União sacramental (; alemão de Lutero: Sacramentliche Einigkeit;Weimar Ausgabe 26, 442.23; Luther's Works 37, 299-300. ) é a doutrina teológica luterana da presença real do Corpo e Sangue de Cristo na Eucaristia.

Tipo de união A união sacramental é diferente das demais "uniões" na teologia, como a "união pessoal" das duas naturezas em Jesus Cristo, a "união mística" de Cristo e sua Igreja e a "união natural" do corpo e da alma nos humanos. Ela é similar à união pessoal no sentido de uma união entre duas naturezas perfeitas (a divina e a humana) na pessoa de Jesus na qual as duas permanecem distintas: a integridade do pão e do vinho permanece mesmo depois de ambos terem se unido ao Corpo e ao Sangue de Jesus respectivamente.Formula of Concord Solid Declaration VII.36-38 (Triglot Concordia, 983, 985 ; Theodore G. Tappert, The Book of Concord: The Confessions of the Evangelical Lutheran Church, (Philadelphia: Fortress Press, 1959), 575-576.

Na união sacramental, o pão consagrado está unido ao Corpo de Cristo e o vinho consagrado está unido ao Sangue de Cristo por causa da instituição original de Cristo com o resultado de que qualquer um comendo e bebendo estes "elementos" realmente estão comendo e bebendo o corpo físico e o sangue de Cristo também. Os luteranos defendem que o que eles acreditam ser a doutrina bíblica do manducatio indignorum ("comer de indignos") suporta esta doutrina tão bem quanto qualquer outra doutrina afirmando a presença real. O manducatio indignorum é a tese de que mesmo quando não-crentes comem e bebem da Eucaristia eles realmente comem e bebem o Corpo e o Sangue de Cristo conforme . Este ponto de vista foi proposto por Martinho Lutero na Confissão sobre a Ceia do Senhor, de 1528:

A união sacramental está afirmada na Concórdia de Wittenberg de 1539 e na Fórmula de Concórdia.[http://www.bookofconcord.com/fc-ep.html#VII.%20The%20Lord's%20SupperFC Formula of Concord Epitome VII, 7, 15;] [http://www.bookofconcord.com/fc-sd/supper.html FC Formula of Concord Solid Declaration VII, 14, 18, 35, 38, 117; Triglot Concordia, 811-813, 977, 979, 983-985, 1013.] Esta última liga o termo com a perífrase ("em, com e sob as formas de pão e vinho") utilizada entre os luteranos para definir sua doutrina[http://www.bookofconcord.com/fc-sd/supper.html FC Solid Declaration VII, 35; Triglot Concordia, 983.]:

Palavras da Instituição

Os luteranos acreditam que as palavras ditas por Jesus Cristo em sua Última Ceia, as "Palavras da Instituição", fazem acontecer a união sacramental no momento em que são ditas e todas as vezes que a Eucaristia cristã é celebradaFormula of Concord Solid Declaration VII.77-78 com uma citação de Martinho Lutero (Weimar Ausgabe 26, 282ff) (Tappert, 583-584).:

Diferenças em relação a outras doutrinas de presença real Esta doutrina é por vezes incorretamente identificada como consubstanciação por afirmar a presença simultânea de quatro essências na Eucaristia: o pão consagrado, o Corpo de Cristo, o vinho consagrado e o Sangue de Cristo. Mas ela difere por não afirmar uma presença "local" (circunscrita, tri-dimensional) do Corpo e do sangue no pão e no vinho, o que é rejeitado como "grosseira, carnal e Cafarnaica" na "Fórmula de Concórdia".[http://www.bookofconcord.com/fc-ep.html#VII.%20The%20Lord's%20Supper FC Epitome, VII, 42; Solid Declaration, VII, 127; Triglot Concordia, 817, 1015.] O termo "consubstanciação" tem sido associado a esta inclusão "local" do Corpo e Sangue de Cristo no pão e vinho sacramentais assim como também o termo "empanação". Os luteranos também rejeitam a designação de sua doutrina como sendo uma consubstanciação por que acreditam que ela seja, como a transubstanciação católica, uma explicação filosófica para a presença real enquanto que a união sacramental é apenas uma descrição da presença real.

Lutero distinguia sua doutrina da transubstanciação e da empanação da seguinte forma:

A doutrina luterana da união sacramental também é diferente da visão das Igrejas Reformadas. A doutrina calvinista da presença real na Ceia do Senhor é que Cristo está verdadeiramente presente na ceia (, embora não substancialmente e nem particularmente ligado aos elementos, ou seja, uma presença espiritual real e verdadeira. Esta visão está em linha com sua crença mais geral de que "o finito não é capaz para o infinito" (). Os luteranos, por outro lado, descrevem a união pessoal das duas naturezas de Cristo (a divina e a humana) como compartilhando seus predicados ou atributos de maneira mais completa. A doutrina da união sacramental é mais consistente com este tipo de cristologia. Os escolásticos luteranos descreveram a posição cristológica reformada que suporta sua doutrina como extra calvinisticum ("adicional calvinista") porque ela acredita que o Logos está fora ou além do corpo de Cristo.Francis Pieper, Christian Dogmatics, 4 vols., (Saint Louis: CPH, 1950-1957), 2:124.

Bibliografia

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