Marconi Ferreira Perillo Júnior (Palmeiras de Goiás, 7 de março de 1963), mais conhecido como Marconi Perillo ou simplesmente Perillo, é um político brasileiro, filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Foi governador do Estado de Goiás, exerceu o cargo em quatro mandatos (1999 a 2002, 2003 a 2006, 2011 a 2014, e de 2015 a 2018), além de ter sido senador entre 2007 e 2010, deputado estadual e federal pela mesma unidade federativa.

Primeiros anos Marconi Ferreira Perillo Júnior nasceu em Goiânia em 7 de março de 1963, mas viveu sua infância em Palmeiras de Goiás, terra de seus pais, o comerciante Marconi Ferreira Perillo e a dona de casa Maria Pires Perillo. Primogênito, tem outros três irmãos: Antônio, Vânia e Tatiana. Conheceu Valéria Jaime Peixoto em 1989, então servidora do legislativo goiano, com quem se casou e teve duas filhas, Isabela e Ana Luísa.

Formação educacional Cursou o ensino fundamental no Colégio Estadual de Palmeiras de Goiás (1970–1978). Aos 14 anos, começou a trabalhar como auxiliar no serviço burocrático do Cartório do 2º Ofício de Notas em Palmeiras, porém, antes de completar 15 anos, retorna para Goiânia, mudando-se para a casa dos tios Jorge e Maria Conceição. Em Goiânia, cursou o segundo grau (atual ensino médio) no Colégio Pré-Médico (1978–1980).

Na década de 80, ingressou em três cursos universitários, porém não os concluiu: 1980, Ciências Sociais, na Universidade Federal de Goiás; 1982, Engenharia Industrial Mecânica, na Universidade Brás Cubas (Mogi das Cruzes); 1985, Direito na Universidade Católica de Goiás.

Em 2007, ingressou novamente na faculdade, através da criação indevida de uma turma exclusiva de direito para Perillo e sua esposa pela Faculdade Alves Faria (Alfa). Em 2007, o Ministério Público Federal em Goiás (MPF) ajuizou ação civil pública, com pedido de liminar em desfavor da Faculdade Alves Faria (Alfa), Marconi Perillo (então senador da República), Valéria Perillo e União Federal, por concessão de tratamento privilegiado a agente político.

De acordo com a procuradora da república Mariane Guimarães de Mello Oliveira, a Faculdade Alfa, sob a justificativa de atender necessidades especiais de Marconi Perillo, teria montado uma turma especial no curso de direito com apenas dois alunos: o senador e sua esposa Valéria Perillo.Ministério da Fazenda - A escolinha do senador Perillo A ação tramita na Justiça Federal de Goiás desde 2007. Em 2009, fez o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), em que o curso de direito da Alfa avaliado foi com nota 2 (escala de 1 a 5).

Carreira política Marconi Perillo começou sua carreira política no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Em duas oportunidades, presidiu o PMDB Jovem (1985–1987 e 1987–1989), período em que atuou também como membro do diretório estadual. Foi Assessor Especial do governador Henrique Santillo entre 1987 e 1º de fevereiro de 1991 e deputado estadual por Goiás, entre 1991 e 1995.

Em 1992, Perillo e Santillo, juntamente com outras lideranças do PMDB, filiam-se ao Partido Social Trabalhista (PST), permanecendo na legenda até 1993, quando a direção nacional, juntamente com a direção nacional do Partido Trabalhista Renovador (PTR), formalizam a fusão das legendas, criando o Partido Progressista (PP).

Nas eleições estaduais de 1994, Perillo é eleito deputado federal pelo PP, sendo o sexto mais votado.

Governador de Goiás No pleito estadual de Goiás em 1998, Perillo foi eleito governador de Goiás pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) com apenas 35 anos de idade, tornando-se o mais jovem governador do Brasil. Nessas eleições, as pesquisas indicavam um grande favoritismo do ex-governador e então senador Iris Rezende, ex-colega de legenda de Perillo e a principal liderança política do estado à época. Com o mote de um "tempo novo" para a política e o governo do estado, Perillo inesperadamente derrotou Rezende no segundo turno e assumiu o governo de Goiás.

