A Asa N.º 91 foi uma asa da Real Força Aérea Australiana (RAAF) que operou durante a Guerra da Coreia e no seu rescaldo. Foi estabelecida em Outubro de 1950 para administrar as unidades da RAAF destacadas para o conflito coreano: o Esquadrão N.º 77 (componente operacional da asa), o Esquadrão N.º 391 (unidade de base), o Esquadrão N.º 491 (unidade de manutenção) e um esquadrão de comunicações. O quartel-general da asa situava-se em Iwakuni, no Japão, juntamente com as suas unidades subordinadas à excepção do Esquadrão N.º 77, que estava baseado na Península da Coreia e estava sob o comando operacional da Quinta Força Aérea dos Estados Unidos.

Em 1950 e 1953 o esquadrão de comunicações teve vários nomes, tendo em Março de 1953 sido re-baptizado como Esquadrão N.º 36. Este esquadrão tomou a responsabilidade de realizar as missões de transporte de militares, mercadorias, correio, e de realizar evacuações aeromédicas. O Esquadrão N.º 77, que começou o conflito com aviões P-51 Mustang, passou a operar aviões Gloster Meteor em Abril de 1951. Depois do armistício de Julho de 1953 o esquadrão continuou na Coreia, tendo regressado à Austrália em Novembro de 1954, mês este no qual o Esquadrão N.º 491 foi extinto. O Esquadrão N.º 36 voltou à Austrália em Março de 1955, deixando no Japão quatro das suas aeronaves para equipar a recém-formada Unidade de Transporte da RAAF, que brevemente este subordinada à Asa N.º 91. No mês seguinte, o Esquadrão N.º 391 e a Asa N.º 91 foram extintos.

Origem e formação Quando a Guerra da Coreia se iniciou no dia 25 de Junho de 1950, o Esquadrão N.º 77 da Real Força Aérea Australiana foi destacado para Iwakuni, no Japão. Nos quatro anos anteriores, esta unidade, equipada com aviões P-51 Mustang, havia servido o Grupo Aéreo da Comunidade Britânica, a componente aérea da Força de Ocupação da Comunidade Britânica, inicialmente como parte da Asa N.º 81. Quando esta asa foi extinta em Novembro de 1948, o Esquadrão N.º 77 tornou-se na única unidade aérea australiana no Japão. Nesta altura, era o maior esquadrão da RAAF, composta por 299 militares, quarenta aviões P-51, três CAC Wirraway, dois Douglas C-47 Dakota e dois Auster. O esquadrão estava preparado para regressar à Austrália quando ficou em standby por causa dos conflitos na Coreia; começou então a realizar missões humanitárias de manutenção da paz por parte da Organização das Nações Unidas (ONU).Stephens, Going Solo, pp. 210, 222–225 O comandante do esquadrão, o Wing Commander Lou Spence, foi morto em combate no dia 9 de Setembro de 1950, e o Comodoro Alan Charlesworth, Chefe do Estado-maior da Força de Ocupação da Comunidade Britânica, tomou provisoriamente o cargo de comandante, enquanto se aguardava pela organização de uma unidade superior que pudesse servir de suporte e administração para o esquadrão. O Squadron Leader Dick Cresswell chegou ao esquadrão no dia 17 de Setembro, e assumiu o comando da mesma.Stephens, Going Solo, p. 227O'Neill, Australia in the Korean War, pp. 314–315

Depois da batalha de Inchon e do avanço das tropas das Nações Unidas, o Esquadrão N.º 77 moveu-se para Pohang, na Coreia do Sul, no dia 12 de Outubro de 1950.Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 231–232 Isto deixou os seus principais elementos de apoio em Iwakuni.Eather, Odd Jobs, p. 99 Nesta base, a Asa N.º 91 foi criada, no dia 20 de Outubro.Stephens, Going Solo, pp. 228–229 Na sua designação oficial (No. 91 (Composite) Wing), onde a palavra Composite se pode traduzir para "Composta", ou até mesmo "Múltipla", este termo servia para identificar esta asa como uma força formada por vários elementos operacionais, em vez de ter sob o seu comando um único tipo de força, como caças ou bombardeiros.Helson, The Private Air Marshal, pp. 224, 338 Comandada por A. D. Charlton, a Asa N.º 91 ficou com a responsabilidade de comandar e administrar todas as unidades da RAAF durante a Guerra da Coreia. Além do Esquadrão N.º 77, esta asa também era composta pelo Esquadrão N.º 391, o Esquadrão N.º 491 e o Destacamento de Comunicações N.º 30, anteriormente conhecido como Destacamento de Comunicações do Esquadrão N.º 77 e inicialmente composto por dois aviões Dakota e dois Auster.Wilson, The Brotherhood of Airmen, p. 170 Com a excepção do Esquadrão N.º 77, as unidades da asa estavam todas sediadas em Iwakuni. Alguns membros das Forças Aéreas do Extremo Oriente, dos Estados Unidos, apoiavam a criação de uma "Asa da Comunidade Britânica", que incluiria o Esquadrão N.º 77 australiano e o Esquadrão N.º 2 da Força Aérea da África do Sul, na altura a caminho da Coreia e equipado com aviões Mustang; contudo, o governo sul-africano não concordou com a ideia.O'Neill, Australia in the Korean War, p. 315

