O Museu Marítimo, sediado em Santos, estado de São Paulo, Brasil, é uma entidade cultural dedicada à preservação da memória marítima e naval brasileira e estrangeira. Fundado em 17 de dezembro de 2005, o museu é administrado pela Sociedade Museu do Mar, instituição privada que mantém também o Museu do Mar.
História A história do Museu Marítimo remonta ao extinto Museu Histórico Naval de São Vicente, entidade privada, fundada em São Vicente, São Paulo, em 1979, pelo engenheiro civil Carlos Alfredo Hablitzel.Jornal A Tribuna, 21 de janeiro de 1979. Título: Museu Histórico Naval é inaugurado.
Nascido em Basiléia, Suíça, em 15 de janeiro de 1919, Hablitzel veio para o Brasil com sua família em 1920, embarcando em Gênova no navio italiano Re Vittorio. Após o curso primário na Escola Alemã do Rio de Janeiro, o curso ginasial em Basiléia (1931 a 1933) e o curso complementar no Ginásio Catarinense, em Florianópolis, formou-se na Escola de Engenharia Mackenzie, em São Paulo, em 1944. Naturalizado brasileiro aos 26 anos de idade, em 10 de dezembro de 1945, casou-se em 1948 com Maria Graciela Dubrez, paraguaia naturalizada brasileira. Em 1952, integrou o primeiro grupo de mergulho autônomo de São Paulo. Obtendo um aqualung, participou em expedições a naufrágios em um barco do Instituto de Pesca de Santos, tornando-se um dos pioneiros do mergulho autônomo no Brasil.Pronunciamento da família Hablitzel após o falecimento de Carlos Alfredo Hablitzel. 6 de novembro de 1988. Arquivos da Sociedade Museu do Mar, Pasta 1.
Em 1956, Hablitzel estabeleceu residência em São Vicente. Paralelamente às obrigações profissionais, o engenheiro dedicava parte de seu tempo aos estudos marítimos e navais, bem como, à ampliação de sua coleção particular de objetos e documentos afins, atividades desenvolvidas desde a juventude. O grande acervo reunido levou-o à criação do Museu Histórico Naval de São Vicente, inaugurado em 19 de janeiro de 1979 e sediado em uma casa de estilo normando, atualmente demolida, então situada à Rua Messia Assú, 78, no bairro Boa Vista.Jornal A Tribuna, 16 de novembro de 1980. Título: Um museu naval em São Vicente.
Carlos Alfredo Hablitzel faleceu em São Vicente, em 6 de novembro de 1988, aos 69 anos de idade. Sua esposa e filhos mantiveram o museu em funcionamento até 1992, ano em que foi definitivamente fechado à visitação pública.Jornal A Tribuna, 19 de março de 1992, Porto & Mar, pág. 8. Título: Museu Naval, sem público, pede socorro.
Em 1993, a família Hablitzel e a diretoria da Sociedade Museu do Mar travaram diversos contatos visando avaliar a possibilidade de transferência do acervo do Museu Histórico Naval de São Vicente para a instituição de Santos. O desejo da família em manter o acervo reunido e vê-lo novamente disponível ao público, bem como, as relações de amizade que em vida Carlos Alfredo Hablitzel sempre manteve com Luiz Alonso FerreiraSantos Sub. Atividades Subaquáticas. Boletim Informativo. Ano IV, Abril de 1985, Número 08, pág. 4. Entrevista com Carlos Alfredo Hablitzel., biólogo marinho e fundador do Museu do Mar, pesaram decisivamente para a concretização de um acordo, através do qual a Sociedade Museu do Mar adquiriu o acervo do desativado museu vicentino, transferido oficialmente em 10 de setembro de 1993. Jornal A Tribuna, 11 de setembro de 1993, Porto & Mar, B-1. Título: Santos ganha acervo de 400 anos de história naval.
Acervo Ao acervo oriundo do Museu Histórico Naval de São VicenteBudahazy, Júlia Helena. Museu Histórico Naval de São Vicente. Trabalho de monografia para conclusão de Curso de Licenciatura Plena de História da Universidade Católica de Santos. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Santos, 1991. , agora sob sua guarda, a Sociedade Museu do Mar incorporou itens de seu próprio acervo referentes à história marítima, dando partida ao projeto para a construção do Museu Marítimo, em Santos.
