Balasagena (; ; um topônimo iraniano construído com -agān (-akān); lit. "País de Balas") designa uma região situada na porção mais meridional do curso inferior dos Cura e Aras, limitada ao sul por Atropatena e a leste pelo mar Cáspio.
Geografia
thumb|upright=1.05|Armênia ca. 150. Caspiana está no leste
Balasagena se centrava na planície de Balasagena (dašt i-Bałasakan, "Balāsagān"), que o geógrafo armênio Pseudo-Moisés de Corene situou na Albânia e que é teoricamente a estepe de Mugã; para Ibne Cordadebe, estava na estrada de Barzande a Vartã (Vastanacerta). M. L. Chaumont e C. E. Bosworth assumiram que correspondia em parte a região que o romano Cláudio Eliano (séculos II-III), citando o autor do Amintas, designa por "terra dos cáspios" e que no período helenístico foi chamada Caspiana (foi tomada de Atropatena pela Armênia no ). A julgar que Caspiana estava em sua maior parte na província de Fatacarana citada na Geografia de Ananias de Siracena, se põe que Balasagena corresponde a porção do território da província que estava ao sul do Cura. O etnônimo balaschis (Bałasčikʿ), existente só no armênio, foi formado a partir de Balasagena. Eliseu disse que um rei de Balasagena era huno, mas essa afirmação não é tida como um relato literal.
História
Império Sassânida
thumb|esquerda|upright=1.05|Dracma de thumb|esquerda|upright=1.05|Dracma de Sapor cunhado ca. 240-244
Balasagena é atestada pela primeira vez na inscrição trilíngue Feitos do Divino Sapor do xá (Blʾskʾn em persa médio; Blʾskn em parta; Balasagene em grego), escrita pouco depois de 260. Na inscrição, aparece independente da Albânia na lista de províncias do Império Sassânida, significando que à época da conquista por e Sapor foi formada alguma espécie de entidade política, mesmo que mais ou menos sujeita ao Reino da Albânia. Ibne Cordadebe cita o rei de Balasagena entre os dinastas que receberam o título de rei (xá) de Artaxer, podendo indicar que fez um ato de submissão e aliança para Artaxer ou Sapor, tornando vassalo pelo mesmo ato. É provável que a administração sassânida criou os distritos balasagenos chamados em armênio de Espandarana-Peroz (Spanderanperož; Spandarān-Pērōz em persa médio), Hormisda-Peroz (Ormizdperož; Hormizd-Pērōz em persa médio), Átlia-Bagavana (Aṭʿsibagawan) e talvez Alevânia (Alewan), todos situados ao sul do Cura.
Fausto, o Bizantino relata que, no tempo do rei , o católico da Ibéria e Albânia Gregório tentou converter o reino de Sanatruces, rei dos mascutes e outros povos, como os balaschis. Ele invadiu a Armênia e seu exército foi cortado em pedaços pelos armênios; os sobreviventes retornaram a Balasagena. Parece, portanto, que por volta de 335-336 (quando ocorre esse episódio), o mascute Sanatruces ocupou parte de Balasagena, onde recrutou tropas e provavelmente reconheceu, ao menos nominalmente, a suserania do xainxá. No começo do , Mesrobes Mastósio pregou em Balasagena, um país que à época pertencia a Albânia segundo Corium, algo explicável por alguma espécie de dependência (vassalagem) de Balasagena em relação a Albânia. É novamente citada em conexão com a revolta dos armênios contra . Segundo Eliseu e Moisés, uma batalha ocorreu próximo ao rio Lopnas e nela alguns nacarares armênios atacaram o pró-persa rei de Balasagena e suas tropas. Em seguida, Herano revoltou-se contra a suserania sassânida e massacrou um exército persa na Albânia, o que causou a sua morte sob ordens de Isdigerdes.
thumb|upright=1.05|Dracma de
No terceiro cartel do , um bispo de Balasagena de nome Timóteo figurou, com outros bispos, entre os nomeados numa carta endereçada pelo católico ao católico da Albânia. Além disso, um selo sassânida recém-publicado possui uma inscrição em pálavi na qual se lê: "do grande católico de Hlbʾn e Balasagena"; nesse contexto o persa médio Hlbʾn pode aludir a Alevânia, capital do distrito de mesmo nome. Apesar disso, até próximo ao ano de 800, a região de Mugã ainda estava inconvertida. Bispo Elias, nomeado para pregar o evangelho naquele país que sequer se chamada Balasagena à época, descobriu uma população que cultuava o deus Iázide (Yazd), que vivia num carvalho chamado "rei da floresta" e seus galhos se chamavam "crianças de Iázide". A população local alegou ter recebido esse deus de seus ancestrais e é possível que o culto noticiado por Elias foi emprestado das crenças do zoroastrismo (em pálavi, yazd é um termo genérico para deus), um empréstimo que possivelmente tem origem no tempo do Império Sassânida, e que foi amalgamado com um culto indígena muito diferente de árvores sagradas.
Período islâmico
No período islâmico, compreendia a planície que se estendia através do curso inferior do Aras, de Barda através de para Vastanacerta, e Barzande. Incluía as províncias de Arrã e Mugã e o nome era comum em fontes armênias, mas raro nas islâmicas. Segundo Baladuri, cerca de 645 o califa Otomão enviou Salmane ibne Rabia para Arrã e após render Bailacane, Barda, etc., converteu os curdos de Balasagena ao islamismo e impôs a jizia sobre eles: similarmente, quando fez um tratado de paz com o marzobã do Azerbaijão, uma das provisões era que os árabes não deveriam impor à população local as depredações dos curdos de Balasagena e das montanhas Salabane. Os geógrafos árabes clássicos raramente mencionam Balasagena por seu nome, mas o viajante do diz em seu al-Resāla al-ṯānīa que atravessou a planície e percebeu as ruínas de cinco mil vilas. Ele também afirma que a lenda popular situada ali o "povo do fosso (Aṣḥāb al-rass) citado no Alcorão ou mesmo a hoste de Golias, que foi alegadamente morta e sepultada em Úrmia.
Bibliografia
Categoria:Províncias do Império Sassânida