O Vilaiete do Hejaz (Árabe: ولاية الحجاز Wilayat al-Ḥijāz; Turco Otomano: ولايت حجاز Vilâyet-i Hijaz) refere-se à região de Hejaz da Arábia quando foi administrada como uma província de primeiro nível (vilaiete) do Império Otomano. No início do , supostamente tinha uma área de .Asia de A. H. Keane, pagina 459 O Hejaz incluía todas as terras da fronteira sul do Vilaiete da Síria, ao sul da cidade de Ma‛an, até a fronteira norte do Vilaiete do Iêmen, ao norte da cidade de Al Lith.

Apesar de sua falta de recursos naturais, a região teve grande importância política como o berço do Islão e foi uma fonte de legitimidade para o domínio dos Otomanos. Os subsídios fornecidos pelo estado e o zakat eram a principal fonte de renda para a população das duas cidades sagradas, mas o comércio gerado pelo haje também era uma importante fonte de receita.

A força regular Otomana em Hejaz era constituída como uma fırka (divisão), ligada ao Sétimo Exército no Iêmen. Fora das cidades e vilas, a autoridade Otomana era fraca. Apenas Medina e Jidá tinham guarnições permanentes.

História Origens thumb|esquerda|A Caaba em Meca, em 1889 O Sultão Selim I derrotou o Sultanato Mameluco em 1517 e assumiu o Egito. O Hejaz era na época, uma suserania Mameluca e dependia do Egito para importação de grãos, e também estava sob ameaça de uma marinha Portuguesa agressiva no Mar Vermelho. Como resultado, o emir de Meca na época, Berecate ibne Maomé Haceni, enviou o seu filho de 12 anos, Maomé (futuro "Ebu-Numei"), para o Egito e prometeu sua lealdade ao Sultão Otomano, juntamente com o chave de Meca. O Sultão permitiu que o emir de Meca permanecesse no poder em troca de lealdade ao Sultão. Para fortalecer a legitimidade do Sultão em Hejaz e no mundo Muçulmano, o Sultão adotou o título de Guardião das Mesquitas Sagradas. Inicialmente, os Otomanos administraram o Hejaz sob o Eialete do Egito. O Xarife de Meca representava a autoridade imperial na região. Mais tarde, a administração caiu para os Governadores de Jidá, e o Eialete de Jidá foi mais tarde transformado no Vilaiete do Hejaz, com um governador em Meca.

Ocupação uaabita Desde a década de 1750, os Muçulmanos uaabitas, uma seita puritana da região do Négede, apoiada pela influente família Al Saud, começaram a representar uma ameaça à estabilidade do Hejaz. Em 1801, enquanto a atenção da Sublime Porta Otomana estava desviada para a invasão Francesa do Egito, os uaabitas dominaram as defesas locais do Hejazi e capturaram as cidades sagradas. Serif Pasha, o governador de Jidá, recuperou temporariamente Meca de volta dos uaabitas, mas foi finalmente derrotado em 1806. Os uaabitas impuseram as suas estritas doutrinas religiosas nas cidades sagradas; a menção do Sultão foi proibida durante os sermões de Sexta-Feira, funcionários dos quatro madhhabs (escolas de jurisprudência islâmica) foram demitidos e substituídos por uaabitas. No início de 1807, o líder do exército uaabitas ibne Saúde ordenou a expulsão de todos os peregrinos e tropas leais ao Emir de Meca, saqueando a cidade posteriormente. Foi alegado que Ibn Saud proibiu caravanas de peregrinos que eram acompanhadas de trompetes e tambores, o que contrariava as doutrinas uaabitas.

O governo Otomano viu-se incapaz de confrontar os uaabitas e deu a tarefa de derrotá-los ao poderoso Maomé Ali Paxá do Egito em 1809-1810. Maomé Ali Paxá despachou um exército comandado por seu filho Tusun Paxá em 1811, e retomou com sucesso Medina e Meca em 1812 e 1813 respectivamente. Tusun Paxá morreu de doença durante a campanha e foi substituído pelo seu irmão mais novo, Ibraim Paxá, que continuou a campanha no Négede, com a guerra a terminar apenas em Setembro de 1818, com a derrota e dissolução do que ficou conhecido como o Primeiro Estado Saudita. De 1818 a 1845, a região foi administrada pelo Egito, até que Maomé Ali foi forçado a restaurar Hejaz ao Sultão como resultado da Segunda Guerra Turco-Egípcia. Osman Paxá foi então nomeado para Governador do Hejaz. As fronteiras da província foram melhor redefinidas e o Emirado de Meca foi restaurado.

Período do Vilaiete thumb|A Península Arábica em 1914 No final da década de 1860, uma comissão foi enviada ao Hejaz para reorganizar a província, e as décadas seguintes presenciaram a introdução de reformas administrativas. Hejaz foi reorganizado como um vilaiete em 1872 de acordo com a Lei do Vilaiete de 1864. A província foi dividida em sanjacos, cazas e anaias. Meca tornou-se o centro do vilaiete, com Medina e Jidá como sanjacos. A estrutura administrativa do Hejaz foi reformada, mas algumas mudanças promulgadas no resto do Império não foram implementadas aqui.

