Norte e Sul é um romance social da escritora inglesa Elizabeth Gaskell. Ao lado de Esposas e Filhas (1865) e Cranford (1853), é um de seus romances mais conhecidos. Foi adaptado para a televisão duas vezes, em 1975 e 2004. O primeiro livro de Gaskell, Mary Barton (1848), enfatizou as relações entre empregadores e trabalhadores em Manchester, no ponto de vista dos trabalhadores pobres; Norte e Sul, por sua vez, apresenta e comenta a situação de proprietários de fábricas e de trabalhadores em uma cidade industrializada através do ponto de vista de uma protagonista oriunda do sul da Inglaterra.Chapman, edited by Alison (1999). Elizabeth Gaskell: Mary Barton North and South. Duxford: Icon Books. ISBN 9781840460377.
O romance ocorre na fictícia cidade industrial de Milton, no norte da Inglaterra, para onde Margaret Hale é obrigada a se mudar com a família. Ela testemunha as consequências brutais da Revolução Industrial, vendo os conflitos entre empregadores e trabalhadores. Margaret é simpática para com os pobres, cuja coragem e tenacidade ela admira e entre os quais ela faz amizades; porém, ela se choca com John Thornton, o dono de uma fábrica de fiação de algodão que deprecia seus empregados. Durante o livro, Margaret passa a entender a complexidade das relações trabalhistas, e seu relacionamento conflitante com Thornton se estrutura. Gaskell baseou sua representação de Milton em Manchester, onde morava como esposa de um ministro unitário.
Publicação Folhetim Norte e Sul foi publicado originalmente na revista Household Words (editada por Charles Dickens), entre setembro de 1854 e janeiro de 1855 em 20 episódios semanais.Chapman, edited by Alison (1999). Elizabeth Gaskell: Mary Barton North and South. Duxford: Icon Books. p. 26. Charles Dickens abordou o mesmo tema em Tempos Difíceis, que foi publicado na mesma revista de abril a agosto de 1854. Tempos Difíceis mostra uma Manchester satirizada (Coketown), em tons negativos, algo que desafiou Gaskell e dificultou a escrita de seu romance; ela tinha que verificar se Dickens não escreveria sobre elementos que ela pretendia abordar - como a greve, por exemplo.
Gaskell achou a quantidade de tempo gasto e as questões técnicas do formato de folhetim particularmente cansativas. Ela tinha planejado escrever 22 episódios, mas foi compelida a encerrar a história em 20. Norte e Sul foi menos bem-sucedido do que Tempos Difíceis: em 14 de outubro de 1854, depois de seis semanas, as vendas caíram tanto que Dickens reclamou sobre o que ele nomeou “impossibilidade” de Gaskell por sua resistência às demandas e aos prazos. Dickens achou a história “cansativa até o último grau”.Chapman, Alison (1999). Elizabeth Gaskell: Mary Barton North and South. Duxford: Icon Books. p. 28.
Título Gaskell pretendia intitular o livro Margaret Hale (assim como tinha feito em 1848 com o romance Mary Barton), mas a opinião de Dickens prevaleceu. Ele escreveu em uma carta de 26 de julho de 1854 que “Norte e Sul” parecia melhor, abrangendo mais os temas tratados e enfatizando a oposição entre pessoas que são forçadas pelas circunstâncias a se encontrarem. A alteração no título do romance centra-se na diferença de estilo de vida entre o sul da Inglaterra, habitado por agricultores e senhores de terra, e o norte industrial, povoado por donos de fábrica e operários.Patricia Ingham, North and South (Introduction), Penguin Classics, 1995. p. xii.
