O Pré-Universitário Popular (PUP), ou Pré-Vestibular Popular (PVP), é um tipo de curso preparatório educacional de pessoas com baixo poder aquisitivo (educação popular) que irão fazer o exame do vestibular e ENEM organizado por entidade de caráter não-oficial com uma gestão não tradicional e infraestrutura simples, que fazem a preparação técnica para enfrentar as provas e também fazem a construção da cidadania dos alunos, da valorização da identidade social, “racial” e, étnica, do fortalecimento da solidariedade dos grupos socialmente excluídos (movimento sociai).
Um espaço de socialização política dos alunos, de “incorporação de novos valores”, de luta pela ampliação das oportunidades para os segmentos socialmente e historicamente excluídos entrarem na universidade, através de mobilizações e movimentos.Silva Filho, Penildon. "Cursos pré-vestibulares populares em Salvador: experiências educativas em movimentos sociais." (2003).Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/11853/1/Dissertacao_Penildon%20S.F..pdf
Em geral os PUPs e PVPs trabalham dentro da perspectiva da educação popular e atuam como movimentos sociais, em alguns casos podem estar vinculados a algum projeto de extensão universitária.Cursos pré-vestibulares populares e aprendizagem da docência: alguns encontros. Práxis Educativa. Ponta Grossa, PR. v. 1, n. 2, p. 125 – 144, jul.-dez. 2006. Disponível em: http://www.revistas2.uepg.br/index.php/praxiseducativa/article/view/291/298 As estruturas de atuação variam significativamente de uma organização para outra, segundo Costa & Gomes(2017):
É nesse sentido que o trabalho desenvolvido pelos cursos populares pode ser entendido como de um “duplo movimento”, no qual a “preparação para as provas do vestibular acontece junto com discussões críticas sobre a realidade social e, até mesmo, sobre o próprio processo seletivo do vestibular”.Costa, Alan & Gomes, Tatiane. (2017). Contribuições da obra de Paulo Freire nos encontros de cursos pré-universitários populares: redes de indignação e esperança. Revista de Educação Popular. 16. 137-151. 10.14393/REP_v16n22017_rel01. Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Alan_Costa8/publication/321809192_Contribuicoes_da_obra_de_Paulo_Freire_nos_encontros_de_cursos_pre-universitarios_populares_redes_de_indignacao_e_esperanca/links/5a837d3ba6fdcc6f3eb28c80/Contribuicoes-da-obra-de-Paulo-Freire-nos-encontros-de-cursos-pre-universitarios-populares-redes-de-indignacao-e-esperanca.pdf?origin=publication_detail
Outra característica desses movimentos é o compromisso explícito com a criação de um outro mundo.STRECK, Danilo Romeu. O Fórum Social Mundial e a agenda da educação popular. Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro, n. 26, p. 58-68, Aug. 2004. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782004000200005&lng=en&nrm=iso>. acessado em 26 Mar. 2019. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-24782004000200005. Dados de 2001, contabilizam mais de 800 núcleos em todo o país.ZAGO, Nadir; Cursos pré-vestibulares populares: limites e perspectivas.PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 26, n. 1, 149-174, jan./jun. 2008. Disponível em:https://periodicos.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/viewFile/10298/9569 Trabalhos de 2005 apontam mais de 2000 núcleos de experiências de pré-universitários populares, OLIVEIRA, Elizabeth Serra; MOVIMENTOS SOCIAIS E EDUCAÇÃO POPULAR NO BRASIL URBANOINDUSTRIAL. 29ª. REUNIÃO ANUAL DA ANPEd, 2006.Disponível em: http://29reuniao.anped.org.br/trabalhos/trabalho/GT03-2268--Int.pdf com cerca de 100 mil estudantes atendidos.MOEHLECK, Sabrina. Cursos pré-vestibulares comunitários: espaços de mediações pedagógicas.(RESENHA)In: Cadernos de Pesquisa, v. 36, n. 128, p. 497-500, maio/ago. 2006 Disponível em:http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/cp/article/view/407/410
Histórico
As primeiras experiências dos núcleos de pré-vestibulares populares surgem no Brasil na segunda metade dos anos 80, consolidam-se na década de 90 do século XX e têm como principal objetivo a democratização do ensino. A educação popular no Brasil e na América Latina tem sua trajetória marcada pela ênfase nas práticas educativas que se desenvolvem fora da escola. A partir do ano 2000 começam uma série de encontros de PUPs e PVPs bucando uma aproximação e troca de saberes acumulados em cada vivência. No Brasil já há algumas “redes” com centenas destes cursos. No Rio de Janeiro, a Pastoral Negra tem cerca de 3 mil alunos nos cursos organizados nas paróquias. O Fórum dos Cursos de São Paulo, com mais de 15 membros e um movimento social, o “Movimento dos Sem Universidade” aprovou isenção de taxas para 10% dos candidatos ao vestibular da FUVEST a partir de 2001 e conseguiu a aprovação da criação da Universidade da Cidade de São Paulo na Câmara de Vereadores da capital paulista em 2001. Na região metropolitana de Salvador, há em torno de 17 cursos populares, a maioria gravitando em torno do movimento negro da cidade. Os cursos de Salvador ligados ao movimento negro já constituíram um Fórum de discussões pedagógicas sobre material didático voltado aos afro-descendentes.
