A Convenção Batista Brasileira (CBB) é uma associação cristã evangélica de Igrejas batistas no Brasil. A Convenção é a principal associação batista do país, constituída por igrejas batistas que livremente escolhem se associar para sua formação, que tem por finalidade "promover o reino de Deus em todos os seus aspectos, por todos os meios eticamente lícitos". A Convenção Batista Brasileira é afiliada à Aliança Batista Mundial e é sediada na cidade do Rio de Janeiro.

História A Convenção Batista Brasileira tem sua gênese histórica no estabelecimento da atual Primeira Igreja Batista do Brasil, em Salvador, Bahia, em 1882, por uma missão norte-americana da Junta de Missão Internacional, da Convenção Batista do Sul. William H. Brackney, Historical Dictionary of the Baptists, Scarecrow Press, USA, 2009, p. 102

Os casais de missionários batistas norte-americanos, recém-chegados ao Brasil, William Buck Bagby e Anne Luther Bagby e Zacharias Clay Taylor e Katherine Steves Crawford Taylor, auxiliados pelo ex-sacerdote católico Antônio Teixeira de Albuquerque, batizado em Santa Bárbara d'Oeste, decidiram iniciar a sua missão na cidade de Salvador, com 250 mil habitantes. Ali chegaram no dia 31 de agosto de 1882 e, no dia 15 de outubro, organizaram a primeira igreja batista em Salvador com cinco membros: os dois casais de missionários e o ex-padre Albuquerque.

Nos primeiros 25 anos de trabalho, Bagby e Taylor, auxiliados por outros missionários e por um número crescente de brasileiros, evangelistas e pastores, já tinham organizado 83 igrejas, com aproximadamente 4 200 membros.

O sucesso do trabalho no Nordeste encheu o Dr. Bagby de coragem, fazendo-o partir para o Rio de Janeiro, onde fundou uma igreja batista na Rua de Santana que, logo de início, conseguiu a adesão de quatro pessoas. Tal igreja é hoje a Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro, igreja sediadora da Convenção Batista Brasileira.Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro.

Em uma reunião realizada em 1907, na cidade de Salvador, Bahia, com a presença e apoio de 32 "delegados", mensageiros e representantes de 39 igrejas, a Convenção Batista Brasileira (CBB) é oficialmente fundada. Robert E. Johnson, A Global Introduction to Baptist Churches, Cambridge University Press, UK, 2010, p. 289

Demografia thumb|left|Percentual de batistas por Estado no Brasil em 2010

Ano Igrejas Membros 2000 4.810 902.000 2002 9.913 944.515 2003 10.079 973.515 2004 10.227 990.000 2006 10.233 1.009.100 2006 10.268 1.045.500 2007 10.305 1.116.000 2008 11.494 1.169.448 2009 11.865 1.274.552 2010 12.693 1.361.212 2011 12.359 1.432.869 2012 12.722 1.536.298 2013 12.820 1.608.073 2014 13.037 1.618.663 2015 13.436 1.673.522 2016 13.697 1.706.003 2017 13.855 1.719.808 2018 13.713 1.775.390 2019 13.716 1.790.227 2020 9.070 1.797.597 2021 9.079 1.802.811 2023 13.899 1.814.158 2024 14.092 1.813.621 2025 13.948 1.863.617

A denominação passou, entre 2002 e 2019 por um crescimento rápido e acima da média do crescimento populacional brasileiro. Neste período, o número de membros cresceu 89,53%. No mesmo período, a população brasileira cresceu 17,07%.

Em 2026, a denominação publicou as estatísticas correspondentes ao ano de 2025, na qual relatou ter 9.562 igrejas e 4.386 congregações (totalizando 13.948 locais de culto) e 1.863.617 membros. No mesmo ano, estimou-se que cerca de 363.000 crianças participam regularmente das atividades da igreja. Todavia, em razão da doutrina credobatista não estão incluídas entre os membros oficiais. Sendo assim, o número total de aderentes (incluindo os membros e não membros) era cerca de 2.223.617 pessoas.

Assim sendo, é a maior denominação protestante não pentecostal do Brasil por número de membros.

De acordo com Censo do IBGE, de 2010, estados de Espírito Santo e Rondônia são os que apresentam o maior percentual de batistas, cerca de 5,48% e 4,92% da população, respectivamente.