Operações alt=|miniaturadaimagem|Aviões Meteor do Esquadrão N.º 77 a praticar manobras durante um exercício de treino nos céus de Iwakuni, no Japão, em 1952 Apesar de hierarquicamente dependente da Asa N.º 91, operacionalmente o Esquadrão N.º 77 estava sob o comando da Quinta Força Aérea dos Estados Unidos, comando que se iniciou quando se o esquadrão começou a realizar operações na Coreia; a formação da asa não afectou o comando operacional.O'Neill, Australia in the Korean War, p. 303Eather, Odd Jobs, p. 82 Mais tarde, o esquadrão moveu-se de Pohang para Yonpo, perto de Hamhung, em Novembro de 1950, continuando a prestar apoio às forças da ONU à medida que estas avançavam pela península. O contra-ataque norte-coreano, cuja força foi multiplicada pelas forças chinesas, levou a que as forças da ONU recuassem, forçando o esquadrão a retirar para Busan no dia 3 de Dezembro.Stephens, Going Solo, pp. 228, 231 As pobres condições rádio com a Asa N.º 91 dificultaram a evacuação de Yonpo, que foi realizada com o apoio da Força Aérea dos Estados Unidos, que procurou ajudar onde os aviões Dakota da RAAF não conseguiram.Odgers, Mr Double Seven, pp. 105, 147 Cresswell acreditava que o quartel-general da asa, em Iwakuni, nem sempre conseguia estar sintonizado com as forças da linha da frente, e frequentemente lidava directamente com o Tenente-general Sir Horace Robertson, o comandante da Força de Ocupação da Comunidade Britânica e o militar australiano de mais alta patente do teatro de guerra, e com o Vice-chefe do Estado-maior da RAAF, Frederick Scherger.Hurst, The Forgotten Few, pp. 73, 79Odgers, Mr Double Seven, p. 110

Em resposta à ameaça dos caças a jacto comunistas Mikoyan-Gurevich MiG-15, o Esquadrão N.º 77 foi retirado para Iwakuni em Abril de 1951, para ser re-equipado com aviões Gloster Meteor. Quatro oficiais da Real Força Aérea, com experiência em pilotar o Meteor, foram destacados para a Asa N.º 91 para ajudar na conversão e no treino dos pilotos australianos.Stephens, Going Solo, pp. 229–231 O esquadrão voltou à acção com a sua nova aeronave no dia 29 de Julho, operando a partir de Kimpo, na Coreia do Sul. Os aviões Mustang tinham sido muito eficazes no apoio aéreo aproximado, contudo o principal papel do Esquadrão Nº 77 na RAAF era a intercepção, e esperava-se que agora, com o Meteor, o esquadrão pudesse se concentrar na sua verdadeira missão.Stephens, Going Solo, pp. 234–238 De acordo com a história oficial da Austrália na Guerra da Coreia, a unidade provou o seu valor a nível diplomático e operacional; tendo sido um dos primeiros esquadrões da ONU a entrar em acção, compreendia um terço de toda a força a jacto no final de 1951, quando os confrontos no MiG Alley estavam no seu auge.O'Neill, Australia in the Korean War, pp. 408–409 Contudo, combates aéreos entre os Meteor e os MiG, durante o mês de Agosto, convenceram o novo comandante Gordon Steege que os jactos australianos estavam ultrapassados, e a Quinta Força Aérea concordou em retirar os australianos da frente de combates aéreos; assim, os Meteor passariam a realizar missões de escolta e defesa aérea local. A taxa de sucesso do esquadrão, no final do ano, era de uma baixa por cada quatro baixas ou capturas de inimigos.O'Neill, Australia in the Korean War, p. 370

