A Lousã () é uma vila portuguesa do Distrito de Coimbra, que pertencia à antiga província da Beira Litoral, e à antiga região do Centro (Região das Beiras), estando atualmente inserida na Região de Coimbra (NUT III), com cerca de 12 921 habitantes (2021).
A vila da Lousã é sede do município da Lousã que tem de área e habitantes (2021) e está subdividido em 4 freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013. O município é limitado a norte por Vila Nova de Poiares, a nordeste por Arganil (numa escassa centena de metros), a leste por Góis, a sudeste por Castanheira de Pera, a sul por Figueiró dos Vinhos e a oeste por Miranda do Corvo.
Informação geral Situa-se na zona de transição entre as duas dinâmicas de desenvolvimento que demarcam a sub-região: de um lado, as terras mais «urbanas», mais próximas da capital regional; do outro, as mais afastadas, com carácter mais «rural». De entre os municípios da sub-região com variação demográfica positiva, o município da Lousã é o que possui a mais elevada (18%), superior aos valores médios da região (3,4%) e do país (4,6%). Estas duas características conferem uma certe relevância da vila da Lousã a nível regional, sendo entre as cidades de Coimbra e Oliveira do Hospital a localidade com mais população e concentração de alguns serviços.
Educação Além disso, a Lousã tem uma extensa rede de escolas públicas, uma secundária, quatro básicas e cinco jardins de infância e uma Pousada da Juventude. Há também uma escola profissional (pública igualmente). Respeito ao ensino privado, há vários centros.
Usos do solo municipal O território municipal está dividido nestes termos: Floresta - 58,6 % Agrícola - 17,2 % Baldios - 22,1 % Social - 2 % Águas internas - 0,1 %
História Pré-história Os primeiros sinais da presença humana na Lousã datam do período "Paleolítico Inferior", há cerca de meio milhão de anos.
Recentemente foram descobertos dezenas de sítios com artefactos em pedra talhada (nomeadamente bifaces, Machados de Mão e grandes Lascas corticais, atribuídas à indústria Acheulense).
Estes novos sítios arqueológicos e os seus artefactos aportam novos conhecimentos para a compreensão da Pré-história no município da Lousã e dos grupos de caçadores recolectores que por aqui habitavam.
Inicialmente, dizem-nos que o sítio arqueológico estudado da Quinta do Conde de Foz de Arouce não é um caso isolado no município da Lousã e que existem inúmeros paralelos ao longo do Rio Ceira, nos mais diversos terraços e a diferentes altitudes.
Os artefactos recolhidos demonstram, através do historial de pesquisas na Quinta do Conde de Foz de Arouce (ver tese de mestrado "Contribuição para o Estudo da Pré História do Vale do Ceira: As indústrias líticas da Quinta do Conde de Foz de Arouce") e do seu estudo, que eram objectos funcionais utilizados, principalmente, para o descarne de animais selvagens.
Tanto as grandes lascas corticais, como os machados de mão e os bifaces, são ferramentas de descarne extremamente eficazes e identificadas como sendo da cultura Acheulense.
Pelo tamanho e peso dos artefactos, poderemos deduzir que foram elaborados a pensar no descarne de animais de grande porte como, por exemplo, Elefantes (Elephas (Palaeoloxodon) antiquus e Palaeoloxodon antiquus), Rinocerontes (Coelodonta antiquitatis e Stephanorhinus kirchbergensis), Hipopótamos (Hippopotamus antiquus) entre outra mega fauna pleistocénica já extinta e documentada, durante o período de elaboração desta tecnologia, por toda a Península Ibérica, sendo uma importante fonte de subsistência para os caçadores recolectores que por aqui deambulavam.
Estes artefactos não foram realizados por seres humanos plenamente modernos (Homo sapiens) mas sim por uma espécie de hominídeo já extinta, que é encontrado associado a esta cultura tecnológica e que perdurou durante mais de um milhão de anos, sendo a tecnologia dominante durante a maioria da evolução humana.
Período romano Do período romano encontramos exemplos que o provam, como restos funerários, utensílios de vidro e metal, moedas e até vestígios das comunicações terrestes romanas. Sabe-se que a zona do vale do rio Ceira e na Serra da Lousã houve explorações mineiras de metais como o ouro.