Marconi Perillo foi investigado pela suspeita de ter recebido 2 milhões de reais de propina na época em que foi governador do estado de Goiás entre 1999 a 2006. A partir de interceptações telefônicas, em que um grupo de empresários do ramo de proteína animal negociava pagamento de propina para o então governador. Três meses depois dessas ligações, o então governador aprovou desconto fiscal de 7% para as empresas, um de vários incentivos fiscais a diversos setores produtivos.

Em 2002, Jorge Kajuru (PFL), ex-proprietário da Rádio K, publicou um livro chamado Dossiê K , em que tece denúncias de corrupção sobre o Marconi Perillo. A trajetória narrada compreende o período entre janeiro de 1998 e setembro de 2002. O livro foi apreendido pela justiça de Goiás, antes do final das eleições de 2002. Além disso, a Rádio K também denunciou que a primeira-dama de Goiás, Valéria Perillo, estaria recebendo R$ 3.500 mensais a título de gratificação. Primeiras-damas não são remuneradas. No mesmo escândalo, acusou a primeira dama de imprimir "fotos oficiais" de si própria e envia-las para cada um dos 251 municípios de Goiás. Acompanhava as fotos a orientação para que fossem afixadas no gabinete do prefeito, na presidência da Câmara Municipal e na sala da primeira-dama de cada cidade. Após a denúncia, o governador Marconi Perillo determinou que as fotos fossem recolhidas.Veja - Evita goiana - Com vocês, a primeira-dama Valéria Perigo, ops, PerilloFolha de S.Paulo - Governo suspende emissora em Goiás

Segundo mandato como governador Nas eleições de 2002, Perillo foi reeleito no primeiro turno com 51,21% dos votos. Em 2003, Marconi foi admitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Ordem do Mérito Militar no grau de Grande-Oficial especial.

Primeira eleição para o Senado Federal esquerda|miniaturadaimagem|Foto oficial do senador Marconi Perillo. Em 2006 não conclui seu mandato, desincompatibilizando-se em 31 de março para concorrer ao Senado Federal. Foi eleito com 75% dos votos e ainda contribuiu para a eleição de seu sucessor, seu vice-governador Alcides Rodrigues ao governo do estado. Ele tentou fundar o PROS que viria a ser um novo partido da base governista, sem sucesso. Ele apoiou privatizações em seu Estado e intensificou repressão a movimentos populares.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve, em 2008, a condenação de Marconi Perillo ao pagamento de uma multa de R$ 53 205,00 por propaganda antecipada no pleito de 2006, veiculada na forma de propaganda institucional do governo de Goiás. A propaganda institucional foi publicada nos jornais O Popular e Diário da Manhã e, segundo o Ministério Público, terminou por fortalecer a pré-candidatura de Perillo a senador por Goiás.TSE - TSE confirma multa ao senador Marconi Perillo por propaganda eleitoral antecipadaFolha de S.Paulo - TSE confirma multa a senador por propaganda eleitoral antecipada

Terceiro e quarto mandato como governador miniaturadaimagem|Logo de Marconi Perillo ao governo de Goiás em 2010.

