A Igreja Católica na República Democrática do Congo (também conhecida por Congo-Quinxassa Infopédia: Kinshasa, ou Zaire, até 1997Peter Forbath, The River Congo, p. 19.) é parte da Igreja Católica universal, em comunhão com a liderança espiritual do Papa, em Roma, e da Santa Sé. A Igreja Católica é a instituição com maior credibilidade no país.
História Do cristianismo florescente ao declínio thumb|left|250px|Procissão de Corpus Christi no Congo Belga, fotografada na década de 1940. Embora o explorador português Diogo Cāo tenha descoberto e reivindicado a região ao redor da foz do Rio Congo, em 1484, as tentativas de explorar e desenvolver o interior seriam apenas parcialmente bem-sucedidas após as explorações de David Livingstone e Henry Morton Stanley nas décadas de 1860 e 1870. Cão enviou alguns dos líderes nativos para Lisboa, onde foram apresentados à realeza na corte e instruídos na fé católica. Quando esses homens retornaram no ano seguinte, eles converteram o rei local. Franciscanos portugueses, sacerdotes regulares e seculares iniciaram uma evangelização sistemática e muito bem-sucedida na região do Rio Congo em 1490. O rei Nzinga foi batizado em 1491, havendo então a ereção da igreja de São Salvador (hoje em dia no norte de Angola) em sua capital, a qual tornou-se sede de um bispado em 1597. Ele desenvolveu ao longo da margem esquerda do Congo um reino cristão inspirado em Portugal. O cristianismo se espalhou amplamente na região. Em 1518, foi ordenado Dom Henrique, consagrado bispo titular de Utica, tornando-se o primeiro bispo nativo da África negra. Até sua morte, em 1535, ele permaneceu no Congo.
Tanto no Congo, como em Angola, ao sul, as missões experimentaram ganhos e reveses alternados, em parte devido à dificuldade de ensinar a fé aos povos nativos, aos efeitos desmoralizantes do tráfico de escravos e às incessantes guerras tribais. Apesar das frequentes petições dos reis congoleses em busca de mais missionários, a metrópole insistia em seus direitos de padroado e admitia apenas os portugueses como missionários, embora se tornasse cada vez menos capaz de fornecê-los. Em 1640, a Congregação para a Propagação da Fé criou a Prefeitura Apostólica do Congo, que foi confiada aos capuchinhos italianos. Um seminário, inaugurado em 1682, formou vários padres nativos. No entanto, durante a década de 1760, as políticas anticlericais do Marquês de Pombal feriram gravemente a Igreja em todos os territórios portugueses, e o rápido declínio da missão se seguiu no século XIX.
Reerguendo as missões Em 1865, o Congo em boa parte voltou ao paganismo, até que os padres espiritanos assumiram a responsabilidade pela região do baixo rio Congo e estabeleceram uma missão em Boma, dez anos depois. Em 1878, os padres brancos belgas haviam penetrado as seções orientais do Lago Tanganyika; sua província foi confiada ao Vicariato Apostólico do Alto Congo, criado em 1888. Depois que o rei Leopoldo II da Bélgica recebeu o controle do Estado Livre do Congo, a maior parte da região foi confiada à Congregação do Imaculado Coração de Maria (também chamados missionários de Scheut). Os esforços missionários, que continuaram depois que a Bélgica assumiu o controle da região, em 1908, continuaram sendo prejudicados pelo cruel comércio de escravos continuado pelos árabes e portugueses, e dificuldades adicionais, como clima, doenças e viagens, causaram um grande impacto aos missionários.
thumb|250px|right|Catedral de Basankusu.
Durante a Primeira Guerra Mundial, as missões definharam, mas a infraestrutura aprimorada de estradas e comunicações construída após a guerra facilitou a evangelização, resultando em rápido crescimento. A população católica, era de 350.000 em 1921, aumentou para 1.700.000 em 1941 e atingiu 4.000.000 em meados da década de 1950. O primeiro sacerdote nativo foi ordenado em 1917 e um bispo congolês foi consagrado em 1956. A hierarquia foi estabelecida em 1959. Em meados do século XX, o Congo tinha a maior comunidade católica do mundo. A educação católica, especialmente nas escolas primárias, progrediu muito depois de 1924, quando começou a receber subsídios do governo. Dois terços das escolas de ensino fundamental passaram a ser administrados pelos católicos, em comparação com um quarto dos protestantes. Infelizmente, a estabilidade da região terminou com o surgimento do movimento de independência do domínio belga, que culminou em um novo governo em 30 de junho de 1960.
Congo independente Os distúrbios civis em toda a região após a independência resultaram no abandono de muitas missões e no retorno à prática das religiões tribais indígenas, que toleravam a poligamia. Muitos padres e religiosos homens e mulheres foram massacrados em meio a uma crescente onda de fervor nacionalista africano. Em novembro de 1965, um golpe militar trouxe ao poder o presidente Mobutu Sese Seko, que reprimiu a rebelião e a guerra civil em Katanga, Stanleyville e Kwilu e permitiu que o país começasse a se reconstruir. No início da década de 1970, a região possuía uma das economias mais fortes da África.
