miniaturadaimagem|Exemplo de um indivíduo do sexo masculino usuário de prótese auditiva osteointegrada. As próteses auditivas osteointegradas são um tipo de implante baseado na osteointegração. Esta possibilidade foi incluída na prática clínica em meados dos anos 70, na Suécia. Trata-se de dispositivos que funcionam por condução óssea, propagando o som diretamente para a orelha média, superando a impedância da pele e tecido cutâneo. Utilizam sistemas compostos por implante de titânio e áudio processador, com ou sem pilar, transcutâneo ou percutâneo , capaz de decodificar os sons e transmiti-los diretamente para a cóclea. A adaptação destes dispositivos geralmente são indicadas para indivíduos com perda auditiva condutiva, mista e mais recentemente para a perda auditiva sensorioneural unilateral. O procedimento é realizado por meio de uma técnica cirúrgica simples, com bons resultados a longo prazo na melhora da qualidade auditiva, bem como em aspectos do dia a dia, com achados positivos na percepção de fala e limiares tonais.
Tipos miniaturadaimagem|222x222px|Sistema percutâneo Atualmente, existem dois sistemas, chamados transcutâneos e percutâneos, no primeiro há um pino de titânio atravessando a pele e nos sistemas percutâneos a pele fica íntegra e as partes interna e externa se conectam por um sistema de ímã.
No sistema transcutâneo existe uma divisão em duas categorias:
Ativo: sistema constituído de uma unidade interna implantável composta de ímã (magneto), bobina receptora interna e demodulador acoplado a um transdutor de massa flutuante para condução óssea (BC-FMT) fixado na cortical da mastoide e um processador de áudio externo; Passivo: sistema composto de pino ou parafuso de titânio implantável acoplado a um processador de áudio externo magneticamente.
No sistema percutâneo existe a presença de um pino ou parafuso de titânio implantável; um pilar intermediário encaixado no implante de titânio e de um processador de áudio externo.
Dentre os dispositivos auditivos osteointegrados cita-se: BAHA, Attract, Ponto, Bone Bridge e Porp. Esses dispositivos são disponibilizados respectivamente pelas seguintes empresas: Cochlear, Oticon medical e MED-EL.
Alterações da orelha média e externa Algumas condições anatômicas ou infecciosas presentes na orelha média, podem impossibilitar a adaptação de aparelhos de amplificação sonora individual (AASI), ou poderá ocorrer uma má adaptação do AASI por intolerância ao molde auricular ou problemas de microfonia. otite média crônica, atresia aural congênita ou microtia, colesteatoma, disfunção ou doenças da orelha média e otites externas são exemplos de perdas condutivas onde amplificação convencional pode não fornecer benefícios. Estudos relatam que as indicações otológicas mais frequentes para a cirurgia foram otite média crônica, após tentativa mal sucedida de reconstrução do sistema de transmissão de som (54%), e otosclerose, após intervenção sem sucesso (19%).
Duas alterações auditivas distintas valem a pena serem destacadas: as causadas por alterações na orelha interna e as situações em que o som recebido pela orelha externa sofre interferências para alcançar as células da orelha interna. Respectivamente, as alterações de orelha interna podem ter uma causa genética ou ser o resultado de um traumatismo craniano, de uma exposição a ruído alto ou algo a mais no ambiente. A perda de audição neurossensorial é também comum do processo de envelhecimento No segundo caso as alterações podem ser uni ou bilaterais e variam para cada indivíduo, há casos em que existem malformações da orelha externa, geralmente associada a deformações da orelha média, no entanto, geralmente a orelha interna está integra. Nesses casos, a adaptação de aparelho auditivo (AASI) convencionais se torna inviável. Com a anatomia da orelha interna integra, para esses casos é sugerido a utilização de dispositivos que funcionam por condução óssea.
