drugs (Therapy in Practice). 21 (9): 727–40. doi:10.2165/00023210-200721090-00003. PMID 17696573. S2CID 28078494.Berk M, Dodd S (February 2005). "Bipolar II disorder: a review". Bipolar Disorders. 7 (1): 11–21. doi:10.1111/j.1399-5618.2004.00152.x. PMID 15654928.Hurley K (24 November 2020). "Bipolar Disorder and Depression: Understanding the Difference". Psycom. Retrieved 29 January 2021."Bipolar Diagnosis". WebMD. Atlanta, Georgia. 29 January 2021. p. 1. Retrieved 30 January 2021. O diagnóstico do transtorno bipolar II requer que o indivíduo nunca tenha sofrido um episódio maníaco completo.American Psychiatric Association. American Psychiatric Association. DSM-5 Task Force. (2017) . Diagnostic and statistical manual of mental disorders : DSM-5 (5th ed.). Washington, D.C.: American Psychiatric Association. p. 139. ISBN 9780890425541. OCLC 1042815534 – via Internet Archive. Caso contrário, transtorno bipolar I deve ser o diagnóstico dado.

A hipomania é um estado persistente de humor elevado ou irritável que é menos grave do que a mania, mas ainda pode afetar significativamente a qualidade de vida e resultar em consequências permanentes, incluindo neuroprogressão, inflamação crónica, problemas socioeconómicos resultantes de gastos imprudentes, relacionamentos conflituosos e mau julgamento.Suppes, Trisha (2019). Bipolar II Disorder Recognition, Understanding, and Treatment. American Psychiatric Association Publishing. Ao contrário da mania, a hipomania não está associada à psicose. Os episódios hipomaníacos associados ao transtorno bipolar II devem durar pelo menos quatro dias. Commumente, os episódios depressivos são mais frequentes e mais intensos do que os episódios hipomaníacos.Buskist W, Davis SF, eds. (2008). 21st Century Psychology: A Reference Handbook. Thousand Oaks, California: Sage Publications. pp. 290. ISBN 978-1-4129-4968-2 – via Internet Archive. Além disso, quando comparado ao transtorno bipolar I, o tipo II apresenta episódios depressivos mais frequentes e intervalos de bem-estar mais curtos."Bipolar II Disorder". WebMD. Reviewed by Smitha Bhandari, MD on April 14, 2020. p. 2. Retrieved 31 January 2021. O curso do transtorno bipolar II é mais crónico e consiste num ciclo mais frequente do que o curso do transtorno bipolar I. Finalmente, o transtorno bipolar II está associado a um maior risco de pensamentos e comportamentos suicidas do que o bipolar I ou a depressão unipolar.Mak AD (2007). "A short review on the diagnostic issues of bipolar spectrum disorders in clinically depressed patients -- Bipolar II disorder". Hong Kong Journal of Psychiatry. 17: 139–144 – via Gale. Embora o transtorno bipolar II seja percebido como uma forma menos grave do tipo I, esse não é o caso. Os tipos I e II são igualmente severos.Merikangas KR, Lamers F (January 2012). "The 'true' prevalence of bipolar II disorder". Current Opinion in Psychiatry. 25 (1): 19–23. doi:10.1097/YCO.0b013e32834de3de. PMID 22156934. S2CID 10768397.

O transtorno bipolar II é notoriamente difícil de diagnosticar. Os pacientes geralmente procuram ajuda quando estão num estado depressivo ou quando os seus episódios hipomaníacos manifestam sintomas indesejados, como altos níveis de ansiedade ou a aparente incapacidade de se concentrar nas tarefas. Como muitos dos sintomas da hipomania são frequentemente confundidos com comportamento de alto funcionamento ou simplesmente atribuídos à personalidade, os pacientes normalmente não estão cientes dos seus sintomas. Além disso, muitas pessoas que sofrem do transtorno bipolar II têm períodos de afeto normal. Como resultado, quando os pacientes procuram ajuda, muitas vezes não conseguem fornecer ao seu médico todas as informações necessárias para uma avaliação precisa; esses indivíduos são frequentemente são diagnosticados com depressão unipolar. De todos os indivíduos inicialmente diagnosticados com transtorno depressivo maior, entre 40% a 50% serão posteriormente diagnosticados com TB-I ou TB-II. Transtornos de abuso de substâncias (que apresentam alta co-morbidade com o TB-II) e períodos de depressão mista também podem dificultar a identificação precisa do transtorno. Apesar das dificuldades, é importante que os indivíduos com TB-II sejam avaliados corretamente para que possam receber o tratamento adequado. O uso de antidepressivos, na ausência de estabilizadores de humor, está correlacionado com o agravamento dos sintomas do TB-II.

Sinais e sintomas

Episódios hipomaníacos A hipomania é a característica principal do transtorno bipolar II. É um estado caracterizado por euforia e/ou um humor irritável. Para que um episódio seja qualificado como hipomaníaco, este deve durar pelo menos quatro dias consecutivos e estar presente a maior parte do dia, quase todos os dias, bem como, ter três ou mais dos sintomas abaixo descritos:

Auto-estima inflada ou grandiosidade. Diminuição da necessidade de sono (por exemplo, sente-se bem após apenas 3 horas de sono). Mais falador do que o normal ou pressão para continuar a falar. Fuga de ideias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão acelarados. Distratibilidade (isto é, atenção facilmente atraída para estímulos externos sem importância ou irrelevantes), conforme relatado ou observado. Aumento da atividade dirigida a um objetivo (seja socialmente, no trabalho ou na escola, ou sexualmente) ou agitação psicomotora . Envolvimento excessivo em atividades com alto potencial de consequências negativas (por exemplo, envolvimento em compras desenfreadas, indiscrições sexuais ou investimentos mal pensados em negócios).