Anos depois, Mobutu iniciou a "política de autenticidade", que combinava os escritos do nacionalista africano Patrice Lumumba, o movimento de negritude e a influência do líder comunista chinês Mao Tsé Tung em uma filosofia projetada para promover a revolução política e identidade cultural, o que acabou por desintegrar-se em má administração econômica, corrupção e culto à personalidade. Em 1972, por causa de seu protesto contra a visão da política de autenticidade, o cardeal congolês Joseph-Albert Malula foi forçado a exilar-se em Roma. Dois anos depois, o comitê central do Movimento Popular da Revolução (MPR) de Mobutu adotou uma nova constituição anticristã, incorporando as chamadas "grandes decisões de radicalização". Mobutu foi declarado um Messias; o "mobutuísmo" recebeu o status de religião e o MPR tornou-se uma igreja. O MPR também foi declarado o único partido político legal. A liberdade de informação deixou de existir e as propriedades da Igreja foram confiscadas. Os nomes cristãos, incluindo os de muitas vilas e cidades do país, foram suprimidos, a religião foi removida dos currículos escolares e todas as solenidades cristãs foram transferidas para o domingo, incluindo até mesmo o Natal, que deixou de ser feriado. Fotos e imagens sagradas foram substituídas por uma foto de Mobutu. Os seminários menores confiscados foram convertidos pelo estado em escolas públicas, enquanto as unidades de jovens do MPR foram introduzidas nos principais seminários. Foram proibidas as reuniões da Conferência Episcopal Zairense.
Para a igreja, as políticas anticristãs de Mobutu foram uma tragédia. O Concílio Vaticano II, em meados da década de 1960, provocou transformações positivas, como a realização da Comissão pela Evangelização, em 1969, de um projeto monumental de inculturação da liturgia eucarística no Zaire, que culminaria na aprovação do missal pelo Vaticano para as dioceses do Zaire em 1988. Partida dos temas inspiradores do Vaticano II, a Conferência Episcopal do Zaire foi forçada a se concentrar na defesa da liberdade religiosa, da liberdade da Igreja e dos direitos das pessoas em um período de revolta política e recessão econômica até 1972. Apesar das restrições impostas eles, os bispos, bem como o franco Cardeal Malula abordaram repetidamente questões sociais e econômicas, reafirmaram os princípios fundamentais e atacaram o caráter secular do mobutuísmo. As cartas pastorais Tous solidaires et responsables (1977) e Appel au redressement da la Nation (1978) nomearam corajosamente o "mal zairense" e suas causas, enquanto renovavam o compromisso da Igreja de combater o mal e promover um desenvolvimento sustentável. Em 1985, eles publicaram uma carta pastoral sobre o significado da independência política e uma avaliação de 25 anos de independência no Zaire. A maioria dos documentos da década de 1990 teve o tema predominante da democracia e da reconstrução da nação. Outras cartas pastorais tratavam mais diretamente de assuntos religiosos. Outra indicação da relevância da Conferência dos Bispos Católicos foi a declaração conjunta sobre a reconciliação feita durante a Conferência Nacional com os líderes de outras denominações religiosas, incluindo os ortodoxos, os protestantes, os kimbanguistas e os muçulmanos.
No final da década de 1970, a economia regional declinou devido à queda nos preços do cobre. Rebeliões em 1977 e 1978 fizeram com que Mobutu começasse a moderar sua posição. Uma nova constituição revisada em abril de 1978 moderou ainda mais as opiniões do governo diante da oposição da Igreja que já reunia quase metade da população do país. Em 1980, o aniversário de 100 anos de atividade missionária na África Central, levou a primeira visita pastoral do Papa João Paulo II à África. O papa foi recebido pelo governo, então Zaire, para uma segunda visita cinco anos depois.
Antes da independência, a Igreja operava quase todas as escolas da região, com seus objetivos de eliminar o analfabetismo, a criação da primeira universidade nacional do país, a promoção do entendimento intercultural e o crescente uso de línguas nativas na sociedade. Enquanto o controle da educação mudou para o estado, em 1974, e as escolas e seminários da Igreja foram colocados sob controle estrito do governo, em 1986 essa situação se inverteu com a restauração da educação privada e retomando a política anterior a 1961 que permitia que as crianças fossem educadas em conformidade com sua religião. Os bispos católicos tiveram um papel importante nesse processo de retorno da influência católica na política, emitindo uma declaração que reafirmava o que consideravam direitos e princípios de educação incansáveis, para a criança, os pais, o estado e a Igreja. Eles incentivaram o estímulo à iniciativa privada na educação, em substituição ao controle exclusivo do estado. Posteriormente, o número de escolas particulares aumentou significativamente.
As principais universidades estatais da região estavam localizadas em Quinxassa (fundada como Universidade Lovanium sob os auspícios católicos), Lubumbashi e Quissangane (protestante). Embora o governo tenha tentado, em 1971, fundir as universidades de Lubumbashi, Quinxassa e Quissangane à Universidade Nacional do Zaire, a qual era de administração pública, o experimento fracassou e as três universidades finalmente recuperaram sua autonomia. Durante a fusão, o governo suprimiu as escolas confessionais da Universidade Nacional e, em 1974, os bispos católicos decidiram organizar uma escola de teologia como uma unidade separada e autônoma. Assim, a primeira escola de teologia na África negra nasceu e se desenvolveu nas Faculdades Católicas de Quinxassa (1988), sob o controle direto da Conferência Episcopal do Zaire. Uma das universidades mais respeitadas do país, compreendia escolas de filosofia, teologia, ciências e tecnologia do desenvolvimento e comunicação social. Em 1977, o governo zairense assinou um memorando de entendimento com as comunidades católica, protestante, quimbanguista e islâmica a respeito da gestão das escolas e do ensino da disciplina de Religião no currículo.
thumb|200px|Cardeal Laurent Monsengwo Pasinya.