O Club Atlético de Madrid, mais conhecido como Atlético de Madrid, e em países de língua espanhola como Atleti, é um clube de futebol profissional espanhol sediado no distrito de San Blas-Canillejas na cidade de Madrid. Fundado em 26 de abril de 1903, manda seus jogos no Estadio Metropolitano desde 2017. Compete na La Liga, a principal divisão do sistema de ligas da Espanha.
Foi fundado como Athletic Club de Madrid por estudantes bascos simpatizantes do Athletic Bilbao. A equipe da capital espanhola deixaria de ser uma filial em 1921, quando desvencilhou-se da equipe basca. Ainda assim, a similaridade dos uniformes, nomes e distintivos, originada em razão de como o clube madrilenho foi criado, manteve-se.
Seu melhor período ocorreu durante os anos de 1939 a 1975, conquistando sete de seus onze títulos no Campeonato Espanhol, a Recopa Europeia da UEFA de 1962, e o vice-campeonato na Liga dos Campeões da UEFA em 1974. O vice de 1974, por sinal, rendeu ao Atlético o curioso posto de primeiro clube campeão da Copa Intercontinental sem conquistar o troféu interclubes continental de maior importância: o time derrotou os argentinos do Independiente sem ter vencido a Copa dos Campeões da UEFA, perdida para o Bayern Munique. O clube alemão cedeu a vaga aos espanhóis. O Atlético seria novamente finalista da Liga dos Campeões em 2014 e 2016, sem vencê-la. Antes, em 2010 e 2012, conquistara a Liga Europa da UEFA, título que voltaria a conquistar em 2018.
É o terceiro clube mais vitorioso do futebol espanhol. O Atlético conquistou 11 títulos do Campeonato Espanhol, 10 da Copa do Rei, dois da Supercopa da Espanha, uma Copa Eva Duarte e uma Copa Presidente FEF. Em nível internacional, o clube conquistou a Liga Europa da UEFA três vezes, a Supercopa da UEFA três vezes, a Recopa Europeia uma vez e a Copa Intercontinental (1974).Club Atlético de Madrid O Atlético é também a terceira maior torcida da Espanha, com a simpatia de 6,1% da população, o que equivale a cerca de 2 900 000 de torcedores,Los 10 equipos de fútbol preferidos por los espanholes, citando pesquisa do Instituto CIS divulgada em junho de 2014 e disponível em 24 de julho de 2015 metade deles vivendo na cidade de Madrid (cerca de 22% da população da capital espanhola), segundo pesquisa anterior realizada pela empresa Line Staff em 2002. Em novembro de 2015 o Atlético chegou a marca de 80 mil sócios, 12 milhões de seguidores no Facebook, quase 2 milhões no Twitter e mais de um milhão no Instagram e no Google+.El Atlético alcanza la cifra histórica de los 80.000 socios, página editada em 18 de novembro de 2015 e disponível em 26 de novembro de 2015 Em 2018 alcançou a marca de 120 mil associados.
Seu antigo estádio, o Vicente Calderón, já era considerado pela UEFA um estádio cinco estrelas, pela excelência no conforto e na segurança que oferecia aos torcedores e aos clubes visitantes, e no passado já teve capacidade máxima para 70 mil espectadores, caindo depois para cerca de 55 mil. O atual estádio, o moderno Wanda Metropolitano, é utilizado desde a temporada 2017–18 e tem capacidade para 67 829 torcedores. Em 3 de julho de 2019, o clube efetuou a quarta transferência mais cara do mundo na compra do português João Félix (126 milhões de euros).
O clube também foi co-proprietário do time de Calcutá da Superliga Indiana, o antigo Atlético de Kolkata, que foi campeão da superliga duas vezes, mas o Atlético terminou a parceria em 2017 e o time foi rebatizado para ATK. Ainda é proprietário do time da Liga MX Atlético San Luis (antigo San Luis FC), e do Atlético Ottawa da Canadian Premier League.
História Início esquerda|miniaturadaimagem|233x233px|O Atlético de Madrid de 1911. O primeiro nome, Athletic Club de Madrid, demonstrava a ideia inicial dos fundadores, estudantes bascos que desejavam criar uma filial do Athletic Club, equipe de Bilbao. O uniforme inicial, em razão disso, era o mesmo: camisas divididas verticalmente ao meio em azul e branco e calças azuis, uniformes comprados da equipe inglesa do Blackburn Rovers.
