miniaturadaimagem|300x300px|Execução pública de sacerdotes e civis poloneses na Antiga Praça do Mercado, em Bydgoszcz, em 9 de setembro de 1939 A Igreja Católica na Polônia foi brutalmente reprimida pelos nazistas durante a Ocupação alemã da Polônia (1939-1945). A repressão da Igreja foi mais intensa em áreas da Polônia anexadas pela Alemanha Nazista, onde as igrejas eram sistematicamente fechadas e a maioria dos sacerdotes foram mortos, presos ou deportados. Em toda a Polônia, milhares de sacerdotes morreram em prisões e campos de concentração; milhares de mosteiros e igrejas foram confiscados, fechados ou destruídos; e inestimáveis obras de arte sacra e objetos sagrados foram perdidos para sempre. Os líderes da igreja eram alvos, como parte de um esforço maior para destruir a cultura polonesa. Pelo menos 1.811 representantes do clero polonês morreram em campos de concentração nazistas. Aproximadamente 3.000 sacerdotes foram mortos no tal. Os planos de Hitler germanizar o leste europeu não tinham lugar para as Igrejas Católicas.Ian Kershaw; Hitler a Biography; 2008 Edn; WW Norton & Company; London p.661
Os enormes crimes infligidos contra o catolicismo polonês ocorreram no contexto mais amplo dos crimes nazistas contra os poloneses sob o Generalplan Ost, implantando uma política geral que, eventualmente, eliminaria a Polônia. Adolf Hitler afirmou, em agosto de 1939, que ele as forças Totenkopf deveriam "matar sem piedade ou misericórdia todos os homens, mulheres e crianças de ascendência ou língua polaca."
Contexto O catolicismo teve uma presença na Polônia que remonta há quase 1.000 anos.Jozef Garlinski; Poland and the Second World War; Macmillan Press, 1985; p 60 O historiador Richard J. Evans escreveu que a Igreja Católica foi a instituição que, "mais do que qualquer outro, apoiou a identidade nacional polonesa ao longo dos séculos".Richard J. Evans; The Third Reich at War; Penguin Press New York; 2009; p.34 Em 1939, cerca de 65% dos poloneses afirmavam ser católicos. A invasão da predominantemente católica Polônia pela Alemanha Nazista, em 1939, iniciou a Segunda Guerra Mundial. A Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha como resultado da invasão, enquanto a União Soviética invadia a metade oriental da Polônia, em conformidade com um acordo com Hitler. A Igreja Católica na Polônia estava prestes a enfrentar décadas de repressão, por parte não apenas dos nazistas, mas também dos comunista.Hitler's Pope? ; by Sir Martin Gilbert; The American Spectator; 18.8.06 miniaturadaimagem|O Primeiro-Ministro soviético Vyacheslav Molotov assinando o Pacto Molotov–Ribbentrop. Atrás dele estão (à esquerda) o Ministro do Exterior alemão, Joachim von Ribbentrop, e (à direita) Joseph Stalin. O Pacto criou uma aliança nazi-soviética e selou o destino da Polônia. AAlemanha nazista invadiu a Polônia pelo oeste, em 1º de setembro de 1939, iniciando um período de ocupação brutal. A ideologia nazista visava o extermínio dos judeus da Polônia e categorizava os poloneses (principalmente os católicos) como uma raça inferior. Os judeus foram reunidos em guetos ou enviados para campos de extermínio. Intelectuais poloneses também foram alvo de eliminação, com o assassinato de sacerdotes e políticos em uma campanha de terror. O trabalho forçado foi também amplamente utilizado. O Exército Vermelho invadiu a Polônia pelo oriente, em 17 de setembro de 1939.Encyclopædia Britannica: Poland - World War II Os Soviéticos também foram responsáveis pela repressão de poloneses católicos, com ênfase nos "inimigos de classe". A Operação Barbarossa, o ataque alemão à União Soviética, foi lançada em junho de 1941, quebrando o pacto de não-agressão Nazi-Soviético e deixando o leste da Polônia sob a dominação Nazista.Encyclopædia Britannica Online: Poland - World War II Norman Davies escreveu:Norman Davies; Rising '44: the Battle for Warsaw; Vikiing; 2003O plano nazista para a Polônia envolvia a destruição da nação polonesa. Isso requeria atacar a igreja polonesa, particularmente nas áreas anexadas pela Alemanha.Jozef Garlinski; Poland and the Second World War; Macmillan