O guarda-mor do rei, ou guarda-mor do Corpo do Rei, era um oficial da Coroa de Castela e da Casa Real Portuguesa cuja função era proteger o monarca e comandar a sua guarda pessoal.
História Alguns autores, ao falar deste cargo, afirmam que era mais "honorífico que efectivo", embora Jaime de Salazar y Acha assinale que talvez fosse assim durante o último período da Baixa Idade Média, mas não nos seus começos, já que numa primeira instância a segurança do rei estava nas mãos do seu alferes, mas este por sua vez possivelmente delegaria essa responsabilidade noutro oficial de patente inferior que possivelmente, com o decorrer dos séculos, evoluiria até passar a ser, na opinião desse historiador, o oficial conhecido como guarda-mor do rei.
Quando no século XIII o cargo de alferes do rei foi monopolizado por membros da alta nobreza, como os Lara e os Haro, assim como por jovens membros da realeza, e até por meninos de tenra idade, a protecção do rei ficou nas mãos do seu guarda-mor. O cargo é mencionado pela primeira vez no reinado de Sancho IV de Castela. Na Crónica deste monarca, o nobre português Esteban Pérez Florián é mencionado como "guarda do Rei", e noutro documento de 1290 Diego Gómez de Roa é mencionado como "guarda-mor de nosso Corpo".
Cerca do ano de 1424, o cargo de guarda-mor passou a ser partilhado por dois indivíduos, ainda que se desconheça se foi porque já então se teria convertido num título mais «honorífico que efectivo», ou porque se alternavam para o exercer. No entanto, é certo que em 1447, durante o reinado de João II de Castela, e segundo consta num dos livros de assentos do seu reinado, vários indivíduos ocupavam o cargo de guarda-mor do rei, que já se tinha convertido em hereditário para várias famílias do reino, recebendo 20.000 maravedis anuais em conceito de salário.
Funções miniaturadaimagem|380x380px|Miniatura medieval que representa o rei Afonso X e a sua Corte. Libro de los juegos. No reinado de Afonso X de Castela, como assinalou Manuel González Jiménez, o guarda-mor do rei era o responsável pela segurança do rei e da sua família, na Corte ou no seu palácio, achando-se às suas ordens um pequeno grupo de homens entre os quais se contavam vinte besteiros de Infantaria e outros dez a cavalo, que protegiam a Corte ou o lugar onde se encontrasse o monarca, ainda que outros vinte cavaleiros e um número similar de escudeiros a pé estivessem encarregados da protecção do monarca e de seus familiares.
Outras obrigações do guarda-mor do rei eram: Comandar a guarda pessoal que protegia ao rei. Coordenar tudo o relativo à segurança do monarca e encarregar-se da sua organização. Cooperar com outros oficiais da Corte como os justiças-mores da Casa Real ou os alguacis-mores do rei, que tinham a seu cargo algumas tarefas policiais e de ordem pública dentro da Corte.
Guardas-mores do rei
Reinado de Sancho IV de Castela (1284-1295) direita|miniaturadaimagem|359x359px|Retrato imaginário do rei Sancho IV de Castela. José María Rodríguez de Losada. (Prefeitura de León). (1286) Esteban Pérez Florián. Também foi meirinho-mor de León e Astúrias, alcaide de Serpa e Mora e tenente das fortalezas de San Esteban de Gormaz, Castrojeriz, Fermoselle e Trastámara. (1290) Diego Gómez de Roa. Também foi tenente de grande comendador de Castela e Leão na Ordem de São João de Jerusalém. (1291) Fernán Pérez de Andrade. (1293-1294) Sancho Sánchez de Ulloa. Foi um nobre castelhano da família Ulloa, sendo também senhor de Ulloa e de Monterroso e reposteiro-mor do rei Sancho IV de Castela.
