A teologia eucarística anglicana é diversificada em sua prática, refletindo a abrangência do Anglicanismo. Suas fontes incluem rubricas de livros de orações, escritos sobre teologia sacramental por sacerdotes anglicanos e os regulamentos e orientações das províncias eclesiásticas. O principal recurso teológico é o Livro de Oração Comum, especialmente suas orações eucarísticas e o Artigo XXVIII dos Trinta e Nove Artigos de Religião. O referido artigo compreende a declaração doutrinária anglicana fundacional sobre a Eucaristia, embora sua interpretação varie entre as províncias da Comunhão Anglicana e nas diferentes tradições da igreja, como o Anglocatolicismo e o Anglicanismo Evangelical.

As teologias eucarísticas anglicanas afirmam universalmente a presença real de Cristo na Eucaristia, embora os anglicanos evangelicais acreditem que esta é uma presença pneumática, enquanto que os anglo-católicos acreditam que esta é uma presença corpórea. Na primeira interpretação, aqueles que recebem a forma ou sinal do corpo e do sangue no pão e no vinho, recebem também o corpo espiritual e o sangue de Cristo. Os que recebem a forma ou o sinal sem fé, ou para aqueles que são maus, Cristo não está presente espiritualmente e eles consomem apenas os sinais físicos desta santa presença, o que aumenta ainda mais a sua maldade - de acordo com o Artigo XXIX. Na última interpretação, exista a presença corpórea de Cristo na Eucaristia, embora a maneira precisa de como essa presença se manifesta seja um mistério de fé. Para explicar a forma como a presença de Cristo se manifesta, alguns anglicanos da Alta Igreja, no entanto, ensinam a explicação filosófica da consubstanciação, associado com os lolardos ingleses e, mais tarde, erroneamente com Martinho Lutero, embora Lutero e as Igrejas Luteranas explicitamente rejeitassem a doutrina da consubstanciação e realmente promulgassem seu dogma da União Sacramental. Um grande líder do Movimento Anglo-católico de Oxford, Edward Pusey, defendeu a visão da consubstanciação.

Teologia sacramental Com a Eucaristia, assim como acontece com outros aspectos da teologia, os anglicanos são em grande parte dirigidos pelo princípio do lex orandi, lex credendi, que significa "a lei da oração é a lei da crença". Em outras palavras, a teologia sacramental no que se refere à Eucaristia é suficientemente e plenamente articulada pelo Livro de Oração Comum de uma dada jurisdição. Conforme definido pelo teólogo anglicano Richard Hooker, do século XVI, os sacramentos são considerados "sinais visíveis da graça invisível"; da mesma forma, o Catecismo da versão de 1662 declara que um sacramento é "um sinal exterior e visível de uma graça interior e espiritual dada a nós, ordenada pelo próprio Cristo, como um meio pelo qual recebemos o mesmo, e um compromisso de assegurar-nos. "Assim, tem o efeito de transmitir a santificação no indivíduo que participa do sacramento. De acordo com isto, na Eucaristia o sinal exterior e visível é "pão e vinho" e a "coisa significada", o "corpo e sangue de Cristo", que são verdadeiramente tomados e recebidos pelos fiéis na ceia do Senhor.

Os sacramentos possuem forma e matéria. Forma é a ação litúrgica verbal e física, enquanto a matéria se refere aos objetos materiais usados (pão e vinho). Em uma Eucaristia anglicana, a forma está contida no rito e em suas rubricas, conforme articulado nos livros de oração autorizados pela província eclesiástica. A parte central do rito é a Oração Eucarística ou "Grande Ação de Graças".

Para a grande maioria dos anglicanos, a Eucaristia (também chamada de "Santa Comunhão", "Missa", "Divina Liturgia", a "Ceia do Senhor ou "A Grande Ação de Graças") é o ato central da adoração coletiva, o meio designado pelo qual Cristo pode se tornar presente à Sua Igreja. Para a maioria dos anglicanos, este evento constitui a renovação do Corpo de Cristo com a Igreja através da recepção do Corpo de Cristo, o Santíssimo Sacramento, seu corpo espiritual e sangue. Neste sacramento, Cristo é encontrado e incorporado (eles "participam" dele). Como tal, a ação eucarística olha para trás como um memorial do sacrifício de Cristo, adiante como uma antecipação do banquete celestial e para o presente como uma encarnação de Cristo nas vidas da comunidade e nos crentes individuais.