A troca ocorreu em 1911, quando um enviado dos dois Athletics, ao viajar à Inglaterra, não conseguiu achar os uniformes do Blackburn e decidiu trazer os do Sunderland: camisas com listras verticais vermelhas e brancas e calças pretas.
miniatura|160px|Primeiro distintivo do clube, em 1903.
O novo modelo foi usado integralmente pelo Athletic de Bilbao desde então. O de Madrid, entretanto, manteve os calções azuis do Blackburn, causando a diferenciação nos uniformes dos dois clubes, que passaram a receber a alcunha de rojiblancos. A filial, porém, logo receberia um apelido próprio: como alguns colchões populares da época eram revestidos de camadas alvirrubras e a maior parte da torcida dos madrilenhos era de operários, não tardou para que surgisse o alcunha de colchoneros."Atlético de Madrid", Ubiratan Leal, Balípodo.com.br O primeiro uniforme do time, alviazul, serve ocasionalmente de base para os uniformes secundários utilizados pelo clube.
O Athletic de Madrid, em contraste ao outro time da cidade - que recebera oficialmente alcunha da realeza e passara a chamar-se Real Madrid, passou a receber apoio das classes operárias, cujas moradias concentravam-se na área do primeiro estádio, Ronda de Vallecas. Em 1923, com administração já independente do Athletic de Bilbao, mudou-se para o Estádio Metropolitano de Madrid.
Na década de 1920, o Atlético venceu por três vezes o Campeonato do Centro Espanhol, e foi vice-campeão da Copa do Rei em 1926. Desta forma, foi convidado para participar da edição inaugural do Campeonato Espanhol, a dar-se na época 1928/29. Na segunda edição do campeonato, todavia, terminou rebaixado. Voltou em 1934, e sofreu nova queda dois anos depois.
Por outro lado, viu o rival obter troféus: o Madrid (que perdera a alcunha Real durante a Segunda República Espanhola foi bicampeão espanhol em 1932 e 1933 e levou a Copa do Presidente (como ficou conhecida a Copa do Rei no período republicano) em 1936, ano do segundo rebaixamento do Atlético. Poucas semanas após cair, estourou a Guerra Civil Espanhola.
Clube de Madrid esquerda|miniaturadaimagem|211x211px|Escudo utilizado entre 2017 e 2024. Após o conflito, o clube ressurgiu com um novo nome e de forma inusitada - fundiu-se com o Aviación Nacional, equipe de Zaragoza ligada à aeronáutica espanhola, e tornou-se o Athletic Aviación de Madrid. Conseguiu convite da edição 1939/40 da Liga Espanhola para ocupar o lugar do Real Oviedo, cuja estrutura foi destruída pela Guerra. O convidado saiu-se muito bem: sob o comando técnico de Ricard Zamora, justamente a grande estrela do Real nos títulos da década anterior, o Aviación terminou campeão pela primeira vez. E igualaria a equipe rival no ano seguinte, conquistando um bi.
No mesmo ano do segundo título, um decreto do presidente espanhol Francisco Franco, general que saiu-se vitorioso na Guerra Civil, proibiu o uso oficial de outro idioma que não a língua castelhana no território espanhol. Com isso, o nome em inglês foi trocado para Atlético Aviación de Madrid.
Enquanto o Real decaía cada vez mais, o Atlético evoluía. Após o fim do vínculo com as forças aéreas, em 1947, o nome do clube sofreu nova alteração: Club Atlético de Madrid, que vem se mantendo até os dias atuais. Naquele ano, os rojiblancos conseguiram sua maior vitória contra o Real, um 5-0.
Após nove anos de jejum, o Atlético conseguiu seu terceiro título espanhol em 1950, com novo bi no ano seguinte. A equipe era então a segunda maior vencedora do campeonato espanhol - quatro títulos, ao lado do Barcelona, apenas um atrás do Atlético de Bilbao. A saída do técnico Helenio Herrera acabou estagnando o time - o Barcelona passaria à frente com dois títulos seguidos. O pior para a torcida rojiblanca, entretanto, ainda estaria por vir.
Perdendo a hegemonia local e o primeiro título continental thumb|right|200px|Pelo Atlético de Madrid, Vavá fez a mais bem-sucedida carreira no futebol europeu entre os brasileiros que jogaram a final da Copa do Mundo de 1958.
