O Depósito de Aeronaves N.º 1 foi uma unidade de manutenção da Real Força Aérea Australiana (RAAF). Formada em Julho de 1921 na Base aérea de Point Cook, Vitória, foi transferida para a Base aérea de Laverton em Março de 1926. Além de prestar serviço a aeronaves e outros equipamentos, nos seus primeiros anos a unidade também prestou apoio a voos de pesquisa na Austrália e na região do Pacífico. Foi também responsável por instruir e treinar militares de manutenção.

A força de efectivos da unidade aumentou de 350, durante os anos trinta, para mais de 2000 durante a Segunda Guerra Mundial, conflito no qual a unidade montou, testou e reparou aeronaves da mais variada índole, como o avião de treino Tiger Moth, o caça Supermarine Spitfire e o bombardeiro pesado B-17 Flying Fortress, tendo ao mesmo tempo realizado acções de pesquisa e desenvolvimento de aeronaves.

Pouco depois do final da guerra, o Depósito de Aeronaves N.º 1 introduziu os primeiros aviões a jacto a serviço da RAAF. Em 1961, cessou as suas operações de manutenção de fuselagens, continuando apenas a prestar serviço aos motores aeronáuticos. Durante os anos 70, a principal missão do depósito consistia em operar o equipamento de terra, embora ainda tratasse de algumas componentes aéreas. Em Dezembro de 1994 a unidade foi dissolvida, e as suas funções na RAAF foram atribuídas a outras unidades e a empresas contratadas. Na altura da sua dissolução, era a mais antiga unidade da RAAF em operação contínua.

História Anos pré-guerra O Depósito de Aeronaves N.º 1 foi uma das primeiras unidades formadas pela Real Força Aérea Australiana depois de o ramo ser estabelecido (inicialmente como Força Aérea Australiana) no dia 31 de Março de 1921.Gillison, Royal Australian Air Force, p. 16 Os componentes originais do Depósito de Aeronaves N.º 1 tornaram-se conhecidos como tal em Abril de 1921, embora a unidade não fosse formalmente criada até Julho.Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 41 Antes desta criação a unidade estaria formada por dois elementos em Melbourne, um elemento em Spotswood a tratar do equipamento do Imperial Gift (128 aeronaves e peças suplentes, tudo doado pela Grã-Bretanha depois da Primeira Guerra Mundial) e outro elemento em North Fitzroy responsável pela reparação de veículos a motor.Stephens, The Royal Australian Air Force, p. 31 Quando o Depósito de Aeronaves N.º 1 foi formalmente criado na Base aérea de Point Cook, em Vitória, no dia 1 de Julho, a componente de Spotswood foi dissolvida, enquanto a de North Fitzroy continuaria a operar como um destacamento. O comandante inaugural desta unidade foi o Líder de esquadrão Bill Anderson, que na altura também comandava a base de Point Cook.

Em Janeiro de 1922, o depósito foi organizado num quartel-general que controlava garagens, reparação de aeronaves e secções de reparação de motores. Em Abril, a secção de reparação de veículos em North Fitzroy foi transferida. A atmosfera corrosiva de Point Cook (à beira mar) fez com que esta localização não fosse a mais indicada a longo prazo para a manutenção de aeronaves; a base também não dispunha de uma ligação a uma via ferroviária, à época uma estrutura necessária para o transporte de grandes partes/componentes aeronáuticas.Stephens, The Royal Australian Air Force, p. 33Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 129 Em Setembro de 1921, o governo comprou terrenos em Laverton, perto de uma estação ferroviária e a 8 quilómetros de Point Cook e consequentemente mais longe da linha costeira, para o propósito único de construir "uma casa dedicada" para o Depósito de Aeronaves N.º 1, transformando este espaço no "armazém da força aérea".Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 128 O depósito, composto por um efectivo de oito oficiais e mais setenta e sete militares, foi transferido para a nova base no dia 1 de Março de 1926. Lá, ocupou um grande hangar que incluía o bloco de administração cuja construção, juntamente com os alojamentos e edifícios de apoio, custaram cerca de 300 000 libras australianas.RAAF Historical Section, Introduction, Bases, Supporting Organisations, pp. 141–143

Além de receber, montar, testar e realizar manutenção ao equipamento da RAAF, o Depósito de Aeronaves N.º 1 também era responsável por prestar apoio a voos de pesquisa. Em Julho de 1927 foi o ponto de partida para o Voo de Pesquisa do Norte, uma formação composta por um avião de Havilland DH.50 e dois aviões Airco DH.9, cuja missão consistia em estabelecer rotas aéreas e locais de aterragem no norte e centro do continente australiano, sob o comando do Chefe do Estado-maior Richard Williams.Coulthard-Clark, The Third Brother, pp. 392–393 No mês seguinte o Depósito de Aeronaves N.º 1 formou o Voo de Pesquisa Papuano, uma formação composta por dois aviões anfíbios Supermarine Seagull III sob o comando do Tenente de Voo Ellis Wackett, que fotografou as costas da Papua e da Nova Guiné até Aitape.Coulthard-Clark, The Third Brother, pp. 412–413 Anderson, agora Comandante de asa, regressou ao comando do depósito entre Abril e Agosto de 1929, entregando o comando da unidade ao Comandante de asa Adrian Cole, uma posição que este serviu até Dezembro de 1932.

