A história do Ceará Sporting Club remete ao início do século XX. O clube alvinegro é um dos mais tradicionais e vitoriosos de seu Estado, e do Nordeste brasileiro.
Apesar de muitos pensarem que o codinome Vovô se deva ao fato de o Ceará ser o mais velho clube do estado, depoimento de Aníbal Câmara Bonfim, um dos fundadores do América Futebol Club, em 1920, diz o real motivo do apelido. Ele contava que os jogadores do América costumavam treinar no campo do Ceará. O presidente do Ceará na época, Meton de Alencar Pinto, passou a tratá-los de "meus netinhos" e se auto-intitulava "Vovô". Em 2009, o personagem ganhou vida. Uma pessoa fantasiada de Vovô passou a estar presente nos jogos em que o mando de campo é do alvinegro.
O jogo mil de Pelé pelo Santos thumb Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, esteve em Fortaleza para jogar contra o Ceará vestindo a camisa do . Esse seria o milésimo jogo de Pelé pelo clube. No confronto de alvinegros quem se deu bem foi o Vovô, que bateu o Santos por 2 a 1 de virada. O Ceará saiu perdendo no primeiro tempo com um gol de Pelé, o 1 015º de sua carreira, mas os cearenses voltaram a campo dispostos a virar o placar e, aos 17 minutos da etapa complementar, Samuel empatou. Treze minutos depois Da Costa fez, de cabeça, o gol da virada do Vovô.
"Já estava no finalzinho do jogo, o placar era 1 a 1 porque o Samuel tinha empatado para nós no começo do segundo tempo", contou Da Costa, autor do gol da vitória alvinegra. "A jogada foi assim: Samuel ou Edmar, não lembro direito, meteu uma bola para o Jorge Costa na ponta direita. O Jorge ganhou na carreira do Rildo (lateral esquerdo do Santos), foi à linha de fundo e cruzou. Eu ameacei ir para a marca do pênalti e voltei… O Carlos Alberto subiu, mas eu subi na frente dele e cabeceei, a bola bateu no pau da trave e entrou lá no cantinho. É um gol que guardo comigo até hoje." Da Costa conta ainda de uma curiosa aposta feita por Paulino Rocha na época. "Eu vou revelar coisa que pouca gente sabe. O Paulino Rocha desceu lá nos vestiários durante o intervalo e me disse: 'Da Costa, eu apostei com o Rolim (torcedor rival), e, se você fizer o gol da vitória, eu lhe dou o dinheiro todinho da aposta.' Pois ele me deu tudo… eram 3 mil cruzeiros, era muito dinheiro na época."HOLANDA, Lúcio Chaves. Ceará Sporting Club - Um Retrato em Branco e Preto, 2004, Página 209(Entrevista com Da Costa)
A partida foi realizada em 3 de novembro de 1972 e foi presenciada por um grande número de torcedores, que abarrotaram as arquibancadas do Presidente Vargas, cerca de 35 752 pagantes. Ceará: Hélio, Paulo Tavares, Odélio, Mauro Calixto, Dimas, Edmar, Joãozinho, Nado, Jorge Costa, Samuel e Da Costa. Santos: Joel Mendes, Turcão, Paulo, Altivo, Murias (Vicente), Léo, Pitico, Roberto Carlos, Afonsinho (Edu), Pelé e Ferreira. HOLANDA, Lúcio Chaves. Ceará Sporting Club - Um Retrato em Branco e Preto, 2004, Página 123
História No estado do Ceará, o foot-bal l teve seus primeiros passos dados por marinheiros e funcionários de empresas inglesas instaladas no estado em 1903. Em 1904, José Silveiria, jovem estudante na Suíça, trouxe a primeira bola oficial para o estado. Logo o futebol tornou-se paixão popular; não demorou muito e surgiram inúmeras equipes.
No dia 2 de junho de 1914, caminhando pelo centro da capital do estado Ceará, Luís Esteves Júnior e Pedro Freire conversavam sobre diversos assuntos, principalmente sobre política internacional. Após chutar uma pedra no meio do caminho, começaram a falar sobre futebol, surgindo a ideia de fundar um clube. Ao encontrar colegas no Café Art Nouveau, na Praça do Ferreira, a ideia da dupla foi se concretizando. Ainda no mesmo dia, a turma se reuniu na residência de Luís Esteves. As 22 pessoas (há quem fale em 18 e em 25) escolheram o nome do clube como Rio Branco Football Club, com camisas de cor roxa e calções brancos, semelhantes ao uniforme da atual ACF Fiorentina, da Itália (que seria fundada em 1926 e cujas vestimentas, portanto, não influenciaram as cores do time cearense). Gilberto Gurgel, comerciante da Praça do Ferreira, foi eleito o primeiro presidente e promoveu-se uma coleta entre os associados, visando a arrecadar fundos para comprar uma bola oficial número 5. Foram arrecadados cerca de 22 mil réis, uma quantia razoável e que mostra a boa condição social dos fundadores do clube.