As cidades de Meca e Medina estavam isentas do pagamento de impostos e, de fato, receberam subsídios, chamados surre, do tesouro Otomano que seria distribuído aos pobres em Meca e Medina. A região do Hejaz recebeu pela primeira vez subsídios no reinado do califa abássida Almoctadir no , posteriormente tornou-se habitual que outros califas e sultões enviassem esses subsídios. No entanto, além dos moradores de Meca e Medina, os habitantes de outras cidades e aldeias não beneficiaram tanto. Também foram pagos subsídios a notáveis xeques nómadas, que tinham o potencial de perturbar a passagem de peregrinos na região. Toda a província também estava isenta do serviço militar; tentativas de derrubar essa isenção foram bloqueadas pelo Xarife de Meca.

Os Otomanos mantiveram uma força de guarnição de 7000 soldados sob o comando de oficiais, além da guarda pessoal do próprio Xarife de 500 homens. Guarnições adequadas estavam estacionadas nas cidades de Meca e Medina, enquanto pequenas guarnições eram mantidas em Jidá, Iambo e Taife - todas elas ao lado da estratégica Linha ferroviária do Hejaz. Além desses assentamentos, estradas e outras infraestruturas não estavam sob controle Otomano - as estradas para Iambo de Medina exigiam escoltas fortes e a rota ferroviária Meca-Medina era regularmente fechada por membros de tribos que exigiam pagamento pela passagem - roubos e assassinatos eram comuns nessas estradas.

Os Otomanos completaram a Linha ferroviária do Hejaz, ligando Damasco a Medina, em 1908, mas a linha ferroviária foi severamente danificada durante a Primeira Guerra Mundial e depois abandonada.Nabataea: Hijaz Railway: History Em 1916, como resultado da Correspondência Hussein-McMahon, o Xarife Hussein ibne Ali declarou-se Rei do Hejaz.

Demografia A população exata do Hejaz é impossível de determinar, particularmente por causa da mobilidade de Beduínos e peregrinos, e também por causa da incapacidade das autoridades Otomanas de realizar um censo na Arábia. A população do vilaiete é dada pelo recenseamento Otomano de 1885 como sendo de . De acordo com William L. Ochsenwald, a população real do Hejaz, incluindo o 'Asir no final do , variou de 400.000 a 800.000.

A maioria da população não estava assentada, e incluía nômades e seminômades que ganhavam a vida com a criação de gado. As tribos Beduínas dominavam a região, e o controle otomano sobre elas era indireto, nomeando governadores para Medina e Jidá, mas permitindo o governo local em outros lugares.

Economia

A economia do vilaiete dependia fortemente da anual Haje e da peregrinação, quando os Muçulmanos de todo o mundo viajam para as cidades de Meca e Medina. A importância da peregrinação era tal que a maioria das pessoas da cidade, especialmente os residentes de Meca e Medina, confiavam nos lucros das peregrinações para o sustento diário. Muitos moradores trabalharam como guias para peregrinos, corretores de camelos, construíram e providenciaram acomodações para os peregrinos, venderam ou distribuíram água do Zenzem. Outros trabalharam na manutenção da Grande Mesquita de Meca e da Mesquita do Profeta como varredores, porteiros, servos, líderes de oração, pregadores ou limpadores de velas. Destas ocupações, a mais numerosa era os guias de peregrinação. Esses guias tinham a tarefa de organizar o alojamento do peregrino, o transporte, atuando como tradutores e em geral guiando o peregrino pelos rituais e orações exigidos. Além do pagamento de um peregrino, o guia também seria capaz de fazer qualquer transação em nome do peregrino.

As exportações primárias do Hejaz eram tâmaras, hena, peles, bálsamo de Meca, gomas, nácar e água do Zenzem. Como há poucos recursos naturais na região, a grande maioria dos produtos teve que ser importada, uma prática que continuou até ao início do .

O centro mercantil da região era a cidade portuária de Jidá, que era o principal porto do Mar Vermelho. Como o porto ficava na rota comercial do café do Iêmen e a rota comercial da Índia, navios da Arábia, Índia, África e do sul da Europa passavam regularmente pelo seu porto, com a maioria dos comerciantes europeus estabelecendo escritórios no porto. As tarifas Alfandegárias cobradas no porto eram outra fonte de renda tanto para o vilaiete quanto para o Emirado de Meca. A abertura do Canal de Suez em 1869 teve um impacto negativo no comércio de Jidá porque os navios a vapor podiam atracar em portos menores, como Iambo, na linha costeira do Mar Vermelho.

Devido ao intenso calor da região e à escassez de chuvas, o Hejaz não poderia suportar uma economia baseada na agricultura. A Agricultura só era possível em oásis e na periferia irrigada das grandes cidades, com as tâmaras sendo a principal colheira. Tribos semi-nômades também se dedicavam á agricultura ou a ser pastores de ovelhas e camelos.

Divisões Administrativas Sanjacos do vilaiete:Ceziretül Arab – Hicaz ve Yemen Vilayetleri | Tarih ve Medeniyet Sanjaco de Meca (Mekke-i-Mükerreme) Sanjaco de Medina (Medine-i-Münevvere); tornou-se um sanjaco independente no verão de 1910. Sanjaco de Cidde (Jidá)

Bibliografia

Ligações externas

William L. Ochsenwald, "Religion, society, and the state in Arabia: the Hijaz under Ottoman control, 1840-1908", The Ohio State University Press 1984

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