thumb|upright=1.38|alt=|Um Supermarine Seagull A9-6, que fez parte do Voo de Pesquisa Papuano em 1927|esquerda A meio dos anos 30, o Depósito de Aeronaves N.º 1 era composto por cerca de 350 efectivos; nesta altura, a RAAF tinha um total de 2000 militares.Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 470 O depósito prestava serviço a uma grande variedade de aeronaves, incluindo o Westland Wapiti, Bristol Bulldog, Hawker Demon, de Havilland Dragon Rapide, Avro Cadet, Avro Anson, e o North American NA-16. Ao NA-16 juntou-se mais tarde o North American NA-33, que foi construído sob licença pela Commonswealth Aircraft Corporation como o CAC Wirraway.Coulthard-Clark, The Third Brother, pp. 274–280 Para ir de encontro com a decisão do governo em expandir rapidamente a RAAF, uma Secção de Treino de Recrutas, incorporando a nascente Escola de Armamento e Sinalização, foi formada sob o comando do depósito pelo Tenente de Voo Charles Eaton no dia 1 de Março de 1935; no dia 1 de Setembro de 1936 esta secção foi re-organizada como Esquadrão de Treino de Recrutas.Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 131RAAF Historical Section, Training Units, p. 80 Em 1935 o Depósito de Aeronaves N.º 1 também começou a realizar cursos de treino de maquinistas e especialistas em transporte de objectos pesados/volumosos, o que levou à formação da Escola de Treino Técnico cinco anos mais tarde.RAAF Historical Section, Training Units, p. 91

Em Dezembro de 1935 as oficinas do depósito, sob o comando do Líder de esquadrão Arthur Murphy, modificaram especialmente um avião Wapiti e um de Havilland Gipsy Moth para operar em condições antárcticas, permitindo assim que uma equipa da força aérea, liderada pelo Tenente de voo Eric Douglas e pelo Oficial de voo Alister Murdoch, fosse capaz de resgatar o explorador Lincoln Ellsworth, que estava presumidamente desaparecido após uma viagem através do continente polar.Coulthard-Clark, The Third Brother, pp. 275, 419–420 No dia 3 de Março de 1937 o Esquadrão de Treino de Recrutas adquiriu uma nova sub-unidade, o Destacamento de Comunicações e Pesquisa, utilizando aviões Tugan Gannet e Dragon Rapide para realizar pesquisas fotográficas; mais tarde, no dia 2 de Março de 1940, o esquadrão foi re-formado como o Depósito de Recruta N.º 1.Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 433 Equipada com infraestruturas de montagem e testes, a unidade de treino de recrutas fez de Laverton uma escolha óbvia para o estabelecimento de futuros esquadrões da RAAF. Os comandantes do Depósito de Aeronaves N.º 1 ao longo da década de 30 incluíram os Comandantes de asa Frank McNamara (Fevereiro de 1933 a Abril de 1936), Frank Lukis (Abril de 1936 a Janeiro de 1938) e Arthur Murphy (Janeiro de 1938 a Maio de 1940).

Segunda Guerra Mundial thumb|alt=|Trabalhadores do depósito a montar um motor Rolls-Royce Merlin, em Maio de 1944 Embora muitos esquadrões da RAAF fossem criados em Laverton durante a Segunda Guerra Mundial, o principal foco da base continuou a ser o depósito de aeronaves. Com o despoletar da guerra em Setembro de 1939 o Depósito de Aeronaves N.º 1 começou a expandir-se para ir de encontro com os crescentes números de aeronaves de treino e de combate, entre elas o Wirraway, de Havilland Tiger Moth, Lockheed Hudson, Hawker Hurricane e Curtiss P-40 Kittyhawk. O depósito montava e testava as novas aeronaves, e enviava-as por meio de transporte para as áreas operacionais como a Austrália do Norte ou a Nova Guiné. O depósito também era responsável pela manutenção das aeronaves em serviço, incluindo os seus motores, instrumentos e armamento. Além do equipamento aeronáutico da RAAF, o depósito também realizava reparações em aeronaves norte-americanas como o B-17 Flying Fortress.

Em Março de 1940 a RAAF começou a dividir o continente australiano e a Nova Guiné em zonas geográficas de comando de controlo; o Depósito de Aeronaves N.º 1 ficou sob o comando do Comando da Área do Sul, cujo quartel-general se situava em Melbourne, e era responsável por todas as unidades da RAAF localizadas em Vitória, na Austrália Meridional e na Tasmânia.Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 91–92Ashworth, How Not to Run an Air Force!, p. 34 A partir do Depósito de Aeronaves N.º 1 foram criadas duas unidades entre Abril e Maio de 1940, o Parque de Aeronaves N.º 1 e o Parque de Aeronaves N.º 2, que se dedicavam à montagem de aeronaves, e mais uma em Junho de 1942, a Unidade de Reabastecimento N.º 1, responsável por manter os níveis de armamento e munições das unidades do Comando da Área do Sul.RAAF Historical Section, Maintenance Units, pp. 23–25RAAF Historical Section, Logistics Units, p. 48 Em Outubro de 1942, o controlo do Depósito de Aeronaves N.º 1 foi transferido para o Grupo de Manutenção N.º 4, também com quartel-general em Melbourne, que assumiu o controlo de todas as unidades de manutenção em Vitória, Australiana Meridional e Tasmânia.Gillison, Royal Australian Air Force, p. 479Southern Area Headquarters, Operations Record Book, p. 240