thumb|right|300px|Dois exemplos de cartucho de espingarda, um com bagos e outro com balote.

Um cartucho de espingarda (ou de escopeta), é um tipo de cartucho integrado, cilíndrico (paredes retas), usado especificamente por espingardas com canos de alma lisa, podendo ser carregado com várias pequenas esferas conhecidas como "bagos", ou um único projétil conhecido como "balote".

Esse tipo de cartucho, consiste de um tubo de papel ou plástico montado numa base de latão com uma espoleta, e os bagos ou o balote são contidos por um sabot.

Quanto às pequenas esferas (bagos), geralmente são de chumbo, mas devido as restrições a essa substância, outros materiais vêm sendo utilizados cada vez com mais frequência, como aço, borracha e até plásticos.

As escopetas têm um alcance efetivo de cerca de com chumbo grosso, com chumbo médio, com balotes e bem mais de com balas envoltas em sabots disparadas de canos estriados.

Antecedentes Na língua inglesa, o termo "shot" nesse contexto, é um substantivo coletivo para designar um conjunto de pequenos projéteis esféricos, feitos de chumbo, aço ou outro material. O cartucho de escopeta é um cartucho projetado originalmente para acomodar esse tipo de munição. A primeira arma a fazer uso desse tipo de munição ainda sem o cartucho, foi uma espécie de bacamarte na Alemanha na década de 1600. No início da década de 1700, esse tipo de munição se espalhou pelos Alpes e começou a se popularizar pela Europa, principalmente na Inglaterra, onde era usada para a caça de aves.

Em 1776, o termo "shotgun" foi cunhado no Kentucky, para descrever uma arma que disparava munições do tipo "shot". Devido à sua versatilidade e extrema eficiência tanto contra alvos em movimento quanto para combate a curta distância, esse tipo de arma se popularizou durante a Guerra Civil e desempenhou um importante papel no período do Velho Oeste.

Histórico thumb|right|270px|Dois cartuchos de papel; simples rolos com a pólvora de um lado e a bala ou balas do outro (1775-1783).

Quando as primeiras espingardas de percussão por retrocarga, como as Sharps, tornaram-se populares na década de 1850, os cartuchos de papel foram usados mais amplamente. Essas armas podiam ser disparadas usando pólvora e balas à granel, mas a eficiência dessas cápsulas de papel fáceis de fazer tornava conveniente para o atirador passar algumas horas à noite enrolando cartuchos para serem usados no dia seguinte; esses cartuchos eram usados primariamente pelos militares. Esses cartuchos eram apenas um pedaço de papel enrolado com as munições de um lado e a pólvora do outro. Quanto o cartucho era introduzido na câmara da arma com as balas para a frente e a pólvora para trás, uma parte dele (com um pouco de pólvora) ficava exposto e era cortado quando a culatra era fechada pela alavanca. Bastava apenas ao operador, inserir uma espoleta e efetuar o disparo. No início da década de 1830, os primeiros cartuchos realmente reutilizáveis e duráveis, precursres dos atuais cartuchos de escopeta, começaram a ser desenvolvidos. Existiam algumas características consideradas fundamentais para o sucesso daquele produto: durabilidade, facilidade no manuseio, resistente ao clima, deveria ser flexível o suficiente para se expandir com os gazes do disparo, um requisito fundamental para prevenir a formação de crostas no cano a cada disparo.

A construção básica geralmente aceita para o cartucho de espingarda era um tubo de papel enrolado e cônico com uma base de latão e uma bucha de fibra retendo a carga de chumbos. O desenvolvimento deste cartucho elástico e resiliente para armas de carregamento pela culatra não foi uma conquista pequena; provavelmente nenhuma invenção relacionada com armas de fogo produziu tais mudanças no princípio da construção de armas como a invenção do cartucho expansivo. O primeiro cartucho de espingarda expansivo verdadeiramente bem-sucedido foi o cartucho de espiga, projetado por Lefaucheux, no início da década de 1830. Foi usada a construção básica do tubo de papel; base de fibra de latão frisado e um interessante sistema de ignição. Esse cartucho foi patenteado na Inglaterra em 1840, e as espingardas que o utilizavam ainda eram produzidas na Bélgica e na França em 1910.

thumb|center|450px|Ilustração em corte de um cartucho de escopeta (1908).

Apesar de engenhoso, o cartucho de espiga sofria de uma série de deficiências, sendo a mais óbvia o perigo inerente ao desenho, pois se caísse sobre o pino, poderia detonar; outra deficiência era que parte dos gazes escapavam pelo orifício onde o pino era encaixado; e claro, o preço tanto da munição quanto das armas para ela, eram muito caros para o atirador médio americano, ao menos no início.

Os primeiros cartuchos de escopeta de fogo central bem sucedidos, foram desenvolvidos na França durante a década de 1850; enquanto os atiradores europeus podiam sustentar o custo de munições mais caras, já o mercado americano exigia uma solução mais barata. Um dos primeiros cartuchos de escopeta americanos de sucesso, foi desenvolvido por um dentista de Nova York, Edward Maynard, usando uma espoleta tubular; já a segunda versão, utilizava uma espoleta integrada ao cartucho.

thumb|right|270px|Anúncio de cartuchos de escopeta de 1918.

Outro dos primeiros cartuchos de escopeta foi o "Draper", patenteado em 1864. Esse foi um cartucho complexo de três partes usinadas e rosqueadas com uma espoleta de percussão embutida. Este cartucho, excepcionalmente durável, deve ter sido extremamente caro. Na década de 1870, os fabricantes de cartuchos começaram a produzir cartuchos de latão estampado em que o tubo e a base eram formados em uma única peça. Um cartucho desse tipo foi introduzido pela Remington na década de 1870 e permaneceu em produção durante os primeiros anos de 1800. Esses estojos de latão estampado eram superiores aos designs de duas peças mais antigos em resistência e eram mais leves. As espoletas utilizadas eram as precursoras do tipo Berdan. No final da década de 1870, foi feito um aperfeiçoamento nos cartuchos de latão estampado em peça única, de modo que a bigorna foi retirada do estojo e passou para a espoleta. A Winchester começou a comercializar esses cartuchos em 1877, e a Remington por volta de 1880.