Em 3 de outubro de 2010, recebeu 1 400 227 (46,33% dos votos válidos), habilitando-se a disputar um segundo turno com Iris Rezende do PMDB no dia 31 de outubro do mesmo ano, quando elegeu-se governador de Goiás pela terceira vez, recebendo votos (52,99% dos votos válidos).A chefe de gabinete de Marconi Perillo, Eliane Gonçalves Pinheiro, pediu demissão após ter tido conversas telefônicas dela com Carlinhos Cachoeira interceptadas, nas quais, é avisada pelo bicheiro sobre uma ação da Polícia Federal que seria desencadeada em 13 de maio de 2011 e que tinha como objetivo combater um esquema de fraudes contra a Receita Federal em diversos estados, incluindo Goiás.Pernambuco.com - Ligações com Cachoeira provocam demissões no governo de Goiás A própria Eliane confirmou que mantém "vínculos de amizade" que considera "exclusivamente pessoais com pessoas indiciadas" na Operação Monte Carlo.Veja - Após denúncias, chefe de gabinete do governador Marconi Perillo pede exoneração Os dados, passados a Eliane por Cachoeira, diziam respeito a alvos da Operação Apate, que investigou, em 2012, supostas fraudes tributárias em prefeituras do interior de Goiás. Antes do pedido de exoneração, Perillo chegou a defender a sua chefe de gabinete.Revista Época - Perillo defende chefe de gabinete flagrada em escutas com Cachoeira O patrimônio de Eliane se multiplicou por sete no primeiro ano da gestão de Marconi. Também é acusado de nepotismo cruzado em favor do bicheiro Carlinhos Cachoeira, dentro da Secretaria de Indústria de Comércio, onde trabalhariam seis parentes de Cachoeira e do ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Wladimir Garcez, apontado pela PF como arrecadador de campanha de Perillo.ISTOÉ - Cachoeira chega a Perillo O próprio Marconi Perillo admitiu conhecer o bicheiro Cachoeira e ter se encontrado com ele por três vezes em "reuniões festivas", uma delas na casa do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).O Globo - Perillo admite que encontrou Cachoeira em 'reuniões festivas'O Globo - Perillo nega relação do governo com 'atos ilícitos' de CachoeiraPrimeira Edição - Marconi Perillo (PSDB) admite encontro com Carlinhos Cachoeira Em entrevistaJornal do Brasil - Governador Marconi Perillo ataca a imprensa do Rio à TV Anhanguera (afiliada da Rede Globo), Marconi atacou toda a imprensa do Rio de Janeiro e, ao ser questionado se havia vendido uma casa para o bicheiro, respondeu:

Relatório da PF (obtido pela Revista Época) concluiu que, logo após assumir o governo de Goiás, em 2011, Perillo e a Delta firmaram um compromisso, intermediado por Cachoeira: a Delta receberia em dia o que era devido pelo governo goiano, desde que a construtora pagasse Perillo. O jornalista Luiz Carlos Bordoni foi condenado pela Justiça a pagar R$ 200 mil a Marconi Perillo por danos morais. Ele acusou, sem provas, o governador de ter pago seus honorários através de empresa ligada a Carlinhos Cachoeira. Na sentença, o juiz afirma que o jornalista causou “lesão seríssima” a Marconi ao não provar as acusações.

Logo no início da divulgação do escândalo, a revista CartaCapital publicou reportagem acusando Marconi de envolvimento no escândalo Carlinhos Cachoeira (bicheiro), porém a revista começou a desaparecer das bancas de Goiânia. Segundo muitos leitores, ao tentar adquirir o semanário, a resposta era sempre de que a publicação estava esgotada. Houve inúmeros relatos de venda de um grande número de revistas a poucos indivíduos, dentre eles, o do deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh. esquerda|miniaturadaimagem|Governador Marconi Perillo em 2015.

.Se reelegeu nas eleições estaduais em Goiás em 2014, no segundo turno, com 57,44% dos votos válidos. Em 7 de abril de 2018, renunciou ao mandato, para cumprir o período legal de desincompatibilização para concorrer ao Senado Federal. Recebeu apenas 7,55% dos votos válidos, ficando em quinto lugar na disputa.

Em 10 de outubro de 2018, o ex-governador, foi preso preventivamente na operação Cash Delivery por ser acusado de receber R$ 12 milhões em propina da empreiteira Odebrecht (atual Novonor). A defesa entrou, no mesmo dia, com recurso junto ao TRF-1, que concedeu um habeas corpus e ordenou imediata soltura do ex-governador.

Declaração de patrimônio à Justiça Eleitoral Em 2010, Marconi Perillo declarou à Justiça Eleitoral possuir distribuídos em 13 bens: oito imóveis (); linha telefônica (); ações da Empresa Goiás Alimentação (); dois carros (); participação no capital social da empresa Meia Lua Tour ();

Em 2012, o Jornal O Globo contestou a declaração de bens prestada à Justiça Eleitoral, denunciando que, em pesquisa a cartórios de Goiás, teria encontrado pelo menos cinco imóveis que não constavam das declarações entregues.

Ação contra a Wikipédia, Twitter e Facebook miniaturadaimagem|Marconi Perillo em 2023.