Esta é uma lista de crises econômicas, financeiras e monetárias brasileiras. A economia do Brasil sempre foi caracterizada por instabilidade. Esta lista elenca os períodos de desajuste econômico mais significativos e que tiveram impacto em todo ou em grande parte do território nacional.

A lista distingue a origem de determinada crise entre interna e externa. As crises internas tiveram início no território nacional, enquanto as externas foram consequências locais de crises que tiveram início em outro país. Porém, essa distinção é uma simplificação, já que várias crises têm fatores tanto endógenos quanto exógenos.

CriseDescriçãoOrigemChefe de Estado Crise da independência de Independência do Brasil, caracterizada por uma duradoura estagnação das exportações, e que só iria se resolver mais tarde com a ascensão do café como principal produto da economia nacional.InternaPedro ICrise de 1857A crise de 1857, também chamado de pânico de 57, teve como origem a queda nos preços internacionais das commodities. A crise teve fim em agosto do ano seguinte. No Brasil, os preços do café (principal exportação brasileira à época do ciclo do café) caíram no mercado internacional. As vendas do produto caíram de 2,0 para 1,8 milhões de sacas no ano seguinte.ExternaPedro IICrise de 1864Ao contrário das crises de 1857 e 1875, esta teve origem interna. Sua causa foi uma política econômica excessivamente recessiva adotada no início da década.Conforme o livro citado acima (A história dos bancos no Brasil): Um acontecimento que marca o auge desta crise foi a quebra da Casa Souto, um dos maiores estabelecimentos bancários da época, em setembro desse ano.InternaGuerra do ParaguaiIniciada em dezembro de 1864 e terminada em 1870, foi muito custosa ao governo imperial, gerando grande endividamento interno e externo e uma crise econômico-financeira. A guerra gerou dificuldades que se alastrariam pelo resto do reinado de Pedro II e anteciparia o fim da monarquia.ExternaCrise de 1875Em 1873, estourou uma crise internacional, conhecida como o pânico de 1873 e considerada por muitos historiadores como a mais grave do século XIX. A crise chegou ao Brasil em 1875. O governo retirou 20% do meio circulante do país. Vários bancos faliram. A crise foi ainda agravada pela Grande Seca no nordeste dois anos depois.ExternaCrise do encilhamentoApós a Proclamação da República, Ruy Barbosa, ministro da Fazenda, assinou um decreto, em 1890, que permitia que estabelecimentos bancários emitissem dinheiro. A razão para a medida era que a quantidade de dinheiro no país não era suficiente para atender às necessidades de expansão da agricultura e da indústria, além de haver mais trabalhadores assalariados a serem pagos desde o fim da escravidão. Com a medida, a quantidade de dinheiro no país triplicou de 1889 a 1891. Mas a euforia financeira gerada ultrapassou em muito a capacidade produtiva do país. Como consequência, houve uma grande quantidade de falências e um enorme processo inflacionário.InternaFonseca, PeixotoGrande DepressãoA Grande Depressão de 1929 teve graves impactos na produção de café no Brasil, que era o principal produto exportado. Nessa época, várias toneladas de café foram queimadas para controlar os preços e acabar com os estoques.ExternaLuís, VargasCrise econômica no início dos anos 1960A partir de 1962, o país enfrentou baixas taxas de crescimento, chegando apenas 0,6% de crescimento em 1963. De um lado, houve uma queda dos investimentos públicos e privados; de outro lado, a elevação do déficit público, causando a aceleração da inflação, que em 1961 era de 51,6% e passa a 80% em 1962, chegando a 93% em 1963. Tudo isso leva a uma crise no balanço de pagamentos.InternaGoulart,CasteloFim do padrão-ouroO fim do padrão-ouro em 1971 foi um evento que alterou a geografia econômica e política mundial. A partir desse choque, o Dólar americano seria o lastro de todas as economias mundiais, tornando todas as moedas fiduciárias e de cunho forçado, lastreadas apenas em títulos da dívida americana, deflagrando os choques do petróleo.ExternaMédiciCrises do PetróleoOs preços do barril de petróleo se elevaram, deflagrando prolongada recessão nos Estados Unidos e na Europa, desestabilizando a economia mundial. No Brasil, a crise marcou o início do fim do "milagre econômico brasileiro", ocorrido durante a ditadura militar. A causa dessa crise mundial foi uma reação provocada pelo embargo dos países membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e Golfo Pérsico de distribuição de petróleo para os Estados Unidos e países da Europa. Num contexto de déficit de oferta, com o início do processo de nacionalizações e de uma série de conflitos, como a guerra dos Seis Dias (1967), a guerra do Yom Kipur (1973), a revolução islâmica no Irã (1979) e a guerra Irã-Iraque (a partir de 1980), além de uma excessiva especulação financeira. ExternaMédici, GeiselDécada perdidaA década perdida refere-se aos anos 1980, nos anos finais e depois da ditadura militar. Foi uma época de estagnação do produto interno bruto do Brasil, inflação elevada e crise do endividamento externo.InternaFigueiredo, Sarney, CollorHiperinflaçãoSurto de inflação nos anos 80 e início dos anos 90.InternaEfeito tequila"Efeito tequila" foi como ficaram conhecidas as consequências, no Brasil, da crise econômica do México de 1994. O México havia novamente decretado moratória da sua dívida. Como consequência, os investidores retiraram suas aplicações não só do México, mas também de outros países da América Latina, entre eles o Brasil. A crise foi superada em poucos meses, após breve recessão.ExternaFHCEfeito sambaForte movimento de queda do real em janeiro de 1999, quando o Banco Central abandonou o regime de bandas cambiais, passando a operar em regime de câmbio flutuante. Esse novo regime fez parte do tripé macroeconômico.InternaCrise de 2007–2008A crise financeira global de 2007–2008 teve início nos Estados Unidos. Os efeitos dessa crise levaram tempo para ser sentidos no Brasil. Contudo, houve uma desaceleração da economia nacional.ExternaLulaCrise econômica de 2014Também conhecida como a "grande recessão brasileira", foi uma profunda e duradoura crise econômica, sendo caracterizada por recessão por dois anos consecutivos (2015 e 2016) e por sua longa e lenta recuperação, a mais lenta da história do país. Suas causas são a política econômica da presidente Dilma Rousseff, conhecida como a nova matriz econômica; a desvalorização das commodities em 2014; e a crise política no país. Dentre essas três causas, apenas a desvalorização foi um acontecimento externo.InternaDilma, TemerCrise causada pela Pandemia de COVID-19Em 2020, ainda sob os efeitos da crise de 2014, o país entrou em nova crise devido à pandemia de COVID-19. Em março, foi prevista pela primeira vez uma retração no PIB do país para o ano devido principalmente à pandemia.ExternaBolsonaro

