Coração de Jesus (designada Camões entre 1912 e 1959) é uma parte da cidade e antiga freguesia portuguesa do município de Lisboa, com 0,56 km² de área e 3 689 habitantes (2011). Densidade: 6 587,5 hab/km². Situava-se no coração de Lisboa, na zona do Marquês de Pombal e da Avenida da Liberdade.
Como consequência de uma reorganização administrativa, oficializada a 8 de novembro de 2012 e que entrou em vigor após as eleições autárquicas de 2013, foi determinada a extinção da freguesia, passando o seu território integralmente para a nova freguesia de Santo António.Lei n.º 56/2012 (Reorganização administrativa de Lisboa). Diário da República, 1.ª Série, n.º 216. Acedido a 25/11/2012.
Espaço Limites da antiga freguesia Partindo do cruzamento da Rua do Salitre com a Rua Castilho, segue, para Nordeste, pelo eixo desta rua, até ao seu cruzamento com a Rua Joaquim António de Aguiar; desce pelo eixo desta avenida, até ao centro da Praça do Marquês de Pombal; daqui continua para Norte, pelo eixo da Avenida Fontes Pereira de Melo, até ao viaduto sobre a Rua de São Sebastião da Pedreira; inflete para Leste, prosseguindo pelo meio dos Largo de Andaluz e das Palmeiras, em direção à Rua de Andaluz, e pelo eixo desta rua; segue, depois, para Sueste, pelo eixo da Rua Ferreira Lapa, até atingir a vedação do Hospital Miguel Bombarda; desviando-se para Sul, passa a contornar, pela respetiva vedação, este hospital, até ao topo da Rua Dr. Almeida Amaral; continua, para Sul, pelo eixo desta rua, até à Alameda de Santo António dos Capuchos; toma a direção Oeste, atravessa a Rua Luciano Cordeiro e prossegue pela vedação norte do Hospital Santo António dos Capuchos (que dá para a Calçada de Santo António); segue, para Sul, pela vedação ocidental do mesmo hospital, na parte que o separa das instalações do Sporting Clube de Portugal; inflete, então, para Oeste, na direção da Travessa Larga, atingindo a Rua do Passadiço, entre os prédios com os números 80 e 82; continua na mesma direção, pelo eixo da Travessa Larga, até se encontrar com a Rua Manuel de Jesus Coelho; segue, para Sudoeste, pelo eixo da Rua Manuel de Jesus Coelho, até à Avenida da Liberdade, em direção ao Monumento aos Mortos da Grande Guerra, junto ao começo da Rua do Salitre; por fim, sobe pelo eixo da Rua do Salitre, até ao ponto de partida, no seu cruzamento com a Rua Castilho.
A área da freguesia era de 0,558 km².
Roteiro A Avenida da Liberdade e a Praça do Marquês de Pombal (Rotunda) eram os eixos sobre os quais se articulava a freguesia do Coração de Jesus. A toponímia identifica grandes personalidades do liberalismo constitucional. Contudo, registam-se referências a antigos sítios tais como: Andaluz, Horta da Cera e de Santa Marta, bem como a memória ruralista dos locais – as travessas do Loureiro e das Parreiras.
Nomes de antigos urbanizadores também estão evocados – o caso do advogado capitalista Barata Salgueiro e as terras dos Condes de Redondo.
Símbolos Orago Maior – Santíssimo Coração de Jesus Orago Menor – Sagrada Família Ordenação heráldica do brasão e bandeira – Publicada no Diário da República, III Série de 16 de Julho de 1997 Armas – Escudo de ouro, livro aberto de prata, encadernado e decorado de vermelho e brocante, uma pena de azul, posta em barra; em chefe, coração de vermelho, flamejante do mesmo e abraçado por coroa de espinhos de negro. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco com a legenda a negro "CORAÇÃO DE JESUS – LISBOA" (maiusculado). Bandeira– A bandeira da freguesia do Coração de Jesus (1x1) era azul, com cordões dourados e borlas de ouro e azul. Haste e lança de ouro. Existem dois tipos de bandeiras na freguesia, uma para cerimónias e cortejos (a que aparece no topo deste artigo) e outra para hastear em edifícios (onde existe apenas quatro ligeiras diferenças, a haste e a lança, deixam de ser de ouro e os cordões dourados e as bordas de ouro e azul também desaparecem, a bandeira passa a ser de 2x3).
