O SMS Kaiserin Augusta foi um cruzador protegido operado pela Marinha Imperial Alemã. Sua construção começou em maio de 1890 nos estaleiros da Germaniawerft em Kiel e foi lançado ao mar em janeiro de 1892, sendo comissionado na frota alemã em novembro do mesmo ano. Projetado para atuar tanto junto com a frota principal quanto no serviço colonial, era armado com uma bateria principal composta por quatro canhões de 149 milímetros em montagens individuais, tinha um deslocamento carregado de mais de seis mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 21 nós.
O Kaiserin Augusta foi enviado em uma viagem diplomática para os Estados Unidos assim que entrou em serviço, porém isto revelou problemas estruturais e assim ele foi descomissionado ao retornar em junho de 1893. Só voltou ao serviço ao final dos reparos em abril de 1895 e pelos anos seguintes atuou como parte da frota alemã em atividades e exercícios de rotina. Foi enviado para o Mar Mediterrâneo em fevereiro de 1897 em resposta à Revolta de Creta, permanecendo na região até pouco depois do início da Guerra Greco-Turca, quando foi transferido para o Sudeste Asiático.
O cruzador chegou na possessão alemã da Baía de Kiaochau em dezembro de 1897 e pelos anos seguintes navegou pela região protegendo os interesses coloniais alemães como parte da Esquadra da Ásia Oriental. Durante este período ajudou na subjugação do Levante dos Boxers na China em 1900. Voltou para a Alemanha em 1902 e passou por uma grande modernização que durou até 1907, sendo então colocado na reserva. Foi mobilizado como navio-escola após o início da Primeira Guerra Mundial em 1914. Serviu nesta função pelo conflito e depois foi desmontado em 1919.
Antecedentes Os trabalhos de projeto do que se tornaria o Kaiserin Augusta começaram em 1887 e terminaram em 1889. O general de infantaria Leo von Caprivi, o Chefe do Almirantado Imperial, era a favor de uma frota de cruzadores para defender os interesses navais da Alemanha. Ele e o príncipe herdeiro Guilherme acreditavam que tais embarcações deveriam, acima de tudo, possuir motores poderosos para que alcançassem velocidades elevadas. Canhões de tamanho médio e pouca proteção eram necessárias para que fossem eficazes em combate, enquanto uma aparência impressionante melhoraria suas capacidades para viagens diplomáticas. Novos cruzadores deveriam atuar tanto como batedores para a frota principal quanto como navios de patrulha no crescente império colonial alemão. Diferentemente da Marinha Real Britânica, que tinha os recursos para construir cruzadores especializados para cada um desses deveres, restrições orçamentárias forçavam a Marinha Imperial Alemã a projetar embarcações que pudessem desempenhar as duas funções.
Embarcações de cruzeiro alemãs até meados da década de 1880 eram usadas no exterior e rm deveres de treinamento; as corvetas da Classe Carola e Classe Bismarck tinham pouco valor para combate, já as corvetas SMS Nixe e SMS Charlotte eram puramente navios-escola. As construções dos cruzadores protegidos da Classe Irene começaram em 1886, os primeiros cruzadores modernos alemães. Oficiais debateram que tipo de cruzador a ser construído em seguida. Os vice-almirantes Alexander von Monts e Wilhelm von Wickede, os chefes da Estação Naval do Mar do Norte e da Estação Naval do Mar Báltico, respectivamente, eram a favor de um navio que fosse puramente um batedor. Caprivi, com o apoio do Conselho do Almirantado, favorecia um cruzador com maior ênfase em serviço estrangeiro, o que seria uma repetição da Classe Irene, mas com menos blindagem. Ele acreditava que cruzadores deveriam ser usados apenas como corsários e assim não precisavam de blindagem.
