Xou da Xuxa foi um programa infantil de variedades apresentado por Xuxa Meneghel e produzido e exibido pela TV Globo de 30 de junho de 1986 até 31 de dezembro de 1992, com 2000 edições concluídas. A atração substituiu o programa do Balão Mágico e o TV Mulher.
Ocupando as manhãs de segunda-feira a sábado o programa apresentava quadros de brincadeiras (principalmente competições e números musicais) intercalados com desenhos animados. Apesar das sistemáticas reações negativas dos intelectuais e da crítica especializada, em pouco tempo o Xou da Xuxa se tornou o programa infantil de maior sucesso da história da televisão brasileira, transformando sua apresentadora em um fenômeno entre meados dos anos 1980 até início dos anos 1990.Alzer, Luiz André e Claudino, Mariana. Almanaque anos 80. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações, 2004. pp. 32. 296 páginas. ISBN 8500015322.
O padrão de programa do Xou da Xuxa (cenografia, personagens e músicas) foi e é referência mundial no segmento infantil. Foi ele que a levou a ser reconhecida internacionalmente, já que em 1992 o programa atingia impressionantes 50 milhões de telespectadores diários no Brasil, sendo feita uma versão em castelhano em 1991 até 1993 na Argentina, que era transmitida em toda a América Latina e também atingia 50 milhões de telespectadores, o El show de Xuxa. Seu sucesso foi tão grande, que várias versões autorizadas foram feitas do programa, sendo transformada em franquia. El Clan de Patsy (ATC Argentina), foi exibido em 1988. Assim a Panamericana Televisión em 1989 criou a versão peruana do Xou da Xuxa intitulada El Show de Yuly. Também teve a versão Colombiana em 1991 o El Todo Mundo está Feliz (PUNCH Productions) apresentado por Xiomy. El Sueno Magico de Bibi (Canal 9) em 1988, e a mais recente El Show de Tatiana (2012). Foram várias versões do programa mundo afora.
Histórico do programa Escalado para substituir os programas Balão Mágico e TV Mulher, que foram cancelados no primeiro semestre de 1986 devido a uma estratégia de mudança de foco na programação da emissora. Apesar disso, o Xou da Xuxa herdou do Balão Mágico, a fatia de público e o acervo de desenhos, mas sua estrutura básica foi baseada no Circo Alegre do Carequinha, programa da Rede Manchete que era transmitido antes do Clube da Criança. Mas na nova emissora o programa ganhou uma produção mais arrojada, o tratamento do "Padrão Globo de Qualidade" e uma marcante mudança de órbita — todos os elementos passaram a girar em uma espécie de culto da personalidade da apresentadora, o que, no limite, despertava nas crianças uma reverência praticamente religiosa.
O programa misturava brincadeiras, atrações musicais, números circenses, exibição de desenhos animados e quadros especiais, e contava com a participação, em média, de 200 crianças em cada gravação. O programa era dividido em nove blocos, de segunda a sexta-feira, e em sete blocos, aos sábados. Geralmente, os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina não viam os últimos blocos do Xou da Xuxa, pois a RBS TV antecipava o seu encerramento para exibir o Jornal do Almoço, que na época começava às 11h30.
