Mobile Learning ou m-Learning pode ser definido genericamente como sendo uma modalidade de e-Learning, em que a aprendizagem ocorre através de dispositivos eletrónicos móveis, de fácil manuseamento (como smarphones e tablets, por exemplo). O principal objetivo desta modalidade é permitir o desenvolvimento de processos aprendizagem em qualquer lugar e em qualquer momento.

O m-learning possibilita a utilização de tecnologias específicas no ensino, quer através do acesso a conteúdos de diversas naturezas, quer através do uso de ferramentas de comunicação e interação (síncronas e assíncronas), tornando-se assim uma modalidade de ensino flexível e sempre disponível.

O que é o m-Learning Na sociedade actual caracterizada pela globalidade, pela mobilidade e pela portabilidade, os dispositivos móveis já não são acessórios, mas sim recursos que não dispensamos. São ferramentas com elevado potencial reconhecido em diversas áreas, como na educação.

A utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) proporcionam novos ambientes de aprendizagem, com a virtude de agregarem aprendizagem formais e informais. Estes ambientes, mistos, electrónicos e móveis, como o b-learning, o e-learning e o m-learning captam e fidelizam cada vez mais novos públicos, todos eles muito ligados às ferramentas digitais. O m-Learning agrega a diversidade socioeconômica e cultural dos seus utilizadores assim como formas de aprendizagem interativas, multimídia e expandidas e também um alto nível de envolvimento cidadão no acesso, produção e intercâmbio de conhecimentos.

A designação de Mobile learning ou mlearning é utilizada para nomear um novo “modelo” educacional, baseado na utilização de tecnologias móveis.  É possível considerar-se mlearning a qualquer forma de aprendizagem através de equipamento com tamanho reduzido, autónomos na fonte de alimentação e suficientemente pequenos para serem transportados pelas pessoas em qualquer lugar e hora.

As primeiras definições de mlearning, era muito centrada na tecnologia, isto é, "a aprendizagem através de dispositivos computacionais móveis: PDA, equipamento com Windows CE e até mesmo através do telemóvel."  

Polsani considera restritivas as definições centradas na tecnologia e propõe o termo “network learning” ou “nlearning”, definindo o m-learning como “uma forma de educação cujo local de realização, circulação e consumo é a rede.”

Também Georgiev, Georgieva & Smrikarov consideram que a definição de m-learning deve ter um âmbito  alargado, pois não se deve reduzir apenas às noções wireless ou baseada na Internet.

Contudo, o que é novo é a capacidade e as funcionalidades da tecnologia associadas ao mlearning, nomeadamente a junção de serviços e funções num único dispositivo, a sua omnipresença, portabilidade e multifuncionalidade.

História e evolução Desde o inicio do século que se tem verificado a implementação de programas educacionais com dispositivos móveis, principalmente na Europa e nos Estados Unidos ou seja, tendo-se espalhado um pouco por todo o lado. O uso dos dispositivos móveis na educação tem vindo a consolidar enquanto campo de investigação, através dos muitos eventos científicos realizados em todo o mundo.

Esta inclusão do mlearning tem acontecido em ambientes de aprendizagem com alunos de todos os graus de ensino, com o objectivo de apoiar os estudantes na aprendizagem nas mais versas áreas disciplinares.

Em termos de evolução do mlearning podem ser consideradas três fases: i) centrada no dispositivo; ii) centrada na aprendizagem fora da sala de aula e iii) centrada na mobilidade do “aluno”.

A primeira fase teve início a partir de meados da ultima década do século XX, ou seja, anos noventa, e caracterizou-se por se concentrar nos dispositivos, em particular nos PDAs, laptops e telemóveis, que podiam ser usados em contexto educativo para ensino e formação. Nesta primeira utilizou essencialmente as funcionalidades das tecnologias e dispositivos móveis.

Na segunda fase do mlearning as acções e os desenvolvimentos tiveram como preocupação a aprendizagem fora da sala de aula. Uma das características e qualidades dos dispositivos móveis é a sua omnipresença, portabilidade e multifuncionalidade, por isso, são adequados em aulas de campo, em museus, actualização profissional e microaprendizagem, entre outras possibilidades.

A terceira fase é caracterizada por centrar as suas ações na mobilidade do aluno, o design ou a apropriação de espaços de aprendizagem e sobre a aprendizagem informal e a aprendizagem ao longo da vida. Pachler, nesta fase, distingue três importantes qualidades, a aprendizagem real mista - mixed reality learning, o contexto especifico de aprendizagem - context-sensitive learning e a aprendizagem contextual e melhorada – “ambient learning”

Qualidade Descrição Aprendizagem real mista - Mixed reality learning. Permite ao aluno a construção de conteúdo e colocá-lo num contexto por intermédio de dispositivos móveis para que outros alunos possam aceder a ele e acrescentá-lo. Aprendizagem sensível em função contexto - Context-sensitive learning. é uma área de grande potencial por possibilitar aos alunos o envolvimento no meaning-making mediante práticas interactivas. Aprendizagem contextual e melhorada - Ambient learning. Faz uso de dispositivos digitais para aumentar o ambiente e permitir a aprendizagem. Quer dizer que estes equipamentos são colocados no mundo real melhorando-o. As ferramentas tecnológicas são usadas para aumentar a actividade do utilizador no contexto.

Ambientes de utilização Dadas as suas características de disponibilidade, facilidade de utilização e, neste momento, diversidade de dispositivos móveis existentes, bem como o crescente aumento de conectividade ao alcance do, também crescente, número de pessoas conectadas à rede, podemos identificar ambientes distintos onde a utilização de m-learning se faz sentir cada vez mais significativamente.