Surdez unilateral É definida como uma alteração que reduz os limiares auditivos de apenas uma orelha, podendo chegar à surdez completada mesma. As perdas auditivas unilaterais, podem ter diversas causas que diferem das demais, incluindo perda auditiva sensorioneural súbita idiopática (SSNHL), neurinoma do acústico, anomalias da orelha interna, caxumba, meningite, entre outros. Diversos estudos indicam que a SSNHL idiopática (54,6%) é a etiologia mais comum, seguida por várias formas de otite média, incluindo otite média crônica e colesteatoma. Algumas dessas alterações auditivas se dão de forma progressiva, no entanto, independente da maneira que se manifestam, afetam a interação social, o aprendizado e o bem estar emocional desses indivíduos. Neste tipo de perda, o desempenho auditivo diverge entre as orelhas e faz com que a orelha de melhor limiar determine a detecção dos sons, gerando a privação sensorial. Como repercussão, o maior prejuízo é na habilidade auditiva para localizar a fonte sonora, bem como as dificuldades de compreensão em ambientes ruidosos, na presença de ruído competitivo ou na interlocução com mais de duas pessoas. Em indivíduos com deficiência auditiva unilateral sensorioneural, o uso de próteses auditivas osteointegradas pode ser uma alternativa que irá utilizar a rota transcraniana para direcionar o som recebido pelo processador na orelha prejudicada à cóclea da orelha normal, além de trabalhar atenuando o efeito sombra e melhorando o desempenho auditivo.
Malformações As malformações do pavilhão auditivo normalmente ocorrem associadas a malformações do conduto auditivo externo (atresia ou agenesia) e da orelha média; nesses casos geralmente as estruturas da orelha interna quase sempre encontram-se bem desenvolvidas, uma vez que são derivadas de outros tecidos. Essas anomalias muitas das vezes estão visíveis, desta maneira logo recebem acompanhamento por diversos profissionais da saúde, levando em consideração a estética que preocupam imediatamente os pais.
Pacientes com malformações nem sempre são adequados para cirurgia reconstrutiva. Vale ressaltar que 5% dos casos de microtia estão associados a síndromes congênitas, sendo elas a microssomia hemifacial, Síndrome de Goldenhar, Síndrome de Treacher Collins e displasia óculo-ariculo-vertebral. Os pacientes com síndrome de Treacher Collins podem ter malformações significativas com defeitos ossiculares e uma via anormal do nervo facial. Essas estruturas, assim como o ouvido interno, podem estar em perigo na cirurgia. Pacientes com síndrome de Down podem ter um canal auditivo estreito e malformação do ouvido médio levando a problemas de audição. Parte do atraso cognitivo visto nessas crianças pode ser parcialmente devido à sua audição deficiente. Entretanto, quando em boas condições, os resultados da cirurgia são satisfatórios.
O procedimento cirúrgico requer que o crânio seja de espessura suficiente e o osso seja de qualidade suficiente para acomodar o acessório de titânio. Não é recomendado colocar o implante em crianças menores de 3 anos e desta forma, a maioria das crianças não é implantada até que tenha no mínimo 4 ou 5 anos. As crianças que sofrem de certas síndromes podem ter uma constituição mais esguia, ossos mais finos ou anatomia incomum. Outras crianças podem ter um crânio mais espesso em uma idade mais jovem, por isso é difícil indicar uma idade específica para a cirurgia.
Procedimento cirúrgico A cirurgia geralmente é realizada sob anestesia local e como procedimento ambulatorial. Uma informação importante para o paciente é, que se ele por algum motivo não ficar satisfeito com os resultados obtidos com a inserção da prótese auditiva, ela pode ser facilmente retirada. Nenhum outro procedimento cirúrgico na orelha é reversível como este. Por serem implantados cirurgicamente na mastoide provocam menos desconforto para o indivíduo do que o vibrador ósseo tradicional, eliminando a pressão do arco de metal sobre a cabeça, reduzindo a microfonia, diminuindo a distorção acústica e melhorando a audição para a alta frequência, já que a condução óssea acontece de forma mais direta.
