Campanulaceae é uma família de plantas com flor pertencente à ordem Asterales que agrupa cerca de espécies repartidas por 84 géneros, maioritariamente plantas herbáceas, mas com alguns arbustos e raramente pequenas árvores, frequentemente com seiva leitosa. A família inclui várias plantas de jardim muito comuns pertencentes aos géneros Campanula (campânulas), Lobelia e Platycodon (flor-balão). As espécies Campanula rapunculus e Codonopsis lanceolata são consumidas como vegetais. As espécies Lobelia inflata, Lobelia siphilitica e Lobelia tupa, entre outras, são utilizadas como plantas medicinais. A espécie Campanula rapunculoides pode ser uma erva daninha incómoda, especialmente em jardins, enquanto várias espécies do género Legousia são infestantes em campos arados. Descrição Morfologia As folhas são simples, inteiras ou serreadas, com nervação peninérvea, frequentemente carnosas, alternas (quase sempre), opostas ou verticilados. É comum a presença de látex leitoso.

As flores são vistosas, em inflorescências terminais ou axilares, com simetria zigomorfa, embora raramente possam ser actinomorfas. As flores apresentam protandria. São diclamídeas, bissexuadas e bastante vistosas com colorações alaranjadas, avermelhadas e esbranquiçadas. O cálice tem prefloração valvar, aberta ou imbricado. A corola é geralmente gamopétala. Androceu isostémone, com estames em número de 5, comumente unidos pelos filetes ou pelas anteras, que geralmente estão incluídos sobre as pétalas (epipétalo). Anteras introrsas, estiletes sem indúsio e com tricomas coletores.

O ovário é geralmente ínfero ou, em algumas espécies, semi-ínfero. Muito raramente é completamente súpero (por exemplo, em Cyananthus). Em Campanumoea javanica, o cálice e a corola divergem do ovário em níveis diferentes. Os óvulos são numerosos.

O fruto é do tipo cápsula ou drupa. As bagas são um tipo de fruto comum na subfamília Lobelioideae (géneros Burmeistera, Clermontia, Centropogon, Cyanea, entre outros), enquanto são raras na subfamília Campanuloideae (Canarina sendo um dos poucos exemplos). As cápsulas, com modos de deiscência muito variados, são o tipo de fruto predominante na família.

As sementes são, na sua maioria, pequenas (<2 mm) e numerosas.

Algumas espécies de Lobelia produzem alcaloides que apresentam propriedades farmacológicas. Os membros da subfamília Lobelioideae contêm o alcalóide lobelina. O principal carbo-hidrato armazenado pelas Campanulaceae é a inulina, um frutano que também ocorre nas Asteraceae. Distribuição Os habitats variam de desertos extremos a florestas tropicais e lagos, dos trópicos ao alto Ártico (Campanula uniflora), e de falésias marítimas a habitats alpinos elevados.

A família exibe uma distribuição cosmopolita. No Brasil, a mesma é encontrada nas seguintes regiões e cidades: Região Norte (Acre, Pará, Amazônia, Roraima, Rondônia), Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Paraíba), Centro-oeste (Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Distrito Federal, Goiás), Sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais) e Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná).

Existem 11 gêneros dentro da família Campanulaceae (Asyneuma Griseb. & Schenk, Campanula L., Centropogon C.Presl, Hippobroma G.Don, Isotoma(R.Br.) Lindl., Lobelia L., Siphocampylus Pohl, Solenopsis C.Presl, Specularia Heist. ex A.DC., Triodanis Raf., Wahlenbergia Schrad. ex Roth), 6 deles ocorrem no Brasil e apresentam um total de 55 espécies, das quais 39 são endêmicas. Importância económica A espécie Lovendulaceae klotsck é uma erva com folhas pequenas. A Campanula rapunculoide, encontrada com frequência na Europa, são exemplos que mostram o potencial da família no cultivo ornamental sendo utilizadas em paisagismo.

Taxonomia e sistemática O nome da família deriva do nome genérico de Campanula, o qual resulta da morfologia campanuliforme do receptáculo floral da maioria das espécies que o integram.