Período germânico e muçulmano Desde o começo das invasões germânicas até 943 não há mais informação; nesse ano tem-se memória de um tratado entre Zuleima Abaiud e o abade Mestúlio do Mosteiro de Lorvão, e nele menciona-se o topónimo Arauz que está relacionado com o Castelo de Arouce.
Reconquista thumb|left|Castelo de Arouce (Castelo da Lousã).|187x187pxDepois da conquista permanente pelo Reino de Leão da cidade de Coimbra em 1064, a repovoação do território fez-se mais intensa. Atribui-se ao alcaide Sesnando Davides a ordem de fortificar e de reconstruir as edificações, entre elas o Castelo de Arouce (Castelo da Lousã). Do domínio muçulmano, há várias lendas que explicam a fundação do Castelo e outras sobre a vila. Em 1151 o rei Afonso Henriques deu-lhe carta de foral.
Idade Moderna e Contemporânea Em 1513 recebeu uma nova carta de foral pelo rei Manuel I.
Mas foi no século XVIII quando a Lousã começou a modernizar-se, estes avanços puseram-na vanguarda frente a outras vilas. Os episódios mais marcantes deste processo foi a chegada em 1906 do comboio, melhorando desta maneira as comunicações terrestes seguindo a política de inovação e desenvolvimento iniciada pelo ministro Fontes Pereira de Melo e em 1924 a chegada da energia elétrica. Contudo, houve duas pausas neste processo que foram as Guerras Napoleónicas na qual em 1811 teve lugar o Combate de Foz de Arouce (sendo Foz de Arouce uma povoação do município da Lousã), e a Guerra Civil Portuguesa, que fizeram de Portugal um país atrasado tecnológica e industrialmente frente a outras nações europeias.LOPES, Maria Antónia. Sofrimentos das populações na terceira invasão francesa. De Gouveia a Pombal. 2011.
O perímetro urbano antigo ia desde o fim da Serra até onde hoje situa-se mais ou menos a câmara municipal, depois do século XIX espalhou-se por toda a bacia da Lousã. Em 1888 começou a funcionar o hospital, o matadouro em 1893, o teatro velho, a nova igreja matriz em 1874, etc.
Transportes e comunicações A Lousã pelo geral tem boas comunicações terrestres, estando ligada pela EN342 a Miranda do Corvo, a Vilarinho e a Góis, pela EN17 (Estrada da Beira) a Coimbra e Vila Nova de Poiares, pela EN236 a Castanheira de Pera e à localidade de Ponte Velha sob forma de variante onde entronca na EN17. Além disso, é de referir que a EN2 chega a entrar no município por algumas centenas de metros num dos extremos deste e que existem outras estradas municipais entre as aldeias. Tem um aeródromo (apenas está disponível para voos visuais e para aviões ligeiros com um peso inferior a 5700 kg) e a rede de autocarros Metro Mondego, a qual está a suplantar temporariamente o serviço anteriormente coberto pelos comboios que foi desmantelado e que está a ser reconvertido em Metrobus, porém as obras estão congeladas.
Evolução da população do município Número de habitantes Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 9 535 10 415 10 868 11 685 12 622 11 944 12 905 14 525 15 442 13 900 12 750 13 020 13 447 15 753 17 604 17 006 (Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.)
De acordo com os dados do INE o distrito de Coimbra registou em 2021 um decréscimo populacional na ordem dos 5.0% relativamente aos resultados do censo de 2011. No concelho da Lousã esse decréscimo rondou os 3.4%.