Pré Vestibular para negros e carentes É um PVP que atua na região do Rio de Janeiro. A estrutura do PVNC consiste em Núcleos, Conselho, Secretaria Geral e Assembleia, sendo os núcleos formados por alunos, professores e coordenadores. Para se integrar ao projeto não é necessário ser ex-aluno. O colaborador apenas deve atender às exigências ideológicas do movimento. Como pré-requisito para a entrada no curso, os alunos devem ser da raça negra e/ou ser desfavorecido economicamente, confirmando assim, a impossibilidade de se beneficiar de um pré-vestibular tradicional. De maneira geral, os candidatos preenchem uma ficha de inscrição e passam por uma entrevista com um membro do movimento.
Objetivos e metodologias Segundo a carta de princípios de (1999) que trata de questões pedagógicas, políticas e de organização interna do PVNC, pode-se citar a seguinte metodologia de funcionamento:
Enfoque na camada da população menos favorecida economicamente, tendo como vertente a questão racial; Afirmação da posição apartidária do coletivo dos núcleos; Estabelecimento de norma de não aceitação de auxílio financeiro externo de instituições privadas, de nenhum grupo (ONGs, associações, partidos, sindicatos) e de pessoa física; Estabelecimento de contribuição mensal do alunado em no mínimo 5% e no máximo 10% do valor do salário mínimo, ao mesmo tempo em que o núcleo se responsabiliza pelo repasse de 10% da arrecadação total das mensalidades para a Tesouraria Geral, que é responsável pelo ressarcimento dos gastos do coletivo do PVNC.Brito, Vanessa Silveira; Gonçalves, Maria Alice Rezende. O PVNC na perspectiva dos egressos. In: O Social em Questão - Ano XX - nº 37- Jan a Abr/2017 . Disponível em: http://osocialemquestao.ser.puc-rio.br/media/OSQ_37_art_10_Brito_Goncalves.pdf
Histórico No final da década de 1990 são criados os pré-vestibulares comunitários por grupos ligados a igreja católica e a setores da sociedade civil. Observam-se também iniciativas relacionadas à inclusão de negros e pobres no campo da educação, da saúde e do mercado de trabalho proliferam na esfera pública.
