Caio Fábio Adriano (; m. ) foi um político romano da gente Fábia eleito pretor em 84 a.C. e que serviu como governador propretor da África entre 83 e 82 a.C.Paulo Orósio, Historiae 5.20.3Pseudo-Ascônio 241 na edição de Thomas Stangl, Pseudoasconiana (1909, reed. 1967), citada em T.R.S. Broughton, The Magistrates of the Roman Republic, vol. 2 (New York 1952), pp. 60, 64, 69, 562.. É conhecido principalmente por causa de sua morte: durante uma revolta no começo da segunda guerra civil de Sula, sua residência foi incendiada e Adriano morreu queimado vivo.

Carreira Quase nada se sabe sobre sua carreira. Ele tem sido identificado com o "Caio Fábio Adriano" que foi triúnviro monetário em 102 a.C.; diversos exemplares de suas moedas são conhecidosMichael H. Crawford, Roman Republican Coinage, vol. 1 (Cambridge University Press, 1987), p. 326..

Depois de seu pretorado, em 84 a.C., Adriano expulsou da África Metelo Pio, seu antecessor e um partidário de SulaT.R.S. Broughton, The Magistrates of the Roman Republic, vol. 2 (New York 1952), p. 60Lívio, Ab Urbe Condita, Periochae 84</ref>Apiano, Guerra Civil 1.80.. Uma teoria alternativa é que Metelo Pio não havia sido de fato nomeado governador e estava na África tentando tomar a província enquanto que Adriano era o governador de fatoChristopher S. Mackay, "Sulla and the Monuments: Studies in His Public Persona," Historia 49 (2000), p. 188, nota 87.. Como Adriano começou seu mandato durante o último consulado de Cina, ele é geralmente considerado como sendo um dos popularesCharles T. Barlow, "The Sanctus Aerarium and the argento publico Coinage," American Journal of Philology 98 (1977), p. 297, nota 39., o que implica que, durante seu mandato, Adriano desviou os recursos da África para ajudar na causa de Cina e Caio MárioCharles T. Barlow, "The Roman Government and the Roman Economy, 92–80 B.C.," American Journal of Philology 101 (1980), p. 209..

Metelo fugiu para a Numídia e se refugiou na corte de Hiempsal II. Adriano, por sua vez, se aliou a Hiarbas, um rival pelo trono númida, e conseguiu expulsar Hiempsal por um breve período, que se se escondeu com Metelo e seus homens no Reino da Mauritânia sob a proteção do rei Boco I. Estes atos valeram a Adriano a inimizade das elites pró-Sula em sua própria provínciaMichael Lovano, The Age of Cinna: Crucible of Late Republican Rome (Franz Steiner Verlag, 2002), pp. 75 e 95 online.. Durante uma revolta em Útica, a capital da província, Adriano acabou morto depois que sua residência oficial foi incendiadaWilliam Smith, Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology, vol. 2 (1849), p. 323T.R.S. Broughton, The Magistrates of the Roman Republic, vol. 2 (New York 1952), p. 69Cícero, In Verrem 2.1.70; 5.94Diodoro Sículo, Bibliotheca historica 38.4<ref name=Livio86>Lívio, Ab Urbe Condita, Periochae 86Valério Máximo, Nove Livros de Feitos e Dizeres Memoráveis 9.10.2.. Todas as fontes enfatizam o fato de que ele foi queimado vivo (segundo Paulo Orósio, juntamente com todos os que viviam lá)Cícero, In Verrem 2.1.70.

Política e caráter O mandato de Adriano é lembrado por sua cobiça e crueldade. A.N. Sherwin-White chamou-o de "bestial"A.N. Sherwin-White, revisão de Emigration from Italy in the Republican Age of Rome por A.J.N. Wilson (Manchester University Press, 1966), Journal of Roman Studies 57 (1967), p. 257.. Um exame cronológico das fontes indica que a caracterização de Cícero provavelmente influenciou a visão dos historiadores que vieram depois dele. Durante o processo contra Verres, Cícero fez uma ameaçadora comparação com Adriano e com a forma terrível que ele morreu, afirmando que Verres era ainda pior:

Cícero utilizou a palavra "domus", "casa", o que desvia a atenção do fato de que o status de Adriano era de promagistrado; Lívio utiliza o termo correto para sua residência, "praetorium". O historiador do século I Valério Máximo ecoa o relato de Cícero.

Embora às vezes se diga que Adriano estaria "flutuando entre os partidos de Cina e Sula"William Smith, Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology, vol. 2 (1849), p. 323., não se sabe quais fatos exatamente indicariam apoio a Sula. Como notam tanto Cícero como Valério Máximo, o regime sulano, fundado naquele mesmo ano, não tomou nenhuma ação para investigar sua morte, mesmo ele sendo o governador legítimo de uma grande província. Ambos afirmam que a violência em Útica foi instigada não pelos africanos se revoltando contra Roma, mas por cidadãos romanos ("cives"). Num primeiro olhar, Paulo Orósio parece contradizer os dois ao alegar que Adriano havia sido queimado juntamente com todos os que moravam em sua casa por ter fomentado uma revolta de escravos na África. Os populares eram frequentemente acusados pelos optimates, com base em fatos ou não, de utilizarem escravos para seus atos de violênciaLovano, The Age of Cinna, p. 34. e a morte de Adriano provavelmente pode ser melhor compreendida no contexto das proscrições de Sula em 82 a.C..

Mesmo se Adriano não estivesse entre os proscritos, sua morte foi oportuna, pois ele era um remanescente do regime de Cina. Adriano foi sucedido na África pelo mais famoso dos comparsas e aliados de Sula, PompeuT.R.S. Broughton, The Magistrates of the Roman Republic, vol. 2 (New York 1952), p. 74, nota 7, e p. 77., que tinha apenas vinte e quatro anos de idade e não havia exercido nenhum dos cargos pré-requeridos para assumir o governo de uma província, um exemplo claro da supremacia da força sobre a lei: ele havia derrotado os marianos e havia mais deles na África juntamente com seus aliados númidas. Ele permaneceu na África até 79 a.C., quando voltou para Roma para exigir seu controverso triunfo sobre suas vitórias sobre elesRonald T. Ridley, “The Extraordinary Commands of the Late Republic: A Matter of Definition,” Historia 30 (1981) 280–297, especially p. 281..

Notas

Categoria:Romanos antigos do século I a.C. Categoria:Nascidos no século II a.C. Categoria:Ano de nascimento desconhecido Categoria:Pretores da República Romana Categoria:Governadores romanos da África Categoria:Fabii Categoria:Romanos antigos assassinados Categoria:Mortes por queimaduras Categoria:Propretores da República Romana Categoria:Segunda Guerra Civil de Sula Categoria:Populares Categoria:Magistrados monetários da Roma Antiga