Henneguya zschokkei, também conhecido como Henneguya salminicola, é uma espécie de parasita mixosporeano de certas espécies de salmão do gênero Oncorhynchus. H. zschokkei não necessita de oxigénio para sobreviver e destaca-se por ser um dos raríssimos organismos multicelulares no reino animal a depender exclusivamente de um metabolismo anaeróbico. É também notável pela sua ausência de mitocôndrias e de ADN mitocondrial. Seus anfitriões incluem:Záchyt lososa masivně infikovaného myxosporidií Henneguya zschokke http://www.vetweb.cz/projekt/clanek.asp?pid=2&cid=2943 (in Czech) A Henneguya zschokkei é o único organismo multicelular conhecido (até 2020) que carece totalmente de mitocôndrias funcionais e de respiração aeróbica.

A espécie foi descoberta pelo investigador Zschokke, e outro investigador, Gurley, atribuiu ao táxon o nome Henneguya zschokkei em 1893 em honra do seu descobridor. Em 1919, foi descrita a espécie Henneguya salminicola, no entanto, atualmente o nome Henneguya salminicola é considerado um sinónimo de Henneguya zschokkei.

Estrutura e ciclo de vida

A H. zschokkei parasita algumas espécies de salmão e truta que habitam águas marinhas, salobras e doces do Hemisfério Norte. Os seus hospedeiros podem incluir o salmão-vermelho, salmão-cão, salmão-rei, salmão-rosado, salmão-prateado, lavareto e variedades anádromas da Truta-arco-íris.

O ciclo de vida da H. zschokkei não está totalmente esclarecido. Compreende três fases principais: a fase de cisto (quisto), que se encontra nos músculos dos peixes; a fase de actinósporo, que vive em anelídeos; e a fase de mixósporo, que sai dos cistos maduros para a água e infeta os vermes.

O parasita forma pequenos cistos brancos com um diâmetro de até 10–20 mm no músculo esquelético e noutros tecidos (como o tecido conjuntivo intermuscular subcutâneo) do peixe infetado. Em redor do cisto, forma-se uma cápsula de tecido conjuntivo derivada do hospedeiro. Quanto mais tempo o cisto permanece no músculo, mais resistente se torna esta cápsula. A maior concentração de cistos encontra-se geralmente na área da barbatana dorsal. O cisto está preenchido por um líquido esbranquiçado que contém inúmeros esporos com cerca de 10 µm de diâmetro.

Os esporos têm forma ovoide e consistem em duas válvulas simétricas que cobrem duas cápsulas polares na extremidade anterior e o esporoplasma. A extremidade posterior do esporo possui dois apêndices caudais desiguais com 26 a 40 µm de comprimento. No interior das cápsulas polares existem filamentos enrolados em cinco ou seis voltas. A maior parte do volume do esporo é ocupada pelo esporoplasma, que contém dois núcleos.

Os cistos nos tecidos dos peixes crescem gradualmente e acabam por romper, libertando os mixósporos multicelulares na água. No local dos cistos restam úlceras onde frequentemente se instalam patógenos secundários. Os vermes anelídeos são infetados ao ingerirem os mixósporos. No organismo do verme, a H. zschokkei vive principalmente no intestino e reproduz-se de forma assexuada (esporogonia), resultando na fase de actinósporo. Estes saem do verme e, ao contactarem com a pele do peixe, disparam os seus filamentos polares para se fixarem, injetando o esporoplasma que migrará para o tecido muscular.

A H. zschokkei não causa danos significativos ao seu hospedeiro e não é transmitida a outros organismos através do consumo de peixe infetado. Os cistos são inofensivos para o ser humano, embora reduzam consideravelmente a qualidade comercial do peixe. Foram registados casos de deteção de esporos de H. zschokkei em fezes humanas, sendo notada a sua semelhança morfológica com espermatozoides humanos.

Metabolismo

Em fevereiro de 2020, foram publicados os resultados da análise do material genético da H. zschokkei, revelando que este animal carece totalmente de ADN mitocondrial. A ausência de mitocôndrias foi confirmada por microscopia, embora espécies próximas, como a Myxobolus squamalis, possuam mitocôndrias funcionais. As mitocôndrias da H. zschokkei evoluíram para organelos do tipo mitocondrial (MROs) sem ADN próprio.

A espécie perdeu não só o genoma mitocondrial, mas também quase todos os genes nucleares envolvidos na replicação e transcrição do mesmo. Contudo, ainda possui genes cujos produtos proteicos participam noutras vias metabólicas mitocondriais (como o ciclo dos ácidos tricarboxílicos e o metabolismo de aminoácidos e lípidos), embora os genes que codificam proteínas da respiração aeróbica tenham sido perdidos ou convertidos em pseudogenes.

O mecanismo exato de respiração deste organismo é desconhecido. Presume-se que o Acetil-CoA entre no ciclo dos ácidos tricarboxílicos nos organelos e que os eletrões sejam transferidos para o Complexo II da cadeia respiratória. Daí, os eletrões passariam para a ubiquinona e para um aceitador final ainda não identificado. Os complexos I, III e IV, bem como o citocromo c, estão ausentes.

Estes organelos não são idênticos aos hidrogenossomas encontrados em alguns eucariotas unicelulares, pois carecem de hidrogenases. No entanto, assemelham-se aos organelos do protozoário Cryptosporidium muris, que também perdeu os complexos I, III e IV. A perda do ADN mitocondrial na H. zschokkei terá ocorrido recentemente numa escala evolutiva. Oncorhynchus nerka Oncorhynchus keta Oncorhynchus tshawytscha Oncorhynchus gorbuscha Oncorhynchus kisutch Formas anádromas de Oncorhynchus mykiss (truta arco-íris)

Falta de mitocôndrias Henneguya salminicola é o único animal multicelular conhecido que carece completamente de mitocôndrias e genes mitocondriais, o que significa que não usa respiração aeróbica para produzir energia.

A natureza anaeróbica de Henneguya Salminicola foi descoberta acidentalmente por cientistas da Universidade de Tel Aviv em fevereiro de 2020. O professor Dorothee Huchon notou que estava faltando um genoma mitocondrial na criatura.

Ligações externas

https://web.archive.org/web/20061007193536/http://www.sva.se/static/429.html (em sueco)

Categoria:Myxozoa Categoria:Animais parasitas de peixes