Reinado de Afonso XI de Castela (1312-1350) (1327) Juan Martínez de Leiva. Foi senhor de Leiva, Banhos, Corunha e Valdescaray, meirinho-mor de Castela, guarda e camareiro-mor do rei Afonso XI de Castela, meirinho-mor de Vizcaya, cavaleiro da Ordem da Banda, prestameiro-mor de Vizcaya, notário-mor das mordomias rodadas e mordomo-mor da infanta Leonor de Castela, irmã de Afonso XI e posteriormente rainha consorte de Aragão por seu casamento com o rei Afonso IV de Aragão. (1327-1340) Alonso Jofre Tenorio. Foi senhor de Moguer, almirante de Castela, guarda-mor do rei, alcaide de Sevilha e alguacil-mor de Toledo, e era filho de Diego Alfonso Tenorio, tesoureiro-mor do rei, e de Aldonza Jofre de Loaysa. E morreu combatendo contra os muçulmanos numa batalha naval livrada no Estreito de Gibraltar em 1340. (1350) Lope Díaz de Cifuentes. Rico-homem castelhano e senhor de Almansa Era filho de Diego Ramírez de Cifuentes, adiantado-mor de Leão e de Astúrias e senhor de Almanza e Cifuentes, e de Leonor Fernández de Saldaña.
Reinado de Pedro I de Castela (1350-1369) (1350) Gutier Fernández de Toledo. Foi senhor de Anamella, camareiro-mor de Pedro I de Castela e também seu reposteiro e guarda-mor. (1351) Fernán Pérez Calvillo. Foi senhor de Cotillas, alcaide das sacas do reino de Múrcia nos territórios compreendidos desde Vejas até Ontur, alcaide do rei e seu guarda-mor, e tenente do adiantado-mor deste reino em nome de Martín López de Córdoba, mestre das ordens de Alcântara e Calatrava. Era filho de Hernán Calvillo, senhor de Cotillas, e de Teresa García. (1352) Segundo Díaz Martín,em Fevereiro de 1352, Gómez Pérez de Toledo, que foi alguacil-mor de Toledo, era guarda-mor às ordens do guarda-mor do rei, embora Jaime de Salazar y Acha assinale que esse autor talvez tenha confundido o pai com o filho e que na realidade o guarda-mor do rei nesse momento era Día Gómez de Toledo, filho de Gómez Pérez e senhor de Casarrubios, Valdepusa e Malpica, notário-mor do reino de Toledo e alcaide-mor da dita cidade. (1353) Pedro González de Mendoza. Foi um nobre castelhano da Casa de Mendoza, filho de Gonzalo Yáñez de Mendoza e de Juana de Orozco. Foi senhor de Hita e Buitrago, entre outras muitas vilas, mordomo-mor do rei João I de Castela, e ocupou o cargo de adiantado-mor de Castilla entre finais de 1365 e princípios de 1366.direita|miniaturadaimagem|250x250px|Gran dobla ou dobla de a diez de Pedro I de Castela, filho e sucessor de Afonso XI, cunhada em Sevilha em 1360. (M.A.N., Madri). (1354) Juan Rodríguez de Cisneros. Há referência de ter ocupado o cargo em dezembro de 1354. Foi um rico-homem castelhano, foi senhor da Casa de Viduerna e também de Castrillo e Guardo, Guarda-mor do rei, e adiantado e meirinho-mor de Leão e Astúrias. E era filho de Arias González de Cisneros, rico-homem de Castela, e de Mencía de Manzanedo. (1355-1356) Fernán Pérez Portocarrero. Em inícios de Outubro de 1355 já era guarda-mor do rei, ocupando o cargo pelo menos até meados de Outubro de 1356. Foi senhor de Pinto, adiantado-mor de Castela, guarda-mor do rei e oficial da escudela do rei, sendo era filho de Martín Fernández Portocarrero e de Inés Pardo. (1361-1368) Men Rodríguez de Biedma. Adoptou o nome de Men Rodríguez de Benavides depois de ser designado herdeiro dos bens da Casa de Benavides por seu primo, Juan Alfonso de Benavides, que era filho de Juan Alfonso de Benavides e de Teresa Alonso Godínez, e foi mordomo-mor da rainha Branca de Bourbon e justiça maior da Casa do rei, entre muitos outros cargos, e foi ainda senhor de Santisteban del Puerto, La Mota, Tenorio, Mayela, Estiviel e Ardiles, caudilho-mor do Bispado de Jaén e capitão-geral da fronteira no ano 1360. (1368) Gonzalo González Dávila. Em 1368 era guarda-mor do rei, segundo consta num privilégio rodado emitido a 26 de Maio desse mesmo ano. Luis Vicente Díaz Martín assinala que essa foi a única ocasião em que um guarda-mor do rei figurou entre os confirmantes de um documento desse género. (1368-1369) Men Rodríguez de Biedma.
