Alexandre OrionALEXANDRE Órion. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: . Acesso em: 24 de Mai. 2018. Verbete da Enciclopédia. ISBN 978-85-7979-060-7 (nascido em 1978, em São Paulo) é um artista de rua, artista multimídia e muralista Brasileiro.
Biografia Alexandre OrionSite oficial, Galeria de fotos, , Folha de S.Paulo, 05 de junho de 2015 nasceu em 1978, é artista multimídia e muralista. Realizou exposições individuais e murais nas principais capitais do mundo. No Brasil suas obras foram exibidas em espaços como Pinacoteca do Estado de São Paulo, Itaú Cultural, Centro Cultural Banco do Brasil, Caixa Cultural e diversas unidades do SESC. Realizou exposições e possui obras em acervos na Foundation Cartier pour l’art contemporain, em Paris, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, no Itaú Cultural, no Deustche Bank e no Mad Museum, ambos em Nova York, no Milwaukee Museum, na Fundação Padre Anchieta, no Nelson-Atkins Museum of Art, no Spencer Museum of Art, entre outros.
Trabalhos Metabiótica Em MetabióticaAgencia Estado, , Estadão, 08 de dezembro de 2006, Alexandre OrionEndrigo Chiri Braz, , Revista Cult escolhe um local da cidade, realiza uma pintura na parede e, com a câmera em punho, aguarda pelo momento em que as pessoas interagem espontaneamente com suas pinturas. OrionEme Viegas, , Hypeness atribui à intervenção urbana uma dimensão na vida real, e promove o encontro (ou o confronto) entre realidade e ficção dentro do campo fotográfico. É no momento decisivo de interação entre o pedestre e a imagem pintada que a fotografia de Metabiótica é gerada, contrapondo-se aos tradicionais quadros fotográficos que nos transmitem a falsa ideia de que tudo o que é fotográfico é real. Em Metabiótica a veracidade é posta em dúvida: as pinturas estão de fato nas paredes, as pessoas realmente passaram por ali e agiram espontaneamente, no entanto o que se vê nos sugere um tipo de montagem que não existiu. Pintura e fotografia dividem um mesmo ambiente, como dois organismos inseparáveis e incompatíveis entre si.
Espólio EspólioDivulgação, , Revista TRIP, 16 de setembro de 2014 é um projeto desenvolvido por Orion em que utiliza a poluição da queima de combustível como matéria prima para suas obras. Através de 3 séries, o artista faz uma crítica ao modo de vida contemporâneo: Ossário, Polugrafia e Poluição sobre muros.
Ossário OssárioGilberto Dimenstein, Folha de S.Paulo, 04 de julho de 2007Mara Gama, Folha de S.Paulo, 05 de junho de 2015Alexandre Orion, , Ossário, 03 de junho de 2006, série de intervenções realizadas em um túneis de São Paulo a partir de 2006. Durante 17 madrugadas, utilizando apenas retalhos de pano, removendo parte da grossa camada de poluição que impregnava as laterais do túnel. Limpando seletivamente a fuligem despejada pelos carros, Orion1FOTO1HISTORIA, , AtravesTV, maio de 2018 fazia com que caveiras aparecessem nas paredes. O túnel foi transformado em catacumba. Mais de 3500 crânios desenhados a mão se amontoavam para nos lembrar que a mesma fuligem negra impregnada no túnel escurece também nossos pulmões e nossas vidas. Orion trouxe à tona o sítio arqueológico de nós mesmos. Durante cada madrugada de trabalho, ele experimentou o barulho ensurdecedor, a sensação sufocante do ar imóvel e as inúmeras abordagens policiais. Mas limpar não é crime. À medida que Orion avançava, ficava explícito o único modo de interromper a “limpeza” feita por ele, era limpar também. Semanas depois, equipes da prefeitura apareceram para remover apenas a fuligem da área ocupada pela intervenção. O restante do túnel permaneceu sujo. Como se nada tivesse acontecido, Orion continuou o trabalho até a prefeitura voltar. Desta vez, a lavagem foi completa. O crime era outro: censura. Depois da intervenção, todos os túneis da cidade foram limpos. Com assustadora rapidez, cada parede lavada tornou a ficar negra. A mensagem de Ossário já havia sido dada. De volta aos túneis, ele desenha os crânios e com os retalhos de pano que usa, recolhe a fuligem. Então, ele lava os panos, espera a fuligem decantar e a água evaporar até que reste apenas o pó negro expelido pelos escapamentos. Essa substância tóxica que parecia não ter utilidade é transformada em pigmento e usada nas obras da série Espólio.
Polugrafia Série de gravuras que utiliza uma técnica criada e batizada pelo artista de PolugrafiaAlexandre Orion, , Polugrafia: gravuras feitas com poluição. As obras são impressas diretamente nos escapamentos de caminhões, utilizando uma técnica inédita criada pelo artista após mais de 3 anos de pesquisa. O processo consiste na criação de uma estrutura metálica que carrega uma matriz com a imagem a ser impressa e uma tela de algodão onde a imagem será fixada. O equipamento é acoplado ao escapamento dos veículos durante períodos que variam entre um dia e uma semana. Conforme o veículo circula pela cidade, a fuligem produzida pela queima de combustível atravessa a matriz metálica e atinge o tecido imprimindo os retratos criados por Orion.
