O SMS Hansa foi um cruzador protegido operado pela Marinha Imperial Alemã e quinta e última embarcação da Classe Victoria Louise, depois do , , e . Sua construção começou em julho de 1896 nos estaleiros da AG Vulcan e foi lançado ao mar em março de 1898, sendo comissionado em abril do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal de dois canhões de 210 milímetros em duas torres de artilharia individuais, tinha um deslocamento de mais de seis mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de dezenove nós.

O Hansa passou seus primeiros seis anos de serviço atuando no estrangeiro como parte da Esquadra da Ásia Oriental. Participou em meados de 1900 da subjugação do Levante dos Boxers na China, contribuindo com uma equipe de desembarque que ajudou a capturar os Fortes de Taku e depois fez parte da Expedição de Seymour. Ficou viajando pela região pelos quatro anos seguintes, visitando vários portos entre o Japão e a Austrália. Participou em agosto de 1904 do internamento do couraçado russo após a Batalha do Mar Amarelo na Guerra Russo-Japonesa.

Voltou para casa em 1906, sendo modernizado e usado como navio-escola ao voltar ao serviço em 1909. Pelos anos seguintes realizou vários cruzeiros de treinamento, realizando uma grande viagem pelo Mar Mediterrâneo entre 1909 e 1910, enquanto fez outra para os Estados Unidos entre 1911 e 1912 . A Primeira Guerra Mundial começou em 1914 e o Hansa foi mobilizado como a capitânia do V Grupo de Reconhecimento, mas serviu nesta função apenas brevemente antes ser descomissionado em novembro. Depois foi usado como alojamento flutuante e desmontado em 1920.

Características

thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Victoria Louise Elementos do alto comando naval alemão discordavam no início da década de 1890 sobre que tipos de cruzadores deveriam ser construídos para atender as necessidades da Marinha Imperial Alemã. Um lado preferia uma combinação de cruzadores de seis mil e de 1,5 mil toneladas, enquanto o outro lado defendia uma força uniforme de três mil toneladas. O primeiro lado venceu e três navios de seis mil toneladas foram autorizados em 1895, seguidos por mais dois no ano seguinte. A experiência da Marinha Imperial Japonesa na Primeira Guerra Sino-Japonesa mostrou os benefícios dos canhões de 210 milímetros, assim esta arma foi escolhida para a nova Classe Victoria Louise.

O Hansa tinha 110,5 metros de comprimento de fora a fora, boca de 17,6 metros e calado de 7,08 metros à vante. Tinha um deslocamento normal de toneladas e o deslocamento carregado era de toneladas. Seu sistema de propulsão tinha dezoito caldeiras Belleville a carvão que alimentavam três motores verticais de tripla expansão com quatro cilindros, cada um girando uma hélice. A potência indicada de dez mil cavalos-vapor ( quilowatts) para uma velocidade máxima de dezenove nós (35 quilômetros por hora). Podia carregar até 950 toneladas de carvão, o que proporcionava uma autonomia de milhas náuticas ( quilômetros) a doze nós (22 quilômetros por hora). Sua tripulação era formada por 31 oficiais e 446 tripulantes.

O armamento principal era composto por dois canhões calibre 40 de 210 milímetros montados em duas torres de artilharia individuais, uma à vante e outra à ré. A bateria secundária tinha oito canhões calibre 40 de 149 milímetros, quatro em torres de artilharia individuais à meia-nau e os outros quatro em casamatas. A defesa contra barcos torpedeiros era formada por dez canhões calibre 30 de 88 milímetros e dez canhões Maxim de 37 milímetros. Por fim, foi equipado com três tubos de torpedo submersos de 450 milímetros, um na proa e um em cada lateral. A blindagem era feita de aço Krupp; o convés tinha cem milímetros de espessura com laterais inclinadas de quarenta milímetros. As torres de artilharia principais e secundárias tinham laterais de cem milímetros, mesma nível de proteção das casamatas. A torre de comando tinha laterais de 150 milímetros.

