Guerras Macedônicascenter|thumb|300px|Região do Mediterrâneo oriental em 200 a.C.. As (214–148 a.C.) foram uma série de conflitos travados pela República Romana e seus aliados gregos no Mediterrâneo oriental contra diversos grandes reinos gregos. Depois da Segunda Guerra Púnica, Roma já havia se consolidado como potência hegemônica no Mediterrâneo ocidental e o resultado das guerras macedônicas foi a consolidação desta hegemonia também na região oriental. Tradicionalmente, as "Guerras Macedônicas" incluem as quatro guerras contra o Reino da Macedônia, uma guerra contra o Império Selêucida e uma guerra menor contra a Liga Aqueia (que é frequentemente considerada como a fase final da última guerra contra a Macedônia). A mais importante delas foi travada contra os selêucidas, seguida das guerras contra a Macedônia; ambas marcaram efetivamente o fim destes estados como potências mundiais, embora nenhum deles tenha significado uma conquista imediatada pelos romanos.Eckstein, Arthur. "Rome Enters the Greek East". p61 As quatro guerras contra a potência menor, a Macedônia, foram resultado da proximidade geográfica com Roma, apesar de a última ter sido travada contra rebeldes insurrectos e não exércitos organizados.Eckstein, Arthur. "Rome Enters the Greek East". p62 A influência romana dissolveu gradualmente a independência macedônica e o estado macedônico acabou digerido pela potência que rapidamente se tornava um império global. O resultado da guerra contra o já declinante Império Selêucida lhe foi, em última instância, fatal, apesar de a crescente influência da Pártia e do Reino do Ponto terem evitado outros conflitos contra Roma.
Do final das Guerras Macedônicas até o início do Império Romano, a região oriental do Mediterrâneo permaneceu como uma rede mutável de entidades políticas com variados graus de independência, dependência ou controle militar direto de Roma.Eckstein, Arthur. "Rome Enters the Greek East". p78 Segundo Políbio,Eckstein, Arthur. "Rome Enters the Greek East". p12 que buscava rastrear como Roma havia conseguido dominar os gregos em menos de um século, as guerras de Roma com a Grécia foram motivadas depois que diversas pólis gregas buscaram ativamente a proteção romana contra o Reino da Macedônia e o Império Selêucida, potências regionais, diante do acelerado declínio do Egito Ptolemaico.Eckstein, Arthur. "Rome Enters the Greek East". p40 Ao contrário da Grécia ocidental, a oriental já vinha sendo controlada por grandes impérios por séculos e a influência romana, assim como a busca de alianças, levaram a guerras contra esses impérios que os enfraqueceram e, por conta disto, criaram um instável vácuo de poder que apenas Roma foi capaz de pacificar.Eckstein, Arthur. "Rome Enters the Greek East". p45 Esta estrutura geopolítica tem importantes similaridades (e algumas importantes diferentes) com o que havia ocorrido na Itália séculos antes, mas desta vez em escala global. HistoriadoresGoldsworthy, In the Name of Rome, p. 36 enxergam a crescente influência romana no oriente, assim como no ocidente, não como uma questão imperialista, mas como uma constante situação de gestão de crises com foco bem específico em resolver objetivos de curto prazo numa rede altamente instável, imprevisível e interdependente de alianças e dependências.Eckstein, Arthur. "Rome Enters the Greek East". p38 Com algumas importantes exceções de governo militar direto (como aconteceu com partes da Grécia continental), o Mediterrâneo oriental permaneceu sendo uma aliança de cidades-estado e reinos independentes (com variados graus de independência, tanto de jure quanto de facto) até a transição final para o Império Romano.Madden, Thomas. "Empires of Trust". p62 Foi só no período imperial que esta região, juntamente com todo o resto do mundo romano, foi organizado oficialmente como províncias sob explícito controle romano.Madden, Thomas. "Empires of Trust". p64
Primeira Guerra Macedônica (214–205 a.C.)
Durante a Segunda Guerra Púnica, Filipe V da Macedônia se aliou com Aníbal.Matyszak, The Enemies of Rome, p. 47Grant, The History of Rome, p. 115 Temendo que ele recebesse reforços macedônicos na já imensamente difícil guerra em território italiano, o Senado Romano despachou um pretor, Marco Valério Levino , com um exército para a região. As legiões romanas, apoiadas por forças aliadas da Liga Etólia e do Reino de Pérgamo depois de 211 a.C., conseguiram pouco mais do que fustigar as forças macedônicas e conquistaram alguns poucos territórios na costa do Adriático para "combater a pirataria". O interesse romano nesta época não era a conquista, mas manter os macedônios ocupados enquanto Roma lutava contra Aníbal. A guerra terminou de forma indecisiva em 205 a.C. com o Tratado de Fenícia. Apesar de ter sido um conflito menor, foi esta guerra que abriu o caminho para a intervenção militar direta na Macedônia. Apesar de ter sido travado entre romanos e macedônios, esta guerra foi praticamente independente das demais guerras romano-macedônicas que se seguiram no século seguinte.Eckstein, Arthur. "Rome Enters the Macedon East". p41
Segunda Guerra Macedônica (200–196 a.C.)
