É Segredo! foi o enredo apresentado pela Unidos da Tijuca no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro do carnaval de 2010. O samba-enredo homônimo foi composto por Júlio Alves, Marcelinho Calil e Totonho, sendo interpretado no desfile por Bruno Ribas. Com o desfile, a escola conquistou o seu segundo título de campeã do carnaval carioca, 74 anos depois da primeira conquista, no carnaval de 1936. Também foi a primeira vitória do carnavalesco Paulo Barros na elite do carnaval. O enredo, assinado por Paulo, tem como tema o segredo e aborda os grandes mistérios da humanidade e da natureza; passando por pessoas e personagens misteriosos, como os super-heróis; além de truques de mágica e ilusionismo. O tema e o título do enredo foram sugeridos ao carnavalesco através do Orkut, por um adolescente de quinze anos chamado Vinícius Conceição Ferraz.
A Tijuca foi a terceira escola a desfilar na primeira noite do Grupo Especial, posição em que, até então, nenhuma agremiação havia sido campeã, iniciando sua apresentação na madrugada da segunda-feira de carnaval, dia 15 de fevereiro de 2010. O desfile marcou o retorno de Paulo Barros à Tijuca e a estreia do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Giovanna Justo e Marquinhos na escola, após quinze anos na Mangueira. O desfile teve ainda Mestre Casagrande comandando os 260 ritmistas da Bateria Pura Cadência e a modelo Adriane Galisteu como Rainha da Bateria.
O desfile foi amplamente elogiado pela imprensa especializada, ganhando adjetivos como "histórico" e "arrebatador"; e o trabalho de Paulo Barros foi classificado como "revolucionário". A escola recebeu diversos prêmios, dentre eles o Estandarte de Ouro. A Tijuca foi campeã com cinco décimos de vantagem sobre a vice-campeã, Grande Rio. A escola recebeu cinco notas abaixo da máxima, sendo que quatro foram descartadas seguindo o regulamento do concurso. Com isso, a agremiação perdeu apenas um décimo na avaliação oficial. Um dos destaques do desfile foi a Comissão de Frente, coreografada por Priscilla Mota e Rodrigo Negri, em que bailarinas trocavam de roupa em segundos através de um truque de ilusionismo. Vencedora de todos os prêmios de carnaval, a Comissão é considerada antológica e um marco que influenciou o quesito nos anos seguintes. Apesar da ampla maioria de elogios, o campeonato da Tijuca levantou o debate sobre a "espetacularização" dos desfiles e o excesso de truques e coreografias, algo que já era discutido sobre os trabalhos anteriores de Paulo Barros.
Antecedentes esquerda|miniaturadaimagem|O carnavalesco Paulo Barros (ao centro) junto com a histórica comissão de frente do desfile de 2010.|300x300px Após uma década de trabalho nos grupos de acesso, o carnavalesco Paulo Barros ganhou a chance de estrear na elite do carnaval em 2004, pela Unidos da Tijuca. Com criatividade, alegorias coreografadas e visual moderno, o carnavalesco iniciou uma transformação estética no carnaval e a Tijuca deu uma guinada em sua história, se colocando entre as protagonistas da festa. Em 2004, o grande sucesso de Paulo no desfile da Tijuca foi o carro do DNA, no qual componentes coreografados formavam uma espiral representando a sequência genética humana. A escola foi vice-campeã, seu melhor resultado desde o título de 1936. Nos anos seguintes, Paulo e Tijuca repetiram a fórmula, conquistando mais um vice (em 2005) e o sexto lugar em 2006. Para o carnaval seguinte, Paulo de transferiu para a Unidos do Viradouro, conquistando o quinto lugar em 2007 e o sétimo em 2008. A Unidos da Tijuca, sem Paulo, apostou no talento de Luiz Carlos Bruno, que manteve o estilo leve e criativo do carnavalesco anterior. Nos dois primeiros anos sem Paulo, a Tijuca se saiu melhor que o ex-carnavalesco. Conquistou a quarta colocação em 2007 e o quinto lugar em 2008. Demitido da Viradouro, Paulo Barros foi contratado pela Unidos de Vila Isabel para se juntar à Alex de Souza na preparação para o carnaval de 2009, onde juntos conquistaram o quarto lugar. A Tijuca se manteve com Luiz Carlos Bruno, mas se classificou em nono lugar, seu pior resultado desde 2004. Após três anos separados, Paulo Barros foi recontratado pela Unidos da Tijuca para fazer o carnaval de 2010."O sentimento é de que eu voltei para casa. Tenho me dedicado muito à escola. Foi bom sair daqui, pude percorrer outros lugares e fazer ótimos amigos. Acredito que essas férias também foram boas para a Tijuca. Hoje vejo que nossas identidades foram misturadas. Não sei mais quem é o Paulo e quem é a Tijuca."