Modificações O Hansa passou por uma reconstrução entre 1907 e 1909. Esta incluiu a substituição de suas caldeiras e a redução do número de chaminés de três para duas. Seus mastros militares foram removidos e substituídos por mastros de poste, o que melhorou sua capacidade de virada. Dois canhões de 149 milímetros e todas as armas Maxim foram removidas, enquanto um novo canhão de 88 milímetros foi instalado junto com três canhões calibre 35 de 88 milímetros. O navio foi totalmente desarmado em 1916.

Carreira Construção thumb|240px|O Hansa em uma doca seca em 1898 O Hansa foi encomendado sob o nome de contrato "N" e seu batimento de quilha ocorreu em 23 de julho de 1896 nos estaleiros da AG Vulcan em Estetino, porém a montagem inicial de alguns materiais em oficinas tinha começado em 27 de abril. Foi lançado ao mar em 12 de março de 1898 e batizado por Johann Georg Mönckeberg, o segundo prefeito de Hamburgo, uma das cidades hanseáticas, que refletiam a tradição da Liga Hanseática, a qual o Hansa foi nomeado em homenagem. Testes iniciais do seu sistema de propulsão começaram em 14 de outubro e uma tripulação do estaleiro levou o navio para Swinemünde em 16 de novembro para testes no Mar Báltico. O cruzador então foi para Kiel, onde seu armamento foi instalado junto com outras equipagens. Foi comissionado em 20 de abril de 1899 e iniciou seus testes marítimos; durante este período foi comandado pelo capitão de mar Emil von Lyncker. O navio encalhou no Grande Belt em 6 de junho. Foi libertado pelos navios de defesa de costa SMS Odin e SMS Ägir, mas seu casco foi danificado. Lyncker foi substituído em julho pelo capitão de fragata Hugo von Pohl. O Hansa completou seus testes de aceitação em 11 de agosto, porém seus motores ainda não tinham sido totalmente avaliados, com o navio ainda não estando completamente operacional.

Esquadra da Ásia Oriental Primeiros anos O cruzador foi imediatamente designado para integrar a Esquadra da Ásia Oriental por conta da necessidade de substituir as embarcações obsoletas que a Marinha Imperial tinha anteriormente enviado para formar a unidade, com o Hansa deixando a Alemanha em 16 de agosto. Seus motores e caldeiras tiveram problemas durante a viagem. Ele parou no Levante entre 31 de agosto e 4 de setembro para entregar presentes enviados pelo imperador Guilherme II para os locais santos nas cidades de Jerusalém e Haifa. O navio então passou pelo Canal de Suez, navegou pelo Mar Vermelho e entrou no Oceano Índico, parando nas Maldivas a fim de realizar um levantamento hidrográfico das ilhas. Parou em Colombo no Ceilão em 29 de setembro para um período de descanso para a equipe de engenharia, que tinha ficado sobrecarregada por precisar lidar com as repetidas quebras no caminho. Todos os três motores e os geradores elétricos chegaram quebrar em determinado momento no Índico, forçando a tripulação a lançar âncoras marítimas por horas enquanto os reparos eram realizados. O Hansa deixou Colombo em 7 de outubro e chegou em Singapura em 13 de outubro, onde permaneceu por quatro dias.

