Mariza Campos Gomes da Silva (Caratinga, 19 de março de 1935) é uma enfermeira, administradora, incentivadora cultural e filantropa brasileira. Foi a segunda-dama do país entre 1.º de janeiro de 2003 e 1.º de janeiro de 2011, durante os dois mandatos de seu marido, o empresário e político José Alencar, o 23.º vice-presidente do Brasil.

Formada pela Escola de Enfermagem Anna Nery, no Rio de Janeiro, Mariza também exerceu funções em conselhos de administração e diretorias de empresas vinculadas ao grupo empresarial constituído por sua família. Documentos societários registraram sua passagem pela vice-presidência dos conselhos da Coteminas, da Empresa Nacional de Comércio, Rédito e Participações — Encorpar e da Wembley S.A., além de funções na Companhia Tecidos Santanense e na Wembley Palace Hotel.

Sua atuação social e cultural antecedeu a chegada da família à Vice-presidência da República. Registros legislativos e jornalísticos relacionam Mariza à Sociedade Amigas da Cultura, à Fundação Pró-Arte de Brasília, à Academia Internacional de Cultura, à Associação Ubaense das Pioneiras Sociais e à Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace). Nesta última, participou de campanhas destinadas à construção e ampliação do Hospital da Criança de Brasília José Alencar.

Primeiros anos e formação

Mariza nasceu em 19 de março de 1935, em Caratinga, no interior de Minas Gerais. Antes do casamento era conhecida como Mariza Oliveira Campos. A data de nascimento é confirmada por documentos apresentados ao mercado de capitais pela Companhia Tecidos Santanense, nos quais ela aparece como integrante de seu conselho de administração.

Filha de Luiz Campos de Carvalho, cresceu em Caratinga. Segundo a biografia de José Alencar escrita pela jornalista Eliane Cantanhêde, Alencar conheceu inicialmente a família de Mariza por intermédio do pai dela, em cuja residência teria visto uma fotografia da jovem antes de conhecê-la pessoalmente.

Mariza mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar enfermagem, graduando-se pela Escola de Enfermagem Anna Nery. Registros societários posteriores continuaram a identificá-la profissionalmente como bacharela em enfermagem, embora sua trajetória pública tenha se concentrado principalmente na administração empresarial e em atividades culturais e assistenciais.

Casamento e família

thumb|esquerda|Mariza ao lado de José Alencar e dos filhos, durante a comemoração dos 79 anos do marido.

Mariza casou-se com José Alencar em 9 de novembro de 1957, em Caratinga. À época, Alencar já atuava no comércio e havia iniciado a formação do conjunto de empreendimentos que, nas décadas seguintes, daria origem a um dos principais grupos têxteis brasileiros.

O casal teve três filhos: Maria da Graça Campos Gomes da Silva, nascida em 1959; Patrícia Campos Gomes da Silva, nascida em 1960; e Josué Christiano Gomes da Silva, nascido em 1963. Patrícia e Josué nasceram no Rio de Janeiro, mas foram registrados no município mineiro de Ubá. Documentos da Câmara dos Deputados também registram que Mariza e Alencar tiveram cinco netos.

A família viveu em diferentes cidades de Minas Gerais e no Rio de Janeiro, acompanhando a expansão das atividades empresariais de Alencar. Mariza passou a participar da administração de sociedades controladas ou ligadas à família, ao mesmo tempo em que se envolveu com entidades culturais e assistenciais.

Atuação profissional e empresarial

Embora fosse formada em enfermagem, Mariza desenvolveu parte significativa de sua atuação profissional na administração de empresas do setor têxtil, de participações e de hotelaria. Em proposta societária divulgada em 2020, a Companhia Tecidos Santanense registrou que ela exercia a vice-presidência dos conselhos de administração da Companhia de Tecidos Norte de Minas — Coteminas e da Empresa Nacional de Comércio, Rédito e Participações — Encorpar.

