Jacinto de Matos, também grafado Jacintho de Mattos, (Porto, 1864 - Porto, 1 de agosto 1948) foi um horticultor e jardineiro-paisagista português do final do século XIX e primeira metade do século XX. Suas obras comtemplavam a mistura do modelo clássico e formalista com modelos românticos, naturalistas e pitorescos, aderindo ao estilo Arts and Crafts e inaugurando a experimentação dos jardins rebaixados (sunken gardens) em Portugal.
Biografia Pouco se sabe sobre a infância e juventude de Jacinto de Matos. Segundo Abel Magro, em seu artigo "Um jardineiro de mérito" (1950), Matos possuia uma incrível sensibilidade artística e grande paixão por flores.MAGRO, Abel. (1949). Um jardineiro de mérito. In “O Tripeiro”, Ano 5, nº 10. Fevereiro de 1950, pp.231-233. Viagens pela Bélgica, Holanda, Alemanha, Inglaterra e França, lhe deram a oportunidade de aprender sobre floricultura e a arte da jardinagem.
Em 1870, Jacinto de Matos herdou um horto fundado por seu pai, Zeferino de Mattos, no Porto. Após a morte de seu pai, em 1878, o horto designou-se "Viúva de Zeferino de Mattos", pertencendo à sua mãe e sendo ele director. Em 1900, ele se torna proprietário.
O seu estabelecimento (a Quinta dos Salgueiros, na região de Antas) era um grande viveiro com estufas e armações de jardim. Possuia também um departamento técnico para o desenho de jardins e parques. Alguns dos viveiros eram situados em Vila Nova de Gaia.
O Parque das Pedras Salgadas em 1889 é considerado o seu primeiro projeto de um percurso que integra 50 jardins públicos e mais de 650 parques e jardins privados. esquerda|miniaturadaimagem|300x300px|Horto de Jacinto de Matos no Porto, foto de Augusto Chaim publicada na Ilustração Católica (Braga), 6 de dezembro de 1913 Em 1898, Jacinto de Matos foi sócio fundador, em Lisboa, da Sociedade Nacional de Horticultura de Portugal. Em 1899, participou à fundação da União dos Jardineiros do Porto enquanto presidente da assembleia geral (sendo reeleito em outubro de 1901).
Em 1903, Jacinto de Matos presidia (com Jeronimo Monteiro da Costa e José Duarte Oliveira) a reuniões da Sociedade de Horticultura do Porto, a primeira sociedade hortícola em Portugal (1897), onde eram apresentadas espécies ornamentais e frutos para avaliação pelos membros. Embora não tendo realizado a sua formação neste estabelecimento, Jacinto assume um protagonismo significativo nas actividades da Sociedade associadas à homenagem póstuma a Marques Loureiro, demonstrando que, também ele, teria sido, de algum modo, marcado pelo ‘decano da horticultura portuguesa’.
Na sessão de 6 de Junho de 1899 da Sociedade de Horticultura do Porto, Jacinto de Matos informou que, em Julho, partia em viagem de estudo pelos principais centros hortícolas da Europa. A Sociedade de Horticultura deu-lhe plenos poderes para que ele a pudesse representar no estrangeiro e relacioná-la com todas as sociedades congéneres. miniaturadaimagem|300x300px|Exposição de Flores organizada por Jacinto de Matos no Casino Peninsular da Figueira da Foz em junho de 1905. Foto publicada na Ilustração Portuguesa de 24 de julho de 1905 A partir de 1882, organizou e participou em diversas exposições no Palácio de Cristal do Porto e no Ateneu Portuense. Participou também numa exposição de fruticultura em Alcobaça; outra de flores e fruticultura na Cúria; três exposições de crisântemos e fruticultura na Galiza, (Pontevedra e Vigo); uma exposição de rosas por si organizada em Vigo; e uma exposição de flores na Figueira da Foz.
No livro Jardins Históricos do Porto (Ed. Inapa, 2001), Teresa Andresen e Teresa Portela Marques enumeram alguns dos jardins e parques projectados por Jacinto de Matos em todo o país: Parque de São Roque, jardim da Ordem dos Médicos (à Arca d'Água), Parque da Curia, Parque das Pedras Salgadas, espelhos de água dos jardins da Presidência do Conselho de Ministros, Jardim da Fundação Eng. António de Matos, jardim da Ordem dos Médicos, Jardim municipal de Nisa, e, ainda existentes no Porto, a Quinta de S. Roque da Lameira e o jardim da Casa Allen (Casa das Artes) e a Quinta dos Salgueiros no Porto, onde do antigo arvoredo, sobrevivem ainda camélias, pinheiros, cedros, ciprestes-do-Buçaco, bétulas, prunus, magnólias, grevíleas, carvalhos-americanos e uma imponente faia. Foi ainda autor do Jardim do Cardal e do Jardim da Várzea, em Pombal.
