Det sjunde inseglet (O Sétimo Selo em português) é um filme sueco de 1957, do gênero drama, escrito e dirigido por Ingmar Bergman. O filme é baseado numa peça de teatro de autoria do diretor.

O filme ambienta-se durante a Idade Média européia. O título é inspirado no livro bíblico Apocalipse ou Revelação. Segundo a visão profética desta escritura, há um livro selado com sete selos e a abertura de cada um destes selos leva à realização de um evento sobre a humanidade, mas a abertura do sétimo é o que leva efetivamente ao Juízo Final. No desenrolar do enredo torna-se clara a preocupação do diretor em buscar, no passado, um período que traga à tona questões ainda presentes no mundo contemporâneo. Ao fazê-lo, Bergman reconstruiu a Idade Média sueca não para tematizá-la em si, ainda que o trabalho de pesquisa histórica e de reconstrução da sociedade daquela época tenham sido cuidadosamente preparados, mas, principalmente, para expôr as aflições do mundo em que vivia. Destarte, Bergman busca no mundo medieval o medo apocalíptico, seja o temor de que o mundo pode acabar de repente ou de que ele seja dizimado gradualmente pela peste, o que acaba por expôr a preocupação própria do diretor com essa mesma questão.

O filme foi lançado em 1957, período em que os traumas da Segunda Guerra Mundial e da bomba atômica ainda marcavam a vida dos europeus. As décadas de 50 e 60 encerram o período de maior temor pela derrocada de uma guerra nuclear que destruísse o mundo em instantes. Acresce-se a isto que os traumas do holocausto e da mortandade desencadeados na guerra não haviam sido esquecidos, mas, pelo contrário, as pessoas pressentiam que tudo fora um presságio de que o homem seria o grande responsável pelo apocalipse final.

O Sétimo Selo (Det sjunde inseglet) está incluído – desde 2025 - no Cânone Cultural da Suécia (Sveriges kulturkanon), uma lista oficial de obras e realizações particularmente importantes para a herança cultural do país.

Enredo esquerda|upright|thumb|"A Morte jogando xadrez", por Albertus Pictor, Diocese de Estocolmo. O Sétimo Selo tem por tema fundamentalmente a questão do medo da morte; um cavaleiro que volta da Cruzada da Fé para encontrar em sua terra a peste e morte. Quando ele mesmo se depara com a personificação da morte, aceita-a como um visitante esperado, mas propõe-lhe uma negociação – numa disputa de xadrez – para que possa ganhar tempo e indagar sobre o sentido da vida e, conseqüentemente, o sentido da morte. Dessa forma, abre-se uma pausa no caminho da morte para vermos qual é o sentido da aflição que está sendo promovida e qual o caminho possível para fugir desse destino. O jogo de xadrez aparece talvez como uma alegoria da busca do cavaleiro a um entendimento da vida através da racionalidade que, ao final do filme, fica evidente que não seria possível, assim como, o cavaleiro mesmo percebe, não seria possível vencer a Morte.

No filme, vários aspectos espirituais são contemplados: o cavaleiro medita a morte, o bem e o mal, a ação divina na vida humana, os vícios, e a fraqueza humana, porém nunca com respostas definitivas. Nenhuma presença sobrenatural se manifesta ao cavaleiro durante o filme, mas aparecem variadas cenas de sacerdotes, monges, e outros religiosos.

O Sétimo Selo e Dom Quixote thumb|As gravações do filme Remetendo a Dom Quixote, temos o cavaleiro e seu escudeiro como contrapontos da forma de encarar o mundo. Assim como no livro de Cervantes, o pragmatismo crítico do escudeiro revela um conhecimento do mundo distante dos questionamentos e indagações do cavaleiro sobre a morte e o sagrado. Com uma visão ácida, porém justa, o escudeiro não procura respostas, já as possuí pela experiência de vida, portanto não tem medo de enfrentar a própria morte. Assim como Sancho Pança sabe transitar entre o mundo da taverna, das brigas, da morte, etc., e o mundo quase sublimado e filosófico em que está o cavaleiro.

Apesar do filme retratar o tempo inteiro uma humanidade desesperada e moribunda, sob o agouro implacável da Morte, Bergman apresenta-nos um final onde é possível ter esperanças. A família de artistas são os únicos personagens que sobrevivem à “caçada” da Morte. A arte aqui tratada é aquela do malabarista ingênuo, puro; não a “arte” do homem que se proclamava o diretor da companhia, nem a encenação da procissão de flagelados, mas apenas aquela da família que vive pela arte e para levá-la para as pessoas. Somente esses artistas conseguem escapar da Morte, ajudados pelo cavaleiro, que a distrai para que estes fujam. O sentido da continuidade da humanidade aparece claramente dado pela salvação através da arte; todos os demais personagens que representam outras categorias sociais perecem ou estão condenados. Ao final de uma tormentosa tempestade, no momento seguinte ao da visita da Morte ao cavaleiro e seus companheiros, o sol surge brilhante, abrindo um caminho de esperança no horizonte por onde a família de artistas vai seguir.

Elenco

Principais prêmios e indicações Festival de Cannes 1957 (França) Recebeu o Prêmio do Júri e foi indicado à Palma de Ouro.

Fotogramas de Plata 1962 (Espanha). Venceu na categoria de Melhor Ator Estrangeiro (Max von Sydow).

Sindacato Nazionale Giornalisti Cinematografici Italiani 1961 (Itália) Venceu na categoria de Melhor Diretor - Filme Estrangeiro (Ingmar Bergman).

Ligações externas Det Sjunde Inseglet (em italiano)

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