Para comandar a atração, Xuxa contava com o auxílio de personagens que logo se tornariam marcas de seus programas, como as Paquitas. +Integrantes das PaquitasAno de atividadeNomeApelidoGeração 1986–1988 Andréa Veiga Paquita / Paquita Mor / Paquitona / Paca Primeira Geração 1986–1990 Andréa Sorvetão Xiquita Sorvetão / Peso-pesado / Xica Primeira Geração / Segunda Geração 1986–1989 Luise Wischermann Pituxa Alemã / Oinc Oinc / Pitu Primeira Geração 1987–1989, 1992 Ana Paula Guimarães Catuxa / Catu Primeira Geração / Segunda Geração1987–1992 Roberta Cipriani Xiquitita Surfista Priscilla Couto Catuxita Top Model Segunda Geração 1987–1990 Tatiana Maranhão Paquitita Loura 1988–1992 Ana Paula Almeida Pituxita Bonequinha 1989–1991 Letícia Spiller Pituxa Pastel 1989–1992 Cátia Paganote Miúxa Bruxa1990–1992 Juliana Baroni Catuxa Jujuba Bianca Rinaldi Xiquita Bibi Flávia Fernandes Paquitita Pluft
E contava ainda com o auxílio dos assistentes Dengue (Roberto Berttin) e Praga (Armando Moraes) e das Irmãs Metralha. +Irmãs MetralhaAno de atividadeNomeNumeração1990–1992 Mariana Richard 001 Roberta Richard 100
E além do auxílio dos Paquitos. +Integrantes dos PaquitosAno de atividadeNomeApelido1989–1991, 1992 Marcello Faustini Celo Cláudio Heinrich Claudinho Egon Júnior Gigio 1989–1990 Robson Barros Rob 1989–1991 Alexandre Canhoni Xandi / Xiquito 1991–1992 Yuri Martins Yu Catuxito
Eles ajudavam a apresentadora na organização e na animação do auditório. O uniforme das Paquitas era inspirado em trajes de Balizas estilizadas, com jaquetas azuis e vermelhas, franjas douradas nos ombros, chapéus decorados, saias (usadas somente nos primórdios do programa Xou da Xuxa, em 1986), shorts e botas brancas, enquanto o personagem Dengue, um enorme mosquito cheio de braços, vestia-se de amarelo e vermelho dos pés à cabeça, e o baixinho Praga, usava uma fantasia de tartaruga e as Irmãs Metralha usavam uniformes listrados em alusão aos uniformes de prisioneiras e os Paquitos usavam smoking (terno e gravata) e raramente usavam as famosas fardinhas, que eram usadas somente na hora das apresentações.
A principal preocupação da equipe do programa era deixar as crianças livres, como se estivessem num parque de diversões. Para garantir o clima de descontração, o infantil era feito com o mínimo de edição possível, transmitindo a ideia de um programa ao vivo. Outra característica marcante do Xou da Xuxa eram as coreografias diferentes encenadas pela apresentadora em cada número musical do programa, todas criadas pelo bailarino uruguaio Oswald Berry.
O programa tornou-se líder de audiência em pouquíssimo tempo no seu horário e fez da apresentadora o maior ídolo infantil do país. Xuxa referia-se às crianças como “baixinhos” e, por isso, passou a ser chamada de “Rainha dos baixinhos”. Seu bordão “beijinho, beijinho e tchau, tchau” também virou febre e é uma das marcas mais fortes da apresentadora. Foram lançados diversos produtos licenciados com a marca de Xuxa, como bonecas, roupas e acessórios, e as crianças de diferentes níveis sociais começaram a se vestir igual a apresentadora. As botas de couro brancas e as “xuxinhas” para prender os cabelos viraram febre entre crianças e adolescentes e se tornaram um ícone dos anos de 1980 no Brasil.
Ao longo dos anos, o Xou passou a investir em quadros, diversificando as atrações do programa.
Vários personagens interpretados por Xuxa permaneceram no ar ao longo da existência do programa. Entre os de maior repercussão estavam Vovuxa, uma simpática velhinha que adorava contar histórias e piadas; Madame Caxuxá, uma astróloga que transmitia mensagens sobre higiene e alimentação como se estivesse lendo o horóscopo do dia; Dra. Boluxa, médica que dava conselhos para as crianças de como agir no dia-a-dia em caso de doenças e pequenas lesões; e Xoxum, sábio chinês que ensinava a reciclar materiais e os transformar em brinquedos.
O Xuxerife também se juntava à turma do Xou da Xuxa para investigar denúncias feitas pelas crianças através de cartas.
O programa era inteiramente gravado no Teatro Fênix, no Rio de Janeiro.
O figurino da apresentadora, criado por Sandra Bandeira e sua equipe, era uma atração à parte: em cada programa, Xuxa aparecia com um modelo completamente diferente. Em novembro de 1988, cerca de dois anos e meio depois da estreia, Xuxa já havia se vestido de 759 maneiras diferentes. Apesar de estar sempre mudando o visual, a marca registrada de Xuxa eram as minissaias, as xuquinhas, as botas e as ombreiras.
A direção geral continuava com Marlene Mattos, e a coordenação de produção era de Nilton Gouveia.