Muitos estudos e projetos têm também sido conduzidos relativamente a esta temática e sob diversas dimensões, como por exemplo, estudo da relação entre abandono escolar e utilização de m-learning, melhoria do ensino com recurso a dispositivos móveis, adoção de m-learning no ensino superior, avaliação da formação profissional, etc.

No ambiente educacional Relativamente à adoção de m-learning no ambiente educacional, mais formal, podem ser identificados diversos estudos, que referem um conjunto de pontos-chave a observar neste campo. Em primeiro lugar evidencia-se alguma confusão acerca do conceito ou definição acerca de m-Learning, que ainda se encontra muito ligação às atividades de e-learning, mais enraizadas no ensino, onde a novidade se apresenta como possibilitar o acesso a primitivas de e-Learning via dispositivos móveis. Depois verifica-se que muitos dos alunos utilizam largamente os seus dispositivos móveis, num foro mais pessoal, para comunicar e registo de momentos das suas vidas particulares, não estando estas atividades diretamente ligadas ao ensino formal (ainda que possam contribuir para a aprendizagem não formal). A nível das instituições de ensino, as ofertas direcionadas para esta metodologia de ensino não são ainda em grande número.

A utilização de aplicações, conteúdos e outras tecnologias móveis estão cada mais presentes nos ambientes de ensino, de forma transversal e em diversos graus de ensino. Em Portugal são conhecidos alguns exemplos de iniciativas que promoveram a utilização de dispositivos móveis e conteúdos educacionais (como a iniciativa, com apoio governamental, e-iniciativas, ou o projeto ManEEle: Manuais Escolares Electrónicos) e mesmo até suportaram o desenvolvimento de aplicações móveis específicas, como o Projeto Uni<Com, promovido pela rede Universia junto das Universidades.

No entanto, a utilização de tecnologia móvel no ensino não está tão generalizada, como se poderia pensar, quando se observa a diversidade e quantidade de dispositivos que os alunos dispõem.

São também referidas questões que se constituem como barreiras para a utilização de m-Learning no ensino, como a literacia digital quer dos alunos quer dos professores, a falta de políticas institucionais que permitam aplicar esta metodologia de ensino a par de outras utilizadas, limitações tecnológicas das instituições, dificuldades na produção de conteúdos específicos para esta modalidade, falta de ofertas externas (mesmo comerciais) direcionadas para os diversos campos do saber, falta de oferta formativa específica e alguma resistência pessoal por parte de alguns membros das comunidades académicas.

No entanto, para além destas barreiras, são também enumerados alguns resultados positivos quanto à utilização de m-Learning em ambientes de ensino, em particular, um número crescente de alunos está a utilizar tecnologias móveis para suporte ao estudo, pode ser um fator motivante para o estudo levando a obtenção de melhores resultados académicos, promove um contato maior e mais constante entre matérias, colegas e professores, permite o estudo deslocalizado (em qualquer lugar), etc. Estes resultados são obtidos também em consequência das potencialidades reconhecidas desta metodologia.

Teorias de aprendizagem De acordo com Crescente e Lee (2011) m-Learning é viável em múltiplos ambientes de ensino e é apropriado no desenho de conteúdos educacionais para diferentes estilos de aprendizagem. Segundo Naismith, Lonsdale, Vavoula e Sharples apud Crescente e Lee (2011), m-Learning pode ser dividido em seis tipos de ensino: Comportamentalista (behaviorist), construtivista, situacional (situated), colaborativo, informal ou ao longo da vida e de suporte.

Os dispositivos móveis facilitam a obtenção de feedbacks quase instantâneos como realçado pela corrente comportamentalista (por exemplo, através do uso de aplicações de SMS ou mensagens instantâneas). No ambiente construtivista podemos aplicar m-learning na investigação e na utilização de jogos, por exemplo. A corrente situacional pode utilizar dispositivos móveis para colocar o aprendente numa situação ou ambiente real, por exemplo, num museu, para consultar informação acerca do tema da exposição. Os dispositivos móveis fornecem também meios para partilhar aprendizagens em simultâneo, para os mais adeptos da aprendizagem colaborativa, como, por exemplo, o desenvolvimento de um documento Wiki, com a participação de diversos autores colaborativamente. A aprendizagem informal ao longo da vida utiliza o m-learning para explorar aspetos das experiências diárias, complementado à aprendizagem com a possibilidade de registo dessas experiências de forma instantânea ou a posteriori, como por exemplo, através da gravação de vídeos ou do registo em blogs.

No ambiente empresarial (formação profissional)

O êxito dos dispositivos móveis, a multiplicidade de aplicações e conteúdos específicos já disponíveis têm vindo a despertar o interesse de diversas empresas na utilização de m-learning na formação profissional dos seus empregados.

Embora algumas questões se levantem relativamente ao m-Learning neste contexto, em particular, a questão de quem deve fornecer os dispositivos (os empregadores ou os seus funcionários - ), a realidade é que o m-Learning (de um ponto de vista de um modelo de formação mais formal) tem já alguns adeptos empresariais.

Ao recorrer a este tipo de formação as empresas elencam um conjunto diverso de vantagens, onde incluem também as perspetivas dos seus colaboradores (e não apenas o ponto de vista dos administradores). Alguns exemplos dessas vantagens serão a melhoria dos resultados de formação, melhoria na adoção de tecnologias no ambiente de trabalho, prolongamento do tempo de formação, melhor ambiente para aprendizagem colaborativa e recepção de feedbacks quase instântaneos (que se torna similar à experiência pessoal dos formandos, quando muitos já utilizam Media Social)"The Chalenges of Mobile Learning in Corporate Training", consultado a 4 de abril 2016