A Igreja Católica em Chipre faz parte da Igreja Católica universal, sob a liderança espiritual do Papa e da Santa Sé. Esta é considerada uma Igreja apostólica, visto sua conexão direta com São Barnabé e São Paulo, apóstolos de Jesus. O país tem a maioria da população aderindo à Igreja Ortodoxa de Chipre, a qual tem privilégios do governo, ainda que a liberdade religiosa seja respeitada no sul. Os grupos religiosos reconhecidos gozam de isenção de impostos e subsídios governamentais, incluindo os católicos latinos e os católicos maronitas — principais denominações catolicas do país. Violações de objeção de consciência e condenações de pessoas que se convertem ao cristianismo têm sido punidas no norte.

História Na Idade do Bronze, Chipre era o centro de uma cultura florescente, e possuía estreitas relações com a Síria e a Ásia Menor. A imigração grega intensificou-se após a migração dória, e a cultura grega dominou a ilha. Houve também diversas outras dominações de povos que habitavam as imediações, como dos fenícios, assírios, egípcios e persas. No ano 58 a.C., Chipre, foi anexado pelo Império Romano, tornando-se a Província de Chipre. Em todos esses períodos, prevaleciam a prática de cultos pagãos dentre a população.

Bíblia thumb|left|200px|São Barnnabé, padroeiro de Chipre. Chipre é citado diversas vezes na Bíblia, como nos Livros dos Macabeus, no Livro de Isaías e nos Atos dos Apóstolos. Foi uma das primeiras regiões a ser evangelizada fora da Palestina. As pregações iniciais, após a ressurreição e ascensão de Cristo, foram feitas em Antioquia por homens de Cirene e de Chipre que fugiram de Jerusalém após o apedrejamento de Santo Estêvão, como relatado em Atos 11, 19.

A ilha foi o local do nascimento e da morte de São Barnabé, companheiro do apóstolo Paulo. No ano 46, Barnabé, Paulo e São Marcos visitaram Chipre para pregação do Evangelho após a Ascensão de Jesus, episódio descrito no capítulo 13 dos Atos dos Apóstolos, a partir do versículo 4. Eles pregaram por toda a ilha, e vestígios de sua presença foram descobertos perto de um antigo templo grego na cidade de Pafos. Posteriormente, Barnabé e Marcos retornaram ao território cipriota novamente, conforme relatado no capítulo 15 dos Atos dos Apóstolos.

Bizâncio e chegada do islã Após a reorganização territorial do Império Romano por Diocleciano e Constantino, Chipre passou a fazer parte da Diocese do Oriente. Enquanto isso, Justiniano colocou a ilha sob o controle do Questorado do exército; a partir do século VII, passou a ser controlado pelo Império Bizantino.

Os bispos cipriotas assinaram as atas dos concílios de Niceia, realizado em 325, e de Sárdica, em 343–344; pelo menos quatro outros bispos estiveram presentes no Primeiro Concílio de Constantinopla, em 381. O cristão cipriota mais famoso desse período foi o erudito Epifânio de Salamina. O século V foi marcado por uma grande disputa entre a igreja de Chipre e o Patriarcado de Antioquia, o qual acabou reconhecendo sua autocefalia, sob o argumento de ter sido fundada por São Barnabé. O reconhecimento deu ao arcebispo de Constância o direito de consagrar seus bispos, convocar concílios e assumir o título de Sua Beatitude. Entre os séculos V e IX, a Igreja do país teve um papel ativo nos assuntos do cristianismo oriental, como a participação de seus bispos em concílios importantes, como o de Calcedônia e o Segundo Concílio de Niceia. A partir de 579, 3.350 prisioneiros armênios foram levados para a ilha por Maurício da Capadócia. Novas ondas chegaram 717 e 965; já em 973 foi erigida a Arquidiocese armênia em Nicósia.

A partir de 632, Chipre começou a sofrer ataques árabes e, em 647, foi conquistado e brevemente ocupado por invasores muçulmanos. Em 802, a ilha foi novamente ocupada pelos árabes, que ali permaneceram até sua expulsão por Nicéforo II Focas, que reinou de 963 a 969. Nesse período, imperadores como Miguel IV, o Paflagônio e Aleixo I Comneno começaram a interferir em assuntos internos da Igreja. Os reinados brutais de imperadores posteriores abririam caminho para a dominação latina.