Reinado de Henrique II de Castela (1369-1379) miniaturadaimagem|372x372px|Retrato fantasioso de Henrique II de Castela. José María Rodríguez de Losada. (Ayuntamiento de León). (1369-1379) Men Rodríguez de Biedma. (1370-1374) Fernão Sanches de Tovar. Foi senhor de Astudillo, Castroponce, Los Gelves e do Aljarafe de Sevilha, e ocupou os cargos de adiantado-mor de Castela, almirante de Castela, guarda-mor do rei e Alcaide entregador da Mesta. Morreu de peste em 1384, durante o cerco de Lisboa, e era filho de Ruy Fernández de Tovar e de Elvira Ruiz Cabeza de Vaca. (1375-1379) Sancho Fernández de Tovar. Era filho do anterior e de Isabel de Padilla, tendo-se casado com Teresa de Toledo. Foi senhor de Cevico de la Torre e guarda-mor dos reis Henrique II, João II e Henrique III de Castela III.
Reinado de João I de Castela (1379-1390) (1379-1381) Men Rodríguez de Biedma. Segundo Jaime de Salazar e Acha, ocupou o cargo de guarda-mor do rei ao longo de vários reinados e até o ano 1381. No entanto, Francisco de Paula Canas Gálvez afirma que o fez somente até 1380. (1379-1390) Sancho Fernández de Tovar. (1380) Íñigo Ortiz de Zúñiga. Foi senhor de Alesanco, camareiro-mor da rainha Branca de Borbón e alcaide-mor de Sevilla, e era filho de Diego López de Zúñiga, senhor de Alesanco, e de Teresa Hurtado de Mendoza. Salazar e Acha, baseando-se na Crónica do rei Dom Pedro, afirma que foi guarda-mor da rainha Branca de Borbón em 1361. (1386) Pedro Rodríguez de Fonseca. Possuía em Portugal os senhorios de Mora, Casiano e Condacunto, entre outros, sendo ainda alcaide do Castelo de Olivença, estalajadeiro-mor do rei João I de Castela e de seu filho Henrique III, guarda-mor do rei João I de Castela, e selador-mor do mesmo monarca. E era filho do cavaleiro português Rui Pires da Fonseca e de Inés de Acuña.
Reinado de Henrique III de Castela (1390-1406) (1390-1394) Sancho Fernández de Tovar.
Guardas-mores a partir do século XV Desde este século várias famílias ocuparam o cargo hereditariamente e de forma simultânea: Os Tovar, senhores de Cevico de la Torre. Os Mendoza, senhores de Almazán. Os Fonseca, senhores das tercias de Badajoz. Os Estúñiga, senhores de Alesanco. Os Osorio, condes de Trastâmara. Os Acuña, condes de Buendía. Os Manuel, senhores de Belmonte de Campos e descendentes do rei Fernando III de Castela.
Guardas-mores da rainha (1361) Íñigo Ortiz de Zúñiga, mencionado anteriormente. Em 1361 era guarda-mor da rainha D. Branca de Borbón, esposa de Pedro I de Castela.
Bibliografía
Categoria:Reino de Castela