Anna Bresser ou Ana Hasta Edwiges von Seehausen (Berlim, Prússia, - São Paulo, Brasil, ) foi uma nobre prussiana, esposa do industrial Carlos Augusto Bresser e professora. Ela destacou-se por alfabetizar escravos antes da vigência da Lei Áurea - que aboliu a escravidão no Brasil - e por financiar a construção da Igreja de São João Batista, uma das mais relevantes igrejas da antiga São Paulo.

Por sua chegada no Brasil em 1840, é considerada uma das matriarcas da Família Bresser, sendo registrada em documentos genealógicos.Bueno, Antonio Henrique da Cunha (1981). Dicionário das Famílias Brasileiras. São Paulo: 543 páginasFamília Brasileiras de Origem Germânica: Subsídios Genealógicos. V. São Paulo: Instituto Hans Staden e Instituto Genealógico Brasileiro. 1967. p. 764

Vida no Brasil esquerda|miniaturadaimagem|General Bernhard von Schkopp, Governador de Estrasburgo. Tio de Anna Bresser. Ana Hasta Edwiges von Seehausen, filha do Barão Gustav Heinrich von Seehausen e de Elise von Schkopp, desembarcou em Joinville, Santa Catarina, aos 5 anos de idade, acompanhada por seus pais e seus 6 irmãos. Recém-chegados ao Brasil, mas acostumados à vida nas metrópoles da Prússia, fixaram residências na cidade de Petrópolis, muito frequentada por dom Pedro II e com notável presença alemã.

Seu pai era um oficial prussiano, professor de instituto militar«GUSTAV VON SEEHAUSEN». Jornal do Commercio (Ed. 00316). Quarta-feira, 15 de Novembro de 1854, cartógrafo e matemático, pertencente a uma antiquíssima família de condes magdeburgueses. E, sua mãe de uma notável Casa da Silésia, sendo irmã do Governador de Estrasburgo Otto Bernhard von Schkopp.

Aos 17 anos de idade, em 1863, Ana Hasta Edwiges von Seehausen casou-se com Carlos Augusto Bresser, um jovem homem de negócios que administrava empreendimentos agropecuários, industriais e comerciais, além das centenas de prédios herdados de Carlos Abrão Bresser. Também educado segundo os moldes germânicos da época, devido a sua ascendência prussiana e austríaca, Carlos era muito bem relacionado pelas constantes festas e reuniões promovidas por sua mãe, Anna Clara Augusta Müller - conhecida por Madame Bresser- no palacete da família. Além disso, Carlos era neto do General Johann Wilhelm Christian Müller, diretor da Academia Real das Sciencias de Lisboa e sobrinho do Marechal Daniel Pedro Müller, assessor de Dom Pedro I. miniaturadaimagem|Chácara Bresser, residência de Anna

Descendência

O matrimônio de Anna Bresser e Carlos Augusto durou 47 anos e deu-lhes 11 filhos, na seguinte ordem:miniaturadaimagem|Igreja de Santa Rita, no Pari, iniciada por doação de Gustavo Augusto Bresser Gustavo Augusto Bresser: fazendeiro, teve 7 filhos. Reconhecidamente religioso, doou o terreno para a construção da matriz da Paróquia de Santa Rita. Empresta seu nome a uma rua do Brás. Clara Augusta Bresser: solteira, não teve descendência; adotou uma menina e foi da Ordem Terceira do Carmo. Deixou mais de 200 milhões de réis em imóveis para sua empregada e foi reconhecida por ativamente buscar emprego para o afilhado de sua irmã, Florestan Fernandes. Hermínia Bresser: viúva, não teve filhos. Mas foi madrinha de Florestan Fernandes, Patrono da Sociologia Brasileira, e influenciou-o em sua formação intelectual. Oscar Eugênio Bresser: industrial, juiz de paz e capitão da Guarda Nacional,«GUARDA NACIONAL». Jornal do Commercio (Ed. 105). Quinta-feira, 18 de Abril de 1897 casou-se duas vezes e teve 10 filhos. Sua segunda esposa, Eugênia Bresser, deu nome a rua no bairro Jaçanã, em São Paulo. Oscália Bresser: casou-se com o advogado Manoel Castro Monteiro de Barros, neto do 1º Barão de Leopoldina, e teve 10 filhos. Leofredo Accácio Bresser: morreu aos 24 anos, ainda solteiro. Júlia Bresser: faleceu ainda criança. Seu nome foi dado a uma rua no Brás. Carlos Augusto Bresser Júnior: solteiro, não deixou descendência. Leonor Bresser: casou-se com Orestes Rivadávia Correia, cônsul do Brasil no Uruguai. É homenageada em uma rua de Guarulhos. Teria duas filhas. Ismael Bresser: médico de grande fama nas décadas de 1910 e 1920, atendia em consultório na própria rua Bresser. Teve 5 filhos com sua esposa Zulmira Albernaz de Oliveira, cujo nome foi à Vila Zulmira, em São Paulo. Arthur Accácio Bresser: teve um filho, José Roberto Bresser, homenageado em rua de São José do Rio Preto.

