miniaturadaimagem|upright=1.3|Bolsonaro durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas em 24 de setembro de 2019.
A política externa do governo Jair Bolsonaro refere-se à maneira como foi conduzida a política externa brasileira do início do governo Jair Bolsonaro em 1.º de janeiro de 2019 até 1.º de janeiro de 2023. Esta foi centrada no alinhamento automático com os Estados Unidos e com países governados por líderes de direita e um distanciamento de países governados por líderes moderados e de esquerda, além de promover a abertura do Brasil ao comércio internacional, este governo vem apoiando o liberalismo econômico no Mercado Comum do Sul com o objetivo de assinar tratados de livre-comércio por meio deste. Sob muitos aspectos, a política externa do governo Bolsonaro é vista como uma ruptura da tradição diplomática construída nos governos anteriores, inclusive em relação a diplomacia do periodo ditatorial (1964-1985).
Desde o início de seu governo, Bolsonaro vêm mostrando um forte alinhamento com o ex-presidente americano, Donald Trump, e com líderes de direita em diversas regiões do mundo, por exemplo, Benjamin Netanyahu, Rodrigo Duterte, Viktor Orbán e outros. Ao mesmo tempo, seu governo tem se afastado de países como Cuba,Venezuela, Alemanha, França e China
No dia 8 de janeiro, Bolsonaro confirmou que o Brasil sairia do Pacto Global pela Migração da ONU. Aloysio Nunes, ministro das relações exteriores do governo anterior, criticou o ministro de relações exteriores Ernesto Araújo dizendo que "há uma falácia repetida por correntes de extrema-direita xenófobas de que o pacto se sobrepõe à soberania dos Estados" e lembrou que há mais brasileiros vivendo no exterior (3 milhões) do que estrangeiros vivendo no Brasil.
Por vezes, a política externa brasileira sob o governo Bolsonaro é vista como menos intensa do que nos governos anteriores.https://www.otempo.com.br/politica/governo/bolsonaro-destruiu-aliancas-e-mantera-isolamento-em-2022-avaliam-especialistas-1.2599073 Jair Bolsonaro possui um ritmo lento de viagens ao exterior, sendo o presidente que menos viajou ao exterior desde Itamar Franco em 1994. Tal postura levou o Brasil a adotar uma postura mais unilateral em relação ao restante do globo e especialmente muito distante dos vizinhos da América Latina e do Caribe. Até o início de 2022, Bolsonaro havia visitado apenas 5 países da região.https://www.metropoles.com/blog-do-noblat/artigos/o-brasil-esta-cada-vez-distante-da-america-latina-por-juan-arias
Antecedentes Plano de governo O plano de governo do então candidato a presidência Jair Bolsonaro, denominado "O Caminho da Prosperidade", diz que sob seu governo "deixaremos de louvar ditaduras assassinas e desprezar ou mesmo atacar democracias importantes como EUA, Israel e Itália", continua dizendo que "além de aprofundar nossa integração com todos os irmãos latino-americanos que estejam livres de ditaduras, precisamos redirecionar nosso eixo de parcerias" e termina falando que o país dará ênfase nas relações e acordos bilaterais.
Nomeação Tendo sido Jair Bolsonaro eleito na eleição presidencial de 2018, ele começou a avaliar quem poderia ser seu Ministro de Relações Exteriores, a imprensa especulou diversos nomes de possíveis ministros, entre eles o do então Secretário-Geral do Itamaraty, Marcos Bezerra Abbott Galvão, o do embaixador do Brasil na Coreia do Sul, Luis Fernando Serra, e o do ex-Diretor do Departamento dos Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos, Ernesto Araújo. Bolsonaro decidiu-se pelo último, tendo anunciado Ernesto Araújo no dia 14 de novembro de 2018 como seu indicado para o Ministério de Relações Exteriores, em uma rede social o então presidente eleito disse que Araújo tinha 29 anos de experiência no Itamaraty e era um "brilhante intelectual".