A doutrina anglicana sobre a Eucaristia está contida no Artigo XXVIII - Da Ceia do Senhor e XXIX - Dos Iníquos que não comem o Corpo de Cristo, nos Trinta e Nove Artigos. O Catecismo da Igreja da Inglaterra, a igreja fundamental da Comunhão Anglicana, encontra-se no Livro de Oração Comum e afirma que, como com os outros sacramentos, a Eucaristia é "um sinal externo e visível de uma graça interior e espiritual dada a nós, ordenados pelo próprio Cristo, como um meio pelo qual recebemos o mesmo, e um penhor para nos assegurar disso." O sinal exterior, neste caso, é o pão e vinho; e a coisa significada é o corpo e sangue de Cristo.

Variedades da teologia eucarística Por causa dos vários movimentos teológicos que influenciariam o anglicanismo ao longo da história, não há uma doutrina sacramental aceita por todos os anglicanos. Os primeiros teólogos anglicanos como Thomas Cranmer e Richard Hooker, defendiam uma teologia sacramental semelhante a de João Calvino. A crença de Cranmer era substancialmente calvinista, recepcionista e virtualista, como demonstrado por Peter Brooks, em 1965.The Study of Liturgy, 1991, p. 316 Hooker aceitava uma combinação mais sutil de recepcionismo e presença real, mas agnóstica quanto ao que os elementos eram si, mas insistia que "o sacramento é uma participação verdeira e real de Cristo, que assim se comunica mesmo em toda a sua Pessoa como o Cabeça Místico..."John R. H. Moorman, IX Bishop of Ripon, The Anglican Spiritual Tradition, 1983, p. 77, Ele põe de lado a transubstanciação e a consubstanciação e exorta as pessoas a meditarem em silêncio e questionar menos a maneira como a Eucaristia acontece.Moorman, p. 77 As visões de Hooker foram agradáveis para a maioria dos anglicanos durante os séculos que se passaram.Study of Liturgy, p. 316 O Movimento de Oxford, no século XIX, procurou dar à Eucaristia um lugar mais proeminente mantendo a crença na presença real de Cristo no sacramento. Os anglicanos agora possuem uma variedade de teologias sacramentais, apresentando um espectro de teorias encontradas em outras tradições cristãs.

Presença corpóreas Os anglicanos da Igreja Anglo-Católica, assim como alguns evangelicais da Igreja Alta, mantêm a crença na presença corpórea de Cristo na Eucaristia, mas sustentam que os detalhes de como Cristo é feito presente permanece um mistério de fé, essa visão também é mantida pela Igreja Ortodoxa, Igreja Luterana e Igreja Metodista. Sustentando esse ponto de vista, "os tractários estavam preocupados... em exaltar a importância do sacramento", mas eram "geralmente hostis à doutrina da transubstanciação". O Artigo XXVIII, dos Trinta e Nove Artigos declara que "A transubstanciação...não pode ser provada pelas Escrituras Sagradas; mas é repugnante às claras palavras da Escritura, subverte a natureza de um Sacramento e deu ocasião a muitas superstições". Edgar Gibson, o bispo de Gloucester, que era anglo-católico em sua eclesiologia, defendeu a frase "não pode ser provada pelas Escrituras Sagradas", no artigo XXVIII, afirmando:É difícil ver como uma teoria filosófica, como a transubstanciação é confessada, pode ser "provadas pelas Escrituras Sagradas". Romanistas apontam para as palavras da instituição Τοῦτο ἐστι τό σῶμά μου. Mas embora possam certamente ser revindicados em favor da presença real, ainda assim trazer para eles a teoria dos "acidentes" remanescentes enquanto a "substância" é modificada, é ler no texto aquilo que certamente não está contido nele e o que negamos pode razoavelmente ser referido a partir dele.

Presença pneumática Anglicanos da baixa igreja rejeitam a crença em uma presença corpórea de Cristo na Eucaristia e, portanto, normalmente qualquer crença na reserva e adoração do sacramento. A reserva foi eliminada na prática pela rubrica no final do serviço da comunhão de 1662, que ordenou o consumo reverente de qualquer pão e vinho consagrados imediatamente após a bênção, e a adoração pela "Declaração Sobre o Joelhamento". Em vez disso, eles mantêm uma visão de "presença real espiritual" da Eucaristia, semelhante às opiniões defendidas por denominações protestantes reformadas, como os presbiterianos. As paróquias e pastores da Igreja Baixa tendem a celebrar a Eucaristia com menos frequência (por exemplo, mensalmente) e preferem os termos "Sagrada Comunhão" ou "Ceia do Senhor". Essa visão possui um precedente histórico. Durante os anos seminais da Reforma Inglesa, Thomas Cranmer estava correspondendo-se com vários reformadores continentais, vários dos quais vieram para a Inglaterra a seu pedido para ajudar nas reformas de lá. Entre eles incluem-se Martin Bucer, Paul Fagius, Peter Mártir Vermigli, Bernardino Ochino e Jan Łaski. As opiniões desses homens estavam de acordo com a doutrina reformada do sacramento. 

Cranmer escreveu sobre a Eucaristia em seu tratado "One the True and Catholic Doctrine of the Lord's Supper" (em português: "Sobre a Doutrina Verdadeira e Católica da Ceia do Senhor") que os cristãos recebem verdadeiramente o mesmo "corpo e sangue de Cristo" na Comunhão, mas de "um modo celestial e espiritual", o que o aproxima da doutrina eucarística calvinista.Farris, Joshua; Hamilton, S. Mark; Speigel, James, S, Idealism and Christian Theology: Idealism and Christianity. Vol. I, .

Esta visão está de acordo com a visão reformada continental encontrada no Capítulo XXI da Segunda Confissão Helvética:Essa ênfase na fé do receptor, em vez dos elementos comuns às Igrejas Reformadas Continentais e à Igreja da Inglaterra, também tem sido chamada de "recepcionismo". Contudo, a presença de Cristo no sacramento é objetiva e não depende de modo algum da atitude do recipiente que a percebe pela fé.

Consubstanciação

A doutrina da consubstanciação, que se originou no movimento pré-reformado dos lolardos, na Inglaterra, é uma doutrina com a qual alguns anglicanos se identificam. Edward Bouverie Pusey, anglo-católico líder do Movimento de Oxford, no século XIX, defendeu fortemente a ideia da consubstanciação. Discutindo a opinião de Pusey, Thomas S. L. Vogan escreveu:Não posso considerar injusto aplicar o nome da Consubstanciação à uma doutrina que ensina que "a verdadeira carne e o verdadeiro sangue de Cristo estão no verdadeiro pão e vinho", de tal modo que "qualquer movimento ou ação do pão e vinho tem, o mesmo corpo e o sangue de Cristo também"; e que "as substâncias em ambos os casos estão tão misturadas que deveriam constituir uma só coisa.Nesta doutrina, o pão e o vinho desaparecem na consagração, porém o Corpo e Sangue tornam-se presentes sem diminuí-los.

Embora tenha surgido com o lolardismo, a consubstanciação é erroneamente citada como sendo a doutrina de Martinho Lutero e as igrejas luteranas, que na verdade rejeitam a consubstanciação aceitando, ao invés disso, o a doutrina da união sacramental.

Uma máxima no anglicanismo concernente à presença de Cristo é que "pode não ser uma mudança de substância, mas é uma mudança substancial". Citado em . Se substancial denota uma propriedade espiritual dos próprios sacramentos, esta é a visão reformada, uma vez que, após a consagração, os elementos são adequados apenas para o uso sagrado e não podem mais ser usados como pão e vinho comuns.