Atividade Filantrópica e Social Apesar de toda dedicação como matriarca da família Bresser, D. Anna Bresser também foi reconhecida pela atuação na área de educação e nos cuidados para com a Paróquia de São João Batista: ela alfabetizou os próprios escravos pouco antes da Lei Áurea, algo incomum para a São Paulo do século XIX; e, também, D. Anna foi a primeira a presidir o tradicional Apostolado da Oração da centenária Paróquia de São João Batista do Brás.

A Paróquia de São João Batista do Belém, como era chamada, foi a primeira paróquia erigida canonicamente pela Arquidiocese de São Paulo. Sua matriz foi idealizada principalmente por D. Anna e Carlos Augusto Bresser, em substituição a uma capela que ruiu, recém-construída. O templo é rico em vitrais, esculturas e imagens, algumas feitas por artistas parisienses. O órgão de tubos, encomendado da Alemanha, é um dos maiores de São Paulo e do Brasil.

Prêmio Anna Bresser A doação da obra ao Arcebispo de São Paulo, d. Duarte Leopoldo e Silva, ocorreu em 1910, ano da morte de Anna Bresser. Mas, em sua memória havia o prêmio D. Anna Bresser, como relatava o Correio Paulistano, em 1913:"Serão distribuidos dois premios importantes aos melhores alumnos [...] premio monsenhor Dr. Benedicto de Sousa, conferido a um menino e premio D. Anna Bresser, conferido a uma menina. [...] em homenagem aos dois grandes bemfeitores de S. João Baptista, sendo d. Anna Bresser, já fallecida, mas inesquecivel bemfeitora."«S. JOÃO BAPTISTA». Correio Paulistano (17763): 2. Sabbado, 4 de Janeiro de 1913.

Antecedentes

A iniciativa de erguer a primeira igreja canonicamente erigida em São Paulo deu-se enquanto Anna já havia assumido a manutenção das atividades de um templo anterior, mas de estrutura muito mais modesta, como noticiado em 1903:"Com os corações cheios de jubilo devem estar a essa horas os Revmos. Padres José Antonio Gonçalves e Juvenal Köhly, [...] que, devido aos esforços da Exma. D. Anna Bresser, levada pela piedade christã, chamou a si a ardua e espinhosa missão de zelar pela conservação da egreja e a manutenção do culto divino.

Depois de ter a mesma egreja passado por completa reforma, apesar da quadra horrivel que infelizmente atravessamos, tornando-se um verdadeiro mimo, digno de nella ser celebrado o Santo Sacrifico da Missa, foi no dia 8 de Dezembro [...] com toda pompa e solemnidade celebrada a primeira communhão de 50 meninas e 39 meninos [...] occupou com brilhantismo a tribuna sagrada cantando antes, com verdadeira piedade e correcção uma plegaria, rigorosamente litturgica, a Exma. Srta. D. Clara Bresser.

A egreja tornou-se pequena pela grande concorrencia de fiéis que pressurosos levaram até ao céu as homenagens á Maria."Ismael de BARROS, "S. João Baptista do Belemzinho". Revista Ave Maria, 27 de Dezembro de 1903, p.866 Ascendência miniaturadaimagem|Brasão dos Forcade de Biaix. Ana Hasta Edwiges von Seehausen nasceu em Berlim, no Reino da Prússia. Ela foi filha do Barão Gustav Heinrich von Seehausen (1805, Posen, Prússia - 4 de março de 1875, Brasil) e de Elise von Schkopp (21 de janeiro de 1814, Prenzlau, Prússia - 3 de agosto de 1870, Brasil) que casaram-se em Berlim, no ano de 1838. De origem protestante, Ana acabou convertendo-se ao Catolicismo; semelhantemente ao falecido sogro Carlos Abrão Bresser.

