Wolfgang Streeck (; Lengerich, 27 de outubro de 1946) é um sociólogo econômico alemão e diretor emérito do Instituto Max Planck para o Estudo de Sociedades em Colônia. Streeck é conhecido por sua análise crítica da economia política do capitalismo moderno e por seu trabalho sobre a tensão inerente entre o capitalismo e a democracia.
Trabalho acadêmico A pesquisa de Streeck centra-se na análise da economia política do capitalismo, propondo uma abordagem dialética para a análise institucional em oposição à escola das "variedades de capitalismo". O seu trabalho examina a tensão estrutural entre o capitalismo de mercado e a democracia política, argumentando que a era do pós-guerra foi uma exceção histórica de reconciliação temporária entre estas duas forças.
Sua obra recente pode ser dividida em três momentos teóricos principais: o diagnóstico da crise da dívida e da democracia; o prognóstico sobre o fim do capitalismo; e a análise da geopolítica e do Estado nacional pós-globalização.
O "tempo comprado" e a crise do capitalismo democrático Na sua obra de 2013, Tempo Comprado: A Crise Adiada do Capitalismo Democrático, Streeck argumenta que as crises económicas contemporâneas resultam de um longo processo em que o Estado "comprou tempo" para adiar o conflito distributivo entre capital e trabalho. Segundo o autor, desde a década de 1970, o capitalismo democrático passou por três fases de adiamento da crise: a era da inflação (anos 70), a era da dívida pública (anos 80) e a era da dívida privada (anos 90/2000), culminando na crise financeira de 2008.
A crise financeira de 2008 marcou o esgotamento dessa estratégia. Streeck introduz a distinção sociológica entre o "Povo do Estado" (Staatsvolk), constituído pelos cidadãos com direitos civis e voto, e o "Povo do Mercado" (Marktvolk), formado pelos credores e investidores internacionais. Ele argumenta que o Estado moderno se transformou em um "Estado de Consolidação", onde as obrigações para com os mercados financeiros têm primazia sobre as demandas democráticas dos cidadãos.
O "fim do capitalismo" como sistema social estável e o interregno Em 2016, Streeck publicou How Will Capitalism End? Essays on a Failing System. Ao contrário da tradição marxista clássica, que previa o fim do capitalismo através da ascensão de uma classe revolucionária, Streeck postula que o capitalismo está a colapsar devido ao seu próprio sucesso e à derrota dos seus opositores históricos (sindicatos, comunismo, social-democracia), que funcionavam como "restrições benéficas" estabilizadoras do sistema.
O autor identifica cinco desordens sistémicas para as quais não existe cura simultânea: estagnação secular (crescimento em declínio), redistribuição oligárquica, saque da esfera pública, corrupção sistémica e anarquia internacional. Streeck sugere que o mundo não está caminhando para o socialismo, mas para um longo período de interregno (conceito de Antonio Gramsci), caracterizado por entropia social, incerteza radical e ingovernabilidade, onde as velhas estruturas morreram, mas as novas ainda não nasceram.
Pós-Globalismo e o "retorno do Estado" Em sua obra de 2021, Taking Back Control: States and State Systems after Globalism, Streeck analisa o colapso da era neoliberal globalista e o regresso do Estado-nação como a única arena possível para a política democrática e a justiça social, uma posição que ele distingue do nacionalismo de direita, aproximando-se de uma leitura de Karl Polanyi sobre a necessidade de proteger a sociedade das forças de mercado descontroladas. O autor argumenta que o fracasso da promessa de prosperidade universal do Globalismo (a tentativa de substituir o Estado-nação por uma governança tecnocrática global), levando as sociedades a procurar a proteção do Estado nacional contra as incertezas dos mercados globais.
Nesta fase, Streeck redefine a União Europeia não como um super-Estado federal em formação, mas como um "Império Liberal", caracterizado por uma hierarquia entre um Centro hegemónico (liderado pela Alemanha) e uma Periferia endividada (Sul e Leste da Europa). O autor defende um sistema de estados segmentado ("Small is Beautiful"), sugerindo que a democracia e a justiça social dependem da soberania nacional e da capacidade de impor fronteiras aos mercados globais, propondo um modelo de cooperação internacional confederada em oposição à integração supranacional centralizada.
Publicações selecionadas Social Institutions and Economic Performance (1992) Re-Forming Capitalism: Institutional Change in the German Political Economy (2009) Tempo Comprado: A Crise Adiada do Capitalismo Democrático (Boitempo, 2018) - Original: Gekaufte Zeit (2013). How Will Capitalism End? Essays on a Failing System (Verso, 2016). Taking Back Control: States and State Systems after Globalism (Verso, 2024) - Original: Zwischen Globalismus und Demokratie (2021).
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