José Benedito Correia Leite (São Paulo, 23 de agosto de 1900 — 27 de fevereiro de 1989) foi um dos principais jornalistas da imprensa negra paulista do início do século XXPereira, Amilcar Araujo & Alberti, Verena. Luiz Silva (Cuti). Fundação Getulio Vargas, 2020 e uma das principais personalidades históricas do movimento negro brasileiro.Ferreira, Maria Cláudia Cardoso. "As trajetórias de Veiga dos Santos e Correia Leite: dissensos e convergências na militância negra dos anos 1930". In: XXIX Encontro Anual da ANPOCS, 25-29/10/2005

Filho mestiço de uma empregada doméstica negra, não conheceu o pai e viveu a juventude na pobreza, trabalhando em ofícios humildes, mas recebeu estímulo de uma professora para estudar na escola que ela mantinha. A escola fechou pouco depois, continuando seus estudos em um colégio mantido pela maçonaria, e depois em um curso de alfabetização do Mosteiro de São Bento, mas teve dificuldades de aprendizagem, até que conheceu Jayme de Aguiar, um ativista ilustrado com quem fez amizade e que lhe ministrou aulas particulares.Domingues, Petrônio. "O recinto sagrado: educação e antirracismo no Brasil". In: Cadernos de Pesquisa, 2009; 39 (138)

Com 24 anos já se tornara um ativista, sendo co-fundador, com Aguiar, do jornal O Clarim d'Alvorada, ali desempenhando as funções de diretor responsável, redator, repórter e gráfico. Segundo Rosangela Ferreira de Souza, O Clarim "foi um dos jornais que mais se destacaram em São Paulo, marcando a história da imprensa negra. Fundado para ser um jornal literário, tornou-se arma de luta contra a situação do negro na sociedade brasileira".Souza, Rosangela Ferreira de. "Propagação e circulação de ideias sobre o negro em São Paulo no início do século XX: O Clarim da Alvorada (1924-1940)". In: VII Congresso Brasileiro de História da Educação: Circuitos e Fronteiras da História da Educação no Brasil. Universidade Federal de Mato Grosso, 20-23/05/2013 Simpatizava com o ideal de um socialismo democrático e em seus artigos articulava história e política, relacionando a exclusão social experimentada pelos negros com o processo de implantação do trabalho assalariado e a aceleração do capitalismo e da industrialização no país.

Participou das atividades do Centro Cívico Palmares.Carvalho, Gilmar Luiz de. A imprensa negra paulista entre 1915 e 1937: características, mudanças e permanências. Mestrado. Universidade de São Paulo, 2009, pp. 158-161 Através dos contatos que estabeleceu pelo jornal e pela Frente Negra Brasileira, importante agremiação que ajudara a criar em 1931,Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. "Frente Negra Brasileira". Fundação Getulio Vargas. da qual foi conselheiro, teve conhecimento do contexto de discriminação racial dos Estados Unidos, o que viria a influenciar sua atividade. Foi um dos idealizadores do Primeiro Congresso da Mocidade Negra Brasileira, em 1929.

Rompeu com seus primeiros companheiros mais tarde por divergências ideológicas, e em 1932 participou da idealização e fundação do Clube Negro de Cultura Social. Na década de 1940 estava entre os fundadores da Associação dos Negros Brasileiros e editou o Alvorada, jornal da entidade. Foi presidente do Conselho da Associação Cultural do Negro por quase dez anos. Colaborou com pesquisadores acadêmicos e com a revista Niger.Michelette, Pâmela Torres. Imprensa Negra: José Correia Leite. Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista. Depois de se aposentar, dedicou-se à pintura, fazendo algumas exposições.Câmara Municipal de São Paulo. Justificativa. Foi biografado por Luís Carlos Silva no livro E disse o velho militante José Correia Leite (1989).Malachias, Rosangela. "A interface comunicação, educação e advocacy nas práticas dos movimentos negros do Brasil". In: Magistro, 2017 (15)

Florestan Fernandes o considerava um dos grandes nomes do movimento negro brasileiro.Nunomura, Eduardo. "Florestan Fernandes: a luta negra é de todos". Racismo Ambiental, 24/06/2017 Na apreciação de Maria Cláudia Cardoso Ferreira, apesar de ser praticamente um autodidata de formação precária, era "um líder nato" e "tornou-se um intelectual com o decorrer dos anos, a partir da prática cotidiana, assim como inúmeros outros que lideraram empreendimentos políticos naqueles anos. O reconhecimento de suas qualidades intelectivas se deu preferencialmente no interior do próprio meio político negro".

É bisavô de Guto Zacarias, deputado estadual por São Paulo.

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