Numa outra reunião, exatamente um ano depois, foi escolhido mudar o nome do time para Ceará Sporting Club e, devido a dificuldade de se obter camisas na cor roxa, mudou-se as cores do uniforme para preto e branco. O Sobrinho de Luís Esteves, Geraldo Quevedo Esteves, em vários depoimentos, informou que confirmou toda a história de fundação do clube com o tio, menos o episódio do chute na pedra, talvez um fato folclórico. Não se sabe bem o porquê da escolha do nome Rio Branco. Provavelmente uma homenagem ao famoso diplomata brasileiro Barão do Rio Branco, falecido em 1912. O nome reflete, contudo, a dureza, as dificuldades da época e as esperanças de um futuro melhor; queria-se um Rio Branco de águas limpas, transparentes para se banhar e aproveitar o vento e o sol. O nome Ceará relaciona-se a um aumento do regionalismo, uma consequente desilusão da Belle Époque, advinda com a Primeira Guerra Mundial. As cores alvinegras evidenciavam igualmente o momento: o branco da paz, a que homens almejavam naquele instante de guerra, mais ainda. Quanto ao preto, há uma significância toda especial: sabe-se que tal cor, por séculos associada ao luto e a morte, foi transformada pela nobreza absolutista da idade moderna e sobretudo pelas elites num tom solene de elegância, gala, luxo, força, poderio e aristocracia. Assim, foram misturados no Ceará, o poder, a nobreza e a ternura.
Década de 1910: A hegemonia no Ceará esquerda|thumb|300px|Time campeão estadual em 1915. Uma grande façanha do Ceará foi a conquista do pentacampeonato de 1915 a 1919, sob a égide da Liga Cearense Metropolitana de Futebol (LCMF), a primeira entidade gestora do esporte local. Ao lado de Stella Foot-Ball Club, Rio Negro e Maranguape Sport Club e sob a chancela da LCMF, o Ceará disputou o primeiro certame metropolitano sobre solo cearense.
O Campeonato de 1915 foi disputado por Ceará, Maranguape, Rio Negro e Stella. Na final, no Campo do Prado, o Ceará bateu o Stella por 2 a 1, com gols marcados por Humberto Ribeiro e Pacatuba. Nesse ano o Ceará sagrou-se campeão invicto e sofrendo apenas dois gols. Em 1916, o Riachuelo se juntou aos outros times na disputa do título. Na final, o Ceará derrotou o Maranguape por 2 a 0, com dois gols de Walter Barroso. No Campeonato de 1917, o Riachuelo foi substituído pelo Hespéria Atlético Clube. No Campo do Prado, o Ceará sagrou-se novamente campeão, após bater o Stella por 1 a 0, com gol marcado por Gotardo.
Em 1918, o campeonato foi disputado por apenas quatro clubes — Ceará, , Rio Negro e Hespéria. O Ceará derrotou o Fortaleza na final por 2 a 0, gols de Walter Barroso e Enoch. O campeonato de 1919 foi disputado por Bangu, Ceará, , Guarany e Hespéria. Foi nesse ano que o Ceará sofreu a primeira derrota de sua história, perdendo por 1 a 0 para o Guarany. Na final, novamente disputada entre Ceará e Fortaleza, o time alvinegro acabou vencendo nos minutos finais. Estando perdendo por 1 a 0, o Ceará conseguiu a virada com dois gols de Walter Barroso, sagrando-se pentacampeão cearense de futebol, com a defesa menos vazada e o melhor ataqueHOLANDA, Lucio Chaves. Ceará Sporting Club - Um Retrato em Branco e Preto, 2004, Páginas 105, 106 e 107.
Primeiro título - 1915 Na edição de 9 de novembro de 1915, o Diário do Estado relata a vitória do Alvinegro assim: "Effectuou-se domingo último no field do bairro do Bemfica o anunciado jogo de foot-ball entre as poderosas equipes do Stella Foot ball Club e Ceará Sporting Club. A numerosa assistência que enchia as archibancadas do Stella teve incontestavelmente a magnífica oportunidade de assistir ao lindo jogo desses fortes elevens, cheio de phases e lances lindos".