O mesmo documento a identificava como vice-presidente do conselho de administração e diretora vice-presidente da Wembley S.A., integrante do conselho de administração da Companhia Tecidos Santanense e diretora vice-presidente da Wembley Palace Hotel. A proposta societária também registrou que, no exercício de 2019, Mariza havia comparecido às dezessete reuniões realizadas pelo conselho da Santanense, correspondendo a participação integral nas reuniões daquele ano.

Sua presença na administração empresarial prosseguiu durante a viuvez. Em documentação da Coteminas datada de março de 2025, Mariza ainda era identificada como membro do conselho de administração da Companhia Tecidos Santanense, vice-presidente do conselho de administração e vice-presidente da Wembley S.A., além de constar entre os controladores indiretos do grupo.

Atuação cultural e filantrópica

Entidades culturais e assistenciais

Mariza vinculou-se em 1971 à Sociedade Amigas da Cultura, entidade mineira voltada à promoção de atividades artísticas e culturais. Durante uma reunião especial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, realizada em setembro de 2003 em comemoração aos cinquenta anos da organização, ela foi apresentada como ex-diretora e então integrante de seu conselho.

Em sessão solene da Câmara Legislativa do Distrito Federal, em março de 2004, o deputado Leonardo Prudente atribuiu a Mariza uma trajetória de várias décadas em instituições sociais e culturais. Segundo o pronunciamento, ela havia fundado aproximadamente quarenta anos antes a Associação Ubaense das Pioneiras Sociais e, desde 2000, exercia função diretiva na Fundação Pró-Arte de Brasília. O parlamentar também a apresentou como presidente do Conselho Consultivo da Academia Internacional de Cultura.

Na mesma solenidade, foi atribuído a Mariza apoio a mais de cinquenta instituições assistenciais espalhadas pelo país. A informação voltou a ser publicada em 2015 pelo Metrópoles, que a descreveu como fundadora da Associação Ubaense Pioneiras Sociais e mantenedora ou colaboradora de dezenas de entidades. Por se tratar de números divulgados em discursos e reportagens de caráter comemorativo, sua extensão exata não é detalhada pelas fontes disponíveis.

Hospital da Criança de Brasília

Uma das principais iniciativas assistenciais associadas a Mariza foi o apoio à Abrace e à implantação do Hospital da Criança de Brasília José Alencar. A Abrace havia iniciado, ainda na década de 1990, uma mobilização para construir no Distrito Federal uma unidade especializada no atendimento pediátrico, particularmente de crianças com câncer e doenças hematológicas.

Segundo o próprio hospital, Mariza e José Alencar promoveram eventos destinados à arrecadação de recursos para a construção da unidade. A participação do casal contribuiu para ampliar a visibilidade pública do projeto e aproximá-lo de possíveis apoiadores, empresas e autoridades.

O hospital começou a funcionar em novembro de 2011. Em cerimônia realizada em 2015, por ocasião do quarto aniversário da instituição, Mariza foi homenageada por sua colaboração e apresentada como madrinha da Abrace. Na ocasião, foi registrada também a doação, por ela, dos aparelhos de televisão instalados na Unidade de Terapia Endovenosa do hospital.

Mariza continuou acompanhando o desenvolvimento da instituição. Em outubro de 2016, visitou as obras de ampliação do hospital e a construção do chamado Espaço da Família, acompanhada pela direção da Abrace e por representantes do HCB.

Em julho de 2018, participou da inauguração de um novo edifício do complexo hospitalar. Reportagem de O Estado de S. Paulo, reproduzida pelo portal Terra, registrou que sua ligação com o projeto remontava às etapas iniciais e que ela havia organizado eventos beneficentes para arrecadar recursos destinados às obras. A reportagem a definiu como uma espécie de embaixadora da Abrace junto a possíveis colaboradores.