Trabalhando nos capítulos finais do livro em dezembro em Lea Hurst (a casa da família de Florence Nightingale, localizada perto de Matlock em Derbyshire), Gaskell escreveu que ela preferiria chamar seu romance Death and Variations porque “há cinco mortos, cada um lindamente consistente com a personalidade do indivíduo”.Matus, edited by Jill L. (2007). The Cambridge companion to Elizabeth Gaskell (repr. ed.). Cambridge, UK: Cambridge University Press. ISBN 9780521846769.,p 35 Esta observação, embora seja provavelmente uma piada, enfatiza a importância da morte na história. A morte afeta Margaret profundamente, incentivando gradualmente sua independência; isso permite que Gaskell analise as emoções profundas do personagemMatus, 2007, p. 36. e se concentre na dureza do sistema social a partir das mortes de Boucher e Bessy.Angus Easson et Sally Shuttleworth, North and South (Introduction), Oxford University Press, 1998 p. xxxii
Livro A editora londrina Chapman & Hall publicou pela primeira vez o romance em 1855, como dois volumes de 25 e 27 capítulos cada. Naquele ano, a Harper and Brothers publicou em Nova York e Tauchnitz publicou uma segunda edição mais completa em Leipzig, como parte de uma coleção de escritores ingleses. Muitas outras edições foram publicadas durante a vida de Gaskell.Angus Easson et Sally Shuttleworth, North and South (Introduction), Oxford University Press, 1998 p. xxxvi.
O texto no livro, particularmente o final, difere significativamente do folhetim. Gaskell incluiu um breve prefácio dizendo que devido ao formato restritivo da revista, ela não conseguiu desenvolver a história como desejava. Ela tentou eliminar as limitações do folhetim, elaborando eventos após a morte do Sr. Hale e adicionando quatro capítulos: o primeiro e último capítulos e dois capítulos sobre as visitas do Sr. Bell a Londres e de Margaret e do Sr. Bell a Helstone.Arthur Pollard, Mrs. Gaskell: novelist and biographer, Manchester University Press ND, 1967, p 109 Esta edição também acrescenta títulos de capítulos e epígrafes.
História Margaret Hale, de 19 anos, retorna para a idílica aldeia do sul de Helstone depois que sua prima, Edith, se casa com o capitão Lennox. Ela viveu por quase 10 anos em Londres com Edith e a rica tia Shaw, para aprender a ser uma dama. Sua vida sofre uma reviravolta quando seu pai, o pastor local, deixa a Igreja da Inglaterra e a reitoria de Helstone por uma questão de consciência; sua honestidade intelectual tornou-o um dissidente da religião. Por sugestão do Sr. Bell, seu velho amigo de Oxford, ele se instala com sua esposa e filha em Milton-Northern (onde o Sr. Bell nasceu e possui propriedades). A cidade baseia sua economia nas manufaturas de algodão e vive o conflito entre mestres e trabalhadores típico da Revolução Industrial. Margaret acha a movimentada e esfumaçada Milton dura e estranha, ficando chateada com a pobreza que vê. Com problemas financeiros, Sr. Hale trabalha como tutor; um de seus pupilos é o rico e influente industrial John Thornton, mestre da Marlborough Mills. Desde o início, Margaret e Thornton entram em conflito um com o outro; ela o vê como grosseiro e insensível, e ele a vê como arrogante.
Durante os 18 meses que passa em Milton, Margaret gradualmente aprende a apreciar a cidade e suas pessoas trabalhadoras, especialmente Nicholas Higgins (um líder sindical) e sua filha Bessy, com quem ela faz amizade. Bessy ficou doente por inalar penugem de algodão, algo que posteriormente a mata. Ao mesmo tempo, a própria mãe de Margaret está ficando doente e uma greve de trabalhadores está se preparando. No fim, mestres e trabalhadores não resolvem seus conflitos, e uma multidão enfurecida de trabalhadores ameaça Thornton e sua fábrica depois que ele traz trabalhadores irlandeses para manter a produção durante a greve.
Margaret implora a Thornton para intervir e conversar com a multidão, mas ele apenas alimenta a raiva dos trabalhadores. Margaret se manifesta e é atingida por uma pedra. Os soldados chegam, a multidão se dispersa e Thornton leva Margaret dentro de casa, professando seu amor à sua figura inconsciente. Thornton propõe casamento; Margaret recusa, despreparada para suas declarações de amor e ofendida por ele ter pressuposto que sua ação na frente da multidão significava que ela nutria sentimentos por ele. A Sra. Thornton, que vê as maneiras do sul de Margaret como arrogantes, fica ultrajada pela rejeição recebida pelo filho.
