Augusto Clóvis Barata Pires (Belém, 12 de abril de 1956), mais conhecido como Patrulheiro, é um ex-futebolista brasileiro que jogava como meia e atacante. É o 13º maior artilheiro do Paysandu, com 79 gols, tendo sido também o recordista de partidas pelo "Papão" na primeira divisão do Brasileirão no século XX e antes da era de pontos corridos: foram 89 jogos entre 1974 e 1986,O Papão na bilheteria (agosto de 2002). Placar n. 1233. São Paulo: Editora Abril, pp. 84-87 sendo superado em 2004 pelos 99 de Sandro Goiano.Saudades da América (abril de 2005). Placar n. 1281-B. São Paulo: Editora Abril, pp. 76-79
Quatro vezes campeão paraense pelos alviazuis,DA COSTA, Ferreira (2013). Patrulheiro - Hepatite atrapalhou a carreira do craque. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 255-256 defendeu os dois principais clubes do Pará, com uma breve passagem pelo Remo, e também os dois principais do Amazonas, onde atuou e foi campeão por Nacional e Rio Negro.
Carreira Primeira etapa no Paysandu
Patrulheiro chegou ao time principal do Paysandu proveniente das categorias de base, onde foi campeão estadual juvenil em 1973.DA COSTA, Ferreira (2002). 1973 - Campeão de Futebol Juvenil. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 90 Na ocasião, ainda era atacante puro, sendo o destaque do time. Em 1974, em seu primeiro Re-Pa no time adulto, atuou como meia recuado, mas marcou o gol alviceleste em empate em 1–1 no estádio rival, em amistoso realizado em 21 de fevereiro, abrindo o placar que depois seria empatado por Alcino.DA COSTA, Ferreira (2015). 1974. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 124-128
No time principal, acabaria por encaixar-se mais na posição de meia, embora ocasionalmente improvisado no ataque. Empregava estilo cadenciado e envolvente de jogo, sendo avaliado como "imprescindível" a ponto de que, sem ele, a situação da equipe tornava-se mais difícil. Ainda em 1974, estreou pelo clube no Brasileirão. O "Papão" avançou ao grupo-semifinal e Patrulheiro chegou a marcar o gol paraense na derrota de 4–1 no Mineirão para o , que terminaria no vice-campeonato a despeito de acumular mais pontos que o próprio campeão Vasco da Gama.Quais clubes perderam o título tendo mais pontos que o campeão (outubro de 2002). Placar n. 1248. São Paulo: Editora Abril, p. 36
Apesar disso, ele chegou a ficou ausente dos três clássicos seguintes e só voltou a ser titular quatorze dérbis depois, já em 23 de julho] de 1975, pela fase final do estadual daquele ano, jogo encerrado em 0–0. Entre uma partida e outra, jogou saindo do banco quatro vezes. Ele esteve ausente do Re-Pa seguinte, decisivo para o rival ser campeão.DA COSTA, Ferreira (2015). 1974. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 128-130 O Remo assegurou em 1975 um tricampeonato seguido,DA COSTA, Ferreira (2015). Campeonato Paraense de Futebol 1908-2015. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 227-233 e desde 1973 contabilizava mais de vinte jogos de invencibilidade na rivalidade, um recorde até o tabu de 33 partidas na década de 1990.O maior do país (maio 2015). Placar n. 1294-B. São Paulo: Editora Abril, pp. 126-129
A invencibilidade azulina na época parou em 23 partidas, a última delas em 10 de março de 1976, ainda com Patrulheiro fora da titularidade. Na terceira aparição como titular, manteve-se invicto nessa condição e o tabu foi encerrado: o "Papão" venceu por 3–1, em 31 de março daquele ano. A partida, no estádio remista, foi válida pela Taça Cidade de Belém,DA COSTA, Ferreira (2015). 1976. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 130-133 e foi marcada por diversas confusões; chegou a haver interrupção de vinte minutos e seis azulinos foram expulsos, assim como dois jogadores alviazuis e seu treinador, Juan Álvarez. Com a vitória, o "Papão" faturou de forma invicta o torneio.DA COSTA, Ferreira (2002). 1976 - Campeão invicto do Torneio Cidade de Belém. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 92
Adiante, o Paysandu obteve também o estadual de 1976, com Patrulheiro na titularidade de nova campanha invicta, incluindo um Re-Pa vencido por W.O. do arquirrival em pleno estádio azulino. Patrulheiro marcou quatro gols,DA COSTA, Ferreira (2002). 1976 - Campeão de futebol profissional invicto. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 92-93 além de converter sua cobrança na decisão por pênaltis favorável por 5–4 no Re-Pa que decidiu o segundo turno, após 0–0 no tempo normal e prorrogação.DA COSTA, Ferreira (2013). 1976 - Campeonato ganha status de Estadual e o Papão se sagra campeão invicto. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 184-187 Naquele ano, o "Papão" chegou a acumular uma invencibilidade de 31 partidas. O título de 1976 foi o único do clube entre 1972 e 1980.