Segunda-dama do Brasil

Mariza tornou-se segunda-dama do Brasil em 1.º de janeiro de 2003, quando José Alencar tomou posse como vice-presidente da República no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Na organização da cerimônia de posse, o Congresso Nacional reservou lugares para Mariza e para a primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, além de familiares e autoridades brasileiras e estrangeiras.

Durante os dois mandatos de Alencar, Mariza participou de cerimônias governamentais, solenidades públicas e atividades sociais. Sua presença pública não constituiu o exercício de um cargo constitucional ou administrativo, mas decorreu de sua condição de esposa do vice-presidente e de sua atuação própria em organizações culturais e beneficentes.

Em 2004, ainda no primeiro mandato, recebeu da Câmara Legislativa do Distrito Federal o título de Cidadã Honorária de Brasília. O projeto de decreto legislativo que concedeu a homenagem, de autoria do deputado Leonardo Prudente, havia sido aprovado em outubro de 2003. A cerimônia de outorga ocorreu em 19 de março de 2004, no dia em que Mariza completou 69 anos.

Em outubro de 2006, durante o segundo turno da eleição presidencial, Mariza participou com Marisa Letícia de uma caminhada pela região central de Brasília em apoio à reeleição de Lula e Alencar. A atividade durou cerca de duas horas, reuniu aproximadamente quinhentos militantes e incluiu a distribuição de material eleitoral a comerciantes e trabalhadores. A participação das duas foi também noticiada internacionalmente pela agência italiana ANSA e pelo portal chileno Emol.

thumb|Mariza e José Alencar participam do desfile em carro aberto durante a posse presidencial de 2007.

Com a reeleição da chapa, Mariza permaneceu como segunda-dama no mandato iniciado em 1.º de janeiro de 2007. Na segunda posse, chegou ao Congresso Nacional acompanhando Alencar, Lula e Marisa Letícia. Após a cerimônia, os dois casais participaram do percurso até o Palácio do Planalto e da subida da rampa presidencial.

Em abril de 2010, Mariza foi admitida pelo presidente Lula no Quadro Suplementar da Ordem de Rio Branco, no grau de Grã-Cruz. A condecoração foi formalizada por decreto presidencial de 15 de abril e entregue em cerimônia alusiva ao Dia do Diplomata, realizada no Palácio Itamaraty em 20 de abril daquele ano.

O mandato de José Alencar terminou em 1.º de janeiro de 2011, quando Michel Temer tomou posse como vice-presidente. Mariza foi sucedida na condição de segunda-dama por Marcela Temer.

Viuvez e atividades posteriores

José Alencar morreu em 29 de março de 2011, aos 79 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, depois de vários anos de tratamento contra um câncer na região abdominal. O casamento de Mariza e Alencar durou mais de 53 anos.

Mariza e os filhos acompanharam as cerimônias oficiais de despedida. O corpo de Alencar foi velado com honras de chefe de Estado no Palácio do Planalto, em Brasília, e posteriormente no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. Registros fotográficos da Presidência da República mostram Mariza ao lado da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula durante o velório realizado em 30 de março de 2011.

Após a viuvez, Mariza preservou sua ligação com projetos apoiados pelo casal, especialmente com a Abrace e o Hospital da Criança de Brasília. Participou de aniversários, inaugurações e visitas às obras de expansão da instituição em 2012, 2015, 2016 e 2018.

Também permaneceu ligada à administração do patrimônio empresarial da família. Os registros societários de 2020 e 2025 documentam sua participação em conselhos e diretorias de diferentes empresas, demonstrando que sua atuação administrativa continuou durante a viuvez.

Em entrevista concedida em 2018, quando seu filho Josué era mencionado como possível candidato à Presidência da República, Mariza declarou que preferia ver a família dedicada às atividades industriais. Ao ser questionada sobre disputas políticas daquele ano, evitou manifestar apoio partidário ou comentar candidaturas específicas.

Títulos e condecorações