No século anterior, o mundo grego foi dominado pelos três principais reinos sucessores do império de Alexandre, o Grande: o Egito Ptolemaico, o Reino da Macedônia e o Império Selêucida. As ambições imperiais dos selêucidas depois de 230 a.C. foram particularmente desestabilizadoras. Eles partiram para conquistar o Egito, que respondeu com uma grande mobilização militar. Esta campanha levou à vitória militar contra as incursões selêucidas, mas, em 205 a.C., quando Ptolemeu IV foi sucedido pelo seu filho de cinco anos de idade, Ptolemeu V (ou melhor, por seus regentes), os recém-armados egípcios se voltaram um contra o outro. O resultado foi uma grande guerra civil entre o norte e o sul do Egito. Percebendo a fragilidade, os macedônios e os selêucidas forjaram uma aliança para conquistar e dividir o Egito entre si.Eckstein, Arthur. "Rome Enters the Greek East". p42
Este desequilíbrio foi a mais importante ameaça à já centenária ordem política que mantinha o mundo grego em relativa estabilidade e, especialmente, representou uma grande ameaça aos pequenos reinos gregos que haviam conseguido se manter independentes. Como a Macedônia e o Império Selêucida eram o problema e o Egito, a causa do problema, a única potência restante era Roma. Esta foi uma grande mudança, pois os gregos, até pouco tempo antes, só demonstravam desprezo em relação aos romanos, que devolviam o sentimento com indiferença em relação aos gregos. Embaixadores do Reino de Pérgamo e de Rodes apresentaram evidências perante o Senado Romano de que Filipe V da Macedônia e Antíoco III, do Império Selêucida, haviam assinado um pacto de não-agressão. Embora a natureza exata deste tratado seja incerta e a razão exata do envolvimento romano depois de décadas de indiferença em relação a Grécia (as passagens relevantes sobre o tema na obra de Políbio, a principal, se perderam), a delegação grega conseguiu convencer os romanos.Eckstein, Arthur. "Rome Enters the Greek East". p43 Inicialmente, Roma não pretendia uma guerra contra a Macedônia, mas apenas intervir em favor de seus aliados diplomaticamente.
Roma entregou um ultimato a Filipe, exigindo que ele cessasse sua campanha contra os territórios do novos aliados gregos dos romanos. Duvidando do poderio romano, especilamente por causa do fraco desempenho romano na Primeira Guerra Macedônica, Filipe ignorou o pedido, o que surpreendeu os romanos. Acreditando estar diante de uma ameaça à sua honra e reputação, Roma escalou o conflito enviando um exército para forçar a questão, o que deu início à Segunda Guerra Macedônica.Matyszak, The Enemies of Rome, p. 49 Surpreendentemente, dado os recentes sucessos contra os gregos e romanos, o exército de Filipe cedeu à pressão. As tropas mistas romano-gregas, lideradas pelo cônsul Tito Quíncio Flaminino, alcançaram as planícies da Tessália em 198 a.C. No ano seguinte, os romanos derrotaram Filipe decisivamente na Batalha de Cinoscéfalos e ele pediu a paz.Grant, The History of Rome, p. 117 No resultante Tratado de Tempe, Filipe V foi proibido de interferir em assuntos fora de suas fronteiras e teve que entregar suas recentes conquistas na Trácia e na Ásia Menor. Nos Jogos Ístmicos de 196 a.C., Flaminino proclamou a "liberdade dos gregos", a nova política (possivelmente mal formulada) em relação aos gregos, o que implicava que a Grécia estaria estabilizada e Roma poderia retirar completamente suas forças da região sem o risco de mais instabilidade.Eckstein, Arthur. "Rome Enters the Greek East". p48 Era aparente que Roma não tinha mais interesse na região, pois as legiões se retiraram se sequer tentarem consolidar quaisquer novas conquistas, e a relação com os gregos voltou à habitual apatia, mesmo quando seus aliados gregos ignoravam suas exigências.
Guerra Selêucida (192–188 a.C.)
Com o Egito e a Macedônia enfraquecidas, o Império Selêucida passou a agir de forma mais agressiva, colecionando sucessos no mundo grego.Eckstein, Arthur. "Rome Enters the Greek East". p51 Quando Roma deixou a Grécia depois do final da Segunda Guerra Macedônica, acreditou (assim como seus aliados) ter deixado para trás uma paz estável. Porém, ao enfraquecer a última potência adversária dos selêucidas, o legado romano foi justamente o oposto. Não apenas os aliados romanos na guerra contra Filipe passaram a buscar ajuda contra os selêucidas, mas o próprio Filipe buscou uma aliança com Roma.Grant, The History of Rome, p. 119 A situação ficou ainda pior quando Aníbal se tornou o principal conselheiro militar do imperador selêucida e, segundo os romanos, acreditava-se que os dois planejavam a conquista militar direta não apenas da Grécia, mas da própria Roma.Eckstein, Arthur. "Rome Enters the Greek East". p52 Os selêucidas eram muito mais poderosos que os macedônicos jamais haviam sido, pois controlavam a maior parte do que havia sido o poderoso Império Aquemênida ("Pérsia") e seu território se aproximava muito do que havia sido o do império de Alexandre, o Grande. Temendo o pior, os romanos começaram uma grande mobilização, praticamente deixando as recém-pacificadas Hispânia e Gália Cisalpina e reforçando a guarnição da Sicília para o caso de uma invasão selêucida. Este temor era compartilhado pelos aliados gregos dos romanos, que praticamente ignoraram Roma nos anos seguintes à Segunda Guerra Macedônica. Uma grande força romano-grega foi mobilizada sob o comando do grande herói da Segunda Guerra Púnica, Cipião Africano, e partiu para a Grécia, dando início à guerra.