Em 1977, Patrulheiro estreou pela seleção paraense, em vitória amistosa por 2–1 sobre a amazonense em pleno Vivaldão, em 16 de fevereiro.DA COSTA, Ferreira (2013). A seleção do Pará através dos tempos. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 306-331 Depois, esteve em uma sequência de três vitórias seguidas no Re-Pa, válidos pela Taça Cidade de Belém, entre abril e maio e todos no estádio remista: 4–1 no primeiro turno, 2–1 no segundo e 1–0 no turno extra, com ele marcando o único gol. Em agosto, marcou em dois clássicos seguidos, também ambos vencidos na casa rival - os dois alviazuis em vitória por 2–1 pelo Torneio Internacional e o único no 1–0 pelo terceiro turno do estadual daquele ano. DA COSTA, Ferreira (2015). 1977. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 133-136 A despeito desses desempenhos, o rival terminou campeão. No mesmo ano, também marcou em vitória por 3–2 sobre a seleção do Suriname.
Ainda em 1977, Patrulheiro também destacou-se em derrota de 3–1 para o Atlético Mineiro pelo Brasileirão daquele ano. O adversário terminaria vice-campeão a despeito de uma campanha invicta e com mais pontos (dez) somados do que o campeão São Paulo, Qual o maior duelo em uma final? (outubro de 2002). Placar n. 1248. São Paulo: Editora Abril, p. 25 e contra este time Patrulheiro marcou o que considera um dos gols mais bonitos da carreira, assim recordando décadas mais tarde: "era um escanteio a nosso favor a defesa do time mineiro cortou para fora da área; eu estava fora de meia lua, dominei no peito e, sem deixar cair, chutei a bola. Bateu no travessão e entrou. Este gol e minha boa atuação chamaram a atenção dos atleticanos, que no ano seguinte me contrataram".