É importante distinguir entre a hipomania e a mania . A mania é geralmente mais severa e prejudica a função, às vezes levando à hospitalização e, nos casos mais graves, a sintomas psicóticos. Em contraste, a hipomania geralmente aumenta os níveis de funcionamento. Por esse motivo, não é incomum que a hipomania passe despercebida. Frequentemente, só quando os indivíduos estão num episódio depressivo é que procuram tratamento, e mesmo assim o seu historial hipomaníaco pode não ser diagnosticado. Mesmo que a hipomania possa aumentar o funcionamento, os episódios precisam ser tratados porque podem precipitar episódios depressivos.

Episódios depressivos É durante os episódios depressivos que os pacientes com TB-II freqüentemente procuram ajuda. Os sintomas podem ser sindrómicos ou subsindrómicos. Os sintomas depressivos do TB-II podem incluir cinco ou mais dos sintomas abaixo (pelo menos um deles deve ser humor deprimido ou perda de interesse/prazer). Para serem diagnosticados, eles precisam estar presentes por pelo menos duas semanas, como uma alteração do funcionamento hipomaníaco anterior:

Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, conforme indicado por relato subjetivo (por exemplo, sente-se triste, vazio ou desesperançoso) ou observação feita por outras pessoas (por exemplo, parece choroso). (Nota: Em crianças e adolescentes, pode haver humor irritável.) Interesse ou prazer marcadamente diminuído em todas, ou quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias (conforme indicado por relato subjetivo ou observação). Perda de peso significativa quando não está de dieta ou ganho de peso (por exemplo, uma mudança de mais de 5% do peso corporal num mês), ou diminuição ou aumento do apetite quase todos os dias. (Observação: em crianças, considere a falha em ganhar o peso esperado.) Insónia ou hipersónia quase todos os dias. Agitação ou retardo psicomotores quase todos os dias (observável por outros; não apenas sentimentos subjetivos de inquietação ou desaceleração). Fadiga ou perda de energia quase todos os dias. Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada quase todos os dias (não apenas autocensura ou culpa por estar doente). Capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se, possível irritabilidade ou indecisão, quase todos os dias (seja por relato subjetivo ou conforme observado por outros). Pensamentos recorrentes de morte (não apenas medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, uma tentativa de suicídio ou um plano específico para cometer o suicídio.

As evidências também sugerem que o TB-II está fortemente associado à depressão atípica . Essencialmente, isso significa que muitos pacientes com BP-II apresentam sintomas vegetativos reversos. Os pacientes com TB-II podem ter tendência a dormir e a comer demais, enquanto que os pacientes tipicamente deprimidos dormem e comem menos do que o normal.

Depressão mista Estados mistos depressivos ocorrem quando os pacientes experienciam ao mesmo tempo depressão e hipomania não eufórica, geralmente subsindrómica. Como mencionado anteriormente, é particularmente difícil diagnosticar TB-II quando um paciente está nesse estado.

Num estado misto, o humor é deprimido, mas os seguintes sintomas de hipomania também estão presentes:

Irritabilidade Hiperatividade mental Hiperatividade comportamental

Estados mistos estão associados a maiores níveis de suicídio do que a depressão não mista. Os antidepressivos podem aumentar esse risco.

Recaída No caso de uma recaída, os seguintes sintomas costumam ocorrer e são considerados sinais de alerta precoce:Orum M (2008). "The Role of Wellbeing Plans in Managing Bipolar II Disorder". In Parker G (ed.). Bipolar II Disorder: Modelling, Measuring, and Managing. Cambridge, England: Cambridge University Press. ISBN 978-0-521-87314-7.

Perturbação do sono: o paciente necessita de menos sono e não se sente cansado Pensamentos e/ou fala acelerados Ansiedade Irritabilidade Intensidade emocional Gasto de dinheiro maior do que o normal Comportamento impulsivo, direcionado à comida, a drogas ou a álcool Discussões com familiares e amigos Assumir muitos projetos ao mesmo tempo

Pessoas com transtorno bipolar podem desenvolver sintomatologia dissociativa para corresponder a cada estado de espírito que experimentam. Para alguns, isso é feito intencionalmente, como um meio de escapar do trauma ou da dor de um período depressivo, ou simplesmente para organizar melhor a vida estabelecendo limites para as suas percepções e comportamentos.Smith M (2008). "Survival Strategies for Managing and Prospering with Bipolar II Disorder". In Parker G (ed.). Bipolar II Disorder: Modelling, Measuring, and Managing. Cambridge, England: Cambridge University Press. pp. 195–203. ISBN 978-0-521-87314-7.

Estudos indicam que os eventos a seguir também podem precipitar recaídas em pacientes com TB-II:Proudfoot J, Doran J, Manicavasagar V, Parker G (October 2011). "The precipitants of manic/hypomanic episodes in the context of bipolar disorder: a review". Journal of Affective Disorders. 133 (3): 381–7. doi:10.1016/j.jad.2010.10.051. PMID 21106249.

Eventos de vida stressantes Críticas de parentes ou colegas Uso de antidepressivo Ritmo circadiano interrompido

Condições comórbidas