Contando com recursos próprios, a instituição iniciou a obra em janeiro de 1998, em terreno de sua propriedade, no bairro da Ponta da Praia.O projeto arquitetônico inspirou-se principalmente na cultura caiçara e nas construções do litoral norte do estado de São Paulo, dando como resultado uma edificação de dois pavimentos de estilo único na cidade de Santos, caracterizada pelas sólidas estruturas de madeiras de ipê lavradas à mão.Jornal A Tribuna, 12 de fevereiro de 1998, Porto & Mar. Título: Museu Marítimo vai ser construído em madeira de lei.
Após a superação de algumas dificuldades orçamentárias, o Museu Marítimo foi finalmente inaugurado em 17 de dezembro de 2005, encontrando-se localizado na Avenida Governador Fernando Costa, número 343, na confluência com a Rua República do Equador, na qual se acha instalado o Museu do Mar desde sua fundação, em 30 de junho de 1984.Jornal A Tribuna, 13 de dezembro de 2005, A-4. Título: Museu Marítimo será inaugurado no Sábado.
Materiais resgatados em naufrágios miniaturadaimagem|Artefatos da fragata "La Louise", navio pirata francês, naufragado em Paranaguá, Paraná, em 1718. Acervo do Museu Marítimo de Santos. Objetos resgatados em naufrágios, sobretudo da costa brasileira, constituem um dos elementos centrais do acervo expositivo do Museu Marítimo, que reúne artefatos oriundos de vinte e sete embarcações sinistradas.O Globo, 28 de maio de 1981. Título: Um museu em Santos guarda relíquias de navios naufragados.
Dentre os materiais coletados em naufrágios, destacam-se: Prato de faiança portuguesa do galeão Santíssimo Sacramento, naufragado na Bahia, em 1668. Diversos artefatos da fragata La Louise, navio pirata francês, do capitão Olivier Levasseur, cognominado "La Buse" (O Falcão), naufragado em Paranaguá, Paraná, em 1718.Dead Man´s Chest: Exploring the Archaeology of Piracy. Russel K. Skowronek & Charles R. Ewen, University Press of Florida, Chapter 12, by Geraldo Hostin. Dois pratos em cerâmica do Alfama de Lisboa, veleiro português naufragado em Recife, Pernambuco, em 1850. Pequeno fragmento de carvão retirado das carvoeiras do RMS Titanic, naufragado no Atlântico Norte, em 1912. Programa Balanço Geral, TV Record. Matéria veiculada em 08/09/2016. Objetos do transatlântico espanhol Príncipe de Astúrias, o maior naufrágio da costa brasileira, ocorrido em Ilhabela, em 1916.Jornal A Tribuna, 12 de fevereiro de 1998. Título: Mergulhador doa relíquia de transatlântico.
O acervo conta ainda com peças diversas recolhidas dos seguintes naufrágios: miniaturadaimagem|Objetos resgatados do transatlântico espanhol "Príncipe de Astúrias", que afundou em Ilhabela, São Paulo, em 06/03/1916. Maior naufrágio da costa brasileira. Admiral Gardner (naufragado em 1809, em Goodwin Sands, Kent, Inglaterra) H.M.S. Thetis (Cabo Frio, Rio de Janeiro, 1830), Rio de Janeiro, antigo Califórnia (Ilha Grande, Angra dos Reis, Rio de Janeiro, 1866)https://www.naufragiosdobrasil.com.br/naufcalifornia.htm , Crest (Ilhabela, São Paulo, 1882), Dart (Ilhabela, São Paulo, 1884), Buenos Aires (Ilha Rasa, Rio de Janeiro, 1890), Velasquez (Ilhabela, São Paulo, 1908), Hathor (Ilhabela, São Paulo, 1909), Aymoré (Ilhabela, São Paulo, 1920), Therezina, antigo Siegmund (Ilhabela, São Paulo, 1920) São Janeco (Ilhabela, São Paulo, 1929), Denderah (Santos, São Paulo, 1929), Tocantins (Ilha da Queimada Grande, Itanhaém, São Paulo, 1933), Rosalina (Abrolhos, Bahia, 1939), Vérnia (Santos, São Paulo, 1957), Lily (Ilha do Arvoredo, Florianópolis, Santa Catarina, 1957), Concar (Ilhabela, São Paulo, 1959).Revista Esportes Náuticos. Matéria de Nysse Arruda. Edição Especial de Placar. N° 874-A, 1987, páginas 84 a 89.
Materiais de quatro embarcações naufragadas de nomes desconhecidos também estão em exposição, identificadas no Museu Marítimo como Naufrágio da Enseada do Abraão (Ilha Grande, Angra dos Reis, Rio de Janeiro, cerca de 1820), Naufrágio de Marataízes (Espírito Santo, provavelmente século XIX), Naufrágio da Ilha Barnabé (Santos, São Paulo, provavelmente século XIX), Naufrágio da Ponta da Praia (Santos, São Paulo, séculos XIX ou XX).