Atrações musicais Além de receber artistas convidados, Xuxa sempre cantava músicas de seu repertório. Dentre os convidados mais frequentes estavam Trem da Alegria, que gravou várias músicas com a apresentadora, Beto Barbosa que era um convidado habitual no ápice da lambada, Cid Guerreiro (compositor de várias músicas de sucesso da apresentadora), a cantora Rosana, os palhaços Atchim & Espirro, a sua protegida Patrícia Marx, José Augusto, Dr. Silvana & Cia., a sobrinha de Marlene Mattos Angel, Roupa Nova, João Penca & Seus Miquinhos Amestrados e Sérgio Mallandro
1ª Temporada
Em 30 de junho de 1986, estreava o primeiro Xou da Xuxa.
A primeira abertura que era exibido entre 1986 a 88, abordava o universo infantil unindo animação e elementos reais. Xuxa aparecia com uma cartola, de onde saíam diversos brinquedos e objetos, como aviões, pirulitos e bonecas, que ganhavam vida e se misturavam com as crianças, ao som da música "Doce mel", cantada pela apresentadora (esta primeira versão fez parte do álbum Xou da Xuxa vol. 1).
O primeiro cenário foi elaborado pelo desenhista Maurício de Sousa – criador da Turma da Mônica – e pelo cenógrafo Reinaldo Waisman. Foi concebido de modo que as crianças pudessem brincar livremente por todo o espaço. Assim, cada canto do cenário contava com alguma atração: a cauda de um imenso dragão se transformava em escorregador, a copa de uma árvore servia de telhado para um carrossel e o colo de um mestre cuca funcionava como apoio da gangorra. A ideia era que tudo que estava presente no palco pudesse ser usado pelas crianças durante as brincadeiras. Havia, inclusive, um câmera que, vestido de palhaço, circulava entre as crianças com um equipamento portátil, registrando todos os detalhes e a espontaneidade das brincadeiras.
O modelo da nave (que viria ser a marca registrada da apresentadora) era rosa clara em formato médio, tinham janelas redondas e não tinham portas no centro. Ela descia ao som de “Amiguinha Xuxa” (1986 – “Xou Da Xuxa”) (Messias Correa/ Rogério Endé). O microfone tinha um enfeite verde de rostinho desenhado a mão. Era colocada na cabeça do microfone na época. Algum tempo depois, as carinhas verdes foram refeitas e sem os pompons amarelos.
As brincadeiras e gincanas com as crianças e os números musicais apresentados por Xuxa tomavam a maior parte do programa nos primeiros anos. O programa tinha oito blocos, somando aproximadamente 80 minutos. Um sol que se movia e uma boca no centro do palco eram as grandes atrações cenográficas. Diariamente, a apresentadora dava parabéns aos aniversariantes do dia com a música "Parabéns da Xuxa" (Xuxa/ Mauricio Vidal) e fornecia dicas de alimentação saudável para as crianças enquanto tomava seu café da manhã ao som de "Quem quer pão" (Tuza/ J. Corrêa).
2ª Temporada (1 ano) Em março de 1987, o cenário ainda sob responsabilidade de Maurício de Sousa e Reinaldo Waisman, sofreu sua primeira modificação. Os personagens que faziam parte das histórias contadas por Xuxa, como o cãozinho Xuxo, transformaram-se em escorregadores e balanços. A nave espacial que transportava a apresentadora na abertura e no encerramento do programa também foi modificada, além de ficar maior, a cor rosa foi realçada. Foram colocadas as bocas vermelhas que piscavam. Assim como no ano anterior, ela descia também ao som de “Amiguinha Xuxa”, mas tendo uma adição da coreografia da mesma, e subia ao som da versão instrumental de "Doce Mel" que viria ser tocada nos anos seguintes. O programa teve participações de Paquitas, Dengue e Praga, com redação de Wilson Rocha, edição de João Henrique Schiller, Jorge Rui de Almeida e Fernando de Almeida, direção de Paulo Netto e depois Marlene Mattos.
Na época, houve a troca do sistema de som da TV Globo, o que ocasionou várias trocas de microfone ao longo da temporada.
3ª Temporada (2 anos) A abertura foi trocada pela primeira vez em 1988. Surgem várias crianças de rosto pintado enquanto Xuxa passava pela tela a todo momento, sendo apenas focada da cintura para baixo. No fim, Xuxa se sentava, mandava um beijo e surgia o então novo logotipo do programa. A música "Doce Mel" teve uma segunda versão exclusivamente para abertura dessa e da abertura seguinte.