A Dieta Imperial aprovou no início de 1888 a construção de um novo cruzador, designado "H", para ser construído no ano fiscal de 1889. O capitão de mar Friedrich von Hollmann, Chefe do Estado-Maior do Almirantado, argumentou que o cruzador, que ele achava que deveria ser o primeiro de uma classe de quatro, deveria ser capaz não apenas de destruir navios mercantes, mas também enfrentar cruzadores inimigos e defesas costeiras no exterior. A facção de Caprivi prevaleceu inicialmente, mas ele renunciou de seu posto em julho de 1888 quando Guilherme ascendeu ao trono. Os dois tinham visões muito diferentes sobre como a Marinha Imperial deveria ser orientada e assim Monts o substituiu. Ele imediatamente parou o desenvolvimento da embarcação e instruiu os projetistas a prepararem um novo projeto que seria um batedor eficaz para a frota principal.
Desenvolvimento Guilherme derrubou a decisão de Caprivi sobre omitir a proteção, instruindo que um convés blindado fosse incorporado. Alfred Dietrich, o Construtor Chefe, elaborou o projeto. A velocidade máxima de vinte nós (37 quilômetros por hora) exigia um casco mais longo do que o da Classe Irene, já que um casco mais longo e fino melhorava a eficiência hidrodinâmica. Nisto, Dietrich foi limitado pelo tamanho de docas secas e outras infraestruturas portuárias. Uma velocidade mais elevada reduzia a manobrabilidade, prejudicando as capacidades da embarcação em combate. Mais alterações foram incorporadas, incluindo o fortalecimento do armamento, o que adiou mais o início da construção.
Dietrich continuou a trabalhar no projeto revisado pelo final de 1888, com a principal dificuldade sendo os melhoramentos necessários no sistema de propulsão para manter a velocidade máxima. O navio maior e mais pesado precisaria de cinquenta por cento mais cavalos-vapor quando comparado à propulsão da Classe Irene. O convés blindado complicava o arranjo dos motores, pois os motores verticais necessários para chegar aos vinte nós exigidos em duas hélices precisariam uma uma glacis pesada para ampliar o convés blindado acima das salas de máquinas. Consequentemente, Dietrich foi forçado a adotar um esquema com três hélices, assim a potência necessária poderia ser dividida em três motores menores; o resultado foi o primeiro grande navio de guerra do mundo com três hélices. A Marinha Nacional Francesa tinha escolhido o mesmo arranjo para seu cruzador blindado Dupuy de Lôme, mas o Kaiserin Augusta foi finalizado antes. O esquema com três hélices não apenas resolveu a questão do arranjo do sistema de propulsão, como também melhorou a manobrabilidade da embarcação. Esse arranjo foi tão bem sucedido que foi repetido nos couraçados da Classe Kaiser Friedrich III.
O armamento também foi uma questão para ser resolvida enquanto o projeto era refinado. Os canhões calibre 30 de 149 milímetros foram inicialmente rejeitados porque eram incapazes de penetrarem conveses blindados. Armas de disparo rápido tinham sido desenvolvidas até 105 milímetros, assim a equipe de projeto optou por padronizar uma bateria de doze canhões calibre 35 de 105 milímetros, pois estas armas disparavam muito mais rápido e assim poderiam suprimir um alvo e destruir suas áreas desprotegidas. Entretanto, os projetistas voltaram para o canhão de 149 milímetros, apesar de suas desvantagens, enquanto o projeto crescia em tamanho. Um novo modelo calibre 35 foi desenvolvido até 1891 e Dietrich modificou o projeto do Kaiserin Augusta, cuja construção já tinha começado, para incorporar essa nova arma. Um número insuficiente de canhões calibre 35 tinham sido produzidos quando o cruzador entrou em serviço, assim foi armado com uma mistura das armas antigas calibre 30 e dos canhões de 105 milímetros.