Antes de ir ao Atlético, Patrulheiro ainda defendeu a seleção paraense na cerimônia de inauguração oficial do Mangueirão, em 4 de março de 1978, em vitória por 4–0 sobre a seleção uruguaia juvenil; em vitória por 3–2 sobre a amazonense quatro dias depois e em empate em 0–0 com o Botafogo outros quatro dias depois, no mesmo local. Foram os últimos jogos da seleção até 1987. Ainda no primeiro semestre, defendeu o Paysandu no Brasileirão de 1978; pela competição, participou do primeiro Re-Pa realizado no Mangueirão, em 0–0 em 26 de março daquele ano.DA COSTA, Ferreira (2015). 1978. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 137-138
Contudo, Patrulheiro não chegou a defender em campo o Atlético. Foi prejudicado por uma hepatite, regressando a Belém para tratar-se e ao Paysandu. Em 1979, ele esteve no primeiro título do "Papão" no Mangueirão, um Torneio Início no qual ele fez um dos gols do título, em vitória por 2–0 no clássico com a Tuna Luso.DA COSTA, Ferreira (2002). 1979 - Campeão do Torneio Início. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 94
Ausente dos cinco Re-Pas restantes de 1978, Patrulheiro foi titular em um dos sete clássicos válidos pelo estadual de 1979, em que os alviazuis venceram por 2–1. DA COSTA, Ferreira (2015). 1979. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 139-140 O rival, adiante, terminou campeão. Em 1980, o estadual voltou a ser do Paysandu, após a competição inicialmente parecer fadada à rival Tuna Luso, campeã dos dois primeiros turnos. O Paysandu venceu o terceiro e o extra e terminou campeão,DA COSTA, Ferreira (2013). 1980 - Aguilera apoia diretores. O Papão traz Chico Spina e fica com o título. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 198-203 com Patrulheiro na titularidade do meio-campo ofensivo ao lado de Roberto Bacuri, por sua vez o 14º maior goleador da história do clube. Patrulheiro inclusive chegou a colocar a vitória final sobre a Tuna, por 2–0, como seu jogo mais inesquecível pelo clube, à frente daquele contra o Atlético: "uma partida memorável para mim (...). Eu vinha de uma longa contusão, mas me recuperei a tempo para jogar a fase final da competição e conseguir ajudar meus companheiros na conquista daquele título".
Já em 1981, Patrulheiro foi titular em vitória em 25 de janeiro por 3–0 sobre o Flamengo,DA COSTA, Ferreira (2002). 1981- Paysandu 3 X Flamengo 0. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 100 então recém-campeão nacional, pelo Brasileirão daquele ano. Porém, foi novamente prejudicado por uma lesão e jogou pouco pelo Paysandu na sequência, participando do bicampeonato paraense naquele ano apenas na estreia, vindo do banco no empate em 1–1 com a surpresa Izabelense, em 21 de junho.DA COSTA, Ferreira (2013). 1981 - Papão traz de novo Chico Spina e ganha o bicampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 209-213
Futebol amazonense e voltas ao Paysandu
Ainda em 1981, Patrulheiro rumou ao Nacional, marcando dois gols no campeão amazonense daquele ano, um deles no 1–0 em clássico com o Fast (encerrado ainda aos 23 minutos do segundo tempo), em campanha realizada de agosto a novembro. A conquista concluiu um hexacampeonato estadual do "Naça", sequência jamais igualada no Amazonas.Resumo histórico do campeonato amazonense (2004). Anuário Placar 2003. São Paulo: Editora Abril, p. 165
Patrulheiro voltou ao Paysandu em 1982, participando de outra partida recordada, nova vitória por 3–0 sobre o Flamengo, que três dias antes havia vencido pelo mesmo placar o Remo - em jogos válidos por um triangular amistoso entre as equipes.DA COSTA, Ferreira (2002). 1982- Paysandu 3 X Flamengo 0. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 100 A equipe carioca, por sua vez, havia acabado de vencer a Taça Libertadores da América e o Mundial Interclubes do ano anterior. Patrulheiro começou no banco, mas considera este outro grande momento da carreira.
Patrulheiro, porém, não chegou a continuar no "Papão" para o campeonato paraense de 1982, realizado de julho a dezembro;DA COSTA, Ferreira (2013). 1982 - Paysandu tira Mesquita do Remo, que comanda a conquista do Tricampeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 214-218 voltou ao Amazonas, agora como jogador do Rio Negro. Compartilhando a titularidade do meio-campo com a revelação Berg, foi campeão estadual daquele ano, seu segundo título amazonense seguido. O título alvinegro encerrou o hexacampeonato do rival Nacional e foi o único do clube entre 1975 e 1987.
Na campanha, Patrulheiro marcou três vezes, um deles em 1–1 em clássico com o Fast O título veio em vitória por W.O. no Rio-Nal. Um empate já daria o título ao Rio Negro, que precisaria ser derrotado em três clássicos seguidos pelo rival Nacional.SEABRA, Flávio (24 de dezembro de 1982). Na bola e nos tribunais. Placar n. 657. São Paulo: Editora Abril, p. 44
Fim precoce da carreira