Press, 1985; p 60 De Acordo com o biógrafo de Hitler Ian Kershaw, em seu esquema para a germanização da Europa Oriental, Hitler deixou claro que não haveria "nenhum lugar nesta utopia para as Igrejas Cristãs". Historicamente, a Igreja Católica tinha sido uma força de liderança no nacionalismo polonês contra a dominação estrangeira, assim, os nazistas visavam oclero, monges e freiras em suas campanhas de terror para eliminar a cultura polonesa. A ideologia nazista era hostil ao cristianismo e Hitler desprezava os ensinamentos da Igreja Católica. O deputado e secretário particular do Führer, Martin Bormann, era firmemente anticristão, assim como o filósofo nazista oficial, Alfred Rosenberg. Em seu livro "O Mito do Século XX", publicado em 1930, Rosenberg escreveu que os principais inimigos dos alemães eram os "russos tártaros" e os "semitas", abarcando os cristãos, especialmente a Igreja Católica:Encyclopædia Britannica Online: Alfred Rosenberg
Divisão da Polônia O controle militar alemão na Polônia durou até 25 de outubro de 1939.Norman Davies; Rising '44: the Battle for Warsaw; Vikiing; 2003; p.83 En seguida, a Alemanha anexou diretamente territórios poloneses ao longo da fronteira alemã leste: Prússia Ocidental, Poznań, Alta Silésia, e a cidade de Danzig. O restante da Polônia ocupada ficou sob a administração do chamado Generalgouvernement (Governo Geral)http://www.ushmm.org/wlc/en/article.php?ModuleId=10005070 - um "mini-estado controlado pela" sob controle da SS e do advogado nazista Hans Frank, o qual, escreveu Davies, "tornou-se um laboratório sem leis da ideologia racial nazista" e, após um tempo, a base para os principais campos de concentração nazistas.Norman Davies; Rising '44: the Battle for Warsaw; Vikiing; 2003; p.86 No entanto, nessas regiões a política nazi em relação à Igreja foi menos severa do que nas regiões anexadas.Norman Davies; Rising '44: the Battle for Warsaw; Vikiing; 2003; p.92
Perseguições miniaturadaimagem|Prisioneiros poloneses no campo de concentração de Dachau brindam sua libertação do campo. Os poloneses constituíam o maior grupo étnico do campo. miniaturadaimagem|O fransicano polonês Maximillian Kolbe morreu em Auschwitz.
Visando intelectuais e o clero De acordo com Norman Davies, o terror nazista foi "muito mais feroz e mais prolongado na Polônia do que em qualquer lugar na Europa." A ideologia nazista via os "polacos" - a maioria católica - como "sub-humanos". Após a invasão de 1939, os nazistas instigaram uma política de genocídio contra a minoria judia da Polônia, e de assassinato ou supressão das elites locais, incluindo líderes religiosos. Durante a invasão de 1939, esquadrões da morte da SS e da polícia prenderam ou executaam aqueles considerados capazes de resistir à ocupação: incluindo profissionais, clérigos e funcionários do governo.
No verão seguinte, a A-B Aktion (Operação Extraordinária de Pacificação) capturou vários milhares de poloneses intelectuais por meio da SS, e muitos sacerdotes foram executados pelo Governo Geral do setor. Sobre o breve período de controle militar, entre 1 de setembro de 1939 – 25 de outubro de 1939, Davies escreveu: "de acordo com uma fonte, 714 execuções em massa foram realizadas, e 6.376 pessoas, principalmente os Católicos, foram baleadas. Outros colocam o número de mortes em apenas uma cidade, em 20.000. Era um sinal das coisas por vir."Norman Davies; Rising '44: The Battle for Warsaw; Vikiing; 2003; pp.85–86
Em 1940, Hitler proclamou: "Os poloneses podem ter apenas um mestre – um alemão. Dois mestres não podem existir lado a lado, e é por isso que todos os membros da intelectualidade polonesa devem ser mortos". De acordo com Craughwell, entre 1939 e 1945, cerca de 3.000 membros (18%) do clero polonês foram assassinados; destes, 1.992 morreram em campos de concentração.Craughwell, Thomas J., The Gentile Holocaust Catholic Culture, Accessed July 18, 2008 (a Encyclopædia Britannica cita 1.811 sacerdotes poloneses mortos nos campos de concentração nazistasEncyclopædia Britannica Online – Stefan Wyszyński; Encyclopædia Britannica Inc; 2013. Web. 14 Apr. 2013.)