centro|miniaturadaimagem|800x800px|Expedição de Plantas na Quinta dos Salgueiros em Antas (Porto). ‘Catálogo Geral de Plantas e Sementes nº 28 (1910)’ de Jacinto de Matos
Obra (por ordem geográfica) Em 2009, Teresa Dulce Portela Marques estabeleceu a seguinte lista para os parques e jardins da sua autoria: Jardim de feitio antigo na Herdade de Luís de Sommer em Agolada de Cima, Coruche Jardim de Américo Martins Pereira, Albergaria-a-Velha Jardim público de Alcobaça, 1935 (estilo século XVII) Jardim público de Alijó Jardim Público da Anadia Jardim da Casa de Calvos, Arcos de Valdevez, década de 1910 Jardim do Hospital de Arganil, 1924 Avenida e jardim em volta da Capela do Senhor da Ladeira – Mont’Alto, Arganil, 1926 Parque Municipal Infante D. Pedro, Aveiro, 1925-1927 / década de 1930 Parque da Graça / Parque de Joaquim Pinto da Fonseca, Braga, 1900 Termas de Caldelas, Braga, 1918-1923 Jardins do Casino do Bom Jesus, Braga, 1927 / década de 1930 Jardim do Capitão Francisco Meireles (Soutelo), Braga Jardim público de Cantanhede Jardim público de Castelo de Vide Jardim público de Chaves Reabilitação do Choupal, Coimbra Penedo da Saudade, Coimbra, 1930 Jardim do Palácio da Justiça, Coimbra Jardim do Dr. Bissaia Barreto, Coimbra, 1925 Jardim do Sr. Planas Dória, Coimbra Jardim do Sanatório de Cellas (Hospital Pediátrico de Coimbra), Coimbra Parque da Cidade (Parque Dr. Manuel Braga)de Coimbra, 1927 Grande Parque de Turismo de Vale de Canas, Coimbra Jardim estilo século XVIII no Parque de Santa Cruz, Coimbra Jardim Sá da Bandeira (Av. Sá da Bandeira), Coimbra, 1928 Avenida do Dr. Júlio Henriques, Coimbra Parque e Jardim do Sanatório da Colónia Portuguesa do Brasil (Hospital dos Covões), Coimbra, 1925 Grande Parque e Lago das Águas de Curia, 1913-1926 Jardins do Palace-Hotel, Curia, 1926 Jardins do Hospital Visconde de Salreu, Estarreja, 1926-1935 Jardim paisagem na propriedade de Victor de Ávila Perez, Estoril Jardim rural do Dr. Fernandes da Silva, Estoril Jardim século XVIII na Quinta da Costa, (Mouquim), Famalicão, 1932 Jardim de Manuel Ferreira Barbosa, Famalicão Jardim de José Carlos Barbosa, Famalicão Jardim de Alfredo Ferreira, Riba d'Ave, Famalicão, 1919 Jardim de Raul Ferreira, Riba d'Ave, Famalicão, 1922 / década de 1930 Parque de Manuel Ferreira, Riba d'Ave, Famalicão Parque do Dr. António Mendes de Castro Vasconcellos (Casa de Cabeça de Porca), Felgueiras
Jardim público da Guarda Parque e jardim de Altino Cunha (Ronfe), Guimarães Jardins de Narciso Lobo (Ronfe), Guimarães Jardim de Belmiro Mendes d’Oliveira, Guimarães Jardim estilo séc. XVIII na Quinta da Costa, Guimarães, 1932 Jardim Público de Guimarães Jardim de Amadeu de Carvalho, Guimarães Jardim de José Ribeiro, Guimarães Jardim público de Lamego, 1930 Parque de Ernesto Nogueira Pinto, Leça da Palmeira (destruído) Parque de D. Adelaide Nogueira Pinto, Leça da Palmeira (destruído) Jardim e Parque na Quinta de São Cristóvão, Paço do Lumiar (Quinta de N. Sra. da Paz e Quinta de São Cristóvão), Lisboa, 1934 Jardim século XVIII e Parque na Quinta da Ameixoeira (Quinta de Santa Clara), Lisboa, 1929-1932 Tabuleiro com espelho de água dos jardins da secretaria da Presidência do Conselho (Casa e Quinta de S.Bento), Lisboa, 1938 Jardins estilo século XVIII fronteiro à Câmara Municipal da Lousã, 1934 Parque da Casa da Costilha, propriedade de Luiz Otto Burmester, Lousada, 1902 Jardins século XVIII na Casa de Ronfe, Meinedo, Lousada Jardim público da Mealhada Jardim público de Mira Palácio da