O núcleo de Petrópolis, que conta com o apoio do CBPF foi fundado em 13 de agosto de 1994, em agosto de 2018 comemorou 24 anos de atuação. Iniciou suas atuações com 3 professores e 16 estudantes.Com o apoio do CBPF, pré-vestibular comunitário chega a 24 anos de atuação. Disponível em: https://portal.cbpf.br/pt-br/cbpf-news/com-o-apoio-do-cbpf-pre-vestibular-comunitario-chega-a-24-anos-de-atuacao http://www.pvnc.com.br/historia
+Núcleos do Pré-Vestibular para Negros e Carentes no Estado do Rio de Janeiro por ano e por município de 1993 até 2002CASTRO, Cloves Alexandre de. Movimento socioespacial de cursinhos alternativos e populares = a luta pelo acesso à universidade no contexto do direito a cidade. 2011. 303 p. Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências, Campinas, SP. Disponível aqui Municípios1993199419951996199719981999200020012002 Rio de Janeiro x 05 07 09 14 21 26 24 10 10 Niterói x x x x 01 01 01 01 01 01 Queimados x x x x 01010101xx Petrópolis x 01x 01 010101010101Belford Roxo x x 02 02 02 02 03 030101Nilópolis x 01 01 01 0303 03 02 01 01Nova Iguaçu x x 01 02 06 07 08 07 03 03Duque de Caxias x 03 05 07 10 11 16150706São João do Meriti 01 05 08 10 131416160606Magé x x x x xx01010101Mesquita x x x xx01010101xTotal 1 15 24 32 51 62 77 723230
Projeto de Educação Comunitária Integrar O Projeto de Educação Comunitária Integrar é um movimento social catarinense de professores voluntários que atuam por meio da educação popular ao atendimento de estudantes trabalhadores. O projeto atua com discussão nas chamadas políticas de Ações Afirmativas, sobretudo através das políticas de cotas, a fim de inserir trabalhadores estudantes da rede pública nas universidades públicas (em particular a UFSC, a UDESC e o IFSC). No ano de 2014 o Integrar foi considerado como associação de utilidade pública pelo município de Florianopolis.http://www.pmf.sc.gov.br/arquivos/diario/pdf/10_06_2014_20.58.30.d932c5c37a68be108172cffbf0c88391.pdf , Lei nº 9.571 Desde a sua fundação em 2011 até o ano de 2015 contabilizaram-se mais de 150 trabalhadores estudantes nas universidades públicas catarinenses, nos mais diversos cursos universitários, de Humanidades, Ciências Biológicas e Exatas.
História miniaturadaimagem|288x288px|Entrevista gravada em dezembro de 2021 com professoras do Projeto Integrar no contexto de adaptação da realidade dos PUPs à pandemia.
O Projeto Integrar nasceu em agosto de 2011 em Florianópolis, fundado por 24 professores de pré-vestibulares, a maioria vindo de outro projeto semelhante, iniciado na UDESC com atividade entre 2005 e 2009. Dessa forma, os professores que já possuíam um envolvimento prévio com educação comunitária organizaram o projeto, e desde então outros educadores se uniram ao grupo no âmbito de fortalecer as bases da educação popular no estado. Educação Popular em Tempos de Resistência. Disponível em: http://desacato.info/educacao-popular-em-tempos-de-resistencia/
A partir daí, o projeto passou a utilizar quatro salas da Escola Henrique Stodieck, em 2012 foram três da Escola Lauro Müller e no ano seguinte apenas duas salas no Centro de Educação Continuada da prefeitura municipal de Florianópolis. No ano de 2017 o Projeto de Educação Comunitária junto a sua organização interna que trata de questões de permanência, a GESTUS, colaborou com a organização de um projeto de extensão universitária, promovido pela UFSC, na realização do V Encontro dos Pré-Universitários Populares.UFSC sedia quinto Encontro dos Pré-Universitários Populares, de sexta a domingo. Disponível em: https://noticias.ufsc.br/2017/11/ufsc-sedia-quinto-encontro-dos-pre-universitarios-populares-de-sexta-a-domingo/V Encontro de Pré-Universitários Populares da UFSC. Disponível em: https://portaldailha.com.br/biamomm/v-encontro-de-pre-universitarios-populares-da-ufsc/ No segundo semestre do mesmo ano, uma articulação entre o Projeto Integrar, a equipe pedagógica da Escola Jurema Cavalazzi e a Rede Comunitária do Bairro José Mendes criou o Projeto de Pré-Universitário Integrar no Jurema Cavallazzi, para atender os estudantes exclusivos dos Territórios do Maciço do Morro da Cruz, região central da cidade. Assim foi possível a composição de uma turma com 17 estudantes, predominantemente feminina (80%), e predominantemente negra (70%). ROCHA, K., MARTINS, T.. Educação Popular nos Territórios: Experiência do Projeto de Educação Comunitária Integrar no Maciço do Morro da Cruz. Revista Eletrônica GESTUS, 1, nov. 2018. Disponível em: http://oficinas.incubadora.ufsc.br/index.php/debora/article/view/3096/2908. Acesso em: 10 Mar. 2019.. No ano de 2019 foram abertas 210 vagas para novos estudantes participarem de aulas preparatórias para vestibulares e exames como o ENEM.