Número de habitantes por Grupo Etário INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 0-14 Anos 3 981 4 570 3 504 4 196 4 498 4 369 3 539 3 230 3 079 2 443 2 480 2 780 2 25715-24 Anos 1 942 2 182 2 374 2 489 2 499 2 637 2 397 1 815 1 927 2 096 2 120 1 789 1 77325-64 Anos 4 538 4 680 4 951 5 593 6 067 6 633 6 473 6 025 5 926 6 562 8 466 9 878 9 088= ou > 65 Anos 893 886 744 1 069 1 234 1 411 1 491 1 680 2 088 2 346 2 687 3 157 3 888 (Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)
Política
Eleições autárquicas Fonte: Marktest +Data%V%V%V%V%V%V%V%V%VParticipaçãoPSPPD/PSDCDS-PPFEPU/APU/CDUUDP/BEGCEADPSD-CDSCH197642,42327,02115,2816,84 -197938,71240,88312,74 -3,56 -198250,363ADAD6,82 -37,942198557,22526,6026,31 -5,93 -198961,72528,6421,90 -3,84 -199359,49528,2023,94 -3,73 -199761,14525,9824,18 -4,22 -200166,74618,6614,70 -3,38 -2,18 -200555,75532,1921,32 -3,25 -3,02 -200957,21532,0722,65 -5,04 -201366,386CDS-PPPPD/PSD3,88 -4,22 -17,731201765,85619,9913,41 -5,18 -202152,944 CDS-PP PPD/PSD2,77 -4,83 -32,0432,66 -202533,0031,97 - 8,70 -45,1446,59 -
Eleições legislativas +Data%PSPSDCDSPCPUDPADAPU/ CDUFRSPRDPSNBEPANPSDCDSLCHIL197644,4122,1715,483,231,31197940,24ADADAPU2,7141,497,361980FRS1,6243,146,0039,23198353,5225,048,090,696,54198537,4227,896,971,057,5512,10198735,5447,383,77CDU0,373,982,50199138,3249,322,522,740,471,51199555,0531,236,030,542,740,16199955,8928,836,203,601,50200249,0335,056,712,822,69200552,8625,895,293,706,63200943,5125,737,944,0211,70201134,1336,959,174,405,871,40201539,00CDSPSD4,9011,281,1433,700,51201944,0922,402,804,0411,633,290,790,890,84202249,1825,741,162,435,941,400,906,423,16202434,54ADAD26,881,886,541,983,0715,883,49202528,64CDSPSD1,922,891,6031,594,4319,233,98
miniaturadaimagem|256x256px|Bandeira da Lousã
Heráldica
O preto simboliza a honestidade e a terra; As espigas em ouro representam a agricultura local; A roda móvel simboliza a notável indústria do papel; Os rios são representados por riscas onduladas de cor azul e prata; A coroa mural de quatro torres é a que levam as vilas. thumb|Vista da Lousã desde a Serra da Lousã.
Artesanato e produtos tradicionais thumb|Um pote de uma marca de Mel da Lousã. A vila da Lousã carateriza-se pela sua "mistura" da modernidade com a tradição; os trabalhos artesanais são: a fabricação de cestos, trabalhos em xisto, bijuteria, trabalhos em madeira e em papel, cerâmica e costura.
Além dos trabalhos artesanais, a Lousã também é conhecida pelos seus vinhos, pelos seus licores (o mais conhecido a nível português é o Licor Beirão), pela sua mel DOP da Serra, pelos seus doces e pelas suas plantas.
Freguesias thumb|right|Freguesias do município da Lousã. O município da Lousã está dividido em 4 freguesias:
Foz de Arouce e Casal de Ermio Gândaras Lousã e Vilarinho Serpins
Património arquitectónico
Pelourinho da Lousã (Monumento Nacional) Castelo da Lousã (Monumento Nacional) Casa do Arco ou Casa dos Magalhães Mexias Casa dos Lopes Quaresma Fábrica de Papel do Boque Palácio dos Salazares ou Casa da Viscondessa de Espinhal /Palácio dos Viscondes do Espinhal Casa de Baixo Casa de Santa Rita Casa do Fundo de Vila Casa dos Condes de Foz de Arouce ou Casa da Foz de Arouce Aldeias serranas do concelho da LousãALVES, Luiz, et al. Ecomuseus E Desenvolvimento Local: O Caso Do Ecomuseu Tradições Do Xisto (Serra Da Lousã). Desarrollo local sostenible, 2014, no 20. Pelourinho de Serpins Capela da Misericórdia da Lousã Casa da Rua Nova ou Casa de Cima Igreja Paroquial de Vilarinho ou Igreja de São Pedro Capela de Santa Rita Casa do Comendador Montenegro ou Casa de São Pedro Casa de S. Bento, do Regueiro ou de Júlio de Lemos Casa da Quinta de Baixo ou Casa da Quinta de S. José Capela do Reguengo Casa da Lagartixa Centro de Saúde da Lousã Novo Centro de Saúde da Lousã Casa dos Feios de Carvalho
Património natural e cultural