Ainda em 1877 a Winchester introduziu cartuchos de papel mais curtos e reforçados, sendo vendidos descarregados, e eles continuaram evoluindo durante a década de 1880, até que se tornou lucrativo para a Wnchester oferecer cartuchos carregados, o que teve início em 1886 sob a marca "Rival".

Com o desenvolvimento da pólvora sem fumaça na década de 1880, os cartuchos de escopeta comeáram a fazer uso dela e comeáram a ser comercializados por volta de 1900. A partir de 1920, novas pólvoras sem fumaça e novas espoletas foram aprimorados. A espoleta com composto não corrosivo foi introduzida pela Remington sob o nome de "Kleanbor" e no final dos anos 1920. Buchas em formato de copo, com melhor vedação dos gases, foram introduzidos na década de 1930.

A Remington desenvolveu os primeiros cartuchos plásticos de polietileno bem-sucedidos no final da década de 1950 e as primeiras buchas de plástico em peça única "power-piston" um pouco mais tarde. Desenvolvimentos recentes incluem cartuchos premium carregados com projéteis revestidos de cobre, e melhorias no equipamento de recarga manual de cartuchos.

Construção típica Os cartuchos de escopeta modernos normalmente consistem em um estojo de plástico, com a base coberta por uma fina cobertura de aço folheado a latão. Conforme observado anteriormente, os invólucros de papel costumavam ser comuns e ainda são feitos, assim como os invólucros de latão maciço. Algumas empresas produziram o que parecem ser cartuchos totalmente de plástico, embora nestas haja um pequeno anel de metal fundido na borda para fornecer resistência. Frequentemente, as cargas mais poderosas usam cartuchos de "latão alto", com o latão estendido ao longo das laterais do estojo, enquanto as cargas leves usam cartuchos de "latão baixo". O latão na verdade não oferece uma quantidade significativa de força, mas a diferença na aparência fornece aos atiradores uma maneira de diferenciar rapidamente entre munições de alta e baixa potência.

A base do cartucho é bastante grossa para segurar a grande espoleta de espingarda, que é mais longa do que as espoletas usadas para munição de rifle e pistola. A pólvora sem fumaça moderna é muito mais eficiente do que a pólvora negra original usada nos primórdios, portanto, muito pouco espaço é ocupado pela pólvora; As espingardas usam pequenas quantidades de pólvora de base dupla de queima rápida, equivalente a pólvora de pistola com até 50% de nitroglicerina. Depois da pólvora vem a bucha. O objetivo principal e original de uma bucha é evitar que os projéteis ("shot") e a pólvora se misturem, além de fornecer uma vedação que evite que o gás escoe através dos projéteis em vez de impulsioná-los. O material das buchas, também evoluiu, de papelão, para feltro e depois para plástico, e o desenho passou a abranger outras finalidades como um amortecedor e um copo que mantém os bagos de chumbo juntos até que estejam fora do cano.

thumb|center|450px|Visão em corte de um cartucho de escopeta contemporâneo.

Um embuchamento moderno consiste em três partes, a bucha de pólvora, a almofada e o "copo" para o "shot", que podem ser peças separadas ou uma só parte. A bucha de pólvora atua como selo de gás (conhecido como obturação) e é colocada firmemente sobre a pólvora; pode ser uma peça de papel ou plástico. A almofada vem a seguir e é projetada para comprimir sob pressão, para agir como um amortecedor e minimizar a deformação do tiro; também serve para ocupar o espaço necessário entre a bucha de pólvora e o "shot". As almofadas são quase que universalmente feitas feltro ou de plástico com zonas de amassado, embora para caças em áreas de pastagem por gado possam ser usadas buchas de fibras biodegradáveis. O "copo" de "shot" é a última parte do cartucho, e serve para manter os bagos juntos enquanto ele atravessa o cano, e também para reduzir ou eliminar o atrito direto do chumbo com o interior do cano da arma. Os copos de "shot" têm fendas nas laterais para que se abram como pétalas depois de sair do cano, permitindo que os bagos continuem em voo sem perturbações. Esses copos de "shot", quando usados, também são quase universalmente plásticos. A carga de "shot" preenche o copo (que deve ter o comprimento correto para conter a quantidade desejada de bagos), e o cartucho de escopeta é então crimpado ou "virolado".

Comprimento do cartucho Os cartuchos de escopeta são caracterizados não só pelo seu diâmetro ("gáugio"), mas também pelo seu tamanho ou comprimento; os comprimentos mais comuns dos cartuchos de escopeta são: , , 3 e polegadas.

thumb|center|450px|Cartuchos de escopeta de diferentes comprimentos e diâmetros.

Portanto, tanto as armas quanto os cartuchos são identificados ("marcados") com essas duas características, por exemplo, se a arma está marcada com "12-gauge 2¾-inch", é seguro usar cartuchos de calibre 12 com 2½ e 2¾ polegadas de comprimento, mas não um de 3 ou 3½ polegadas.

Por outro lado, o diâmetro do cartucho deve corresponder exatamente ao especificado na arma. Não se deve de forma alguma tentar disparar um cartucho de calibre ("gáugio") menor do que o especificado na arma, pois isso pode causar uma falha catastrófica.

thumb|right|260px|Exemplos de "latão alto" e de "latão baixo".

Comprimento da base do cartucho