Caracterização económica, social e ambiental
População Número de residentes4991Número de famílias2470Dimensão média das famílias2,020 (em 1981: 2,198)Densidade populacional9,208Número de eleitores(1993) 7356
Na última década a freguesia perdeu 4 833 habitantes pois passou de 9829 (em 1981) para 4991 (em 1991). A taxa de variação negativa foi de quase 50%. Esta substancial diminuição da população verificou-se em todas as freguesias da Baixa e imediações (a chamada Coroa Central) que perdeu no seu conjunto 117 mil pessoas. A principal explicação é o crescente avanço das actividades terciárias ao longo da Avenida da Liberdade e áreas limítrofes; bem como o envelhecimento progressivo da população e a especulação imobiliária. Em 1981 o índice de envelhecimento era já de 135, quando o de Lisboa (a cidade) era de 75.
Esta grande perda teve reflexos inevitáveis no número de famílias que baixaram, nesta década, em 2005 (em 1981, seria 4 475 e em 1991 somente 2 970).
A tendência decrescente na população residente deu-se a partir de 1960, quando o número de habitantes baixou de 19 486 (em 1950) para 14 979 em 1960. De 1970 para 1981, assinalou-se um ligeiro acréscimo, pois, passava de 8 425, para 9 824 residentes.
O estado civil da população com mais de doze anos, seria o seguinte: solteiro – 37,1%; casado – 48,1%; viúvo – 10,0%; separado – 1,6%; divorciado – 3,2% (mais alto do que a média de Lisboa, que era de 1,9%).
Na base dos mesmos dados, evidencia-se que a estrutura etária jovem era composta por: 1 100 indivíduos com menos de doze anos; 289 dos 12 aos quatorze anos; e 584 dos 15 aos 19 anos, num total de 1 973 pessoas. Convirá, por outro lado, refletir que a população residente com mais de 65 anos, tinha a seguinte composição: 611 pessoas de 65 a 69 anos; 498 de 70 a 74 anos; 382 de 75 a 79 anos; 240 de 80 a 84 anos; e 149 com mais de 84 anos, num total de 1 880 indivíduos.
População da freguesia do Coração de Jesus (1780 – 2001) Ano População Variação 1780 2 093 --- 1820 3 140 1833 3 370 1840 2 800 1864 2 797 1878 3 208 1890 5 465 1900 7 210 1911 12 039 1920 16 733 1930 20 067 1940 21 973 1950 19 486 1960 14 979 1970 8 425 1981 9 829 1991 4 991 2001 4 319
Habitação A evolução da freguesia quanto ao alojamento é bem exemplificativa da especulação imobiliária. O número de alojamento baixou de 3 211 (em 1981) para 2 833 (em 1991) – isto é: menos 378 alojamentos. Também, o número de edifícios baixou de 585 para 546 (menos 39) e que deve ter criado terrenos expectantes.
Esta freguesia apresenta (ao contrário de muitas outras) nos seus alojamentos níveis de conforto apreciáveis, como se demonstra pelos índices: 11,1% não dispunha de instalação de banho; 0,4%sem eletricidade; 2,8% sem instalações sanitárias; 1,0% sem abastecimento de água; e 1,6 sem cozinha.
Também o seu parque habitacional revelava, por outro lado, um índice de alojamento com mais de 5 e 6 divisões, 52,6%; enquanto o alojamento de 1 divisão era só 4,7%; os de 2 divisões, 14,8%; de 3 divisões 15,3%; e de 4 divisões, 12,6%. Quanto ao regime de ocupação, 80,2% era o de aluguer e 9,4% de propriedade das próprias famílias. O subaluguer não chegava a 2%. Talvez pelo alto índice de ocupação e pelo regime de aluguer, 49,5% das famílias partilhava o alojamento, pois 50,5% das famílias, viviam só.
Emprego A população activa apresentava, em 1981, a seguinte composição:
Sector primário0,4% Sector secundário17,4%Sector terciário82,2%
Como já referido, a média de Lisboa para o sector terciário era de 74,1%. A percentagem apresentada só seria, também, ultrapassada pelas freguesias de São Sebastião da Pedreira (com 82,9%) e Mártires (com 87,5%).
Educação A freguesia do Coração de Jesus, possui uma vasta variedade de creches e jardins de infância. Assim como de ATL (Actividades nos Tempos Livres).
