Nizar ibne Maade () é uma figura da tradição genealógica árabe, apresentado como filho de Maade, neto de Adenane e ancestral epônimo dos nizaritas, um dos principais agrupamentos atribuídos aos adenanitas ou árabes setentrionais. Na genealogia tradicional, figura como o décimo nono ancestral de Maomé e como pai de Modar, Rebia, Iade e Anemar, dos quais derivariam importantes grupos tribais. Algumas tradições, contudo, fazem Iade e Anemar filhos do próprio Maade e, portanto, irmãos de Nizar.

Pouco é conhecido sobre Nizar como personagem individual. As tradições situam-no em Meca, atribuem-lhe as cúnias Abu Iade e Abu Rebia e afirmam que recebeu de seu pai a custódia das cortinas da Caaba, passando posteriormente a exercer a administração da cidade e os serviços relacionados ao santuário. Antes de morrer, teria transmitido essas atribuições aos filhos e repartido seus bens entre eles, determinando que eventuais disputas fossem submetidas à arbitragem de Afa ibne Huceine Aljurumi. Seu sepultamento é tradicionalmente situado em Date Aljaixe, nas proximidades de .

A historicidade de Nizar e a formação de sua posição na genealogia árabe são discutidas pelos estudiosos modernos. Giorgio Levi Della Vida relacionou sua proeminência como ancestral coletivo às rivalidades entre árabes setentrionais e meridionais no Período Omíada, considerando Nizar uma construção genealógica posterior, e não uma unidade tribal historicamente constituída comparável a Maade. O nome, entretanto, é documentado muito antes do islã: o epitáfio do rei lácmida , morto em 328, menciona Nizar como uma subdivisão de Maade, enquanto tradições e poemas atribuídos à Jailia também preservam o nome. Com base nesses testemunhos, Mustafa Sabri Küçükaşcı rejeita a hipótese de que Nizar como designação tenha surgido somente em decorrência das disputas políticas do período omíada.

Vida e genealogia

Pouco se sabe sobre Nizar ibne Maade nas fontes genealógicas árabes. Era filho de Maade e neto de Adenane, ancestral epônimo dos adenanitas, e figura na genealogia tradicional como o décimo nono ancestral de Maomé. Segundo uma tradição, sua mãe chamava-se Muana binte Jala e pertencia aos jurumitas, enquanto Küçükaşcı registra-a como Naima binte Jauxame. Nizar era conhecido pelas cúnias Abu Iade e Abu Rebia e teria vivido em Meca, considerada pela tradição a primeira terra dos árabes setentrionais. Ainda durante a vida de seu pai, recebeu dele a custódia das cortinas da Caaba e, posteriormente, teria assumido tanto a administração de Meca quanto os serviços relacionados ao santuário, funções que eram exercidas conjuntamente naquele período. As tradições atribuem a Nizar quatro filhos que se tornaram ancestrais epônimos de importantes agrupamentos tribais: Modar, Rebia, Iade e Anemar. Algumas genealogias, contudo, apresentam divergências quanto à filiação de Iade e Anemar, fazendo-os filhos de Maade e, portanto, irmãos de Nizar, em vez de seus descendentes. Nos últimos dias de vida, Nizar teria transferido aos quatro filhos suas atribuições e responsabilidades e repartido entre eles seus bens. Segundo a tradição, determinou que, caso surgissem divergências entre os irmãos, recorressem a Afa ibne Huceine Aljurumi, um notável árabe residente em Najrã e pertencente à tribo de sua mãe. Nizar teria sido sepultado em , situada a sete milhas de . Após sua morte, durante o período em que os descendentes de Ismael conservaram a hegemonia sobre Meca, a administração da cidade e os serviços da Caaba teriam permanecido nas mãos de seus descendentes.

Historicidade

A historicidade de Nizar e a antiguidade de sua posição na genealogia árabe são objeto de discussão. Giorgio Levi Della Vida salientou a raridade do nome no período pré-islâmico e interpretou a importância genealógica posteriormente atribuída a Nizar à luz da polarização entre os agrupamentos tribais árabes setentrionais e meridionais, consolidada no período omíada. Para o autor, Nizar não representava uma tribo historicamente constituída comparável a Maade, mas uma construção genealógica cuja importância como ancestral coletivo estava relacionada às necessidades políticas posteriores. O nome Nizar, contudo, possui atestação anterior ao islã. Sua ocorrência mais antiga conhecida é encontrada na inscrição funerária (epitáfio) do rei lácmida , morto em 328, na qual Nizar é mencionado como uma subdivisão de Maade submetida, juntamente com outros grupos árabes, à autoridade daquele governante. A inscrição demonstra, portanto, que Nizar já era empregado como designação coletiva no , vários séculos antes das disputas tribais do período omíada. Küçükaşcı observa ainda que, na poesia atribuída à Jailia, os nomes de Nizar e de seus descendentes aparecem em referência aos árabes setentrionais, embora Maade seja mencionado com maior frequência. Segundo o autor, nas informações relativas ao período pré-islâmico, particularmente na poesia, os nomes das tribos descendentes de Adenane e Catã aparecem com maior destaque que os próprios nomes desses ancestrais. Küçükaşcı menciona também tradições que, em sua interpretação, reforçariam a antiguidade do nome: Abede Almotalibe teria recebido a bandeira de Nizar ao assumir a sicaia, e os nizaritas seriam conhecidos na Jailia, juntamente com os mudlijitas e , pela presença de especialistas em e . Ibne Alcalbi incluiu ainda Nizar entre as tribos que teriam sido as primeiras a alterar os ritos da peregrinação instituídos, segundo a tradição islâmica, por Abraão. Por fim, Nizar ibne Maade aparece na própria genealogia tradicional de Maomé. Com base nesse conjunto de testemunhos, Küçükaşcı rejeita a hipótese de que o nome Nizar tenha surgido somente por motivações políticas no período omíada.

Bibliografia

Categoria:Nizaritas (tribo)