A temporada 1953-54 veria o Real Madrid voltando a conquistar a Liga, com o reforço do argentino Alfredo di Stéfano. La Saeta Rubia lideraria o Real a um bi posteriormente, igualando as conquistas do Atlético. A década seguiu com o argentino comandando o Real em cinco conquistas seguidas nas primeiras edições da Copa dos Campeões da UEFA. Mais do que tudo isso, o sul-americano mexeu com rivalidades: o clube blanco passou a nutrir mais rivalidade, reciprocamente, com o Barcelona, contra quem passou a disputou a hegemonia nacional na década.
Em 1957, o Real conseguiu seu quinto título espanhol, e o sexto viria em seguida. O Barcelona respondia com seu sétimo e oitavo títulos, em 1959 e 1960. À distância de ambos, o Atlético viu o Real emendar cinco títulos espanhóis no início da década de 1960.
A saída foi dedicar-se às Copas do Generalíssimo, novo nome da Copa do Rei: títulos no torneio vieram em 1960 (o primeiro do Atlético na competição), 1961 e 1965. Os dois primeiros foram conquistados sobre o Real Madrid, com os rojiblancos contando com o primeiro brasileiro no clube, Vavá.
Com o título de 1961, o clube credenciou-se a disputar a Recopa Europeia, competição surgida entre os vencedores das Copas nacionais europeias e prestigiada como segundo torneio interclubes europeu em importância. O Atlético venceu a edição de 1962, seu primeiro troféu continental. A conquista marcou a despedida do ídolo Joaquín Peiró - os italianos do Torino os observaram nas finais contra a Fiorentina, em que ele marcou dois gols, e o contrataram.
Retomada das conquistas na Espanha e o título mundial O Atlético interrompeu as sequências de títulos espanhóis do Real em 1966, vencendo pela quinta vez a Liga e já contando com três ídolos: Adelardo, Luis Aragonés e José Ufarte. Este, um galego crescido no Brasil, onde defendera Corinthians e Flamengo sob o apelido de "Espanhol". Ainda assim, o rival ofuscou a conquista ao ganhar o seu sexto título da Copa dos Campeões.
A primeira participação do Atlético no torneio, na temporada 1966-67, terminou com eliminação precoce na segunda fase, frente aos iugoslavos do Vojvodina Novi Sad. O ano de 1966 marcou também a mudança para um novo estádio que recebeu o nome do presidente à época: Vicente Calderón. thumb|right|200px|Luis Aragonés foi um dos personagens mais célebres do Atlético, onde jogou por dez anos e treinou em quatro oportunidades.
Enquanto isso, o Real ganhava o campeonato espanhol outras três vezes seguidas na década, acumulando quatorze títulos. Em 1970, o Atlético conseguiu o seu sexto, embalado por Luis e José Eulogio Gárate, artilheiros da Liga.
Em meio à crise do Barcelona, o Atlético terminou a década como o principal antagonista do Real Madrid."Atlético ainda não se recuperou", Ubiratan Leal, Balípodo.com.br A segunda campanha na Copa dos Campeões foi melhor: os colchoneros chegaram às semifinais, onde foram parados pelos futuros campeões do Ajax de Cruijff.
Os anos 1970 vieram com o Real somando seu décimo quinto título espanhol em 1972 e o Atlético respondendo com seu sétimo em seguida, ficando a um título de igualar o Barcelona. Ainda com os veteranos Adelardo, Luis e Ufarte, o time reunia outros nomes consagrados no clube: o goleiro Miguel Reina, o meia Javier Irureta e os atacantes argentinos naturalizados espanhóis Heraldo Bezerra e José Eulogio Gárate.
Com o título de 1973, os rojiblancos ultrapassaram a "matriz" Atlético Bilbao e chegaram pela terceira vez à Copa dos Campeões. Após alcançar as semifinais em 1971, a equipe finalmente chegou à final. O adversário era o Bayern Munique, base da Seleção Alemã-Ocidental que seria campeã mundial semanas depois: Sepp Maier, Gerd Müller, Franz Beckenbauer, Uli Hoeneß, Paul Breitner e Hans-Georg Schwarzenbeck."Minuto eterno", Mauro Marchesini, Trivela, n.º 32, outubro de 2008, Trivela Comunicações, págs. 54-55