A maioria das classificações atuais inclui a família segregada Lobeliaceae na família Campanulaceae como a subfamília Lobelioideae. Uma terceira subfamília, Cyphioideae, inclui o género Cyphia e, por vezes, também os géneros Cyphocarpus, Nemacladus, Parishella e Pseudonemacladus. Alternativamente, os últimos três géneros são colocados em Nemacladoideae, enquanto Cyphocarpus é colocado na sua própria subfamília, Cyphocarpoideae.

Esta família é quase cosmopolita, ocorrendo em todos os continentes, exceto na Antártida. Além disso, as espécies da família são nativas de muitas ilhas oceânicas remotas e arquipélagos. O Hawaii é particularmente rico, com mais de 100 espécies endémicas de lobelioides havaianos. As áreas continentais com alta diversidade são a África do Sul, Califórnia e o norte dos Andes. Subfamílias e géneros Na sua presente circunscrição taxonómica a família Campanulaceae agrupa cerca de espécies repartidas por 95 géneros. De acordo com o Angiosperm Phylogeny Website, o sistema APG IV divide a família em 5 subfamílias.Stevens, P.F. (2001 onwards). "Campanulaceae". Angiosperm Phylogeny Website. Retrieved 2022-04-23. A estrutura da família é a seguinte:

Campanuloideae

Adenophora – Europa e Ásia Asyneuma – sul da Europa e Ásia Berenice – Réunion Campanula (sinónimos: Azorina e Theodorovia ) – maioritariamente no Hemisfério Norte Campanulastrum Small Canarina – ilhas Canárias e leste da África Codonopsis – Ásia oriental Craterocapsa – África do Sul Cryptocodon – Ásia Central Cyananthus – leste da Ásia Cyclocodon Griff. ex Hook.f. & Thomson – Ásia tropical e subtropical e Nova Guiné Cylindrocarpa – Ásia Central Eastwoodiella Morin – Califórnia Echinocodon – China Edraianthus – sueste da Europa e oeste da Ásia Favratia Feer – Alpes Feeria – Marrocos × Fockeanthus – Europa Central Githopsis – oeste da América do Norte Gunillaea – África tropical e Madagáscar Hanabusaya – Coreia Heterochaenia – ilha da Reunião Heterocodon – sudoeste da América do Norte Himalacodon D.Y.Hong & Qiang Wang – Himalaias Homocodon – China Jasione – Europa e sudoeste da Ásia Kericodon Cupido – Província do Cabo Legousia – Europa e Norte de África Melanocalyx (Fed.) Morin – subarctic Eurasia and North America and Rocky Mountains Merciera – África do Sul Michauxia – Médio Oriente Microcodon – África do Sul Muehlbergella Feer Musschia – ilha da Madeira Namacodon – sudoeste da África Nesocodon – Maurícias Ostrowskia – Ásia Central Palustricodon Morin – centro e leste da América do Norte Pankycodon D.Y.Hong & X.T.Ma – Himalaias Peracarpa – Suueste Asiático Petromarula – Creta Physoplexis – Alpes Phyteuma – Europa e Ásia Platycodon – leste da Ásia Poolea Morin – Texas Prismatocarpus – sul da África Protocodon Morin – Flórida Pseudocodon D.Y.Hong & H.Sun Ravenella Morin – Califórnia Rhigiophyllum – África do Sul Roella – África do Sul Rotanthella Morin – Flórida Sergia – Ásia Central Siphocodon - África do Sul Smithiastrum Morin – Califórnia e Oregon Theilera – África do Sul Trachelium – sueste da Europa, Médio Oriente e Ásia Central Treichelia – África do Sul Triodanis – Américas e sul da Europa Wahlenbergia (sinónimo: Hesperocodon Eddie & Cupido) – maioritariamente no Hemisfério Sul Zeugandra – Irão

