Polyplacophora (do grego polys, muitas + plax, placa + phora, portador) vivem exclusivamente em ambientes marinhos. São caracterizados por serem revestidos por uma valva com oito partes sobrepostas na parte dorsal, desprovidos de tentáculos e têm cabeça minúscula desprovida de olhos. A essa classe pertencem os quítons. A maioria vive em águas relativamente rasas. Alimentam-se de algas e plantas do substrato.
Descrição Os Polyplacophora são uma classe do filo Mollusca, são achatados e alongados e habitam exclusivamente o ambiente marinho na região bentônica, podem ser chamados de quítons. Seu tamanho pode variar de 3 mm a 40 cm, não possui tentáculos e diferente de outros moluscos populares como, caracóis, lulas e polvos, não possui olhos e tem a cabeça pouco desenvolvida. Já foram descritas cerca de 920 espécies vivas atualmente.
A característica mais marcante dessa classe é sua concha dorsal. A concha dorsal é dividida em 8 valvas, que possuem três classificações, valva cefálica que fica próxima a cabeça, valva anal que fica próxima aos ânus e valva intermediária que fica no meio das duas valvas citadas anteriormente. Na parte ventral encontra se um pé muscular desenvolvido e amplo que auxilia as espécies de Polyplacophora a aderirem e movimentar se em rochas.
As valvas são dispostas da seguinte maneira, a extremidade posterior de uma, sobrepõe a extremidade anterior de outra. Cada valva se insere dentro do manto, essa área onde ela é inserida é chamada de placa de inserção.
Existem quatro camadas nas valvas, na região mais externa se encontra um perióstraco fino, na parte inferior ao perióstraco encontra se uma camada de tegumento pigmentado pelo a proteína conquiolina e carbonato de cálcio, abaixo do tegumento encontra se a articulação que também é composta por carbonato de cálcio, ela forma as placas de inserção para a valva, e a última camada mais interna é o hipóstraco.
A camada que compreende o tegumento possui órgãos sensoriais, o megaesteto e o microesteto, essas estruturas são sinapomorfia da classe, ou seja, são exclusivas.
Próximo ao pé muscular, no perímetro das 8 valvas existe um cinturão que é chamado de perinoto, que pode cobrir totalmente ou parcialmente as conchas. O perinoto pode apresentar espinhos, escamas, cerdas ou espículas.
A borda do manto e o dorso do pé formam a cavidade palial que vai abrigar de 6 a 80 pares de ctinídeos bi pectinados que são as brânquias em formato de pena da maioria dos moluscos, estão localizados ao longo de todo o perinoto (cinturão). thumb|200px|Lado inferior de um quíton gigante do Pacífico
Órgãos Internos O sistema digestório da classe Polyplacophora é completo, possui rádula, faringe, estômago, glândula digestiva, intestino e ânus porém diferente de outras classes, ela não possui estilete que regula a passagem de alimento para o intestino.
Nessa classe, o sistema nervoso não é tão complexo como o dos Cefalópodes, os Polyplacophora não possuem gânglios nervosos bem definidos, outra característica é que eles possuem quatro cordões longitudinais que se conectam e formam uma escada.
Reprodução e desenvolvimento thumb|300px|Desenvolvimento do quíton. Primeira imagem representa seu estado larval; a segunda, sua metamorfose. A terceira figura é um quíton jovemOs quítons são dioicos em sua grande maioria, possuem duas gônadas dorsais. A fecundação é externa, isso significa que os gametas são liberados no ambiente e lá eles se fecundam, mas também a fecundação pode ocorrer dentro da cavidade do manto de uma fêmea.
Os gametas são liberados pelos gonóporos que ficam a frente dos nefridióporos. O desenvolvimento indireto do quíton não possui a larva véliger apenas a trocófora e algumas espécies de Polyplacophora podem incubar os ovos e apresentar desenvolvimento direto (sem larva).
Posição na cadeia alimentar thumb|200px|Desenho de quíton retirado do Brehms Tierleben Polyplacophora são organismos micrófagos, se alimentam raspando as rochas que ficam aderidos e capturam desde pequenas algas como microrganismos.
Espécies dos gêneros Placiphorella e Lepidozona conseguem capturar invertebrados e alguns crustáceos pois possuem a extremidade anterior do cinturão elevada e curvada que facilita a obtenção de alimento. Possuem hábitos noturnos e após se alimentarem voltam para suas “casas”, ou seja, ele habita algum local como por exemplo uma pedra e retorna a ela.
