Caprinocultura é o ramo da zootecnia que trata da do estudo e da criação de cabras. thumb|280px|Cabra pastando A cabra foi o primeiro animal a produzir alimentos (leite e carne) domesticado pelo homem, há cerca de 7 000 anos, servindo também para produzir couro, pelo e esterco.

A cabra doméstica é a Capra hircus. Silvio Doria de Almeida Ribeiro, citando o Production Yearbook 1994, diz que a população mundial de caprinos é de 609 milhões de cabeças (em 1994). O leite de cabra é o terceiro mais consumido no mundo, depois do de vaca e do de búfala.

As principais raças caprinas leiteiras do mundo são as Alpinas (Saanen, Parda Alpina, Alpina Americana, Oberhasli, Toggenbourg e outras) e a Anglo-Nubiana. A principal raça caprina produtora de carne é a Boer.

No Brasil foram desenvolvidas algumas raças "crioulas": a canindé, a moxotó, a mambrina, repartida e a marota. Em Portugal existem 6 raças caprinas autóctones.

Situação atual da caprinocultura

Segundo a FAO (2001), o rebanho mundial de caprinos em 2 000 era de 715 297 550 cabeças, das quais 96% estão em países em desenvolvimento, com apenas 4% nos países desenvolvidos. Há 40 anos o efetivo caprino dos países desenvolvidos era de 31,7 milhões de cabeças, sendo em 2001 de 29,1 milhões, o que representa um decréscimo de 9%, enquanto nos países em desenvolvimento esse número era de 315,9 milhões em 1961 e de 686,2 milhões em 2000, mostrando um aumento de 117%.

Atualmente a China possui o maior rebanho mundial, com 148,4 milhões de cabeças, o que representa 20% do efetivo mundial. Em seguida vêm a Índia e o Paquistão. O Brasil fica na décima colocação, com um rebanho de 1 260 000 cabeças, cerca de 2% do rebanho mundial.

No Brasil Com relação à distribuição geográfica do efetivo caprino brasileiro, pelos dados do IBGE (2001), referentes ao censo agropecuário de 1996, o quadro apresenta um padrão idêntico ao mundial. Considerando-se as regiões Sul e Sudeste como desenvolvidas e Norte, Centro-Oeste e Nordeste como em desenvolvimento, 4% dos caprinos estão no primeiro grupo e 96% no segundo. Vale a pena ressaltar que 94% do rebanho nacional está na região Nordeste (majoritariamente no Sertão), onde prevalecem condições edafo-climáticas desfavoráveis. Nessa situação os caprinos assumem uma grande importância social, pois chegam a ser a única fonte de renda em determinadas circunstâncias e deles depende a sobrevivência de muitos sertanejos. Porém, talvez até mesmo associado a esse papel, mesmo no Nordeste, raras vezes a caprinocultura é vista como uma atividade empresarial e é frequentemente considerada uma atividade marginal, e não uma atividade pecuária de grande potencial econômico.

O próprio sertanejo, criador de "bode", evidencia claramente o seu preconceito, associando uma imagem de maior status a criação bovina, renegando a espécie que de fato o sustenta. Nas demais regiões do país, onde o efetivo é muito menor, muitos assimilam de maneira distorcida o conceito de "rusticidade" dos caprinos, imaginando que, se no Nordeste, onde as condições são precárias, se produz "bode", os resultados obtidos em condições mais "favoráveis" seriam muito melhores. A realidade não é bem essa, e sob certos aspectos é mais difícil criar caprinos nas tais condições "favoráveis".

Muito se tem falado sobre a caprinocultura de corte nacional, particularmente sobre o seu futuro, pois de seu passado todos reconhecem a importância social, embora raras vezes seja levantado um exemplo de um empreendimento de sucesso. Dormentes - PE é hoje conhecida nacionalmente como a cidade que mais tem cultivado a caprinocultura é por isso que existe a Caprishow que atrai muitos turistas e criadores de bodes. Com a expansão da raça Bóer, o interesse pela caprinocultura de corte tomou proporção jamais vista na caprinocultura de corte mundial e esse efeito pode ser claramente percebido no Brasil. Porém, esse boom esteve em um primeiro momento muito mais associado à venda de animais puros para reprodução do que à produção de carne propriamente dita. Embora essa visão ainda seja a predominante, a cada dia evidencia-se que, para o desenvolvimento sustentável da atividade, muitos outros elementos devem ser adicionados à equação. Fica claro que a atividade só irá prosperar se evoluir como um todo, com os diversos elos da cadeia produtiva participando do processo e se tratada como um agronegócio, ou seja, com profissionalismo e uma visão empresarial.