Visitas de autoridades estrangeiras thumb|esquerda|Jair Bolsonaro com o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John R. Bolton, em novembro de 2018.
Ao longo do período de transição Bolsonaro recebeu diplomatas em sua residência no Rio de Janeiro, no CCBB e na Granja do Torto, em Brasília, dentre os quais embaixadores e representantes alemães, americanos, argentinos, britânicos, chilenos, chineses, emiradenses, franceses, israelenses, italianos, japoneses, libaneses, peruanos, portugueses, russos, entre outros.
Bolsonaro reuniu-se em novembro com o então Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, em sua residência no Rio de Janeiro, onde discutiram uma maior aproximação e uma cooperação militar entre os países de ambos, além da crise na Venezuela. Bolton convidou, a pedido do Presidente Donald Trump, Bolsonaro para uma visita de Estado a Washington.
Em dezembro de 2018, Bolsonaro se encontrou com o Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no Rio de Janeiro, a primeira visita de um premier israelense na história. Entre os assuntos tratados estão o reconhecimento de Jerusalém como capital daquele país e a transferência da Embaixada Brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, a melhoria das relações entre Brasil e Israel, o investimento de tecnologia israelense em diversos setores, como irrigação, tratamento de água salina e segurança; além de um convite para uma visita de Estado a Israel.
Em 2 de janeiro de 2019 o Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, reuniu-se com o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, em sua primeira reunião bilateral. Foi tratado a reaproximação das relações entre Brasil e Estados Unidos e a situação da Venezuela. Pompeo declarou que "Brasil e Estados Unidos compartilham valores como democracia, e isso não acontece em muitos países".
Américas
Argentina O presidente argentino, Mauricio Macri, foi o primeiro chefe de estado a fazer uma visita oficial ao Brasil após a posse de Bolsonaro, ele esteve em uma reunião com o presidente brasileiro no Palácio do Planalto onde conversaram sobre o futuro do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e sobre a crise na Venezuela. Após a reunião, ambos líderes assinaram um acordo de extradição, que na prática facilita o processo.
Em junho de 2019, Bolsonaro fez sua primeira visita de estado à Argentina, nesta ele se reuniu com Macri na Casa Rosada, onde ambos discutiram as negociações do Mercosul com outros blocos comerciais, reafirmaram compromissos de cooperação na área de energia nuclear, reforçaram a aliança entre a Força Aérea Argentina e a Embraer na construção do cargueiro militar KC-360 e discutiram a possibilidade de construir uma hidrelétrica binacional no Rio Uruguai.
Após a eleição de Alberto Fernández no final de 2019, Bolsonaro e o novo presidente argentino não tiverem contato. Um encontro entre os dois chefes de Estado foi proposto para 15 de janeiro, quando Bolsonaro deveria fazer uma escala em Ushuaia para uma visita a Antártida, mas a viagem foi cancelada.https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2019/12/20/bolsonaro-nao-vou-mais-para-antartida-tenho-viagem-a-davos-e-emendo-com-a-india.htm Desde então nenhum contato direto ou indireto foi feito entre os dois. Em 2 de julho de 2020, na 56ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, os dois presidentes fizeram o primeiro contato, ainda que virtual e indireto, sete meses após a posse de Alberto Fernández.https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/07/02/bolsonaro-participa-nesta-quinta-de-cupula-do-mercosul-reuniao-sera-por-video-pela-primeira-vez.ghtml
Chile
thumb|centro|Bolsonaro e Sebastián Piñera em março de 2019 no Palácio La Moneda|270x270px
No dia 21 de março, Bolsonaro fez sua terceira viagem internacional ao Chile, onde se encontrou com o presidente Sebastián Piñera, que o recebeu para um almoço no Palácio de La Moneda. No entanto, a oposição chilena, que tem maioria no congresso do país, bem como entidades de direitos humanos rejeitaram a visita de Bolsonaro por conta de declarações elogiando o ditador Augusto Pinochet (1915-2006), feitas durante a campanha presidencial. O presidente brasileiro também foi alvo de protestos nas ruas por parte dos chilenos. Alguns manifestantes fizeram barricadas e atearam fogo em objetos.
