thumb|308px|Ruínas de Otrar Otrar, Utrar ou Otyrartobe () é uma cidade-fantasma e um sítio arqueológico no sul do Cazaquistão, na região administrativa do Turquestão. É provável que seja a cidade medieval da Transoxiana que nos primeiros tempos do islão era conhecida como Farabe , célebre por ter sido onde nasceu o filósofo al-Farabi . O nome de Otrar é conhecido principalmente pelo papel que teve na primeira fase da invasão mongol da Ásia Central. Foi uma cidade importante na Rota da Seda.

Otrar situa-se num oásis na margem norte do rio Sir Dária (Jaxartes), junto à confluência do seu afluente Arys, que também passa por (antigamente ; ), situada cerca de 170 km a sudeste).

A principal cidade da região começou por ser Kadar ou Kader, que no cedeu o lugar ou foi trasladada para Farabe. O geógrafo árabe do Mocadaci, que também a menciona com os nomes ou , descreveu-a como uma cidade populosa, cujos habitantes eram guerreiros destemidos, fortificada, com uma cidadela, uma mesquita congregacional e mercados animados, frequentados por nómadas das estepes que lá iam vender os seus produtos. Segundo o mesmo autor, a cidade tinha , um número provavelmente muito exagerado, que possivelmente tem um zero a mais. Os terrenos eram pantanosos, com alguns salares e propensos a cheias, mas a agricultura era possível e praticada ao longo das margens dos rios.

História Embora depois tenha caído em desuso durante muitos séculos, aparentemente o nome atual era conhecido antes, pois Atabari relatou que um governante local da Transoxiana chamado se recusou a pagar tributo ao califa Almamune . Contudo, o nome Otrar só predominou sobre Farabe mais tarde. Nos relatos sobre a conquista mongol do Império Corásmio, no primeiro quartel do , aparece com o nome de Otrar. Há indícios que Otrar e Farabe eram cidades diferentes e que a última tenha sido abandonada ou perdido importância durante o período caracânida . Farabe é é pouco mencionada historicamente, ao contrário de Otrar.

À semelhança de , a região só se tornou islâmica quando o fundador do Império Samânida, Nu ibne Açade , e o seu sucessor várias décadas depois, Ismail Samani , conquistaram as áreas limítrofes das estepes cazaques a norte do rio Sir Dária (Jaxartes). Durante muito tempo, Farabe fez parte da zona de fronteira entre os territórios islâmicos e as estepes controladas pelos turcos oguzes pagãos, que no foram substituídos pelos quipechaques. Nessa altura teve alguma importância comercial devido a ser o início da rota comercial em direção a norte via Deh-e Now ou até aos territórios dos turcos quimaques nas margens dos rios Ishim e Irtixe.

Segundo ibne Haucal, o filósofo al-Farabi nasceu em , uma aldeia perto de Farabe. Outro erudito famoso nascido na cidade foi Ismail ibne Hamade Aljauari (; m. ), um lexicógrafo e alegadamente pioneiro da aviação, que morreu ao tentar voar com asas de madeira presas nos braços desde o teto duma mesquita em Nixapur. Por Xabadim Nasavi, o secretário de Jalaladim Mingueburnu, último xá Império Corásmio, sabe-se que no início do Otrar era governada por , um príncipe turco caracânida vassalo do Canato Caraquitai, que foi morto pelo xá corásmio em Nasa poucos anos antes do aparecimento dos mongóis na região.

Em 1218, chegou a Otrar uma caravana de 450 mercadores muçulmanos do ordu de , enviados por este para estabelecerem relações comerciais com os territórios do Império Corásmio. Aparentemente, um dos líderes desses mercadores era natural da cidade, pois chamava-se . (ou ou ), governador de Otrar, ao que parece com o aval do xá Maomé II, que era seu parente, prendeu os mercadores, confiscou-lhes as mercadorias e mandou-os executar. Ao saber disto, o imperador mongol enviou uma embaixada a Maomé II para pedir reparações. A rejeição desta embaixada pelo xá corásmio tornou inevitável a invasão mongol do Império Corásmio e em 1219 Gêngis Cã chegou ao Jaxartes à frente das suas tropas e cercou Otrar. Após longos combates a cidade foi tomada, após o que os mongóis a arrasaram completamente, demolindo todas as construções, incluindo a cidadela. A maior parte dos habitantes sobreviventes foram deportados e Inalchuque foi executado. Otrar reviveu parcialmente e dois séculos depois já era novamente uma cidade, onde Tamerlão viria a morrer em 1405, após ter-se encontrado com Toquetamis, ex-governante do Canato da Horda Dourada. Pouco depois declinou completamente e caiu em ruínas.

Notas

Bibliografia

Categoria:Sítios arqueológicos do Cazaquistão Categoria:Lista indicativa do Patrimônio Mundial Categoria:Cidades do Império Corásmio Categoria:Cidades do Canato Caracânida Categoria:Cidades do Império Samânida Categoria:Cidades do Império Timúrida Categoria:Cidades ao longo da Rota da Seda