O irmão ausente de Margaret, Frederick (procurado por motim naval), visita secretamente a mãe moribunda. Thornton vê Margaret e Frederick juntos, e assume que ele é seu amante. Leonards, um homem de Helstone, mais tarde reconhece Frederick na estação de trem. Eles discutem; Frederick afasta Leonards e Leonards morre pouco depois. Quando a polícia pergunta a Margaret sobre a briga, ela mente e diz que não estava presente. Enquanto o magistrado investiga a morte de Leonard, Thornton sabe que Margaret mentiu, mas declara o caso encerrado para salvá-la de possíveis perjúrios. Margaret se sente humilhada por Thornton ter agido em seu nome, passando a reconhecer a profundidade da personalidade dele.
Nicholas, por sugestão de Margaret, aproxima-se de Thornton para buscar trabalho e eventualmente obtém um posto. Thornton e Higgins aprendem a apreciar um ao outro e a entender-se. O Sr. Hale viaja para Oxford a fim de visitar o Sr. Bell e acaba falecendo, e Margaret volta a morar em Londres com a tia Shaw. Ela visita Helstone com o Sr. Bell e pede-lhe para contar a Thornton sobre Frederick, mas o Sr. Bell morre antes de fazê-lo. Ele deixa a Margaret uma herança que inclui Marlborough Mills. Thornton é forçado a limitar a produção devido às flutuações do mercado e à greve, e tem medo da falência. Ele aprende a verdade sobre o irmão de Margaret através de Nicholas Higgins, e vai a Londres resolver sua situação financeira com Margaret. Quando Margaret apresenta a Thornton uma generosa proposta, ele percebe que ela não é mais indiferente ou antagônica a ele. Ele novamente propõe casamento e, desta vez, ela aceita.
Personagens Família Hale Margaret Hale: a protagonista, tem 19 anos no início da história. Richard Hale: o pai de Margaret, um ex-clérigo que deixa seu cargo em Helstone para trabalhar como tutor particular em Milton. Maria Hale: mãe de Margaret, de uma respeitável família londrina. Frequentemente se queixa dos “ares” - tanto de Helstone quanto de Milton - serem prejudiciais à sua saúde. Frederick Hale: o irmão mais velho de Margaret, um fugitivo que vive na Espanha desde seu envolvimento em um motim enquanto servia sob um oficial cruel na Marinha britânica.
Família Thornton John Thornton: Proprietário de uma fábrica têxtil, amigo e estudante do pai de Margaret e o futuro interesse amoroso da jovem. Hannah Thornton: a mãe de John Thornton, reverencia seu filho e não gosta de Margaret. Fanny Thornton: a irmã mais nova de John.
Operários Nicholas Higgins: um trabalhador industrial com quem Margaret faz amizade. Ele tem duas filhas, Bessy e Mary. Bessy Higgins: a filha de Nicholas Higgins, que está gravemente doente depois de trabalhar nas fábricas. Mary Higgins: a filha mais nova de Nicholas Higgins. Não trabalha; passa o dia estudando, cuidando da casa e da irmã. John Boucher: um dos operários. Pai de seis filhos muito pequenos e casado com uma mulher doente, passa por grandes dificuldades durante a greve.
Outros personagens Dixon: Empregada dos Hales. Serviu a Maria Hale antes do casamento e é devotada a ela. Dixon desaprova Richard Hale (visto como socialmente inferior a Maria) e considera o casamento de sua senhora como causa de sua queda social. Sr. Bell: Velho amigo de Richard Hale, padrinho de Frederick Hale. Sra. Shaw: a tia de Margaret, a mãe de Edith e a irmã de Maria Hale. Viúva do General Shaw, ela mora na Harley Street, em Londres. Embora esteja financeiramente bem em comparação a Maria, ela se acha menos afortunada por não ter se casado por amor. Edith: a primo bonita de Margaret, definida como inocente e mimada como uma criança, mas não maliciosa. Vê Margaret como uma irmã amada. Ela se casa com o capitão Lennox no início da história. Henry Lennox: jovem advogado e o irmão do capitão Lennox. Meticuloso e inteligente, ele ama Margaret, que apenas o vê como amigo e rejeita seu interesse romântico. Leonards: colega de Frederick, não se amotinou e quer entregá-lo por uma recompensa.
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