A Tijuca também dispensou o casal de mestre-sala e porta-bandeira Rogerinho e Lucinha Nobre e contratou Marquinhos e Giovanna Justo, que estavam na Mangueira desde 1995. Marquinhos e Giovanna foram o único casal a receber nota máxima no carnaval de 2009. No dia 30 de junho de 2009 foi sorteada a ordem dos desfiles para o carnaval de 2010. A Tijuca foi sorteada para ser a terceira escola da primeira noite, uma posição em que, até então, nenhuma escola havia sido campeã.
O enredo
O enredo foi divulgado oficialmente na noite da quarta-feira, dia 1 de julho de 2009, na quadra da Tijuca, durante uma reunião do carnavalesco Paulo Barros com os compositores da escola. Na ocasião também foi divulgada a sinopse do enredo, assinada por Paulo Barros, Isabel Azevedo, Ana Paula Trindade e Simone Martins. O enredo aborda os grandes mistérios da humanidade e da natureza; passando por pessoas e personagens misteriosos; além truques de mágica e ilusionismo. O tema e o título do enredo foram sugeridos por um adolescente de quinze anos chamado Vinícius Conceição Ferraz. O jovem enviou a ideia ao carnavalesco Paulo Barros, em maio de 2009, através de um depoimento (mensagem) na rede social Orkut, extinta em 2014. Vinícius sugeriu um enredo sobre os mistérios da humanidade, inspirado no livro Atlantis, do escritor David Gibbins. Na época, Paulo respondeu a Vinícius, agradecendo a sugestão. Mas o adolescente só ficou sabendo do enredo pelo jornal, com a divulgação feita pela escola, em julho de 2009; e só conheceu Paulo Barros pessoalmente duas semanas antes do desfile. Vinícius, que é torcedor do Salgueiro, desfilou na Tijuca a convite de Paulo.miniaturadaimagem|427x427px|Detalhe da segunda alegoria do desfile, que abordou a misteriosa existência dos Jardins Suspensos da Babilônia.|esquerdaDesenvolvimento
No desfile, o enredo foi desenvolvido em um preâmbulo e cinco setores. O primeiro setor ("Conta a Lenda...") abordou lendas e histórias misteriosas como a Atlântida, um continente perdido no fundo do mar; o mistério do que seria e onde estaria o Santo Graal; o misterioso desaparecimento da Arca da Aliança; o paradeiro das minas do Rei Salomão; e as existências não comprovadas do cavalo de Troia e dos Jardins Suspensos da Babilônia.
O segundo setor ("Vestígios") aborda o trabalho de arqueologia e a procura por fragmentos de matéria que expliquem a antiguidade. Neste setor foram abordadas as teorias sobre as marcas e inscrições humanas na Pedra da Gávea; o Mapa de Piri Reis, elaborado em 1513 com coordenadas que só seriam oficialmente reconhecidas anos depois de sua criação; a procura pela localização do túmulo de Cleópatra; histórias sobre naufrágios de navios carregados de tesouros; e as profecias da Civilização Maia.