alt=|miniaturadaimagem|Ex prisioneiros de guerra embarcam num Dakota do Esquadrão N.º 36 em Seul, na Coreia do Sul, em Agosto de 1953|esquerda Em Dezembro de 1951, o substituto de Steege, Ron Susans, fez com que o Esquadrão N.º 77 voltasse a tomar uma posição ofensiva na guerra, começando a realizar missões de ataque terrestre, posição que o esquadrão manteve até ao final da guerra. O Flight Lieutenant J. C. Smith, oficial responsável pelo armamento da Asa N.º 91, desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da "Cebola Flamejante", um foguete ar-terra com napalm, que foi usado em várias operações em 1952 e 1953.O'Neill, Australia in the Korean War, p. 375 O Esquadrão N.º 77 continuou na Coreia—inicialmente em Kimpo, e mais tarde em Kunsan—depois do armísticio de Julho de 1953.Stephens, Going Solo, p. 242 Durante a guerra, perdeu um total de 41 pilotos.Stephens, The Royal Australian Air Force, p. 240Hurst, The Forgotten Few, p. 207 Além destes, outros sete ficaram prisioneiros de guerra.RAAF Historical Section, Fighter Units, p. 59Hurst, The Forgotten Few, p. 228 Em termos de aeronaves, perdeu-se quase sessenta, incluindo mais de quarenta aviões Meteor, a maior parte deles abatidos por artilharia antiaérea.Hurst, The Forgotten Few, pp. 230–232 O esquadrão voou cerca de 18 872 missões, incluindo 3872 em aviões Mustang e 15mil nos Meteor.Hurst, The Forgotten Few, p. 224 Por outro lado, é dado crétido ao esquadrão por ter abatido cinco aviões MiG-15 e por ter destruído 3700 edifícios, 1408 veículos, 98 locomotivas e carruagens e ainda seis pontes.Hurst, The Forgotten Few, p. 231

O Destacamento de Comunicações N.º 30 incluía o Dakota privado de Robertson, que operava sob a sua direcção. A força de dois aviões Dakota e dois Auster do destacamento foi rapidamente aumentada depois de a Austrália enviar mais dois Dakota.Eather, Odd Jobs, pp. 163–164 No dia 1 de Novembro de 1950, o destacamento foi re-baptizado de Unidade de Comunicações N.º 30.RAAF Historical Section, Maritime and Transport Units, p. 150 No mesmo mês, recebeu mais quatro aviões Dakota por parte do Esquadrão N.º 38, da Asa N.º 90 na Malásia, permitindo que operasse uma força de oito aviões Dakota e dois Auster.Stephens, Going Solo, p. 247 A unidade apoiava todas as forças australianas na Coreia. Uma das suas funções principais era a evacuação aeromédica, mas também era responsável pela realização de missões de busca e salvamento, lançamento de mantimentos em voo, reconhecimento aéreo, transporte de correio, tropas, carga e entidades importantes. Ao contrário do Esquadrão N.º 77, não estava sob o dependência operacional da Quinta Força Aérea, mas sim sob controlo australiano, que era exercitado através do quartel-general da Força de Ocupação da Comunidade Britânica, no Japão. Esta unidade foi reformada como Unidade de Transporte N.º 30, no dia 5 de Novembro, e como Esquadrão N.º 36 no dia 10 de Março de 1953.RAAF Historical Section, Maritime and Transport Units, p. 152Eather, Odd Jobs, p. 169 Durante a guerra, esta unidade transportou cerca de 100 mil passageiros e mais de 6 mil toneladas de mercadorias. Os registos históricos da Asa N.º 91 apontam para um total de 12 762 evacuações aeromédicas da Coreia para o Japão, e mais de duas mil do Japão para a Austrália ou a Inglaterra.O'Neill, Australia in the Korean War, pp. 583–584 A unidade perdeu um Auster e um Wirraway em acidentes aéreos, que resultaram em quatro mortes.RAAF Historical Section, Maritime and Transport Units, p. 151

Apoio alt=|miniaturadaimagem|Pessoal do Esquadrão N.º 491 a trabalhar no motor de um Meteor em Iwakuni, em Junho de 1954