A Igreja Católica na Escócia ( e ) é parte da Igreja Católica universal, sob a liderança espiritual do Papa e da Santa Sé. Depois de ser firmemente estabelecida na Escócia por quase um milênio, a Igreja Católica foi banida após a Reforma Escocesa em 1560. A Emancipação Católica, em 1793 ajudou os católicos a recuperaram os direitos civis, que eram negados a eles pelo governo protestante. Em 1878, ocorreu a restauração da hierarquia católica escocesa.Archdiocese of Edinburgh www.archdiocese-edinburgh.com. Retrieved 21 February 2009 Ao longo dessas mudanças, vários bolsões na Escócia mantiveram uma população católica anterior à Reforma, incluindo partes de Banffshire, Hébridas e partes ao norte das Terras Altas da Escócia.
Em 1716, o Seminário de Scalan foi estabelecido nas Terras Altas e reconstruído na década de 1760 pelo bispo John Geddes, uma figura popular em Edimburgo no período do iluminismo. Quando Robert Burns escreveu a um correspondente que "o primeiro [isto é, o melhor] personagem clérigo que eu já vi era um católico romano", ele estava se referindo a Geddes.Michael Martin, "Sae let the Lord be thankit," The Tablet, 27 de junho de 2009, 20. O Gàidhealtachd tem sido católico e protestante nos tempos modernos. Um número de áreas gaélico-escocesas na atualidade são principalmente católicas, incluindo Barra, South Uist e Moidart. O poeta e romancista Angus Peter Campbell escreve frequentemente sobre a Igreja Católica em seus trabalhos.
No Censo de 2011, 16% da população da Escócia descreveu-se como católica, em comparação com 32% filiados à Igreja da Escócia. Muitos católicos são minorias ou descendentes de imigrantes irlandeses e de migrantes das Terras Altas que se mudaram para as cidades e vilas da Escócia durante o século XIX, quando houve uma crise de fome na Irlanda. No entanto, há um número significativo de italianos, lituanos, e descendentes de poloneses, sendo que recentemente os imigrantes poloneses estão novamente impulsionando o número de europeus católicos na Escócia. Devido à imigração, estima-se que, em 2009, havia cerca de 850.000 católicos em um país de 5,1 milhões de habitantes. Entre 1994 e 2002, a frequência regliosa dos católicos na Escócia diminuiu 19% para pouco mais de 200.000 pessoas. Em 2008, a Conferência dos Bispos Católicos da Escócia estimou que 184.283 pessoas participavam regularmente da missa.
História
Estabelecimento
thumb|upright|Uma página do Livro de Kells, o qual pode ter sido produzido em Iona por volta do ano 800 O Cristianismo foi provavelmente introduzido ao que hoje são as Terras Baixas da Escócia por soldados romanos que se estabeleceram no norte da província da BritâniaB. Cunliffe, The Ancient Celts (Oxford, 1997), , p. 184. Presume-se que tenha sobrevivido entre os enclaves britônicos no sul da Escócia moderna, mas recuou à medida que os anglo-saxões pagãos avançavam.O. Davies, Celtic Spirituality (Paulist Press, 1999), , p. 21. A Escócia foi em grande parte convertida por missões escocesas irlandesas associadas a figuras como São Columba do quinto ao sétimo século. Essas missões tendiam a fundar instituições monásticas e igrejas colegiadas que serviam grandes áreas.O. Clancy, "The Scottish provenance of the 'Nennian' recension of Historia Brittonum and the Lebor Bretnach " in: S. Taylor (ed.), Picts, Kings, Saints and Chronicles: A Festschrift for Marjorie O. Anderson (Dublin: Four Courts, 2000), pp. 95–6 and A. P. Smyth, Warlords and Holy Men: Scotland AD 80–1000 (Edinburgh: Edinburgh University Press, 1989), , pp. 82–3. Em parte como resultado desses fatores, alguns estudiosos identificaram uma forma distinta de Cristianismo Celta, no qual os abades tinham papel mais importante que os bispos, as atitudes com o celibato clerical eram mais relaxadas, e havia algumas diferenças significativas na prática com o rito romano, particularmente a forma de tonsura e o método de cálculo da Páscoa, embora a maioria dessas questões tenha sido resolvida em meados do século VII.C. Evans, "The Celtic Church in Anglo-Saxon times", in J. D. Woods, D. A. E. Pelteret, The Anglo-Saxons, synthesis and achievement (Wilfrid Laurier University Press, 1985), , pp. 77–89.C. Corning, The Celtic and Roman Traditions: Conflict and Consensus in the Early Medieval Church (Macmillan, 2006), . Após a reconversão da Escócia escandinava, a partir do século X, o cristianismo sob a autoridade papal – ou seja, o Catolicismo – foi a religião dominante do reino.A. Macquarrie, Medieval Scotland: Kinship and Nation (Thrupp: Sutton, 2004), , pp. 67–8.
