Quinto Minúcio Rufo () foi um político da gente Minúcia da República Romana eleito cônsul em 197 a.C. com Caio Cornélio Cetego.Datas, cargos e citações de fontes primárias retiradas de T.R.S. Broughton, The Magistrates of the Roman Republic (New York: American Philological Association, 1951, 1986), vol. 1, pp. 275, 320, 323, 328, 363, 364–365 (note 6), 367, 379, 405; vol. 2 (1952), p. 592.

Segunda Guerra Púnica

Em 211 a.C., Minúcio era um oficial no exército de Quinto Fúlvio Flaco durante o Cerco de Cápua, quando os romanos conseguiram tomar a cidade depois de terem sido derrotados no ano anterior por Aníbal.Lívio, Ab Urbe Condita XXVI 33.5. Foi também edil plebeu em 201.Lívio, Ab Urbe Condita XXXI 4.7.

Pretor (200 a.C.) No final de 201 a.C., Lúcio Fúrio Purpúreo, Cneu Sérgio Planco, Quinto Fúlvio Gilão e Rufo sortearam qual província cada um governaria como propretores no ano seguinte. Planco foi escolhido como pretor urbano de Roma, Gilão recebeu a Sicília, Rufo ficou com Brúcio (a moderna Calábria) e Púrpureo, a Gália Cisalpina.

Em sua nova província dedicou-se a investigar roubos que estavam acontecendo no Templo de Prosérpina em Locri.Lívio, Ab Urbe Condita XXXI 12.1–5 13.1. Seu comando (imperium) foi prorrogado no ano seguinte, desta vez como propretor, para que ele continuasse sua investigação. O ano todo foi permeado por maus agouros, reportados por Minúcio: um potro nascido com cinco patas e três galinhas nascidas com três pés cada.Lívio, Ab Urbe Condita XXXII 1.7–8, 11

Em seu estudo sobre o pretorado durante a República Romana, T. Corey Brennan especulou que a investigação deste sacrilégio em Brúcio pode ter sido utilizada como pretexto para expor e suprimir dissidentes que ainda estivessem atuando na região; o objetivo oficial da prorrogação de Minúcio era "completar seu inquérito sobre as 'coniurationes' entre os brútios".Brennan, p. 332, nota 135. A palavra "coniuratio" tinha, na época, diversas conotações diferentes; literalmente, significava "jurar junto" ou "juramento" e podia ser uma referência tanto ao juramento ritual quanto a uma conspiração política. A supressão da Bacanália treze anos antes, relatada por Lívio e por um tablete de bronze inscrito com o decreto do Senado, foi também descrita como uma série de "coniurationes", o que revela uma ligação entre a dissensão política e as práticas religiosas na época. Os que foram presos por Minúcio em Brúcio por sacrilégio foram enviados a Roma e devolvidos depois a Locri com instruções do Senado para que devolvessem o dinheiro roubado do temnplo.Erich S. Gruen, "The Bacchanalia Affair," in Studies in Greek Culture and Roman Policy (Brill, 1990), p. 44

Consulado (197 a.C.) thumb|direita|upright=1.3|Mapa da Ligúria. Minúcio foi eleito cônsul em 197 a.C. com Caio Cornélio Cetego e ambos receberam a Itália como província, coordenando suas ações estrategicamente. Minúcio atacou gauleses e lígures,Políbio 18.11.2 e 12.1.Lívio, Ab Urbe Condita XXXII 28.8. avançou até Genua (moderna Gênova) e invadiu a Ligúria. Depois, cruzou os Apeninos e arrasou o território dos gauleses boios, cujo pedido de ajuda aos ínsubres não obteve resposta.W.V. Harris, "Roman Expansion in the West," in The Cambridge Ancient History (Cambridge University Press, 1989, 2nd ed.), vol. 8, p. 112