O procedimento cirúrgico para implantação das próteses osteointegradas é considerado simples e reversível, realizado por meio de uma pequena incisão cirúrgica (<2,5 cm), removendo o tecido subcutâneo subjacente e colocando um acessório de titânio na parte posterior do osso mastoide, sob anestesia.
Alguns cirurgiões realizam uma redução do tecido mole subcutâneo. A justificativa para isso é reduzir a mobilidade entre o implante e a pele para evitar inflamação no local de penetração. Essa redução do tecido mole tem sido questionada e alguns cirurgiões não a realizam. A explicação para isso é que qualquer cirurgia resultará em algum tecido cicatricial que pode ser o foco da infecção. As infecções observadas no início do procedimento cirúrgico talvez possam ser explicadas pela falta de vedação entre o implante e o pilar, permitindo a entrada de bactérias no espaço. Uma nova vedação hermética de hélio pode ser vantajosa e evitar a formação de biofilme. Isso também permitirá que o cirurgião use abutments mais longos, caso haja necessidade. Três a seis semanas após a cirurgia ou até antes, o fonoaudiólogo ajustará o processador auditivo de acordo com o nível de audição do paciente. A adaptação e os ajustes são realizados por meio de um software e interfaces que se conectam para que as características audiológicas, assim como a percepção do paciente, sejam considerados e programados.
Em 2001, o procedimento cirúrgico original foi descrito em detalhes por Tjellström.
Para alguns indivíduos, por diferentes motivos, a cirurgia pode não ser uma opção. Nesses casos opta-se por aparelhos de condução óssea convencionais, composto por um vibrador pressionado a pele do crânio por meio de uma haste (tiara), na cabeça ou em óculos especiais, que dessa forma conduzem o som diretamente do osso para a cóclea, eles têm o objetivo de vibrar as estruturas dentro da cóclea, sem precisar passar pela via convencional, através da orelha média. No entanto, algumas desvantagens estão associadas a este dispositivo, como: dores de cabeça, irritações na pele, estética e alteração no reconhecimento de fala em algumas situações devido ao mau posicionamento do transdutor na pele e pela atenuação causada por tecidos entre o vibrador e o crânio.
Dessa forma, quando possível, é recomendável a adaptação de próteses auditivas osteointegradas. Os princípios básicos que nortearam o desenvolvimento desse dispositivo foram a biocompatibilidade e a osteointegração, permitindo a fixação de um material sintético ao osso temporal . O material mais eficaz foi o titânio, tornando-se o material utilizado até os dias de hoje. Assim como o AASI tradicional por condução óssea, a saída ocorre por vibração mecânica, porém transmitida para o crânio por um parafuso de titânio implantado na mastoide. A conexão direta através da pele, surgiu para proporcionar uma baixa incidência de problemas associados com a penetração na pele
Pacientes com surdez unilateral apresentam audição normal em umas das orelhas e uma perda de audição profunda na outra orelha. Nestes indivíduos, o sistema utiliza a audição contralateral para enviar o som recebido pela orelha prejudicada à cóclea da orelha normal.
Manipulação miniaturadaimagem|Um implante mostrado em tamanho real na mão de um adulto As empresas fazem várias recomendações sobre o uso, manuseio e higienização do processador de som.
Cuidado com o processador de som
O processador de som deve ser limpo diariamente com pano macio e seco. Nunca deve ser exposto à umidade ou entrar em contato diretamente com água. Ao praticar esportes, deve-se ter cuidado com o suor e com possíveis pancadas. Deve sempre ser guardado em sua caixa quando não estiver em uso. Pode ser guardado dentro do desumidificador para melhor preservação.
Pilha
O processador de som funciona com uso de pilhas próprias para aparelhos auditivos. Para desligá-lo é necessário retirar a pilha.