O mais antigo objeto proveniente de naufrágio pertencente ao acervo da entidade é uma moeda do galeão espanhol Nuestra Señora de Atocha, naufragado em Florida Keys, Estados Unidos, em 1622. Cunhada em prata durante o reinado de Filipe III de Espanha (1598 – 1621), a moeda não faz parte do acervo expositivo da entidade, achando-se conservada em sua reserva técnica.
Pinturas em óleo sobre tela Entre os anos de 1972 e 1988, Carlos Alfredo Hablitzel (1919-1988) executou vinte e oito pinturas em óleo sobre tela, retratando importantes episódios marítimos e navais, ocorridos principalmente em águas brasileiras. Deste total de quadros, vinte e seis estão expostos no Museu Marítimo. miniaturadaimagem|Pintura em escotilha, representando o naufrágio do cruzador "Bahia", em 04/07/1945. Os títulos das pinturas são: A ponta dos naufragados, Combate naval na baía de Santos, A grande vitória de D. Antonio de Oquendo, Ataque e tomada do Rio de Janeiro pelo corsário René Duguay-Trouin, Bartholomew Roberts, Garibaldi na defesa de Laguna, O último navio negreiro, Incêndio e destruição do ‘Amazonian’, Batalha Naval do Riachuelo, Almirantes na Guerra do Paraguai, A Revolta da Armada, A explosão do ‘Aquidabã’, Combate naval da Ilha de Trindade, O afundamento do ‘Vandyk’, Naufrágio do ‘Príncipe de Astúrias’, Alarme em Gibraltar, O naufrágio do ‘Principessa Mafalda’, Baden, Graf Spee, Campanha submarina em águas brasileiras, Torpedeamento do ‘Vital de Oliveira’, Naufrágio da corveta ‘Camaquã’, O naufrágio do cruzador ‘Bahia’, O drama do encouraçado ‘São Paulo’, No fundo do mar, Visita de uma divisão naval do Kaiser Guilherme II a Santos (09-05-1914).
Além dos quadros, Hablitzel produziu ainda seis pinturas em cascos de tartaruga, também expostas no Museu Marítimo, representando grandes exploradores e navegadores, com as rotas de suas expedições. As figuras históricas retratadas são Pedro Álvares Cabral, Américo Vespúcio, João Dias de Solis, Fernão de Magalhães, Sebastião Caboto e Martim Afonso de Sousa.
Antigos equipamentos de mergulho
Antigos equipamentos subaquáticos encontram-se num espaço reservado à história do mergulho. miniaturadaimagem|Equipamento completo de Escafandro, exposto no espaço dedicado à História do Mergulho Salienta-se na seção um equipamento completo do clássico Escafandro, utilizado no resgate das peças da fragata pirata La Louise, com capacete da marca inglesa Siebe Gorman, roupão, peso peitoral e botas de sola de chumbo. O acervo inclui ainda dois capacetes fabricados pela empresa brasileira Person (modelos marítimo e fluvial), um raro capacete da marca alemã Dräger (um dos dois únicos no mundo), fabricado para fins militares na II Guerra Mundial, duas bombas de ar manual e dois telefones de comunicação para escafandro.
No espaço destinado ao mergulho autônomo, podem ser vistos os primeiros reguladores de ar fabricados no Brasil, na década de 1950, pela extinta empresa Atlântida.
Maquetes Diversos modelos e maquetes de embarcações percorrem a história da navegação, desde o dracar viquingue até os grandes transatlânticos do . Dentre as maquetes em evidência, destacam-se: miniaturadaimagem|Diorama de Carlos Alfredo Hablitzel (1919-1988), retratando o naufrágio da fragata inglesa "Thetis", na costa de Cabo Frio, Rio de Janeiro, em 1830. Nau Nossa Senhora da Ajuda: Integrante da frota que aportou na Bahia em 1549, trazendo o 1° governador-geral do Brasil, Tomé de Sousa. A embarcação naufragou em Alagoas, em 1556, sendo os náufragos, entre eles Dom Pero Fernandes Sardinha, primeiro bispo do Brasil, devorados pelos índios caetés.
Half Moon: Navio da Companhia Holandesa das Índias Orientais, utilizado pelo navegador inglês Henry Hudson para explorar a costa leste americana, em 1609.
Nau Santiago: Capitânia da frota de 20 galeões espanhóis, liderada pelo almirante D. Antonio de Oquendo, que em 12/09/1631 derrotou uma frota holandesa, em combate naval próximo a Abrolhos, na Bahia.