Lobelioideae

Brighamia – Hawaii Burmeistera – norte dos Andes e América Central Centropogon – Neotropical Clermontia – Hawaii Cyanea – Hawaii Delissea – Hawaii Dialypetalum – Madagáscar Diastatea – Neotrópicos Dielsantha – África tropical Downingia – oeste da América do Norte e América central Grammatotheca – África do Sul Heterotoma – Mexico Hippobroma – W Indies Howellia – SW N America Isotoma – Austrália Legenere – California Lithotoma E.B.Knox – Austrália Lobelia (sinonímia inlui Hypsela, Laurentia e Pratia) – distribuição cosmopolita Lysipomia – Andes Monopsis – África tropical e do sul; Comoros Palmerella – Califórnia Porterella – sudoeste da América do Norte Ruthiella – Nova Guiné Sclerotheca (synonym Apetahia ) – ilhas da Sociedade Siphocampylus – Neotrópicos Solenopsis – sul da Europa e norte da África Trematolobelia – Hawaii Trimeris – ilha de Santa Helena Unigenes – África do Sul Wimmeranthus Rzed. – sudoeste do México Wimmerella – África do Sul

Cyphioideae Cyphia – África

Cyphocarpoideae Cyphocarpus – norte do Chile

Nemacladoideae Nemacladus (sin. Parishella) – sudoeste da América do Norte Pseudonemacladus – México

A listagem completa dos géneros é a seguinte:

Adenophora Apetahia Astrocodon Asyneuma Azorina Berenice Brighamia Burmeistera Campanula Campanulastrum Canarina Centropogon Clermontia Codonopsis Craterocapsa Cryptocodon Cyananthus Cyanea Cylindrocarpa Cyphia Cyphocarpus Delissea

Diastatea Dielsantha Downingia Echinocodon Edraianthus Feeria Gadellia Githopsis Grammatotheca Gunillaea Hanabusaya Heterochaenia Heterocodon Heterotoma Hippobroma Homocodon Howellia Hypsela Jasione Laurentia Legenere Legousia

Leptocodon Lightfootia Lobelia Lysipomia Merciera Michauxia Microcodon Monopsis Musschia Namacodon Nemacladus Nesocodon Numaeacampa Ostrowskia Palmerella Parishella Peracarpa Petromarula Physoplexis Phyteuma Platycodon Popoviocodonia

Porterella Pratia Prismatocarpus Pseudonemacladus Rhigiophyllum Roella Rollandia Ruthiella Sclerotheca Sergia Siphocampylus Siphocodon Symphyandra Theilera Trachelium Treichelia Trematolobelia Trimeris Triodanis Unigenes Wahlenbergia Zeugandra

Na classificação taxonómica de Jussieu (1789), Campanulaceae é uma ordem botânica da classe Dicotyledones, Monoclinae (flores hermafroditas), Monopetalae (uma pétala), com corola perigínica (quando a corola se insere à volta do nível do ovário). A ordem apresenta no Sistema de Jussieu 11 géneros.

Registo fóssil A ocorrência mais antiga conhecida de registo fóssil de pólen de uma Campanulaceae é proveniente de estratos do Oligoceno. Os primeiros macrofósseis datados da família Campanulaceae são sementes de Campanula paleopyramidalis, com 17 a 16 milhões de anos, encontradas em depósitos do Mioceno em Nowy Sacz, nos Cárpatos da Polónia. Aquela espécie era um parente próximo da espécie extante ''Campanula pyramidalis. Referências

Bibliografia

Ordem Campanulaceae em Jussieu, Antoine Laurent de (1789). "Genera Plantarum, secundum ordines naturales disposita juxta methodum in Horto Regio Parisiensi exaratam". Angely, J. 1985. Pesquisa e ordenamento histórico, taxonômico, fitogeográfico, estatístico e bibliográfico das lobeliáceas brasileiras. Jornal de Botânica 329: 1-7.

Ver também Grupo de Filogenia das Angiospérmicas Ligações externas

Informação sobre Asterales - Angiosperm Phylogeny Website Chave de identificação de famílias de angiospérmicas Imagens e descrição de famílias de angiospérmicas - segundo sistema Cronquist Topwalks Flowers in Israel

Categoria:Asterales Categoria:Famílias de angiospérmicas