Por outro lado, Santa Catarina e Rio Grande do Sul foram os estados com o menor percentual de batistas, com 0,51% e 0,89% da população, respectivamente.

Crenças A existência e objetivos da Convenção Batista Brasileira se assentam sobre quatro pilares básicos, a saber: A compreensão da natureza da igreja neotestamentária local; A posição do indivíduo no propósito de Deus; O governo democrático da igreja; O princípio da cooperação. Estes pilares básicos formam o arcabouço da Convenção Batista Brasileira e lhe fornecem a sustentação bíblica.

A Convenção Batista Brasileira possui uma Declaração Doutrinaria que defende o batismo consiste na imersão do fiel em água, após sua pública profissão de fé em Jesus Cristo como Salvador, simbolizando a morte e sepultamento do "velho homem" e a ressurreição para uma nova vida em identificação com a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo e também prenúncio da ressurreição dos remidos. Convenção Batista Brasileira, Declaração Doutrinária, convencaobatista.com.br, Brasil, acessado em 20 de fevereiro de 2023 Além disso, defendem a Bíblia como a única regra de fé e conduta (Sola scriptura), a separação da Igreja do Estado, e o conceito de igreja como sendo uma comunidade local democrática e autônoma.

Organização 280px|direita|thumb|Evento sobre a vida de Jesus em Igreja da Cidade em São José dos Campos, afiliada com a Convenção, 2017. Salomão Luiz Ginsburg foi a primeira pessoa a pensar na organização de uma convenção nacional para os batistas brasileiros. Mas, somente em 1907, a ideia foi concretizada. A.B. Deter, Zacharias Clay Taylor e Salomão Luiz Ginsburg concordaram em dar prosseguimento ao plano. Eles conseguiram a adesão de outros missionários e de líderes brasileiros. A comissão organizadora optou pela data de 22 de junho de 1907 para organizar a Convenção, na cidade de Salvador, quando transcorreriam os primeiros 25 anos do início do trabalho batista brasileiro, também começado na referida cidade.

No dia aprazado, no prédio do ALJUBE, onde funcionava a Primeira Igreja Batista de Salvador, em sessão solene, foi realizada a primeira Assembleia da Convenção Batista Brasileira, composta de 43 mensageiros enviados por igrejas e organizações. Criada a Convenção, foi eleita sua primeira diretoria: Presidente - Francisco Fulgêncio Soren; 1º Vice-presidente - Joaquim Fernandes Lessa 2º Vice-presidente - João Borges da Rocha; 1º Secretário - Teodoro Rodrigues Teixeira; 2º Secretário - Manuel I. Sampaio; Tesoureiro - Zacharias Taylor.

As Convenções Batistas são eventos anuais, realizados em caráter ordinário, quando se elegem sua Mesa Diretora, apreciam-se os relatórios, e renovam-se diversos órgãos convencionais, como a União Masculina Missionária, União Feminina, e diversas Juntas são renovadas, como de Missões Mundiais, ou Nacionais, além das áreas de educação, comunicação, Juventude, etc. - são sempre realizadas em uma cidade diversa, e suas deliberações são tomadas por mensageiros, isto é, representantes das Igrejas associadas, pelo voto da maioria. A CBB edita O JORNAL BATISTA há mais de 100 anos, e publicações de caráter educacional, e cultural.

Escolas A convenção conta com 17 escolas primárias e secundárias filiadas, reunidas na Rede Batista de Educação, entre elas o Colégio Batista Mineiro. Rede Batista de Educação, História, redebatista.edu.br, Brasil, acessado em 5 de maio de 2023

Ele também tem 3 institutos teológicos. Convenção Batista Brasileira, Organização, convencaobatista.com.br, Brasil, acessado em 20 de fevereiro de 2023

Organização missionária A Convenção tem uma organização missionária, Junta de Missões Mundiais, Missões Nacionais. CBB, Junta de Missões Mundiais, convencaobatista.com.br, Brasil, acessado em 24 de Julho de 2024

Organização humanitária A Convenção coordena diversos programas sociais, através das "Missões Nacionais" especialmente para a reabilitação de dependentes químicos, dança e esporte e para jovens de bairros carentes e abrigos de crianças órfãs. Luis Felipe dos Santos, A Igreja Batista contra o vício, super.abril.com.br, Brasil, 15 de setembro de 2017