Entre os séculos VII e VIII, ondas migratórias de fiéis maronitas começaram a chegar a Chipre, devido a perseguições religiosas em países do Oriente Médio. Em 1090 construíram o Mosteiro de São João Crisóstomo em Koutsovendis. Nos séculos XIII e XIV, mais refugiados maronitas chegam à ilha. Uma eparquia maronita foi erigida em 1316. Nesse período, os maronitas se tornaram a comunidade cristã oriental mais numerosa depois da grega. Essa presença viria a se reduzir no século XVI.

Cruzadas e venezianos Em 1191, Chipre foi tomado pelo rei da Inglaterra, Ricardo Coração de Leão, e logo passou para as mãos do cruzado francês Guido de Lusinhão, monarca consorte do Reino Latino de Jerusalém. Em 1196, foi erigida a Arquidiocese de Nicósia com três dioceses sufragâneas: Famagosta, Limassol e Pafos, que acabaram por ser suprimidas. Chegaram também diversas ordens religiosas, como franciscanos, carmelitas, beneditinos, cistercienses, agostinianos, dominicanos, cavaleiros do Santo Sepulcro e templários. Católicos de diversas regiões das atuais Espanha, França e Itália, e do próprio Oriente Médio, emigraram para a ilha. Diversos locais de culto católicos também foram construídos nesse período, como a Abadia de Bellapais, as Catedrais de Santa Sofia e Santa Catarina, o Mosteiro agostiniano de Santa Maria e a Catedral dos Santos Pedro e Paulo. Guido, porém, faleceu em 1194, e foi sucedido por seu irmão, Emérico, que estabeleceu uma dinastia que governou a ilha até 1489, quando Catarina Cornaro, viúva do rei Jaime II, abdicou do trono e vendeu à ilha para a República de Veneza.

Os governantes venezianos fizeram de Chipre um um Estado feudal ocidental, e houve a criação de uma hierarquia da Igreja Latina ao lado da grega. A hierarquia latina acabou por dominar o cenário eclesial, fazendo com que as sés episcopais gregas se reduzissem de 15 para apenas quatro. Diversas ordens monásticas ocidentais entraram na ilha, e houve o confisco de grande parte das propriedades eclesiásticas gregas pela Igreja de rito latino. Tensões e episódios frequentes de violência eclodiram entre gregos e latinos de todas as classes durante o Grande Cisma do Ocidente, ocorrido no fim do século XIV e início do século XV. As intervenções e amenizações do papa fizeram com que a hierarquia grega aceitasse a subordinação à latina. O Concílio de Florença, apesar de seus esforços de reunificação, não conseguiu reduzir a tensão em Chipre. Os venezianos tratavam os cipriotas gregos com severidade, forçando muitos a fugir para a Ásia Menor. Os que permaneciam aguardavam a iminente conquista da ilha pelos otomanos.

Dominação otomana thumb|200px|right|Antiga catedral de Santa Sofia, em Nicósia, hoje transformada em uma mesquita. Em 1571 os venezianos foram derrotados por conquistadores otomanos, que demonstravam pouco ou nenhum interesse em estabilizar a Igreja Ortodoxa Grega. Pelo contrário, gregos e latinos foram igualmente massacrados pelos muçulmanos, incluindo bispos e superiores de mosteiros; igrejas foram profanadas e transformadas em mesquitas, e mosteiros, em estábulos. Com a consolidação do domínio otomano, os gregos obtiveram permissão para restaurar sua hierarquia, porém, eles tiveram de comprar novamente seus próprios mosteiros, e suas antigas sés episcopais não foram restabelecidas; a Igreja acabou ficando limitada às quatro dioceses latinas que ainda lhes restavam. Nicósia, atual capital cipriota, foi elevada a arquidiocese, e três bispos assumiram o título de metropolitanos, sob a jurisdição do arcebispo, ou seja, com o país todo formando uma única província eclesiástica.