Seus predadores incluem aves marinhas, estrelas-do-mar, crustáceos maiores (como caranguejos) e anêmonas-do-mar. Os quítons gigantes do Pacífico (Cryptochiton stelleri) são comestíveis para os seres humanos, tendo sido usados como alimento por populações indígenas estadunidenses e chilenosCdB - Conquiliologistas do Brasil - Classe Polyplacophora e por exploradores russos no sudoeste do Alasca. Entretanto, o sabor e a textura de sua carne são considerados desagradáveis.Ricketts, Edward; Calvin, Jack; Hedgepeth, Joel. Between Pacific Tides, quinta edição. Stanford University Press. 2006.
Distribuição Os quítons são geralmente encontrados em regiões litorâneas, embora também existam espécies encontradas em águas profundas, a 6 mil metros de profundidade. São encontrados em todos os oceanos, das regiões polares até os trópicos. Sua maior concentração ocorre nas regiões litorâneas da América do Norte e da Austrália, onde pelo menos metade das espécies conhecidas foram registradas.worldwideconchology.com - Polyplacophora - The Chitons No Brasil, foi documentada a ocorrência de três famílias e oito gêneros.
Interesse de colecionadores thumb|200px|Concha de um Acanthopleura spinosa|right
Pela grande variedade de suas conchas (seja em cores, formatos e desenhos) e cinturões (que podem possuir escamas - semelhante em aparência às das cobras -, pelos, espinhos ou mesmo serem lisos), os quítons são grandemente apreciados por colecionadores de conchas. Espécimes raros, como aqueles possuindo sete ou nove valvas, ou híbridos, são especialmente desejados pelos colecionadores e custam caro.
Colecionadores consideram mais adequado conservar os cinturões junto com a concha, ao invés de deixá-la desarticulada.
Ancestrais extintos Há suspeitas que os Kimberella sejam ancestrais pré-cambrianos dos quítons. Suspeita-se que os quítons e os Wiwaxia sejam também relacionados.
Taxonomia thumb|200px|Fotografia de um Tonicella lineata thumb|200px|Quíton negro thumb|200px|Quítons em uma poça d'água formada pela baixa da maré thumb|200px|Visão superior de um quíton thumb|200px|Espécimes de Chiton tuberculatus com espécimes de Nerita tessellata
A classificação taxonômica dos quítons ainda é um tanto indefinida, especialmente nos mais altos níveis do grupo. A maioria dos sistemas de classificação atuais são baseados, ao menos em parte, no Pilsbry's Manual of Conchology (1892-1894), estendido e revisado por Kaas e Van Belle entre 1985 e 1990. Como os quítons são estudados desde Lineu, há um grande número de estudos taxonômicos no nível das espécies, porém.
A classificação mais utilizada atualmenteSirenko BI. New outlook on the system of chitons (Mollusca: Polyplacophora). Venus, 65 (1-2). 27-49, 2006 é baseada não somente na morfologia das conchas (como é usual) mas também em outros aspectos como o cinturão muscular, a rádula, as brânquias, ovos, espermatozoides etc. Tal classificação inclui todas as espécies conhecidas, vivas ou extintas.
A classificação geralmente aceita é: thumb|200px|Quíton encontrado na costa da Turquia Classe Polyplacophora Gray, 1821 Subclasse Paleoloricata Bergenhayn, 1955 Ordem Chelodida Bergenhayn, 1943 Família Chelodidae Bergenhayn, 1943 Chelodes Davidson & King, 1874 Euchelodes Marek, 1962 Calceochiton Flower, 1968 Ordem Septemchitonida Bergenhayn, 1955 Família Gotlandochitonidae Bergenhayn, 1955 Gotlandochiton Bergenhayn, 1955 Família Helminthochitonidae Van Belle, 1975 Kindbladochiton Van Belle, 1975 Diadelochiton Hoare, 2000 Helminthochiton Salter in Griffith & M'Coy, 1846 Echinochiton Pojeta, Eernisse, Hoare & Henderson, 2003 Família Septemchitonidae Bergenhayn, 1955 Septemchiton Bergenhayn, 1955 Paleochiton A. G. Smith, 1964 Thairoplax Cherns, 