Catolicismo medieval
No período normando, a igreja escocesa passou por uma série de reformas e transformações. Com o patronato real e leigo, uma estrutura paroquial mais clara baseada em igrejas locais foi desenvolvida.A. Macquarrie, Medieval Scotland: Kinship and Nation (Thrupp: Sutton, 2004), , pp. 109–117. Um grande número de novas fundações, que seguiram as formas continentais do monasticismo reformado, começaram a predominar e a Igreja Católica escocesa estabeleceu sua independência da Inglaterra e desenvolveu uma estrutura diocesana mais clara, tornando-se uma "filha especial da sé de Roma", mas sem liderança na forma dos arcebispos.P. J. Bawcutt and J. H. Williams, A Companion to Medieval Scottish Poetry (Woodbridge: Brewer, 2006), , pp. 26–9. No final da Idade Média, os problemas de cisma na Igreja Católica permitiram que a Coroa escocesa ganhasse maior influência sobre os altos cargos e dois arcebispos foram indicados por ela no final do século XV.J. Wormald, Court, Kirk, and Community: Scotland, 1470–1625 (Edinburgh: Edinburgh University Press, 1991), , pp. 76–87. Embora alguns historiadores tenham discernido um declínio do monasticismo no final da Idade Média, as ordens de frades cresceram, particularmente nos burgos em expansão, para atender às necessidades espirituais da população. Novos santos e cultos de devoção também proliferaram. Apesar dos problemas sobre o número e a qualidade do clero após a Peste Negra no século XIV, e algumas evidências de heresia neste período, a igreja na Escócia permaneceu relativamente estável antes da Reforma no século XVI.
Reforma Escocesa
thumb|left|upright|O enforcamento de João Ogilvie. A situação permaneceu a mesma até a Reforma Escocesa em meados do século XVI, quando a Igreja na Escócia rompeu com o papado e adotou uma confissão calvinista em 1560. A essa altura, a celebração de missas católicas foi proibida.J. Wormald, Court, Kirk, and Community: Scotland, 1470–1625 (Edinburgh: Edinburgh University Press, 1991), , pp. 120–1. Embora oficialmente ilegal, a Igreja Católica sobreviveu em partes da Escócia. A hierarquia da igreja desempenhou um papel relativamente pequeno e a iniciativa foi deixada para os líderes leigos. Onde nobres ou latifundiários locais ofereciam proteção, ela continuava a prosperar, como no Clã Macdonald of Clanranald em South Uist, ou no nordeste onde o Conde de Huntly era a figura mais importante. Nessas áreas, os sacramentos e práticas católicas eram mantidos com relativa abertura. Os membros da nobreza provavelmente estavam relutantes em buscar um ao outro em questões de religião por causa de fortes laços pessoais e sociais. Um relatório em inglês de 1600 sugeriu que um terço dos nobres e gentry ainda se matinham católicos.J. Wormald, Court, Kirk, and Community: Scotland, 1470–1625 (Edinburgh: Edinburgh University Press, 1991), , p. 133. Na maior parte da Escócia, o catolicismo tornou-se uma crença clandestina em lares privados, ligados por laços de parentesco. Essa confiança na família significava que as mulheres muitas vezes se tornaram importantes como defensoras e transmissoras da fé, como no caso de Lady Fernihurst nas Fronteiras. Eles transformaram suas famílias em centros de atividade religiosa e ofereceram locais de segurança para os sacerdotes.J. E. A. Dawson, Scotland Re-Formed, 1488–1587 (Edinburgh: Edinburgh University Press, 2007), , pp. 232.