Brejoeira, Monção, 1901-1910 Jardim público de Murtosa Jardim público da Nazaré Jardim de Francisco Machado Guimarães, Negrelos, Santo Tirso Jardins do roseirista-amador Alberto de Figueiredo, Nine e Porto Jardim público de Nisa, 1932 Jardim de Júlio Borges, Oliveira de Azeméis Jardim de Alzira Ferreira da Silva, Paredes Parque das Pedras Salgadas, 1889 Jardim público de Poiares Jardim público de Pombal Propriedade de Guilherme Andresen, Porto, 1898 Parque de Hermann Burmester, Porto Parque de José Zagallo Ilharco, Porto Jardim de Guilherme Hitzeman, Porto Jardim de Eduardo Honório de Lima, Porto Jardim de Adriano Ramos Pinto (Quinta de S. Roque da Lameira), Porto Jardim de António Manuel de Almeida (Casa Nova, Fundação Eng. António de Almeida), Porto Jardim de Joaquim Aires de Gouveia Allen (Casa de S. Miguel, Casa Allen, hoje Casa das Artes), Porto Jardim de A. Amorim Pinto, Porto Jardim de Rita Ferreira (Casa do Médico), Porto Jardim de Raul Ferreira (Sede da CCDR-N), Porto Jardim de Manuel Ferreira (Sede da AEP), Porto, 1919 Jardim do Comandante João de Paiva (Foz), Porto Jardim de José Manuel Cabral, Porto Jardim de David Ferreira da Silva (Azevedo, Campanhã), Porto Jardim de Augusto da Silva Spratley da Silva Júnior, Porto Jardim de Álvaro de Magalhães Júnior, Porto Jardim de Carlos Cardoso, Porto Jardim de Henrique Serrano, Porto Jardim de José Pereira de Araújo, Póvoa do Lanhoso Jardim da Praça do Almada, Póvoa de Varzim, 1918-1919 Jardim público de Resende Parque de N. Sra. dos Milagres. S. João da Madeira, 1930 Parque do Bonfim, Setúbal Ajardinamento do cais do novo porto marítimo, Setúbal Transformação do Jardim Luísa Todi, Setúbal Quinta do Bom Retiro, Tabuaço, 1922 Jardim público de Tomar Jardim de Salus, Vidago Jardim do Eng. Almeida Braga (Boega Hotel, Gondarém), Vila Nova de Cerveira Jardim de Augusto Spratley da Silva, Vizela Parque do Belvedere, Pontevedra, Espanha Jardim Botânico de Lourizán, Pontevedra, Espanha Jardim de D. Garra, Galiza
Catálogo de Jardins e Parques
Parque das Pedras Salgadas, Vila Pouca de Aguiar, 1889
Palácio da Brejoeira, Monção, 1901-1910
Termas de Caldelas, 1918-1923
Termas da Curia, Anadia, 1913-1926
Parque de Santa Cruz / Jardim da Sereia, Coimbra (requalificação)
Penedo da Saudade, Coimbra, 1930
Parque Municipal Infante D. Pedro, Aveiro, 1925-1927
Jardins Públicos
Aspectos arquitectónicos e espécies vegetais
O bem conservado jardim da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, junto à Arca d’Água, pertenceu à família Riba d’Ave. Possui lago, gruta e miradouro decorados com os tradicionais motivos naturais em cimento armado, para além de várias esculturas modernas. A vegetação inclui um Cedro-do-Atlas e um Tulipeiro, ambos classificados em 2011, ciprestes, araucácias, rododendros, magnólias, palmeiras, camélias e uma monumental araucária-do-Brasil. Destacam-se ainda as 13 magnólias e os plátanos monumentais, coreto, lago, gruta e subterrâneos/reservatórios de águas.
O Parque Manuel Braga em Coimbra começou a ser construído nos meados da década de 20 do século passado e foi inaugurado em 1927. Destacam-se várias espécies de árvores, tais como os plátanos, tílias, olaias, castanheiros-da índia e ulmeiros, entre outras. Notáveis são igualmente os belos canteiros ajardinados, onde sobressaem desenhos com buxos e flores compondo o brasão da Rainha Isabel de Aragão, padroeira da cidade, e o escudo de Coimbra, além de um emblema do Clube de Futebol União de Coimbra e um outro da Associação Académica.