Antes da independência Antes da independência, o Brasil era parte do mais vasto Império Português. Deste modo, não é fácil determinar se a origem de determinada crise foi interna ou externa. Também é difícil falar em crise econômica antes de uma economia capitalista firmemente estabelecida. De todo modo, algumas crises do período colonial são as seguintes:

Epidemia de sarampo entre os escravos em 1745 — Segundo a "lista dos escravos que se tomaram para o engenho de Sergipe do conde" no ano 1745, no Cartório dos Jesuítas,"Lista dos escravos que se tomaram para o engenho de Sergipe do conde" de Linhares , Cartório dos Jesuítas, mç. 15, n.º 25, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa, Portugal houve um grande prejuízo em "todos os engenhos e escravaturas do Brasil", devido a "uma epidemia universal que chegou a todos vinda em um navio de negros da Costa da Mina, [...] a todos causou estragos perdas e despesas." (Entende-se: perdas e despesas para a economia.)

Decadência da mineração ao fim do século XVIII — Crise causada pelo esgotamento das jazidas de ouro e de outros metais preciosos, encerrando o ciclo do ouro. Durante o período colonial, sempre houve um grande produto que era o centro da economia, como o ouro, e, antes dele, o açúcar. Após o fim do ciclo do ouro, faltava ao Brasil um grande produto para preencher a lacuna deixada pelos metais preciosos. A crise que seria causada pelo esgotamento do ouro foi prevista pelo vice-rei Luís de Almeida Portugal Soares Mascarenhas (vice-rei de 1769 a 1778), que, com isso em mente, favoreceu o desenvolvimento da lavoura. Durante a crise, o poder de compra da população era bem menor do que na fase áurea da mineração. "Entre 1750 e 1850, a economia brasileira não está só estacionada. Ela regride." (Conforme o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira.) Foi uma crise longa, que só terminaria no século seguinte, durante o período regencial (1831-1840), com a ascensão do café.

Ver também Planejamento econômico no Brasil História econômica do Brasil Economia do Brasil

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