Cetego, enquanto isso, atacou os ínsubres e cenomanos, conseguindo uma vitória numa batalha campal que resultou na morte de inimigos e na captura de de prisioneiros.Lívio, Ab Urbe Condita XXXII 29–31. Os relatos dos dois comandantes enviados a Roma foram comemorados com um decreto de um supplicatio ("ação de graças") de quatro dias e os dois se apresentaram no Templo de Belona para pedirem, juntos, um triunfo. Dois tribunos da plebe, porém, tentaram bloquear o pedido de Minúcio e, depois de dois dias de discussão, ele próprio desistiu do pedido. Cetego reapresentou seu pedido, que o Senado aprovou por unanimidade ("omnium consensu").Lívio, Ab Urbe Condita XXXIII 22–23. Broughton, pp. 332–333. O Senado negou a mesma honra a Minúcio em parte por que, segundo Lívio, ele não apresentou prisioneiros que comprovassem a captura das cidades que ele alegou ter capturado.Joel Allen, Hostages and Hostage-Taking in the Roman Empire (Cambridge University Press, 2006), p. 99 Depois, alegou-se que ele teria perdido muitos homens numa série de batalhas de pouco resultado.Miriam R. Pelikan Pittenger, Contested Triumphs: Politics, Pageantry, and Performance in Lívio, Ab Urbe Condita's Republican Rome (University of California Press, 2009), pp. 77–78 T. Corey Brennan, "Triumphus in Monte Albano," in Transitions to Empire: Essays in Greco-Roman History, 360–146 B.C., in Honor of E. Badian (Norman, Okla., 1996), pp. 315–337.

Inconformado, Minúcio então realizou seu próprio triunfo não oficial nos montes Albanos — como já havia feito antes Caio Papírio Masão em 231 a.C. — sobre boios e lígures.Lívio, Ab Urbe Condita XXXII 28–31]] e 22–23Acta Triumphalia Degrassi 78f., 552Broughton, pp. 332–333. Este triunfo está registrado nos Fastos Triunfais, mesmo tendo sido realizado sem a aprovação do Senado e de forma diferente da usual, às custas do triunfador, que geralmente utilizava o próprio butim capturado na campanha, o que fez com que Minúcio tenha sido depois processado por apropriação indébita de fundos que seriam do Erário público.Eric M. Orlin, Temples, Religion, and Politics in the Roman Republic (Brill, 2002), pp. 66–67 Geoffrey S. Sumi, Ceremony and Power: Performing Politics in Rome between Republic and Empire (University of Michigan Press, 2005), p. 278, nota 74.

Anos finais Apesar da controvérsia em torno deste triunfo, Minúcio manteve sua influência política e deve ter demonstrado habilidade como administrador, pois foi depois envolvido em negociações internacionais durante toda a década de 180 a.C. e, provavelmente, em 174 a.C.. Às vésperas da Guerra Gálata, estava entre os dez legados enviados, em 189-8 a.C., com o procônsul Cneu Mânlio Vulsão para acertar os termos de um tratado com Antíoco III, do Império Selêucida.Políbio 21.4–45 e 22.5Lívio, Ab Urbe Condita XXXVIII 38–40 e 45–46. Apesar de suas vitórias, novamente houve dúvidas sobre seu direito a um triunfo. Os dez legados concluíram que ele não tinha autorização para agir pois não havia ainda uma declaração de guerra pelo Senado, uma controvérsia que já revela uma preocupação de que o imperium, exercido por magistrado ou promagistrado no exterior, poderia distorcer as relações de poder no sistema republicano de governo.Pittenger, Contested Triumphs, pp. 213ff .Erich S. Gruen, "The 'Fall' of the Scipios," in Leaders and Masses in the Roman World: Studies in Honor of Zvi Yavetz (Brill, 1995), pp. 64–65 .

Em 183 a.C., Minúcio foi um dos três emissários enviados à Gália Transalpina para tentar evitar que os celtas invadissem o norte da Itália.Lívio, Ab Urbe Condita XXXIX 54.11–55.4. Em 174 a.C., é possível que ele tenha sido o "Quinto Minúcio" que foi enviado até Creta com dez navios para acalmar uma situação de revolta.Lívio, Ab Urbe Condita XLI 25.7.

Ver também

Notas

Bibliografia Fontes primárias

Fontes secundárias

Categoria:Cônsules da República Romana Categoria:Romanos antigos do século III a.C. Categoria:Romanos antigos do século II a.C. Categoria:Ano de morte desconhecido Categoria:Ano de nascimento desconhecido Categoria:Nascidos no século III a.C. Categoria:Mortos no século II a.C. Categoria:Minucii Categoria:Pretores da República Romana Categoria:Propretores da República Romana Categoria:Comandantes da Segunda Guerra Púnica Categoria:Diplomatas romanos Categoria:Governadores romanos da Gália Cisalpina