Este artigo lista as organizações científicas e outros grupos reconhecidos nacionalmente ou internacionalmente que, especificamente, rejeitam o Design Inteligente como uma alternativa válida para a teoria evolucionista.
Órgãos do Brasil
Ministério da Educação e Cultura (MEC) O Ministério da Educação manifestou-se em 2006 contra ensino do criacionismo ou qualquer teoria criacionista nas escolas do país. Para o MEC, o modelo criacionista não deve ser apresentado em aulas de ciências, como fazem alguns colégios privados e faculdades, em geral confessionais (ligados a uma crença religiosa). O entendimento do MEC é semelhante ao dos pesquisadores contrários ao criacionismo: o modelo não pode ser considerado teoria científica por não estar baseado em evidências (preceito tido como básico para se definir o que é ciência). A secretária da Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar afirmou que:
Academia Brasileira de Ciências (ABC) A Academia Brasileira de Ciências congrega os mais eminentes cientistas nas Ciências Matemáticas, Físicas, Químicas, da Terra, Biológicas, Biomédicas, da Saúde, Agrárias, da Engenharia e Sociais do Brasil. A ABC divulgou um manifesto feito pelos seus membros, repudiando o design Inteligente:
Sociedade Brasileira de Genética (SBG) A SBG dirigiu ao público, um comunicado abordando que não existe qualquer respaldo científico para ideias criacionistas que vêm sendo divulgadas em escolas, universidades e meios de comunicação. O objetivo desse comunicado foi esclarecer à sociedade brasileira sobre as falácias criacionistas e evitar prejuízos no médio e longo prazo ao ensino científico e à formação dos jovens no país. A Sociedade Brasileira de Genética deixa claro:
Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP) A SBP emitiu um manifesto reforçando que os dados paleontológicos respaldam enfaticamente a realidade da Evolução Biológica. Nesse manifesto, a SBP aborda que o design inteligente é uma pseudociência que não têm artigos publicados em revistas reconhecidas pela comunidade acadêmica e que fica claro que design inteligente não deve ser ensinado nas escolas. A sociedade Brasileira de Paleontologia deixa claro:
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) A SBPC emitiu um manifesto contra um projeto que visava o ensino do criacionismo nas escolas, abordou-se que a evolução é apoiada pela descoberta de fósseis, que revelaram mudanças nas espécies ao longo do tempo. O registro fóssil, a pesquisa com DNA, a evidência de que espécies têm ancestrais comuns, entre outras descobertas, somam evidências fortes que a evolução pela seleção natural é como a vida na Terra surgiu e se tornou diversa. A SBPC aborda que "os argumentos criacionistas são baseados em crenças acerca de uma entidade de fora do mundo natural. Não pode ser investigado pela ciência, que somente investiga os fenômenos que ocorrem naturalmente" e conclui que "definitivamente, não há como inserir o criacionismo no conteúdo de disciplinas científicas, para que não prejudique o ensino científico de boa qualidade no Brasil. Associação Brasileira de Ensino de Biologia (SBENBIO) A associação SBENBIO em conjunto com a ABRAPEC, manifestou-se em 2014 contra um Projeto de Lei para o ensino do criacionismo nas escolas. A carta aberta assinada pela presidente da ABRAPEC e pelo presidente da SBEnBio, traz uma série de razões pelas quais as entidades são contrárias ao projeto. Em 2020, a associação emitiu uma nota conjunta com 10 outros órgãos brasileiros através de sua página em rede social reafirmando que o Design Inteligente não pode ser entendido como uma ciência alternativa à evolução:SBEnBio. Nota de Esclarecimento. (2020). Página da SBEnBio. Facebook. Disponível em <https://www.facebook.com/sbenbio/>. Acesso em 26 de Janeiro de 2020.A nota de esclarecimento é clara sobre que o Design Inteligente e Criacionismo são interpretações dogmáticas que não originam novas questões que possam ser investigadas e discutidas pela comunidade científica, incluindo dimensões sobrenaturais, e que discursos que afirmam que explicações criacionistas deteriam o mesmo status epistemológico que os conhecimentos científicos das teorias evolutivas são veementemente contrários à posição da SBENBIO. Outras dez associações assinaram a nota:
Observatório da Laicidade da Educação (OLÉ); Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC); Sociedade Brasileira de Ensino de Química (SBENQ); Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR); Associação Nacional de História (ANPUH); Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF); Fórum Nacional dos Coordenadores Institucionais do PIbid e Resistência Pedagógica (FORPIBID RP); Fórum Nacional de Diretores de Faculdades, Centros de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras (FORUMDIR); Centro de Estudos Educação e Sociedade (CEDES); Associação Nacional de Poítica e Administração da Educação (ANPAE).
Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC)
A associação ABRAPEC em conjunto com a SBEnBio expressaram publicamente sua posição contrária ao Projeto de Lei 8099/2014 de 2014 que tornaria obrigatório o ensino do criacionismo na educação básica pública e privada do Brasil. No manifesto, os mesmos elucidaram as razões pelas quais rejeitam o projeto de lei apresentado pelo deputado Marco Feliciano. A carta aberta aborda que:
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) A equipe de professores da UFRGS publicou um manifesto de resposta repudiando os posicionamentos do grupo brasileiro do Design Inteligente em um manifesto feito pelos mesmos e alertando o público que a TDI não pode ser considerada científica. O manifesto de resposta abordou que o design inteligente é inconsistente com diversas áreas da ciência, desde a Geologia de Petróleo (que preconiza em suas previsões a evolução da vida) até as Ciências da Vida e que a alegação de que a teoria evolutiva apresenta inconsistências graves é apresentada de forma distorcida no manifesto da TDI Brasil. A réplica aborda que:
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) A equipe de professores da UNICAMP enviaram diversos e-mails repudiando os posicionamentos da própria instituição de ensino a cerca do “1° Fórum de Filosofia e Ciência das Origens”, onde iria reunir cinco convidados ligados ao “criacionismo científico” para falar sobre filosofia e ciência. Algumas manifestações de resposta abordaram que é embaraçoso para uma universidade estadual dar credibilidade para esse tipo de evento e que o mesmo se trata de uma doutrina não científica que deve ser feita somente em igrejas:
Sociedade Brasileira de Física (SBF) A Sociedade Brasileira de Física, lançou um manifesto, aprovado por seu Conselho e sua Diretoria, em favor de um ensino pleno, sem restrições ao conhecimento ou à liberdade de expressão e em repúdio ao movimento Escola Sem Partido. De acordo com a manifestação da SBF, o movimento deve ser repelido, pois pode se tornar um perigoso instrumento para ameaçar o ensino de ciência nas escolas e pode levar a situações inaceitáveis em termos educacionais, como restrição ao ensino da teoria da evolução das espécies, à perspectiva de gênero e a temas afins ao multiculturalismo. O manifesto aborda que:
Universidade de São Paulo - Núcleo Charles Darwin (EDEVO-Darwin/USP) O Núcleo de Apoio à Pesquisa em Educação, Divulgação e Epistemologia da Evolução “Charles Darwin” (NAP EDEVO-Darwin), ligado à Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo, que reúne diversos cientistas atuantes na área da evolução biológica, se manifestou sobre uma opinião emitida em 2020 pelo dirigente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (CAPES), ligada ao Ministério da Educação (MEC). O Núcleo emitiu uma notaAZENHA, Luiz Carlos. Núcleo Charles Darwin da USP protesta contra criacionismo de novo presidente da CAPES; leia íntegra da nota. VIOMUNDO. São Paulo. 2020. que abordou que:
Órgãos dos Estados Unidos
American Association for the Advancement of Science (AAAS) A American Association for the Advancement of Science (AAAS) É a maior sociedade científica geral do mundo, serve cerca de 262 sociedades afiliadas e academias de ciência, atendendo a 10 milhões de indivíduos. Uma declaração de 2002 afirma: A falta de garantia científica para a chamada" teoria do design inteligente" torna impróprio inclui-la como parte da educação científica. Uma declaração de 2006 sobre o ensino da evolução afirma: Q & A sobre Evolução e Design Inteligente: O design inteligente é uma alternativa científica à teoria evolucionária contemporânea? Não. Os defensores do design inteligente podem usar a linguagem da ciência, mas não usam sua metodologia. Eles ainda não propuseram testes significativos para suas afirmações, não há relatos de pesquisas atuais sobre essas hipóteses em reuniões relevantes da sociedade científica e não há nenhum corpo de pesquisa sobre essas hipóteses publicadas em revistas científicas relevantes. Assim, o design inteligente não foi demonstrado ser uma teoria científica.
American Association of University Professors (AAUP) A American Asssociation of University Professors é uma organização de professores e outros acadêmicos nos Estados Unidos. AAUP é de cerca de 47.000 membros, com mais de 500 campus de seções locais e 39 organizações estatais. A organização abordou que diz respeito aos Projetos de Liberdade Acadêmica: "Tais esforços são contrários ao esmagador consenso científico sobre a evolução e são inconsistentes para uma compreensão adequada do significado da liberdade acadêmica."The Latest Face of Creationism in the Classroom Glenn Branch and Eugenie C. Scott. e declarou sua posição contrária ao design inteligente:
American Astronomical Society (AAS) A AAS é uma sociedade americana de astrônomos profissionais e outros indivíduos interessados, com mais de 7.000 membros e seis divisões. Uma carta enviada em 2005 ao presidente George W. Bush pelo Dr. Robert P. Kirshner presidente da sociedade, cita que "o design inteligente nem sequer faz parte da ciência - é uma ideia religiosa que não tem um lugar no currículo de ciências." Uma declaração de 2005 sobre o Ensino da Evolução aborda:
American Chemical Society (ACS) A Sociedade Americana de Química é uma sociedade científica que apoia a investigação científica no campo da química, com mais de 164.000 membros em todos os níveis de graduação e em todos os campos da química, engenharia química e áreas afins. É a maior sociedade científica do mundo e uma das principais fontes de informação científica autorizada. A associação manifestou-se abordando que a Teoria evolutiva é a única explicação para a origem e diversidade das espécies:
American Geophysical Union (AGU) A União Geofísica Americana é uma organização com fins não lucrativos de geofísicos que conta (número do ano 2006) 49.000 membros que provêm de 140 países. As atividades da AGU são concentradas sobre a organização e a disseminação da informação científica no domínio da Geofísica, domínio interdisciplinar e internacional. A União manifestou-se contra o design inteligente :
American Institute of Physics (AIP) O Instituto Americano de Física (AIP) promove a ciência, a profissão de física, publica periódicos de física e produz publicações para sociedades científicas e de engenharia. A AIP é constituída por várias sociedades membros. Sua sede corporativa está no American Center for Physics em College Park, Maryland, mas o instituto também tem escritórios em Melville, Nova York e Pequim. O AIP possui uma declaração de política da Diretoria que apoia a evolução e o oposto ao criacionismo .
American Psychological Association (APA)