Os novos cenários Alguns conceitos vêm transformando radicalmente as atividades pecuárias de interesse econômico. Embora não se esquecendo do papel social da caprinocultura, essa nova realidade deve ser absorvida também por essa atividade. Deve-se enfocar o "agronegócio da caprinocultura", onde o objetivo não é produzir mais cabritos ou kg de carne por área ou por matriz: o objetivo é produzir mais lucro para o empresário. Logicamente, certos conceitos complementares não devem ser esquecidos, como sustentabilidade do investimento e a utilização de práticas ecologicamente adequadas. Diz respeito ao tratamento de uma atividade agropecuária como um negócio; e a "cadeia produtiva da caprinocultura", onde deve estar clara a ideia de que ninguém está sozinho na atividade. No assunto em questão, a produção de caprinos envolve desde os fornecedores de insumos até o consumidor final, passando pelos serviços de extensão e pesquisa, abatedouros, açougues, supermercados, restaurantes, curtumes, indústria calçadista e de vestuário, entre tantos outros elementos que poderiam aqui ser mencionados. No meio de tudo isso está o caprinocultor. Ele tem sido o foco das maiores atenções, mas o segmento menos organizado, que menos tem evoluído, que menos tem se tecnificado, e em consequência disso, o segmento que paga as contas. Acaba por sustentar os elos precedentes e posteriores da dita "cadeia produtiva". A partir do momento que ele se conscientizar de que desenvolve um agronegócio, vai se preocupar com seu desempenho econômico de uma forma mais abrangente, vai entender a importância da utilização de tecnologia mais adequada, e perceber que ao se reunir em associações e cooperativas ele beneficia o seu vizinho, mas que também é beneficiado com isso. Vai, então, visualizar com mais clareza que o sucesso de seus fornecedores depende do seu sucesso, e que ele também é responsável pelo sucesso do segmento para o qual fornece seu produto. Então entenderá que todos têm que participar da discussão do futuro da atividade. Se cada segmento der o seu quinhão de colaboração, todos se beneficiarão e a atividade poderá, de fato, prosperar.

Um dado importante e que deve ser a base de todo esse processo, é o mercado efetivo e potencial, e o que vem acontecendo com ele. Se observado o que vem acontecendo no Brasil nos últimos 50 anos, o quadro é desanimador: o consumo de carne é rigorosamente o mesmo nas últimas 4 décadas. Se, por outro lado, for avaliado o mercado potencial, e comparando-se o histórico de outras carnes, algumas simulações feitas para a Região Sudeste indicam que, para alcançar o consumo médio mundial per capita de carne caprina, o rebanho dessa região deveria se multiplicar 40 vezes. Se consideradas as perspectivas do mercado mundial, em especial dos países árabes, que já por mais de uma vez fizeram sondagens da possibilidade de importação do Brasil, evidencia-se um mercado potencial muito promissor.

Sistemas de criação

Classicamente, existem três sistemas básicos de criação: intensivo, semi-intensivo e extensivo. Esses conceitos estão associados ao nível de tecnologia e produtividade, bastante elevada no primeiro, e precário ou quase inexistente no último. Portanto, a criação em pastejo rotacionado pode ser considerada um sistema intensivo, assim como a utilização racional da caatinga pode ser considerado semi-intensivo, da mesma forma que uma pastagem artificial utilizada sem um manejo adequado pose ser considerada um sistema intensivo. Qualquer sistema de criação deve considerar uma série de áreas de atuação, conforme representado na Figura 1.Todos os itens estão interligados e os resultados só serão satisfatórios se a atuação ocorrer em todos os segmentos, de forma contínua, organizada e coordenada, com o nível de esforço necessário e compatível com cada setor. Principalmente, é fundamental o conceito de adequação ao sistema de produção, ou seja, o que funciona em uma situação não apresentará necessariamente os mesmos resultados em um sistema com características diferentes. Figura 1. Corrente representativa dos setores de atuação e de tomada de decisão dentro de um sistema de produção.

Nutrição

Com relação à nutrição, o principal objetivo deve ser o de maximizar as potencialidades de cada região, aproveitando da melhor forma possível o que ela pode oferecer. Portanto, em região de terras férteis e clima favorável, deve-se considerar a utilização intensiva de insumos, buscando-se alta produtividade. Em regiões menos privilegiadas, deve-se buscar otimizar o seu potencial de produção sustentável, ou seja, o quanto é possível produzir, com investimentos passíveis de retorno, e de forma sustentável, sem degradar a vegetação existente e sem prejudicar o ambiente. Portanto, em algumas regiões haverá alimento suficiente para lotações de até 50 cabras por hectare e com animais prontos para o abate aos 4 meses de idade ou até menos. Em outras regiões, a lotação será medida em hectares por animal e o abate será muito mais tardio, pois caso utilize uma lotação muito elevada, os alimentos disponíveis simplesmente se extinguirão em pouco tempo. Uma situação não é necessariamente melhor do que a outra. É, sim, mais ou menos adequada a cada realidade. A identificação da potencialidade de cada região deverá determinar as opções alimentares mais adequadas.

Instalações

Com relação às instalações, deve-se, inicialmente, definir com clareza quais as suas finalidades, como proteger os animais das intempéries climáticas e de predadores, dando-lhes maior bem estar, além de favorecer a rotina de trabalho e as práticas de manejo pertinentes. Um erro de concepção pode implicar dificuldades operacionais que teriam sido evitadas com um pouco mais de cuidado e atenção. Além disso, esse é um investimento realizado na fase de implantação do projeto, quando normalmente o fluxo de entradas ainda não se estabeleceu, e implica um elevado montante de recursos financeiros. Portanto, pode acarretar um impacto no tempo necessário para o investimento começar a retornar, mas também tem impacto nos custos variáveis, uma vez que pode influenciar no desempenho dos animais e da mão-de-obra.

Outro aspecto a considerar são as particularidades de cada região, tanto no que diz respeito aos fatores climáticos, quanto diz respeito aos materiais disponíveis. Certamente as instalações no Sertão de Pernambuco serão diferentes das necessárias para a Zona da Mata Mineira ou do Brejo Paraibano. Quanto ao nível de investimento, mais do que nunca se deve considerar sua relação benefício: custo, logicamente atrelado à disponibilidade de recursos. Ainda, vale ressaltar que as instalações não melhoram ao longo do tempo. Muito pelo contrário, pioram, se desgastam, se deterioram, sendo algo complexo e oneroso sua recuperação ou melhoria, diferente do que pode ser feito com os demais itens.

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