1998 Subclasse Loricata Shumacher, 1817 Polyplacophora Gray, 1821 no WoRMS.D'Ancona, Humberto (1972), p. 734. Ordem Lepidopleurida Thiele, 1910 Subordem Cymatochitonina Sirenko & Starobogatov, 1977 Família Acutichitonidae Hoare, Mapes & Atwater, 1983 Acutichiton Hoare, Sturgeon & Hoare, 1972 Elachychiton Hoare, Sturgeon & Hoare, 1972 Harpidochiton Hoare & Cook, 2000 Arcochiton Hoare, Sturgeon & Hoare, 1972 Kraterochiton Hoare, 2000 Soleachiton Hoare, Sturgeon & Hoare, 1972 Asketochiton Hoare & Sabattini, 2000 Família Cymatochitonidae Sirenko & Starobogatov, 1977 Cymatochiton Dall, 1882 Compsochiton Hoare et Cook, 2000 Família Gryphochitonidae Pilsbry, 1900 Gryphochiton Gray, 1847 Família Lekiskochitonidae Smith & Hoare, 1987 Lekiskochiton Hoare & Smith, 1984 Família Permochitonidae Sirenko & Starobogatov, 1977 Permochiton Iredale & Hull, 1926 Subordem Lepidopleurina Thiell, 1910 Família Ferreiraellidae Dell’ Angelo & Palazzi, 1991 Glaphurochiton Raymond, 1910 ?Pyknochiton Hoare, 2000 ?Hadrochiton Hoare, 2000 Ferreiraella Sirenko, 1988 Família Glyptochitonidae Starobogatov & Sirenko, 1975 Glyptochiton Konninck, 1883 Família Leptochitonidae Dall, 1889 Colapterochiton Hoare & Mapes, 1985 Coryssochiton DeBrock, Hoare & Mapes, 1984 Proleptochiton Sirenko & Starobogatov, 1977 Schematochiton Hoare, 2002 Pterochiton (Carpenter MS) Dall, 1882 Leptochiton Gray, 1847 Parachiton Thiele, 1909 Terenochiton Iredale, 1914 Trachypleura Jaeckel, 1900 Pseudoischnochiton Ashby, 1930 Lepidopleurus Risso, 1826 Hanleyella Sirenko, 1973 Família Camptochitonidae Sirenko, 1997 Camptochiton DeBrock, Hoare & Mapes, 1984 Pedanochiton DeBrock, Hoare & Mapes, 1984 Euleptochiton Hoare & Mapes, 1985 Pileochiton DeBrock, Hoare & Mapes, 1984 Chauliochiton Hoare et Smith, 1984 Stegochiton Hoare et Smith, 1984 Família Nierstraszellidae Sirenko, 1992 Nierstraszella Sirenko, 1992 Família Mesochitonidae Dell’ Angelo & Palazzi, 1989 Mesochiton Van Belle, 1975 Pterygochiton Rochebrune, 1883 Família Protochitonidae Ashby, 1925 Protochiton Ashby, 1925 Deshayesiella (Carpenter MS) Dall, 1879 Oldroydia Dall, 1894 Família Hanleyidae Bergenhayn, 1955 Hanleya Gray, 1857 Hemiarthrum Dall, 1876 Ordem Chitonida Thiele, 1910 Subordem Chitonina Thiele, 1910 Superfamília Chitonoidea Rafinesque, 1815 Família Ochmazochitonidae Hoare & Smith, 1984 Ochmazochiton Hoare & Smith, 1984 Família Ischnochitonidae Dall, 1889 Ischnochiton Gray, 1847 Stenochiton H. Adams & Angas, 1864 Stenoplax (Carpenter MS) Dall, 1879 Lepidozona Pilsbry, 1892 Stenosemus Middendorff, 1847 Subterenochiton Iredale & Hull, 1924 Thermochiton Saito & Okutani, 1990 Connexochiton Kaas, 1979 Tonicina Thiele, 1906 Família Callistoplacidae Pilsbry, 1893 Ischnoplax Dall, 1879 Callistochiton (Carpenter MS) Dall, 1879 Callistoplax Dall, 1882 Ceratozona Dall, 1882 Calloplax Thiele, 1909 Família Chaetopleuridae Plate, 1899 Chaetopleura Shuttleworth, 1853 Dinoplax (Carpenter MS) Dall, 1879 Família Loricidae Iredall & Hull, 1923 Lorica H. & A. Adams, 1852 Loricella Pilsbry, 1893 Oochiton Ashby, 1929 Família Callochitonidae Plate, 1901 Callochiton Gray, 1847 Eudoxochiton Shuttleworth, 1853 Vermichiton Kaas, 1979 Família Chitonidae Rafinesque, 1815 Subfamília Chitoninae Rafinesque, 1815 Chiton Linnaeus, 1758 Amaurochiton Thiele, 1893 Radsia Gray, 1847 Sypharochiton Thiele, 1893 Nodiplax Beu, 1967 Rhyssoplax Thiele, 1893 Teguloaplax Iredale & Hull, 1926 Mucrosquama Iredale, 1893 Subfamília Toniciinae Pilsbry, 1893 Tonicia Gray, 1847 Onithochiton Gray, 1847 Subfamília Acanthopleurinae Dall, 1889 Acanthopleura Guilding, 1829 Liolophura Pilsbry, 1893 Enoplochiton Gray, 1847 Squamopleura Nierstrasz, 1905 Superfamília Schizochitonoidea Dall, 1889