thumb|esquerda|240px|O Hansa c. 1899 A embarcação sofreu uma explosão em uma das caldeiras depois de zarpar no dia 17, matando dois tripulantes e forçando o Hansa a voltar para Singapura. Partiu para Amoy na China em 26 de outubro, onde seu irmão e o cruzador blindado chegaram também em 2 e 4 de novembro, respectivamente. Este último era na época a capitânia do vice-almirante príncipe Henrique da Prússia, irmão de Guilherme e o comandante da Esquadra da Ásia Oriental. O Hansa se tornou a capitânia do vice-comandante da formação, com o contra-almirante Ernst Fritze subindo a bordo no dia 4. O navio partiu para Xangai em 11 de novembro, seguindo então para o sul até Hong Kong em 2 de dezembro para uma grande manutenção em seus motores que terminou no dia 28. Henrique partiu de volta para a Alemanha com o Deutschland em 4 de janeiro de 1900, deixando Fritze no comando da esquadra a bordo do Hansa até o vice-almirante Felix von Bendemann chegar em 17 de fevereiro, que fez do Hertha sua capitânia. O Hansa fez um cruzeiro para Singapura e então chegou em 15 de março em Tsingtao na China, parte do Território Arrendado da Baía de Kiauchau alemão. Fritze também partiu para a Alemanha em 8 de abril, com seu substituto o contra-almirante Hermann Kirchhoff chegando em meados de julho.

O cruzador iniciou um cruzeiro pela região, mas este foi interrompido pelo estouro do Levante dos Boxers na China. Chegou nos Fortes de Taku em 7 de junho, juntando-se a uma frota internacional liderada pelo vice-almirante britânico sir Edward Seymour. A frota atacou as fortificações entre os dias 16 e 17, resultando na Batalha dos Fortes de Taku, em que o Hansa, Hertha, o cruzador desprotegido e o cruzador protegido desembarcaram destacamentos de fuzileiros navais para atacar e tomar os fortes. Pohl desembarcou também o liderou pessoalmente o ataque contra as fortalezas. Seymour então organizou uma expedição com o objetivo de quebrar o cerco das embaixadas em Pequim. O Hansa contribuiu para a Expedição Seymour com 123 homens liderados pelo capitão-tenente Paul Schlieper, o oficial executivo do navio. Aproximadamente 450 tropas alemãs foram enviadas para a força multinacional, que tinha uma força de por volta de 2,2 mil homens. Pohl então foi colocado no comando de um grupo de cruzadores da frota internacional. O Hansa liderou a unidade em uma série de ataques contra fortificações costeiras em Beidaihe, Qinhuangdao e Shanhaiguan. A embarcação não fez mais nada no conflito depois disso. Sua tripulação sofreu treze mortos e 24 feridos no decorrer das operações, o maior número de baixas dentre os navios alemães envolvidos.

Resto de serviço thumb|240px|O Hansa na China c. 1900 O Hansa depois disso deixou a China em meados de outubro para visitar Nagasaki no Japão. Em seguida navegou para Hong Kong em 30 de dezembro, entrando em uma doca seca para passar por sua manutenção periódica. O contra-almirante Hunold von Ahlefeld substituiu Kirchhoff como vice-comandante da esquadra e o capitão de fragata Adolf Paschen substituiu Pohl como oficial comandante do navio durante este período. Voltou para Tsingtao em 5 de março de 1901. O cruzador recebeu ordens no final do mês de ir para a Austrália a fim de representar a Alemanha nas cerimônias celebrando a Federação da Austrália. Partiu em 31 de março e passou por Singapura, Batávia nas Índias Orientais Neerlandesas e Fremantle na Austrália, chegando em Melbourne em 1º de maio. No local se encontrou com o cruzador desprotegido SMS Cormoran. Os dois então juntaram-se à uma esquadra internacional para as cerimônias, que foram observadas pelo príncipe Alberto, Duque de Iorque. A frota então foi para Sydney em 18 de maio, onde mais cerimônias ocorreram. O Hansa brevemente navegou com canhoneira SMS Möwe, que então estava sendo usado como navio hidrográfico, partindo em 24 de maio para voltar a Tsingtao, parando no caminho em Matupi na Nova Bretanha e Manila nas Filipinas. Chegou em Tsingtao em 19 de junho. O cruzador passou o restante do ano navegando pela área e visitando vários portos no Sudeste Asiático.