Polêmicas Movimento carismático Em 1965, a Convenção procedeu à excomunhão de 165 igrejas que ensinavam as crenças do movimento carismático. Brian Stanley, The History of the Baptist Missionary Society, 1792-1992, T&T Clark, UK, 1992, p. 498

Controvérsias sobre o pastorado feminino Nos últimos anos tem ocorrido a controvérsia sobre o pastorado feminino dentro das igrejas batistas da Convenção Batista Brasileira. Pastores e leigos são divididos quanto ao assunto sendo uns contra e outros a favor. Os contrários a decisão são denominados como "complementaristas" e os favoráveis como "igualitaristas".

A Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB), em votação na Assembleia da Ordem na cidade de Florianópolis, Santa Catarina, no ano de 2007, rejeitou o ingresso de pastoras. Em 2010, na Assembleia da Ordem na cidade de Cuiabá, Mato Grosso, a subsecção da Ordem dos Pastores Batistas do Estado do Paraná fez um pedido de esclarecimento sobre a situação das pastoras que tinham sido consagradas até 2007 sendo decidido pela filiação de pastoras consagradas até 2007, permanecendo vedado o ingresso de novas pastoras após esta data.http://www.batistas.com/index.php?option=com_content&view=section&layout=blog&id=18&Itemid=89

Em janeiro de 2014, na Assembleia da OPBB, reunida na cidade de João Pessoa-PB, decidiu-se pela aprovação do ingresso de 'novas' pastoras, contudo esse ingresso deve ser decidido em cada Seção Estadual da OPBB. Assim, as Seções Estaduais decidirão aceitar ou não a filiação de pastoras. No dia 4 de fevereiro de 2014, a OPBB-SP decidiu pela não filiação de pastoras reafirmando assim a decisão nacional do ano de 2007. Desde então, há seções estaduais da OPBB que têm rejeitado o ingresso de pastoras e outras, aprovado.Site oficial da OPBB-SP

Até 2015, entre as seções favoráveis a admissão de pastoras estão: Carioca (apenas a capital fluminense), Fluminense (exceto a capital fluminense), Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul e Sergipe; entre os contrários estão: Bahia, Distrito Federal (Planalto Central), Espírito Santo, Meio Norte do Brasil (entre Maranhão e Piauí), Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo; e entre os neutros estão: Unida do Ceará, Amazonas, Maranhense, Rio Grande do Norte, Piauí, Pioneira, Tocantins, Acre, Alagoas, Amapá, Ceará, Goiás, Roraima e Sul Maranhense.

Embate com a Igreja Batista do Pinheiro (Maceió, AL) sobre o batismo de homossexuais No dia 28 de fevereiro de 2016, a Igreja Batista do Pinheiro, em Maceió, capital de Alagoas, aprovou em assembleia a decisão de que homossexuais possam ser membros plenos da comunidade mesmo que os tais estejam em relacionamento ativo. A aprovação teve maioria absoluta dos votos: 129 a favor, três contrários e 15 abstêmios.

Em março, a diretoria da Convenção Batista Brasileira visitou a igreja para um encontro com a liderança local. Na reunião estiveram presentes o Pr. Dr. Vanderlei Batista Marins e Pr. Dr. Sócrates de Oliveira, ambos representando a Convenção Batista Brasileira, o Pr. Wellington Santos, Prª Odja Santos e o advogado da assessoria jurídica da comunidade representando a Igreja Batista do Pinheiro.

Por fim, a diretoria da Convenção emitiu um documento denominado "Declaração da Diretoria da Convenção Batista Brasileira sobre a aceitação de pessoas homo afetivas no rol de membros da Igreja Batista do Pinheiro, Maceió, AL" onde afirma a legitimidade das decisões individuais de cada igreja local através de sua independência e soberania, mas reafirmando ainda que tal decisão da igreja fere o princípio de cooperatividade das igrejas ao adotar a postura isoladamente. A CBB reafirmou também que uniões homo afetivas não são aceitas pela Escrituras, como também defende o direito daqueles que querem deixar a prática homossexual.DOC CBB - Declaração sobre IBPinheiro