Pelo lado materno, Ana Hasta Edwiges von Seehausen foi: neta de Heinrich Gotthard Bogislaw von Schkopp e Wilhelmine Elisabeth von Hanff; bisneta de Gustav Heinrich von Schkopp e Frederike Helene Henriette von Schlegel, Karl Gottfried von Hanff e Caroline Albertine Louise von Forcade de Biaix; trineta de Otto Sigismund von Schkopp e Anna Marianne Helene Sophie von Zedlitz, Leopold Maximilien von Schlegel e Helene Luise Julianne Eleonore von Sommerfeld und Falkenhayn, Friedrich Wilhelm Quirin von Forcade de Biaix e Marie de Montolieu, Baronne de St. Hippolyte; tetraneta de Jean de Forcade de Biaix e Juliane, Freiin von Hohnstedt, Otto Friedrich von Schkopp e Katharina Marianne von Knobelsdorff, Ferdinand Sigismund von Zedlitz e Johanna Sophie von Rothenburg, Louis de Montolieu, Baron de Saint Hippolyte e Susanne von Pélissier; pentaneta de Jean de Forcade, Seigneur de Biaix e Madeleine de Lanne, Sigismund von Schkopp e Sabine Helene von Unruh, Johann Tobias von Knobelsdorff e Hedwig Elisabeth von Stosch, Quirin von Hohnstedt e Maria Magdalena Streiff von Löwenstein, Niklas Siegmund von Zedlitz e Ursula Helena von Pritzelwitz, Georg Sebastian von Rothenburg e Susanna Beata von Pein, Pierre de Montolieu, Seigneur de Saint Hippolyte e Jeanne de Froment.

Haus von Seehausen No Léxico da Nobreza Alemã registra-se que a viúva do Münz-Cassirer Anna Maria von Seehausen morreu aos 86 anos, em 1836, cuja neta Pauline Blandine von Seehausen (*12.08.1811 +09.09.1880) casou-se com do diretor da galeria de arte do Novo Museu de Berlim Dr. Gustav Waagen, em 1831. Personagem de destaque na história da arte, cujas obras indicariam "o momento em que a visão romântico-estética da arte se encontrou com a história da arte enquanto ciência"Mitchell Schwartzer, “Origins of the Art History Survey Text,” Art Journal, 54, (Fall, 1994), 24-29, 25., sendo muito próximo à família do Duque de Sutherland.

Mas, também menciona que o neto "G. v. Seehausen", foi um oficial da rede de telégrafos, referindo-se possivelmente ao Barão Gustav Heinrich Alexander von Seehausen, pai de Ana Hasta, em mesmo ofício de seu sogro Heinrich Bogislaw von Schkopp. O Barão Gustavo de Seehausen foi um matemático reconhecido, cujos livros de aritmética eram utilizados nas escolas prussianas.,,Lehrbuch der niedern Arithmetik von Gustav v. Seehausen. Leipzig 1843. Gebhardt und Reisland"<nowiki> Sammlung von Beispielen aus der praktischen Stereometrie für Real und...,,Lehrbuch der Arithmetik. Ein Rechenbuch zum Gebrauche und zum Selbstunterrichte [...] Von Gustav v. Seehausen, Königl. Preuss. Lieutenant und Lehrer der Mathematik. Leipzig, bei Gebhardt und Reisland"</nowiki> Allgemeine Schulzeitung, Band 21, 1844.Geschichte des Königlich Preussischen Sechsten Kürassier-Regiments..., 1842 Com obras também como cartógrafo, publicando um atlas.

Quanto ao barão Christian Ernst Ludwig Gustav von Seehausen (*1771) foi Rittmeister do Regimento Seydlitz de Berlim, estando listado entre os aristocratas da maçonaria prussiana.. Sabe-se que era pai de Pauline Wilhelmine Blandine (*1811), Marie Wilhelmine Agnes (*1814), Richard Gustav Adolph (*1816), Ferdinand Rudolph Oscar (*1819), Hugo Herrmann Bonaventura e Emil Wilhelm von Seehausen, tendo se casado em 1805, ano do nascimento de Gustav Heinrich Alexander von Seehausen. Era provavelmente o Coronel Baron von Seehausen que lutou, juntamente a Simón Bolívar, na Colômbia, inclusive.