Na freguesia do Coração de Jesus, existe apenas uma escola. A E.B. 1 Luísa Ducla Soares (uma escola primária).
Porém, tem ao seu redor algumas escolas de 2º e 3º ciclo (como por exemplo a Escola E.B. 2,3 Marquesa de Alorna), e escolas secundárias (como por exemplo, a Escola Secundária de Camões, vulgo Liceu Camões).
Relativamente ao ensino superior, a freguesia possui a Universidade Autónoma de Lisboa, entre outras.
Existem ainda muitas instituições de ensino de Línguas, como a Cambridge School (onde se ensina inglês, francês, alemão e português para estrangeiros), o Instituto Cervantes (exclusivamente de ensino de espanhol).
Saúde Na freguesia do Coração de Jesus existem vários hospitais, centros de saúde, clínicas públicas e privadas.
Destaca-se no entanto, o Hospital de Santa Marta e o Hospital Santo António dos Capuchos.
Qualidade do ar A freguesia do Coração de Jesus, possuí o ar mais poluído de Portugal. Esta facto explica-se com as principais artérias da cidade se localizarem na freguesia, onde passam milhares de carros diariamente. Porém, o ar é constantemente limpo, e há pouco tempo, a Câmara Municipal de Lisboa assinou um acordo com a empresa responsável por essa mesma limpeza, para se efectuarem duas limpezas por dia na Avenida da Liberdade e no Marquês de Pombal (principais artérias de Lisboa).
Personalidades destacadas João Covas Lima (1937 - 2010) - Médico radiologista
História Fundada a 11 de Fevereiro de 1770, no então chamado Bairro de Andaluz, a freguesia do Coração de Jesus é atualmente uma das zonas da cidade em que o processo de terciarização mais rapidamente tem avançado, com os edifícios de escritórios, bancos e hotéis a substituírem velhos edifícios carregados de história, com a consequente expulsão dos seus moradores. Com cerca de 20 000 habitantes em 1950, vê-se hoje esta freguesia reduzida a uma população residente inferior a 5 000. Se outras razões não houvesse, este facto só por si justifica a urgência de proceder ao levantamento do património histórico desta freguesia que tão depressa vai perdendo a sua identidade e continua tão pouco conhecida, apesar de se situar no coração da cidade de Lisboa.
Porém, existem já inúmeros projectos para renovar esta zona (assim com toda a área que vai do Marquês de Pombal até ao Rio Tejo), incluindo novos edifícios de escritórios e habitação, um reforço no comércio local, remodelação e arranjo das construções já existentes, entre outros; tudo com o intuito de renovar Lisboa, e trazer mais população para o centro da cidade, que viu desaparecer quase metade da sua população em cinquenta anos (preve-se que a população aumente no centro de Lisboa, cerca de 150 000 habitantes até 2012, com isto a capital passará a ter uma população de mais de 600 000 habitantes).
De Valverde ao Andaluz A artéria que saindo das Portas de Santo Antão, segue pela Rua de São José, Rua de Santa Marta e Rua de São Sebastião da Pedreira, em direcção a Palhavã (Praça de Espanha), Sete Rios e Benfica, foi durante muitos séculos uma das principais vias de entrada na cidade, existindo já na época romana.
Entre essa velha estrada e o vale onde foi rasgada a Avenida, havia, ainda no século XII, um curso de água, o rio de Valverde, que se encontrava por alturas do Rossio com o braço do Tejo que então penetrava a toda a largura pela Baixa. Toda a zona de Valverde ficou integrada nos arrabaldes da freguesia de Lisboa, fundada logo a seguir à conquista de Lisboa em 1147.
Os férteis campos de Valverde eram naturalmente aproveitados para hortas que abasteciam a cidade e a documentação desse tempo refere expressamente as «Hortas de Valverde» e o «Caminho entre as Hortas».
Mais a norte ficava o Andaluz (Andaluces ou Andaluzos nas referências mais antigas), onde as inquirições de 1220 assinalam vinhas pertencentes às ordens religiosas. Tinham bens no Andaluz os frades do Mosteiro de São Vicente de Fora, desde o século XII, e o Convento de Chelas e Convento de São Domingos, no século XIII.
A este último, fundado em 1241, tinha o rei D. Afonso III feito também doações em Valverde.