Como a Igreja da Escócia tomou a administração da estrutura e dos bens da Igreja Católica, qualquer tentativa de recuperação pelo catolicismo era extremamente difícil. Após o colapso da causa de Maria nas guerras civis durante a década de 1570, e qualquer esperança de uma restauração nacional da antiga fé, a hierarquia começou a tratar a Escócia como uma área de missão. A principal ordem da Contrarreforma, os recém-fundados jesuítas, inicialmente tiveram pouco interesse na Escócia como alvo do trabalho missionário. Sua eficácia foi limitada pelas rivalidades entre diferentes ordens em Roma. A iniciativa foi tomada por um pequeno grupo de escoceses ligados à família Crichton, provinda dos bispos de Dunkeld. Eles se juntaram à ordem dos jesuítas e voltaram para tentar conversões. Seu foco estava principalmente na corte, o que os levou a se envolver em uma série de enredos e complicações políticas complexas. A maioria dos seguidores leigos escoceses sobreviventes foi amplamente ignorada. Alguns se converteram à Igreja Católica, assim como John Ogilvie, que foi ordenado sacerdote em 1610, sendo posteriormente enforcado por proselitismo em Glasgow e muitas vezes pensado como o único mártir católico escocês da era da Reforma Protestante.James Buckley, Frederick Christian Bauerschmidt, Trent Pomplun, eds, The Blackwell Companion to Catholicism (London: John Wiley & Sons, 2010), , p. 164. No entanto, o status ilegal da Igreja Católica teve um impacto devastador nas fortunas da Igreja, embora uma congregação significativa continuasse a aderir, especialmente nas áreas mais remotas de língua gaélica das Terras Altas e das Ilhas.John Prebble, Culloden (Pimlico: London, 1961), p. 50.
Declínio do século XVII Os números provavelmente diminuíram no século XVII e a organização sofreu baixas.J. T. Koch, Celtic Culture: a Historical Encyclopedia, Volumes 1–5 (London: ABC-CLIO, 2006), , pp. 416–7. O rescaldo dos fracassados levantes jacobitas em 1715 e 1745 danificaram ainda mais a causa católica na Escócia.
O Papa nomeou Thomas Joseph Nicolson como o primeiro vigário apostólico da missão em 1694.M. Lynch, Scotland: A New History (London: Pimlico, 1992), , p. 365. O país foi organizado em distritos e em 1703 havia trinta e três clérigos católicos. Em 1733 o país foi dividido em dois vicariatos, um nas Terras Altas e outro para as Terras Baixas, cada um sob o comando de um bispo. O seminário católico de Scalan em Glenlivet foi o centro preliminar de educação para os padres católicos na área. Era considerado ilegal e foi incendiado em várias ocasiões por soldados enviados das Terras Altas.J. Prebble, (1961) Culloden (London: Pimlico, 1963), p. 50. Além de Scalan houve seis tentativas de fundar um seminário nas Terras Altas entre 1732 e 1838, todas sofrendo financeiramente devido ao status ilegal do catolicismo. Clérigos entraram no país secretamente e embora celebrações católicas eram ilegais, eram feitas mesmo assim.
Números exatos de comunicantes são incertos, dado o status ilegal do catolicismo. Em 1755, estimava-se que havia cerca de 16.500 comunicantes, principalmente no norte e no oeste escocês.J. D. Mackie, B. Lenman and G. Parker, A History of Scotland (London: Penguin, 1991), , pp. 298–9. Em 1764, "a população católica total na Escócia teria sido de cerca de 33.000 ou 2,6% da população total. Destes 23.000 estavam nas Terras Altas".Toomey, Kathleen (1991) Emigration from the Scottish Catholic bounds 1770–1810 and the role of the clergy, PhD thesis, University of Edinburgh, http://hdl.handle.net/1842/6795, Chapter 1. Outra estimativa de 1764 é de 13.166 católicos nas Terras Altas, talvez um quarto dos quais haviam emigrado em 1790,Lynch, Michael,Scotland, A New History (Pimlico: London, 1992), p. 367. e outra fonte estima que os católicos eram talvez 10% da população.
Impacto dos despejos thumb|A Igreja de São Niniano de 1755 era uma igreja católica clandestina localizada em Enzie