Em 16 e 17 de novembro de 1940, a Rádio Vaticano relatou que a vida religiosa para os católicos na Polônia continuava brutalmente restrita e que, pelo menos, 400 clérigos foram deportados para a Alemanha nos últimos quatro meses:The Nazi War Against the Catholic Church; National Catholic Welfare Conference; Washington D.C.; 1942; pp. 49–50Entre 150.000 e 180.000 civis, e milhares de insurgentes capturados os foram mortos na repressão da revolta. Até o final de setembro de 1944, combatentes da resistência polonesa não eram considerados pelos alemães como combatentes; assim, quando capturados, eram sumariamente executados. 165.000 sobreviventes civis foram enviados para campos de trabalho, e 50.000 foram enviados para campos de concentração,, enquanto a cidade em ruínas era sistematicamente destruída. Reinefarth nunca foi julgado por seus crimes cometidos durante a repressão da revolta. (O pedido polonês de extradição do anistiado Wilhelm Koppe da Alemanha foi também recusado.)
Regiões anexadas esquerda|miniaturadaimagem|Arthur Greiser, o Reichsstatthalter de Wartheland, conduziu um ataque radical na Igreja Católica. Ao final de 1941, o polonês Igreja havia sido proibida em Wartheland A política nazi em relação à Igreja era mais severas nos territórios anexados à Alemanha, onde os nazistas sistematicamente desmantelavam a Igreja, prendendo seus líderes, exilando seus clérigos, fechando igrejas, mosteiros e conventos. Muitos sacerdotes foram assassinados. As áreas anexadas incluíam a arquidiocese católica de Gniezno-Poznań e as dioceses de Chełmno, Katowice e Włocławek, e partes da diocese de Czestochowa, Kielce, Cracóvia, Łomża, Łódź, Płock e de Varsóvia, que seriam germanizadas. Nessas áreas, a Igreja polonesa deveria ser completamente erradicada, embora alemães católicos poderiam permanecer ou se estabelecer lá.
Hitler pretendia usar a Polônia como uma colônia de povoamento para os alemães. O "racialmente inferiores" poloneses deveriam ser evacuados para liberar espaço para os colonos alemães. Após a derrota da Polônia Heinrich Himmler foi nomeado Comissário do Reich para o Fortalecimento da Raça Alemã. A germanização das regiões anexadas começou em dezembro de 1939, com a deportação de homens, mulheres e crianças.Richard J. Evans; The Third Reich at War; Penguin Press New York; 2009; pp.28-29 Na Wartheland, o líder regional Arthur Greiser, com o incentivo de Reinhard Heydrich e Martin Bormann, lançou um grave ataque à Igreja Católica. Suas propriedades e os fundos foram confiscados, e suas organizações foram fechadas. Evans escreveu que "numerosos clérigos, monges, diocesanos, administradores e funcionários da Igreja foram presos, deportados para o Governo Geral, removidos para um campo de concentração no Reich, ou simplesmente executados. Ao todo, cerca de 1.700 sacerdotes poloneses acabaram no campo de concentração de Dachau: metade deles não sobreviveu à prisão." O chefe administrativo de Arthur Greiser, August Jager havia liderado um esforço anterior de nazificação da Igreja Evangélica na Prússia.Richard J. Evans; The Third Reich at War; Penguin Press New York; 2009; p.33-34 Na Polônia, ele ganhou o apelido de "Kirchen-Jager" (Caçador de Igrejas) por sua hostilidade para com a Igreja.Mark Mazower; Hitler's Empire - Nazi Rule in Occupied Europe; Penguin; 2008; ; p.92. "Ao final de 1941", escreveu Evans, "a Igreja Católica polaca tinha sido efetivamente proibida na Wartheland. Foi mais ou menos germanizada em outros territórios ocupados, apesar de uma encíclica emitido pelo Papa, como início de 27 de outubro de 1939 protestando contra essa perseguição."Richard J. Evans; The Third Reich at War; Penguin Press New York; 2009; p.34