Projeto Características thumb|esquerda|240px|Desenho do Kaiserin Augusta O Kaiserin Augusta tinha 122,2 metros de comprimento da linha de flutuação e 123,2 metros de comprimento de fora a fora. Tinha uma boca de 15,6 metros e um calado de 6,48 metros à vante e 7,4 metros à ré. Seu deslocamento normal era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado aumentava até chegar a toneladas. O casco foi construído com armações de aço longitudinais e transversais; a parede externa era feita de uma camada de tábuas de madeira cobertas com um revestimento de metal Muntz para proteger a madeira de bioincrustações. O casco era subdividido em dez compartimentos estanques e tinha um fundo duplo que abrangia 55 por cento do comprimento da embarcação. A superestrutura do Kaiserin Augusta era mínima, consistindo apenas em uma pequena torre de comando com uma ponte de comando em cima. O navio tinha um convés quase contínuo, com o convés superior terminando pouco antes da popa, onde abaixava para um tombadilho. Foi equipado com dois mastros de poste com gáveas.
A tripulação era formada por treze oficiais e 417 marinheiros. Levava várias embarcações menores, incluindo dois barcos de piquete, um escaler, uma pinaça, dois cúteres, dois yawls e dois botes. O navio sofria de arfadas e balanços severos, porém esses efeitos eram reduzidos sob ventos fortes. O castelo de proa ficava excessivamente molhado com água do mar. Sua manobrabilidade era ruim, porém melhorava em velocidades mais elevadas. A altura metacêntrica era de 78 centímetros. O cruzador sofria de vibrações excessivas em altas velocidades, provavelmente o resultado dos eixos das hélices estarem muito próximos do casco.
Propulsão O sistema de propulsão tinha três motores de tripla expansão com três cilindros construídos pela AG Germania, cada uma girando uma hélice de 4,5 metros de diâmetro. Cada motor ficava em sua própria sala de máquinas; o motor central ficava arranjado verticalmente, enquanto os motores laterais ficavam na horizontal a fim de manter o convés blindado o mais baixo possível. O vapor para os motores vinha de oito caldeiras de tubos de fogo cilíndricas duplas divididas em três salas. A exaustão das caldeiras era canalizada para três chaminés. A energia elétrica de bordo provinha de quatro geradores elétricos que produziam 48 quilowatts a 67 volts. A direção era controlada por um único leme.
A potência indicada era de doze mil cavalos-vapor ( quilowatts) para uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora), porém durante seus testes marítimos foi meio nó mais rápido com cavalos-vapor ( quilowatts). Os registros sobre seus testes forçando os motores não sobreviveram, mas fontes extraoficiais afirmam que o Kaiserin Augusta alcançou 22,5 nós (41,7 quilômetros por hora). A velocidade de 21,5 nós o fez um dos cruzadores mais rápidos do mundo na época, além do navio mais rápido da frota alemã. Podia carregar normalmente setecentas toneladas de carvão, o que lhe dava uma autonomia de milhas náuticas (seis mil quilômetros) a doze nós (22 quilômetros por hora). Mais 110 toneladas de carvão podiam ser armazenadas em outros locais sem afetar a estabilidade, o que por sua vez aumentava a autonomia.
Armamento e blindagem Como construído, o Kaiserin Augusta foi inicialmente armado com quatro canhões calibre 30 de 149 milímetros, cada arma com um carregamento de 292 projéteis. A bateria secundária era de oito canhões calibre 35 de 105 milímetros, cada um com 777 projéteis à disposição. Também foi equipado com oito canhões calibre 30 de 88 milímetros e quatro metralhadoras. Os canhões de 149 e 105 milímetros ficavam instalados em plataformas de casamatas no convés principal. O navio tinha um carregamento de treze torpedos e cinco tubos de 350 milímetros, quatro em montagens giratórias nas laterais e um submerso na proa. O Kaiserin Augusta passou por reformas entre 1893 e 1895 em que, dentre outras coisas, seu armamento foi aprimorado; os canhões de 149 e 105 milímetros foram substituídos por doze armas calibre 35 de 149 milímetros. Tinham um alcance de 12,6 quilômetros e um carregamento total de projéteis. Os tubos de torpedo nas montagens giratórias foram removidas em 1907, deixando apenas o tubo da proa com três torpedos.