Durante a administração dos turcos-otomanos, a Igreja Latina, que representava 15-20% da população, acabou por ser suprimida, e os latinos só tinham três opções: se converter à ortodoxia, ao islã ou deixar a ilha. Contudo, uma pequena presença franciscana conseguiu se manter em Chipre, nos mosteiros Além do mais, os otomanos massacraram cerca de 30.000 maronitas, e expulsaram seu arcebispo, que voltou para o Líbano Em meio ao caos católico, os sacerdotes ortodoxos obtiveram permissão de atuar tanto como líderes civis quanto eclesiásticos dos gregos. Essa ampliação do poder gerou disputa constante entre eles pelos altos cargos eclesiásticos até o início do século XIX, gerando inúmeros abusos e conflitos, particularmente entre o arcebispo e seus sufragâneos. Em 9 de julho de 1821, em meio aos tumultos da independência da Grécia, uma reunião com todos os líderes cristãos, religiosos e leigos, foi convocada em Nicósia. O exército turco-otomando baixou os portões da cidade foram fechados, e massacrou todos os presentes, incluindo o arcebispo, :en:Kyprianos of Cyprus, seus três metropolitanos, Chrysantos, Meletios e Lavrentios, e os superiores dos mosteiros. Em seguida, foi exigido pelo governo que os cristãos escolhessem novos bispos. Após não obterem êxito em seu apelo ao Patriarca de Constantinopla, recorreram ao Patriarca de Antioquia, que enviou três arcebispos para realizar as consagrações. Joaquim, o ecônomo da igreja de São Barnabé, foi nomeado arcebispo de Chipre, especialmente por saber falar turco, a fim de facilitar a comunicação com os colonizadores.. Ele e seus sucessores conseguiram evitar novas perseguições, entretanto, o governo continuou a impor pesados impostos sobre os fiéis ortodoxos.

Período britânico e independência Em 1878, Chipre passou a ser controlado pela Grã-Bretanha. Após a Segunda Guerra Mundial, o movimento de união com a Grécia ganha força, e há aumento de atos de violência, guerrilha, terrorismo e relações e conflitos cada vez mais tensos entre cipriotas gregos e turcos. Líderes religiosos, tanto cristãos quanto muçulmanos, estavam profundamente envolvidos em questões políticas, e as medidas repressivas adotadas pelos britânicos — incluindo o exílio de bispos — não conseguiram conter a violência crescente. Os britânicos, no entanto, mantiveram uma política de liberdade religiosa, o que permitiu a abertura de escolas católicas na ilha, e um aumento da integração dos católicos à sociedade. Nesse período, os maronitas, massacrados pelos otomanos, voltaram a florescer, renovando suas igrejas, abrindo escolas, criam grupos escoteiros e constróem novas igrejas. Em 16 de agosto de 1960, Chipre se torna um país soberano, após um acordo entre Reino Unido, Grécia e Turquia, e Sua Beatitude, o Arcebispo ortodoxo Makarios III, foi eleito o primeiro presidente do país. O tratado vetava tanto a união com a Grécia quanto a partição da ilha, mas trouxe pouca paz ao país. Em 1963, tropas britânicas foram enviadas a Chipre a pedido do presidente, seguidas, um ano depois, por uma força de manutenção da paz da ONU. Após a emancipação política, os católicos conseguiram um assento no parlamento. A invasão turca, em 1974, fez com que muitas famílias católicas se tornassem refugiadas, e, ainda assim, continuaram a crescer e fortalecer sua contribuição à sociedade cipriota, especialmente na área da educação.

Em 1972, os franciscanos voltam a se estabelecer no país, e são designados para dirigir as paróquias católicas de rito romano, enquanto um hospital e várias escolas eram administradas por freiras.

Atualmente thumb|right|200px|Igreja de São Charbel, em Limassol. Em 2021, os católicos eram cerca de 38.000 pessoas, ou 4,47% da população total. A maioria dos católicos cipriotas hoje é composta principalmente por fiéis latinos, mas também por fiéis da Igreja Maronita (1,5%), e uma pequena quantidade de fiéis do rito armênio (0,3%). Há cerca de mil fiéis nativos, e outros milhares de estrangeiros, especialmente vindos da Europa Central, Sudeste Asiático e América Latina). Ondas migratórias de armênios chegaram nos séculos VIII, X, XIII, XIV, e XX — neste último período, devido aos conflitos na Palestina e à Guerra Civil libanesa. Categoria: