Marighella é um filme brasileiro de 2019 dirigido por Wagner Moura, baseado na vida de Carlos Marighella.
O filme, adaptado da biografia Marighella: O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo de Mário Magalhães, é o primeiro de Moura como diretor e conta com Seu Jorge como protagonista. Ele estrearia nos cinemas brasileiros em 20 de novembro de 2019, dia nacional da Consciência Negra, porém, foi adiado para 2020 devido a problemas com a Agência Nacional do Cinema. Com a pandemia de COVID-19 no Brasil, o filme foi adiado novamente. Foi lançado nos cinemas pela Paris Filmes e Downtown Filmes em 4 de novembro de 2021, no aniversário de 52 anos da morte de Marighella.
Enredo
Ano 1969. Carlos Marighella não tinha tempo para ter medo. Por um lado, uma violenta ditadura militar. Por outro, uma esquerda intimidada. Ao lado, revolucionários 30 anos mais jovens que ele e dispostos a lutar, o líder revolucionário optou pela ação. Em Marighella, o inimigo número um do Brasil tenta articular uma resistência o tempo todo, expulsando os crimes hediondos de tortura e a infame censura instituída pelo regime opressivo. Em um confronto radical, ele luta por um povo cujo apoio é incerto - o tempo todo tentando manter a promessa de se reunir com seu filho - de quem ele se distanciou para proteger a democracia.
Elenco Inicialmente, o papel de Carlos Marighella seria exercido por Mano Brown. Contudo, com uma intensa agenda de shows com o grupo Racionais MC's, não conseguia conciliar ambos os trabalhos, o que levou à decisão de abandonar o papel, tomada de comum acordo.
Recepção Crítica Marighella estreou no 69.º Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 14 de fevereiro de 2019, fora da competição pelo Urso de Ouro. A crítica alemã vê mitificação no filme, uma "epopeia cansativa", diz RBB. No agregador de críticas Rotten Tomatoes, que categoriza as opiniões apenas como positivas ou negativas, o filme tem um índice de aprovação de 88% calculado com base em 7 comentários dos críticos.
O filme atraiu controvérsias políticas. De acordo com a crítica do Hollywood Reporter, "Wagner Moura apresenta o personagem de Marighella como um herói e mártir da democracia e dos valores liberais, embora, na realidade, Marighella fosse um marxista de extrema-esquerda", e que "nos padrões atuais, muitos sobretudo simpatizantes da extrema-direita o considerariam um terrorista". Além disso, a etnia de Marighella também foi debatida. No filme, Moura o retrata como um negro, o que levou a diversas críticas de simpatizantes da direita, pois, apesar de ter mãe negra da etnia Hauçá, o pai de Marighella era italiano. Em resposta, Moura argumentou que "não há como discutir qualquer questão social no Brasil sem falar sobre questões raciais. Para mim, Marighella tinha que ser negro".
O filme venceu sete categorias do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2022. Foram elas: Melhor longa-metragem de ficção, Melhor primeira direção (Wagner Moura), Melhor ator (Seu Jorge), Melhor figurino (Verônica Julian), Melhor direção de arte (Frederico Pinto), Melhor som (George Saldanha, Alessandro Laroca, Eduardo Virmond Lima e Renan Deodato), Melhor direção de fotografia (Adrian Teijido) e Melhor roteiro adaptado (Wagner Moura e Felipe Braga).
Público e bilheteria
Em entrevista ao Roda Viva, Wagner Moura relata ter sido alvo de "milícias digitais bolsonaristas" com uma ação coordenada para dar nota baixa para o filme na plataforma de filmes IMDb, ter sido alvo de censura por parte da Ancine, que negou pedidos de recursos ao Fundo Setorial do Audiovisual "absolutamente corriqueiros", e denunciou ter tido uma exibição do filme em um acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra na cidade de Prado, na Bahia, atacada a tiros por vinte homens encapuzados, que fizeram parte dos presentes refém.
Na estreia nos cinemas do Brasil tornou-se o filme nacional mais visto do ano.
Antes do lançamento, diversas fontes reportaram que robôs foram utilizados para diminuir a avaliação do filme no site IMDb. Em resposta, o IMDb desativou as avaliações na página, que contava com mais de 15 mil avaliações.
Exibição na TV aberta
Foi exibida pela TV Globo no formato de minissérie, de 16 até 19 de janeiro de 2023, em 4 capítulos.
Prêmios e indicações
AnoPrêmioCategoriaIndicaçãoResultadoRef.2020CinEuphoria AwardsMelhor Ator Seu JorgeMelhor Elenco MarighellaMelhor Filme Melhor Ator Coadjuvante Bruno Gagliasso2022Grande Prêmio do Cinema BrasileiroMelhor Longa-metragem FicçãoMarighella Melhor Primeira DireçãoWagner MouraMelhor AtorSeu Jorge Bruno GagliassoMelhor AtrizAdriana EstevesMelhor Ator CoadjuvanteHumberto Carrão Luiz Carlos Vasconcelos Melhor Atriz CoadjuvanteBella CameroMelhor Roteiro AdaptadoFelipe Braga e Wagner Moura Melhor Direção de FotografiaAdrian TeijidoMelhor Direção de ArteFrederico PintoMelhor FigurinoVerônica JulianMelhor SomGeorge Saldanha, Alessandro Laroca, Eduardo Virmond e Renan DeodadoMelhor MaquiagemMartín Macías Trujillo Melhor Trilha SonoraAntonio PintoMelhor Montagem – FicçãoLucas Gonzaga Melhor Efeito VisualSaulo Silva
Categoria:Filmes do Brasil de 2019 Categoria:Filmes sobre a ditadura militar no Brasil (1964-1985) Categoria:Filmes de drama biográfico do Brasil Categoria:Filmes ambientados na década de 1960 Categoria:Cinebiografias de revolucionários Categoria:Filmes em língua portuguesa Categoria:Filmes ambientados no Brasil Categoria:Filmes distribuídos pela Downtown Filmes Categoria:Filmes distribuídos pela Paris Filmes Categoria:Filmes sobre afro-brasileiros Categoria:Filmes premiados com o Grande Otelo de melhor longa-metragem de ficção Categoria:Filmes com trilha sonora de Antonio Pinto (compositor)