Estados Unidos
thumb|centro|Bolsonaro durante encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em março de 2019 em Washington D.C.|270x270px
Jair Bolsonaro fez a sua segunda viagem internacional entre os dias 17 e 19 de março para os Estados Unidos e teve o primeiro encontro com o presidente Donald Trump. A viagem do presidente teve a participação de uma comitiva formada por seis ministros, entre eles, Sergio Moro (Justiça), Paulo Guedes (Economia), Augusto Heleno (GSI), Tereza Cristina (Agricultura), Ricardo de Aquino Salles (Meio Ambiente) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores). Durante a visita, foi assinado um acordo que prevê troca de informações entre a Polícia Federal e o FBI e outro que cria uma parceria entre a PF e o Departamento de Segurança Interna dos EUA por meio da alfândega e da proteção de fronteiras, também durante a visita, Trump demostrou apoio a entrada do Brasil na OCDE, em troca, o Brasil abriu mão do tratamento especial recebido na Organização Mundial do Comércio.
Guatemala
Em maio de 2020 o presidente Bolsonaro e o presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei trocaram conversas por telefone e ambos combinaram de trocar visitas em breve; algo que nunca aconteceu.
Em 2021, o Brasil ajudou o país da América Central no combate aos seus incêndios florestais e, no mesmo ano, a Guatemala aderiu à Declaração de Consenso de Genebra, uma aliança conservadora liderada pelo Brasil na época.https://www.acidigital.com/noticias/guatemala-adere-a-declaracao-que-diz-nao-existe-direito-ao-aborto-49229
Paraguai
thumb|centro|O presidente Mario Abdo Benítez é recebido por Bolsonaro no Palácio do Planalto durante visita de Estado em 2019.|270x270px
Bolsonaro viajou em 26 de fevereiro para a fronteira com o Paraguai para anunciar, ao lado de seu homólogo, Mario Abdo Benítez, a nomeação das novas autoridades da Hidrelétrica de Itaipu, a que os dois países compartilham no rio Paraná. No discurso, o líder brasileiro fez elogios ao ditador paraguaio Alfredo Stroessner, o homem que controlou o Paraguai com mão de ferro entre 1954 e 1989. A hidrelétrica só foi possível, disse ele, "porque do outro lado havia um homem com visão, um estadista que sabia perfeitamente que seu país, o Paraguai, só poderia continuar progredindo se tivesse energia". O saldo de 35 anos de ditadura foi elevado. Quando um golpe palaciano expulsou Stroessner do poder em 1989, 336 pessoas estavam desaparecidas, 19.862 pessoas haviam sido presas e outras 20.000 haviam sido torturadas. O Governo militar enviou 3.479 paraguaios ao exílio, segundo números da Comissão da Verdade e Justiça, que investigou o passado com a chegada da democracia.
Em visita à Brasília em novembro de 2021, o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, disse que Bolsonaro devia uma visita ao povo paraguaio. Na mesma ocasião, no Palácio do Planalto, o presidente brasileiro anunciou que faria a sua primeira visita ao território paraguaio no mês seguinte para lançar a pedra fundamental de uma nova ponte na fronteira entre os dois países. Contudo, no dia 13 de dezembro, o avião presidencial chegou a decolar rumo à cidade paraguaia de Carmelo Peralta, mas teve de retornar devido ao mal tempo na região, impedindo portanto a primeira visita que Bolsonaro faria ao país vizinho.https://www.poder360.com.br/governo/depois-de-cancelar-viagem-ao-paraguai-bolsonaro-passeia-em-campo-grande-ms/
Peru
miniaturadaimagem|Presidente da República Jair Bolsonaro cumprimenta o Presidente da República do Peru, Pedro Castilho.