"Terminou esse interessante match com o resultado favorável ao Ceará, que conseguiu marcar mais um goal do que o seu adversário. O primeiro foi shutado por Humberto Ribeiro, capitão do Maranguape Foot-ball club, e o segundo, resultado de um oportuno passe do forward Guilherme Augusto, phayer do Rio Negro, foi marcado por Pacatuba, também do Maranguape. O único goal do Stella foi shoot de Pedro Riquet, um dos magníficos forwards do poderoso e sympathisado Stella. Actuou como referee o senhor Lucio Bauerfeldt, que foi imparcial nas suas deliberações".
Final: Ceará SC 2 x 1 Stella FC. Data: 7 de novembro de 1915, no Campo do Prado - Gols: Humberto Ribeiro e Pacatuba (Ceará SC); Pedro Riquet (Stella FC). Ceará SC: Aldo; Meton, Garcia; Ninito, Silveira, Rola; Abreu, Pacatuba, Humberto Ribeiro, Gothardo e Guilherme. Stella FC: Gilberto; Oscar Cabral, Oscar Loureiro; Carlos Alberto, João Gentil, Clóvis Holanda; Pedro Riquet, Clodoveu, J. Bruno, Walter Barroso e Walter Olsen. Arbitragem: Lúcio Bauerfeldt Artilheiro: Walter Barroso (Stella FC) – 6 gols
Bi - 1916: Ceará SC 2 x 0 Maranguape FC. Data: 06 de agosto de 1916, no Campo do Prado - Gols: Walter Barroso (2). Ceará SC: Cearense; Gothardo e Meton; Padilha, Ninito e Silveira; Walter Barroso, Rola, Bolívar, Orlando e Mamede. Maranguape FC: Houssel; Riquet e Carlito; P. Barbosa, João Gentil e Lúcio Bauerfeldt; Ademir, A. Rodrigues, Humberto Ribeiro, Brigido e Paraense. Arbitragem: Oscar Loureiro
Tri - 1917: Ceará SC 1 x 0 Stella FC. Data: 8 de dezembro de 1917, no Campo do Prado - Gol: Gothardo. Ceará SC: Aldo, Garcia e Gothardo; Célio, Carlito e Braga; Walter Barroso, Meton, Olsen, Mamede e Braun. Stella FC: Gilberto; Riquet e Oscar Loureiro; João Gentil, Carlito e Clóvis; Arthur, Ademir, Clodoveu, J. Bruno e Paraense. Arbitragem: José Silveira
Tetra - 1918: Ceará SC 2 x 0 Fortaleza SC. Data: 17 de dezembro de 1918, no Campo do Prado - Gols: Walter Barroso e Enoch. Ceará SC: Aldo; Garcia e Gracho; Célio, Carlito e Ninito; Walter Barroso, Meton, Mamede, Braun e Enoch. Fortaleza SC: Quinderé; Peter e Riquet; João Gentil, Lúcio Bauerfeldt e Djalma; Clóvis, A. Oliveira, Humberto Ribeiro, Juracy e Pontes. Arbitragem: Sílvio Gentil
Penta - 1919: Ceará SC 2 x 1 Fortaleza SC. Data: 30 de novembro de 1919, no Campo do Prado - Gols: Walter Barroso (Ceará SC); Humberto Ribeiro (Fortaleza SC). Ceará SC: Aldo; Garcia e Gothardo; Célio, Braga e Aluísio; Walter Barroso, Mamede, Braun, Enoch e Cearense. Fortaleza SC: Quinderé; Peter e Riquet; João Gentil, Lúcio Bauerfeldt e Nelsinho; José Raymundo, Arthur, Humberto Ribeiro, Juracy e Pontes. Arbitragem: Oscar Araripe
Década de 1920: Surge a rivalidade entre Ceará e Fortaleza Foi em 1922, ano do centenário da independência do Brasil: todos os clubes estavam muito motivados para ganhar o título estadual, devido à data comemorativa. Em especial o Fortaleza queria ganhar o Campeonato Cearense para ser tricampeão, mas o Ceará ficou com o título nesse ano e muitos cronistas marcam essa data como o surgimento da rivalidade entre os clubes.
No Torneio Início o Ceará foi campeão facilmente, mas no começo do estadual acabou perdendo de uma goleada histórica, 6 a 3, para o Fortaleza. Na final o Fortaleza entrou em campo favorito, tanto que antes do jogo a diretoria pensou em reservar um jantar em um fino restaurante da cidade. Jogando pela vitória, entretanto, o Fortaleza perdeu o equilíbrio emocional e consequentemente perdeu o jogo por 4 a 1, e o Ceará sagrou-se campeão estadual, impedindo o tri do rival. Depois do jogo o elenco do Vovô foi comemorar a vitória no mesmo restaurante em que o Fortaleza havia pensado reservar as mesas para seu time, com as mesmas reservas.