Poluição sobre muro MuraisDivulgação, , Ig, 13 de novembro de 2013Alexandre Orion, , Poluição sobre muro públicos realizados pelo artista. As pinturas dessa série utilizam como pigmento somente a fuligem coletada durante a intervenção Ossário. O subproduto coletado na intervenção se torna pigmento e retorna para o espaço público na forma de pintura. Em São Paulo, o mural Apreensão foi pintado no CEU Navegantes, no distrito do Grajaú (distrito de São Paulo).
Lampoonist Neste projeto, ao mesclar a técnica publicitária à estética do graffiti, o artista dilui as fronteiras entre as linguagens e traz ambas para um único foco de discussão. Não se trata de apropriação, mas sim, de diluição, de justaposição para a criação de um novo repertório. As obras da série LampoonistAlexandre Orion, , Lampoonist são um híbrido entre marginal e oficial, entre informal e institucional. Criam uma ponte luminosa para a escrita sombria das ruas desfilar e, sem qualquer concessão, revelam a beleza dessa estética transgressora. Em sua busca conceitual, Orion utiliza as intrincadas formas das escritas marginais para apresentar de maneira cifrada palavras que referem-se ao mundo das artes, que definem características estéticas ou movimentos artísticos, tais como Kitsch, Naif e Rupestre.
Memo MEMO resgata a técnica de pintura empregada por Orion no início de sua atividade artística, quando andava pelas ruas da cidade com a mochila carregada de sprays. Elas são, como Orion as chama, “autorretratos coletivos” dos inúmeros encontros que a rua lhe proporcionou. São a memória intersubjetiva do rosto, do outro como espelho de troca em que o artista reflete suas vivências na rua.
Zapping Zapping revela um incômodo visual, uma falta. Construídas em peças de PVC expandido recortadas, a cor turquesa aplicada como background resulta em um efeito similar – em técnica e conceito – ao do cromaqui de televisão: aquilo que se vê (ou que se escolhe ver) é sempre uma construção. O turquesa é usado em todas as peças propondo uma relação conceitual com a ausência, a abstração, a invisibilidade e, até mesmo, com a camuflagem e mimetismo. Como no cromaqui usado nos falsos cenários, o espectador pode preencher esse vazio, com a imagem mental que melhor lhe convier. O trabalho apresenta uma relação explícita com a velocidade e a repetição. Com imagens dispostas repetidamente quadro a quadro, Orion disseca o movimento à semelhança dos arquivos conhecidos como GIFs, amplamente utilizados nas redes sociais. Com isso, provoca uma reflexão sobre o frenesi e liquidez com o qual a sociedade contemporânea se relaciona com as imagens e com a identidade humana diante dos vínculos criados entre as pessoas nessas interfaces.
Murais Orion é especialista na técnica de perspectiva forçada,Lindsey Bartlett, ,Westword, 14 de outubro de 2016Alexandre Orion, , Murais na qual a pintura, quando vistas de um local específico, se forma perfeitamente independente da superfície ser totalmente irregular. Tem murais em diversas capitais do mundo.
Publicações Orion tem dois livros publicados: Metabiótica, Via das Artes, 2006Alexandre Orion, Metabiótica, Via das Artes, 2006 Espólio, Tela.tv, 2013Alexandre Orion, Espólio, Tela.tv, 2013
Tem entrevistas e obras publicadas em mais de 10 línguas, por editoras internacionais como Thames and HudsonLost Art, , Graffiti Brasil, Thames and Hudson, 2005Ana Waclawek, , Graffiti and Street Art, Thames and Hudson, 2011, TaschenCarlo McCormick, , Trespass: A History of Uncommissioned Urban Art, Taschen, 2015, Éditions de la MartinièreMarie Maertens et Timothée Chaillou Paul Ardenne, , 100 Artistes du Street Art, Éditions de la Martinière, PhaidonDavid Carrier, , Wild Art, Phaidon, 2013, Die GestaltenMaximiliano Ruiz, , Nuevo Mundo: Latin America Street Art, Die Gestalten, 2011, DaabDaab Books, , Wall Design, Daab, 2007, Laurence King PublishersSteven Heller, , 100 Ideas that Changed Graphic Design, Laurence King Publishers, 2014On Studio, , The Street Art Stencil Book, Laurence King Publishers, 2010, Edelbra, RotovisionRic Blackshaw and Liz Farrelli, , Street Art - In the artist's own words, Rotovision, Dokument Press, University of Toronto PressMichael Marder, , The Event of the Thing: Derrida's Post-Deconstructive Realism, University of Toronto Press, 2009, Saraiva, Sigongart, Vivays PublishingDiane Routex, , Crazy Photography, Vivays Publishing, 2012, Tamesis, Eken PressAgata Toromanoff, , Impossible Photography: Surreal Pictures that Challenge our Perception, Eken Press, 2018 entre muitas outras.
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