O terceiro setor ("Identidade Secreta") trata de pessoas e personagens misteriosos, que escondem a própria identidade, como ninjas, mafiosos e super-heróis. Também foi lembrada a dançarina Mata Hari, que assumia personalidades diferentes; além do Fantasma da Ópera e dos bailes de máscaras. O setor quatro ("Investigação"), como o próprio título esclarece, abordou investigadores e objetos de investigação. Foram lembradas as figuras dos detetives, representados pelo personagem Dick Tracy; os hackers; OVNIs e extraterrestres; as fórmulas secretas dos produtos; o Triângulo das Bermudas, área conhecida pelo desaparecimentos de aviões, barcos e navios, para os quais se popularizaram explicações extrafísicas e/ou sobrenaturais; e a Área 51, também alvo de diversas teorias conspiratórias. O quinto e último setor tem como título "A Tentação É Descobrir", verso do refrão do samba-enredo do desfile. O setor trata do ilusionismo. São abordados o truque do coelho na cartola; o uso de roupas camufladas como tática de guerra; e as camuflagens na natureza.
O samba-enredo
Processo de escolha A disputa de samba-enredo da Unidos da Tijuca teve início em 15 de agosto de 2009 com a inscrição de dezessete sambas concorrentes das seguintes parcerias: Lula e Marcio Biju (1); Fabão (2); David Power (3); Sereno, Helinho 107, Catranca e Nelson Luiz (4); Juarez Amizade, Valdo e Rodolfo Caruzo (5); Gilmar L. Silva, Jurandir, Fernandão e Tico da Mikinha (6); Zezinho Professor, Robertinho do Verdun, Luiz Intimidade e Roudney (7); Dudu Linhares e André Cabeção (8); Beto Savanna, Daniel D'almeida, Telmo Augusto e André Kbça (9); Marco Moreno, Gegê Fernandes e Délio (10); Henrique Badá, Serginho Machado, Leco da ALERJ e Marquinhos Marinho (11); Cathola (12); Júlio Alves, Marcelo e Totonho (13); Enilson, Ricardo Faria e Joel Swing (14); Vicente das Neves, Gilberth Castro, Wanderley e Roberto Eloy (15); Ivinho do Cavaco, Jayme Cesar, João Osasco e Renan Chaves (16); e Beto do Pandeiro e Marcelo Caçapa (17).A final da disputa foi realizada na quadra da escola, na madrugada do domingo, dia 18 de outubro de 2009. Três parcerias disputaram a final: o samba de Badá, Marquinho Mariano, Serginho Machado e Leco da Alerj; o samba de Beto Savanna, Daniel D'Almeida, Telmo Augusto e Andre Kbça; e o samba de Júlio Alves, Totonho e Marcelo. Quase às sete horas da manhã do domingo, a diretoria da escola anunciou a vitória da obra composta por Júlio Alves, Marcelinho Calil e Totonho. Foi a terceira vitória de Totonho na Unidos da Tijuca e a quarta de Júlio, autor dos sambas de 2006, 2008 e 2009 da escola. Dias depois da escolha, o samba da Tijuca foi gravado pelo intérprete Bruno Ribas, ao vivo, na Cidade do Samba, com a bateria e alguns componentes da escola. A obra da Tijuca é a faixa nove do álbum Sambas de Enredo 2010, lançado em 2 de dezembro de 2009.
Crítica especializada João Pimentel, do jornal O Globo, classificou o samba da Tijuca como bom, apontando que a obra tem "uma boa melodia e um refrão bacana". Leonardo Bruno, do jornal Extra, deu nota 9,2 para o samba e argumentou que a obra tem "melodia simples, com algumas passagens interessantes", mas "uma letra que esconde o tema". Fábio Rodrigues, do Jornal Inverta, apontou que o samba "da primeira parte até o refrão do meio cumpre de forma bem simples o seu papel. Da segunda parte em diante, cresce em termos de letra e melodia". Para Bruno Guedes, do site especializado Sambario, "a melodia do samba é recheada de coisas que já ouvimos, mas tem desenvolvimento certo, feito com bom gosto e que anima. A letra tem algumas tiradas interessantes e boa colocação, apesar de demonstrar a fragilidade do tema". Segundo João Marcos, também do Sambario, o samba é "certinho, redondo em melodia, mas cansativo [...] O refrão do meio não tem grande força e o de cabeça é apenas correto. A letra é pontual, sem nenhuma sacada brilhante e também deixa o ouvinte um pouco perdido quanto ao foco do enredo".
O desfile